North War – Interativa
17 Capitulo 16
Notas iniciais
Karhold
Ethan viu o momento que as portas foram abertas para que ele e seus cavaleiros ingressassem no salão. A cada passo de suas botas ecoou pelo chão de pedra no grande espaço bem como pode escutar o som da lenha nas lareiras que crepitavam. Porém, seus olhos focavam-se apenas a sua frente para a garota que lhe aguardava.
Jenyver estava sentada na cadeira do lorde que era de direito do pai. Parecia uma princesa com o seu vestido em azul escuro e detalhes em prata junto com o penteado na moda nortenha. Porém, em sua face de menina havia um olhar e expressões sérias como o de um senhor o que contrariava a delicadeza do conjunto.
Thorrun Snow estava ao lado direito dela com a única mão que possuía segurando o cabo da espada. Ao lado esquerdo um jovem meistre que tentava manter uma expressão neutra e as mãos juntas com os dedos entrelaçados, mas ele podia sentir uma tensão vinda dele como apenas um observador mais experiente veria.
Um velho bastardo maneta, uma garota aleijada e um meistre recém-consagrado com ares de inexperiente. Uma primeira visão muito fraca que tentava parecer imponente ainda mais com a dúzia de guardas que estavam dispostos ao longo das paredes de pedra cinzenta, cujas sombras se projetavam de maneira orgulhosa pela luz que entrava das janelas altas e estreitas.
Lorde Ethan encaminhou-se com elegância até o centro do salão quando o meio-irmão de Lorde Torrhen Karstark se pronunciou. Seu gesto fora brusco e suas palavras soaram como um rosnado de cão irritado.
— Fique ai mesmo nem mais um passo – disse Thorrun Snow.
Ele então parou bem no centro da figura do sol prateado que se encontrava no meio do salão. Era fácil colocar o símbolo em cada coisa que possuíam quando este era uma figura majestosa e ao mesmo tempo bela como um astro celestial, queria vê-los colocando em todos os lugares caso se tratasse de um homem esfolado. Harrion Hornwood parou ao seu lado dois passos atrás dele e os outros quatro homens vestidos com armaduras com o emblema dos Bolton.
Lorde Ethan sentiu a ira que pairava no salão naquele momento. Toda a tensão dos olhares dos guardas de Karhold enquanto escutava o som de bestas sendo carregadas. Porém, quando seus cavaleiros fizeram menção de sacarem as espadas foi que os impedira com um gesto. Poderiam fazer se quisessem, era uma diferença pequena de dois homens para um.
Mas não era necessário, ele estava ali sobre uma bandeira de paz sendo que ele ainda tinha o tecido branco amarrado numa lança. Eles a encaravam certamente esperando que Lorde Ethan fizesse uma loucura ao arremessa-la na direção da garota.
Claro que ele poderia acerta-la, um lançamento fácil para uma distância curta e ela era um alvo fácil. Mas não queria mata-la nem queria morrer como sabia que no instante que fizesse isso aqueles guardas disparariam seus dardos contra ele e seus companheiros. Não, a casa Bolton podia ter fama de gerar loucos ensandecidos, mas ele ainda era são. Não cometeria o erro de Royce em atacar alguém dentro dos próprios muros dessa pessoa quando o oponente naturalmente tinha a vantagem.
Lorde Ethan então se agachou e depositou a lança no chão como um sinal de boa fé que pareceu agradar Thorrun Snow como o bastardo tirou a mão da espada. O senhor de Águas Chorosas tinha deixado combinado para os homens que o aguardavam. Que se ele e os cinco homens que o acompanhavam não saíssem antes do por do sol então a tropa que tinha ficado do outro lado deveriam atacar.
Escutou as portas sendo trancadas atrás de si, mas não temeu. Não seriam tolos de mata-lo assim ou mesmo captura-lo. Ou poderiam ser, tudo dependia da garota sentada naquele trono feito de madeira.
— Levante-se e diga o que o trás aqui, Lorde Ethan. – soou Jenyver Karstark em seu tom de comando. Ela tinha a espada pousada sobre os joelhos de forma a mostrar o aço para que todos no salão pudessem ver.
Lorde Ethan Bolton deu um meio sorriso ao saber que aquilo era o toque discreto que encabeçava a recepção. Cada homem nobre no Norte sabia o que significava receber um hóspede com uma espada desembainhada. Então o homem ergueu-se em seus próprios pés.
