North War – Interativa
16 Capitulo 15
Notas iniciais
Forte Pavor
Larra deslizara seus dedos sobre as cordas de sua harpa enquanto via a harmonia das notas soarem ao ar livre. Estava uma bela manhã para perdê-la dentro de seu quarto e com tantos visitantes era compreensível que por alguns momentos ela sentisse a necessidade de escapar. Agradecera por ninguém ter pedido para acompanha-la quando anunciou que estava indo até a árvore coração para fazer suas preces.
Era um fato que aquele lugar era pouco frequentado e era por conta desse fato que era ali seu refugio. Larra sabia que não vivia no castelo mais belo do reino, porém em meio ao aspecto sombrio e frio que era Forte Pavor havia aquela pequena parte que lhe alegrava.
O Bosque Sagrado que lá havia tinha a árvore coração e ao redor dela havia praticamente sido criado um jardim. Era luminoso e arejado, com um ar limpo que lhe fazia tão bem. Era um lugar onde as grandes árvores de pau-ferro e represeiros espalhavam-se altos e volumosos com sombras convidativas para os dias quentes tão raros no Norte.
Seu terreno era gramíneo, porém ainda assim havia um aspecto úmido no solo por conta dos pequenos córregos que corriam ali vindos de suas nascentes e desaguando no rio das Lágrimas Chorosas que cruzava as terras pertencentes aos Boltons. Mas eram as aves que cantavam em ninhos escondidos que davam a música natural ao lugar e o ar era perfumado pelo odor de flores que ela mesma tinha cultivado.
Sua mãe não aprovara a ideia dela praticar jardinagem, era fato que imaginava que um trabalho daqueles poderia ser de alguma forma prejudicial para a saúde frágil da princesa. Mas o Meistre Lywin aconselhou que seria bom que Larra pudesse ter uma atividade maior ao ar livre afinal tomar mais sol lhe faria bem. Eles estavam no outono então as flores já tinham secado, mas se lembrava de como na primavera elas tinham desabrochado lindamente.
Rosas vermelhas faziam um caminho lindo até a árvore coração, a princesa gostava delas só que sempre quis cultivar rosas de inverno, mas nunca pode como tal espécie era um símbolo da casa rival de sua família. Era uma pena, porque Larra sempre desejou poder tê-las por serem tão belas.
Ela continuou praticando então com sua harpa sendo uma melodia e canção diferente da que tinha praticado naqueles últimos dias. A música de despedida que sua mãe havia lhe solicitado e que Larra tinha aprendido a desgostar.
A cerimonia em honra do falecido rei, Royce Bolton, se aproximava e a canção teria de estar pronta para quando o velório simbólico fosse feito. Larra realmente sabia que ele não merecia tantas condolências porque não havia sido um bom pai ao menos com ela. Mas ela teria de cumprir seu papel, sendo que por uma última vez teria de fingir que o amava.
Foi naquele momento que escutou um barulho e parou então deixando o instrumento musical ao seu lado na grama enquanto se erguera. Então pode escutar um par de vozes que lhe eram familiares e sorriu. Larra pegara a barra dos vestidos e correu atrás de uma árvore.
— Larra. – chamou Ellyn, que foi a primeira a aparecer. Ela era a mais velha das gêmeas por alguns minutos e desde que Larra se lembrava de era Ellyn a mais corajosa e confiante das irmãs mesmo para os seus 11 anos de idade.
— Larra. – gritou Branda dessa vez. Está era idêntica a primeira e vinha logo atrás parecendo um pouco assustada como lhe era típico, o que havia em confiança na mais velha faltava na mais nova das gêmeas Boltons. Talvez fosse culpa da mãe delas que sempre parecia mimar ela mais. – Ela não está aqui, vamos embora Ellyn.
Larra podia ver as irmãs de onde estavam. As gêmeas tinham herdado muito da mãe delas, os mesmos cabelos negros lisos e os olhos na tonalidade de opalas. Tinham a pele pálida típica dos Boltons e constituição magra típica de garotas na idade delas que antecedem as curvas que viriam com as formas que o corpo traria para elas dali um par de anos.