— Lady Jenyver é isso? – falou Ethan Bolton com casualidade — Falaram-me de você e eu imaginei uma criança agora que estamos frente a frente vejo que é uma bela jovem. – ele deu um meio sorriso — Diga-me que idade tem?
— O suficiente para saber que isso não é de seu interesse, Lorde Ethan. – disse Jenyver — Apenas mais uma tentativa de ser simpático e tentando ludibriar-me com falsos elogios... Sei que não sou a mais bela donzela do Norte quando comparada com outras filhas de casas nortenhas. Não me importo com beleza, superficialidade nada mais.
— Seu tom de voz é bastante forte para uma dama de qualquer maneira. – respondeu Ethan — O fogo que tem em seus olhos é algo que você certamente trás de seu pai. Lorde Torrhen Karstark é um homem admirável mesmo eu reconheço seu valor. E Rodwell, seu falecido herdeiro, uma perda lamentável para sua casa.
Jenyver permaneceu ereta enquanto o encarava com a seriedade no olhar então ao escuta-lo pronunciar o nome do irmão foi cravara ainda mais os dedos na madeira do braço da cadeira. Ethan percebeu que a havia incomodado não esperava que fosse ser tão fácil apesar dele ter jogado um tanto baixo ao cutucar uma ferida cicatrizada, porém que ainda sangraria se ele insistisse.
Queria ele sentir-se tão abalado assim pela morte dos seus dois irmãos, porém não se sentia tão abalado também pudera um era sádico enquanto o outro era um promiscuo. Apesar que é claro que ele era um homem grisalho e endurecido pela vida enquanto aquela garota ainda cheirava a leite e ao frescor da jovialidade.
— Meu irmão morreu em um confronto contra uma das suas casas vassalas. – disse Jenyver – E não fale de nenhum dos dois como se fosse um velho amigo de nossa família, Lorde Ethan. Porque é um fato de que o senhor está longe de tê-los realmente conhecido.
— Não é mentira que não nutro amizade com qualquer membro de vossa casa, mas devo lembra-la de que costumamos participar dos mesmos eventos sociais em decorrência de nossas posições. Torneios, festivais... – respondeu Ethan — Eu vi seu irmão de longe várias vezes.
Ela ficara em silêncio não fazendo nenhum comentário a respeito daquilo. Talvez não estivesse na intensão de prosseguir com o assunto, era uma pena que Ethan ainda não tinha dado um fim e queria ainda provoca-la ainda mais. Estava testando-a e queria ver se a garota iria responder como esperava.
— E está certa quando diz que ele morreu em um confronto contra membros vassalos de nossa casa, está aqui Harrion, sobrinho de Lorde Hornwood. – disse Ethan indicando o rapaz ao seu lado — Meu braço direito que a caminho daqui contou-me sobre esse conflito infeliz...
Harrion tinha se sentido desconfortável quando ele pediu para que fosse um dos homens que o acompanhasse para dentro de Karhold certamente que preferia mais estar do outro lado dos muros com o restante da tropa. Mas mesmo assim o acatara, Harrion Hornwood era um dos poucos homens que confiava porque sabia que o rapaz o amava.
O amor era uma ótima arma na hora de conquistar a lealdade e o que mais quiser, porém ao mesmo tempo é uma fraqueza quando se ama. Por sorte, Ethan não era um desses tolos sentimentais. Não amava sua esposa, não amava os filhos o suficiente para se sacrificar por eles. Ele era um homem estritamente egoísta para amar.
Naquele momento podia ver outros tipos de sentimentos nos olhos de Jenyver Karstark enquanto ela fitava Harrion ali diante dela com o símbolo do alce em sua armadura e as cores dos Hornwood. Havia ódio nos olhos dela e certa raiva, perguntava-se o que se passava na mente daquela garota.
— Eu chamaria mais do que um simples conflito infeliz – disse Jenyver – Perdemos bons homens além de meu irmão. Foi uma desavença que tirou filhos de suas mães, deixou mulheres viúvas e crianças órfãs.
— Um desentendimento entre vizinhos não haveria como saber que o desvio de um pequeno rio se transformaria em algo tão trágico. – disse Ethan – Perderam-se por ambos os lados, milady. O pai de Harrion foi um desses.
— Também temos nossa cota de viúvas e órfãos por conta daqueles cinquenta dias em que durou o conflito – disse Harrion com um tom de voz sério – As perdas de meu pai e de seu irmão foram trágicas, milady. Mas são consequências que as batalhas trazem...
Ethan pode notar o olhar de Jenyver preso ao dele ignorando aparentemente o rapaz que se dirigia a ela. Ela estava séria e suas palavras foram cortantes quando ela interrompeu o que Harrion dizia e se dirigiu não ao Hornwood e sim diretamente ao Lorde Bolton.
— Peça para que seu homem fique em silêncio, Lorde Ethan – disse Jenyver – Não estou aqui para tratar com um Hornwood e nem falar sobre um assunto do passado. Então, saiba que só tratei com o senhor e será o único que terá a permissão para se dirigir a mim. – Então encarou Harrion – Ficou claro? – E devolveu o olhar então para o Bolton.
Ethan sorriu, uma atitude um tanto rara para seu semblante sempre sério, sendo que em seguida assentiu. E em resposta usou um tom de voz manso enquanto pronunciava uma frase que sabia que iria irrita-la. Oh, ele estava gostando daquele jogo.
— Porém, fique ciente que tanto nós quanto o seu rei em Winterfell não interferirmos inicialmente por acreditarmos que deveríamos deixar que isso fosse resolvido entre as duas casas. – disse Ethan — Não estava em nós nos metermos em desavenças como está. Caso o contrário poderíamos estar infligindo o tratado de paz. É claro, que no final tivemos de dar um basta...
Era seu cinismo dando o ar da graça e ele pode perceber que a lady de Karhold tinha percebido isso. Se ela sentiu-se mais irritada então soube se controlar porque relaxou mais o corpo sobre a cadeira antes de responder.
— Infligir o contrato de paz? – disse Jenyver então dando um sorriso sarcástico — Bem, o seu falecido sobrinho não o respeitou quando invadiu Winterfell e agora estamos em guerra. Realmente, há muita lógica em suas ações.
— Nas do meu sobrinho não havia nenhuma é um fato – disse Ethan – Mas é verdade o que apontou, criança. – ele olhou-a com sua face neutra — Sim, nós estamos em guerra. Porém não estou aqui para ataca-la.
— Não sou uma criança, Lorde Ethan. E o senhor não é uma ameaça e nem está em posição de fazê-las. Não está em posição para tal ao menos que queira que eu dê ordem aos meus homens. – disse Jenyver indicando a ambos os lados do salão para os guardas com suas bestas – Um gesto e está acabado para você aqui.
Ethan podia sentir alguns de seus cavaleiros apreensivos. Mesmo Harrion parecia um tanto temeroso como ele encarou os guardas com as bestas apontadas diretamente para eles. Para Lorde Bolton era apenas mais uma missão diplomática. Não se sentia tão ameaçado quanto sabia que dificilmente aquela garota daria as ordens para que disparassem contra eles. Eram só palavras, nenhuma atitude ainda tinha sido tomada. Intimidação barata, nada demais.
— Da mesma forma que cruzei seus portões em paz desejo me retirar sem que nenhuma espada precise ser desembainhada ou flecha disparada – respondeu Ethan – Eu estou aqui apenas para conversar, milady.
— Posso ser jovem, mas não irá enganar-me facilmente. – falou Jenyver — Esta tramando algo e espera que eu ceda, mas isso não dará certo.
— Jovem? – respondeu Ethan com um sorriso de canto de boca em seu tom cínico — Realmente, muito jovem para saber o quão pesado foi o desígnio de seu pai. Não sabe o que está se metendo ao colocar-se frente a esse castelo.
— Isso é uma ameaça, Lorde Ethan? – questionou Jenyver erguendo uma sobrancelha inquisidora.
— Não, apenas um pensamento a respeito de uma garota jovem mal florida ser responsável por tantas pessoas. – falou Ethan com sua voz arrastada como se aquilo fosse casual e não um insulto velado.
— Meu pai confiou a mim um peso que ele sabia que eu seria capaz de carregar. – respondeu Jenyver ofensiva e sem alterar sua compostura — Eu serei Lady de Karhold até o seu regresso e responderei e me responsabilizarei por cada um dos meus. Como é de meu dever.
— Sim, eu vejo como sabe lidar com seus visitantes, sem pão e sal. – disse Ethan — Nenhuma cortesia, não deveria ter esperado por tal até porque é melhor que seja assim do que bancarmos falsa cordialidade. Não é mesmo, Lady Jenyver?
— Que bom que percebe – disse Jenyver.
— Você me recebe com aço em seu colo deixando claro que não sou bem vindo aqui. – disse Ethan — Realmente, bastante sutil e ousando de sua parte.
— Que bom que interpretou a mensagem pensei que tivesse de ser mais clara a respeito de como me desagrada ter de estar encarando-o aqui. – respondeu Jenyver — Porém, eu estou curiosa para ouvi-lo e saber o que trás Lorde Ethan Bolton a minha casa. Seja rápido e quem sabe não terei perdido meu dia inteiro.
— Fala com ferocidade em suas palavras. Então vamos conversar como adultos como deseja. Talvez você tenha ouvido falar sobre como a união entre seus avós ocorreu? – questionou Ethan — De como Lorde Thor Karstark sequestrou a única filha do Rei Vermelho daquela época.
— Eu conheço essa historia até agora nada de que eu não saiba. – disse Jenyver – Deseja reivindicar seus ossos se assim for o guiamos até nossas criptas. – soara sarcástica – Poupe-me de algo que já conheço. Lady Edwiges nascida na Casa Bolton...
— Provavelmente conhece é uma bela trama que deveria entrar em contos. – respondeu Ethan — Uma historia de amor certamente, de como um homem apaixonado tirou sua amada da família horrível que ela detinha... É claro que houve uma guerra e sangue foi derramado por conta desse amor proibido e imprudente. Mas olha só onde estamos agora não é mesmo?
— Veio relembrar o passado, milorde. – disse Jenyver — Deve ter acordado de repente uma bela manhã e se lembrado de nós sendo que agora está aqui dizendo palavras sem sentido e ocupando o meu tempo que podia ser mais bem aproveitado.
— Você realmente, não vê aonde quero chegar, Lady Jenyver? – falou Ethan — De como alguns contratos são feitos a tinta e outros são a sangue. Somos parentes, minha jovem. Sua avó era uma de nós até que seu avô a tirou de nossa casa, mesmo essa vergonha na mancha histórica ainda assim trouxe oportunidades maiores.
— Não acredito que está propondo-me isso. – disse Jenyver — Você quer que nos aliemos a vocês e que nós traiamos Rei Brandon? Eu lhe digo algo que talvez o senhor não saiba, Lorde Ethan. A única coisa sensata que saiu de sua boca e que devo concordar é de que alguns contratos são feitos por sangue... E há um que nossa casa sempre irá cumprir que é apoiarmos aqueles com quem compartilhamos nossa linhagem sanguínea.
— Minha casa descende de uma ramificação secundária dos Starks. – continuou Jenyver — O fundador foi Karlon Stark, um segundo filho que ajudou a por fim a expansão dos Andalos no Norte. Um príncipe que é lembrado por tanto pela família real de Winterfell quanto nós que somos sua descendência. Se hoje, ainda temos a maioria da nossa cultura... Se ainda rezamos aos deuses antigos e ainda cumprimos outras tradições dos Primeiros Homens. Isso se deve aos Karstarks... – ela fez uma pausa para então finalizar — Nós somos o Sol do Inverno.
— É um belo discurso, é fácil ter coragem quando se está dentro de um castelo e sentada em uma cadeira confortável. – disse Ethan — Mas são palavras, criança. Palavras podem ser belas armas e muitas vezes ferem mais do que uma espada. Eu sei que por vezes pena e tinta podem por fim a uma guerra antes que ela começa... – ele fez uma pausa e encarou para então continuar — Só que criança não é esse o caso. O Norte irá sangrar...
— Eu não sou de abalar-me ainda mais frente a alguém que sei que está deixando levar-se pelo momento. Você nunca recebeu maior honra não é mesmo? Seu pai sempre deveria privilegiar seus irmãos invés de você. – continuou Ethan — Só que agora, você está ai... – apontou na direção da garota — Apenas porque um lorde e seu novo herdeiro estão indo para a guerra e não há nenhum outro filho para ocupar essa posição o que faz com que uma garota tenha de cumprir com esses deveres.
— Como se atreve – rugiu Thorrun Snow sacando sua espada ao que foi acompanhado por Harrion Hornwood e os outros quatro cavaleiros indo para imitar o gesto só que foram parados por Lorde Ethan.
— Sor Thorrun – disse Jenyver e fez um sinal negativo ao que foi respondido com o Barba Branca embainhando a espada.
— É bom não é? – falou Ethan – Eles são como os seus cachorros e te obedecem só que a lealdade deles não lhe pertence apenas estão fazendo isso porque é o dever deles. – Ele tornou a indica-la — A cadeira de seu pai, tão confortável e você deve sentir o poder dela.
Ele pode perceber o silêncio dela que ainda o fitava com sua seriedade, porém ele pode notar o quanto naquele momento ela havia erguendo-se ereta, fincando as unhas contra os braços da cadeira. Sua cabeça erguia num ar de desafio, o que ela queria enganar? Ou talvez, estivesse tentando manter seu orgulho intacto frente toda aquela pose.
— Só que esse lugar não lhe pertence por melhor que você seja. Ela nunca será sua por melhor que você faça a menos que seu irmão venha a ter um fatídico fim. – disse Ethan — Não se vicie com o poder criança, caso o contrário será difícil quando seu irmão retornar e reivindicar o direito dele... – ele deu um sorriso — Você irá desejar que ele tenha morrido naquela guerra.
Ele pode ver Thorrun Snow engolindo em seco com uma face de repugnância enquanto o encarava. A única mão que possuía tinha se fechado em um punho e o velho certamente desejava ataca-lo, era uma pena, porém que ele necessitava do comando de uma criança para fazer isso e que provavelmente morreria. Ethan saberia que se fosse morrer não seria por um velho maneta.
Ethan desviou o olhar então para Jenyver e soube que suas palavras estavam a irritando. Porém, a tinham magoado também. Sim, ele sabia reconhecer aquele olhar e como a tinha magoado com duras verdades. Ele já estivera na posição dela, na guerra vinte anos atrás fora ele o lorde interino em Forte Pavor enquanto seus irmãos e pai lutavam na guerra. Ele sabia o que era não ter seu valor verdadeiro reconhecido.
Porque um terceiro filho sabia como era estar em uma posição como a dela, destinado a não ter nada além do que conquistasse por seus méritos próprios enquanto ela teria apenas aquilo que seu marido pudesse lhe proporcionar.
— Como vê? – disse Ethan — Eu também sei usar as palavras e as minhas machucam porque são verdades cruéis. Eu vejo em seus olhos e sei que reconhece de que estou certo.
— Lady Jenyver não perca o controle da situação. – pediu Meistre Fall.
— O senhor esta tentando me atingir só que não conseguirá. – disse Jenyver.
Orgulhosa, é claro que diria disso. É uma pena que consiga ver além do que você quer me mostrar, criança. Pensou Ethan, porém decidiu dar prosseguimento na conversa dele com a donzela.
— Não, eu não quero atingi-la. Apenas quero que entenda que os Boltons irão vir tomar aquilo que lhes é de direito por séculos que é o domínio por completo do Norte. – disse Ethan — E como somos parentes venho até os Karstarks para lhes informar que se mantenham neutros porque se apoiarem os Starks então nós não poderemos evitar confrontos.
— Agradeço por sua atenção em querer nos oferecer essa proposta que é de nos escondermos e esperarmos o fim da guerra. – respondeu Jenyver — Não está em nós, agora se não há mais nada a se tratar.
— Compreendo que sim, ainda pergunto-me que tipo de casa é essa que vejo diante de mim? – questionou Ethan.
— Uma casa de homens honráveis. – falou uma voz vinda de um dos lados do salão e ao voltarem os olhares puderam encarar a face de Alais, a esposa de Torrhen.
Ethan encarou-a. Ele tinha estranhado a ausência da senhora que deveria estar ali ao lado da filha, mas era fato que não deixaria de aparecer para se fazer presente. Aquele olhar sério e a posição ereta eram imponentes certamente o que a garota queria transparecer era o que a mãe dela possuía. Com segurança em suas palavras sem falar no fogo que lhe queimava nos olhos. Era uma mulher a altura de estar ao lado de um homem como Torrhen Karstark.
— Lady Alais Karstark. – falou Ethan fazendo uma reverência.
— Você aparentemente esqueceu os bons modos, Lorde Ethan. – respondeu Alais — Vem até meu lar, insulta minha filha e nossa casa. Nós lhe recebemos em nosso salão mesmo sendo nosso inimigo e esperamos que entenda que deva se retirar agora.
— Não tenho a intensão em desrespeita-la, minha senhora. – disse Ethan — Nem queria ter me excedido tanto, com sua filha ainda mais sabendo da condição dela. Mas a conversa ainda não acabou.
— Acabara quando minha filha disser que acabou. – falou Alais com um tom de voz decisivo. Todos então tornaram a encarar Jenyver quando está se ergueu da cadeira em que estava sentada.
Jenyver segurava a espada com as duas mãos no punho e a lâmina estava com a ponta apontada para o chão. Houve uma troca de olhares entre mãe e filha antes que a garota voltasse seu olhar para o visitante. Ela então bateu a espada no chão. Fora um sinal para os guardas abaixassem suas bestas e as portas fossem abertas.
— Acabou, Lorde Bolton. – disse Jenyver — Preciso mandar meus homens o levem para fora daqui ou irá pelas suas próprias pernas e com a sua dignidade?
Ethan agachou-se e pegou a lança com o pano branco em mãos. Ele ergueu o olhar diretamente para a donzela a sua frente sem parecer fazer nenhuma questão de se mover e o seu silêncio foi notado por Lady Alais.
— Minha filha esta governando esse castelo enquanto o meu marido e filho estão em batalha. – falou Alais — Pela lei ela é a senhora desse castelo até o regresso ou caso ele não ocorra então assumira as funções permanentemente. E por direito, a palavra dela é lei dentro do território que corresponde a nossa terra. Então, peço que acate o pedido dela e se retire.
Ethan respondera aquilo com uma reverência a moça que fora acompanhada pelos seus cavaleiros. Então todos os seis seguiram em direção as portas e quando Lorde Bolton já estava do lado de fora então voltou-se para encarar novamente a filha de Torrhen.
— Envie um corvo para seu pai e conte que eu estive aqui. – falou Ethan.
— Tenha certeza de que farei isso. – respondeu Jenyver.
Lorde Ethan então seguiu junto de seus homens ao que os guardas fecharam as pesadas portas. Jenyver suspirou pesadamente enquanto encostava a espada que usara num dos braços da cadeira de seu pai. Ela então descera o único degrau do elevado sendo acompanhado pelo castelão e o meistre.
— Sua filha honrou o nome de sua casa, milady. – falou Thorrun Snow para Lady Alais — Ela é uma verdadeira Karstark.
— Você foi corajosa, minha querida. Mas terá de ser mais corajosa ainda quando o pior vier para cima de nós. – respondeu Alais — Uma visita de um Bolton nunca trás coisas boas. Prepare um corvo, precisamos mandar uma carta para Winterfell o quanto antes.
...
Lorde Ethan Bolton e sua guarda foram guiados por dez guardas até aos portões de ferro que davam acesso para os muros. Os vigias já o tinham erguido de modo que os visitantes o cruzaram sem nenhuma cerimonia ainda assim Ethan podia sentir os olhos de todos sobre si. Não apenas dos guardas como dos outros serviçais que pararam o faziam para encara-lo enquanto se retirava.
Ao lado de fora de Karhold um dos soldados trouxera o cavalo do lorde que o montara e então dera uma volta com o cavalo de modo a encarar o castelo. Harrion em sua montaria se aproximou dele lhe encarando como se esperasse suas palavras ao olha-lo pode notar na expressão do rapaz certa preocupação.
Então puxara as rédeas do cavalo e dera meia volta na direção de seus homens e trotou para longe da entrada que dava ao lar dos Karstark. Ele pode escutar o seu intendente o chamando e o viu no momento em que colocou o cavalo ao lado do seu.
— Está bem, milorde? – questionou Harrion.
— Eu sei o que pensa – disse Ethan – Que cometi um erro vindo até aqui e que foi uma ideia estúpida. Mas a verdade é que não foi tempo perdido... – ele encarou o Hornwood – Os lobos de Winterfell podem ser os nossos principais inimigos só que a força na guerra estar em seus aliados. E eu sei quem são os maiores aliados dos Starks.
— Eu entendo ao que se refere – disse Harrion – Os Karstarks são grande parte no exercito de Rei Brandon. – ele fez uma pausa — Mas vir até Karhold e falar com a filha de Lorde Torrhen...
— Foi necessário, deixe-a que pense que me derrotou e humilhou-me – disse Ethan – O que houve aqui, Harrion. – eles cavalgavam agora lado a lado em meio aos homens que debandavam pela estrada enquanto ao fundo ainda poderiam ver Karhold cada vez mais distante — Hoje foi tudo parte de meu plano.
— O que foi que aconteceu aqui hoje? – disse Harrion – Eu não compreendo.
— Eu vim conhecer a pessoa que está do outro lado do tabuleiro – disse Ethan – Precisava saber de quem se trata antes de iniciar minha jogada. E acredite, foi apenas o meu primeiro movimento...
— O que devemos fazer? – disse Harrion.
— Escolha homens que possam manter-se como sentinelas e vigiar Karhold a distancia – disse Ethan – Ordene-os que mandem relatórios para nós caso algo de estranho aconteça naquele castelo. Quero olhos atentos vigiando-os antes que eu decida prosseguir meu jogo.
Fale com o autor