Elas tinham feito o decimo primeiro dia de seu nome a cerca de quatro luas atrás, porém parecia ter sido há muito mais tempo. Em três anos elas já estariam sendo consideradas boas moças e propostas de casamento certamente surgiriam, por enquanto eram apenas crianças como Larra tinha sido também.
— Lógico que está – falou Ellyn – Você escutou o som da música e olha só... – Ela recolheu a harpa do chão – Isto está aqui e é dela. Nossa irmã está aqui por perto – então tornou a olhar ao redor – Larra.
— Larra – chamou Branda novamente.
— Larra – chamou Ellyn – Ela não pode ter ido tão longe.
— E se ela foi sequestrada como a princesa Stark? – falou Branda parecendo temerosa – Ela desapareceu dentro do castelo da família dela. Larra não devia ter vindo aqui sozinha mesmo que para rezar.
— Está de dia – disse Ellyn – Ninguém iria sequestra-la a essa hora. – E entregou a harpa para a gêmea — E pare de dizer bobagens sem sentido...
— Não é sem sentido – falou Branda choramingando – Vamos voltar e chamar a Enya para nos ajudar a procurar. Não quero continuar com isso...
— Elenya foi que nos disse que ela estaria aqui – disse Ellyn – Vamos continuar procurando – E elas continuaram a andar pelo bosque sagrado e chamar pelo nome da irmã mais velha.
— Não estou conseguido encontra-la. – disse Branda — E você?
— Larra está jogando com a gente – falou Ellyn parecendo perceber o que estava acontecendo — Ela se esconde bem, e se fosse esperta saberia que está na hora de aparecer. – Essa última parte falara mais alto.
— Não gosto mais desse jogo. – disse Branda – Não tem nenhuma graça. – Então pareceu pensar algo e sua voz soara afobada — Talvez algo tenha acontecido com ela.
— Larra está bem, ela só se esqueceu de que isso é uma brincadeira boba. – disse Ellyn – E é melhor aparecer logo. – essa outra parte soara novamente mais alto.
— Vocês me encontraram. – disse Larra saindo detrás da árvore chamando a atenção das gêmeas e pode ver Branda correndo na direção dela — Muito bem, Branda. – então a gêmea a abraçou — É só uma brincadeira, Branda.
— Uma brincadeira estúpida. – disse Branda choramingando — Não gosto dela.
— Ela estava com medo de que você estivesse sido levada – disse Ellyn – Ou indo embora.
— Eu não estava indo a lugar algum. – garantiu Larra.
— Achei que nunca mais te encontraríamos. – disse Branda esfregando o nariz – Você me assustou. – E a mais velha agachou-se para ficar na altura dela começando a brincar com os cabelos negros da irmã.
— Bem, eu estou aqui e não vou há nenhum lugar te prometo isso. – falou Larra fitando os olhos negros de Branda com os seus azuis claros.
— Eu queria que o pai estivesse aqui. – falou Branda.
Larra ficou calada com aquilo e engoliu em seco. Era um pesar pensar como suas irmãs conseguiam gostar de Royce Bolton quem sabe porque ele tinha sido mais amável com as duas do que com a sua primogênita. Ela nunca compreenderia aquilo quem sabe as gêmeas um dia perceberiam que o pai delas não tinha sido um bom homem, mas não seria Larra a contar-lhes isso não naquele momento.
— Eu também, mas ele se foi não vai mais voltar. – respondeu Larra diretamente e mentindo um pouco. Ela podia estranhar a ausência de Royce só que estava aliviada por não vê-lo de novo. Até o próprio ar dentro das paredes de Forte Pavor parecia um pouco menos denso com a sua ausência.
— Tio Robett morreu. – disse Branda — Tio Richard se foi e agora o nosso pai também está morto. Cada um de nós está indo embora... – as duas agora caminhavam até junto de Ellyn que aguardava as duas no mesmo lugar em que estava antes — Por quê?
— Tio Richard é da Patrulha da Noite agora. Ele está vestindo o negro e protegendo o Norte dos selvagens e dos Outros. – falou Ellyn — Ele agora é um herói e não vai morrer.
Larra sentiu outro solavanco em seu peito. Fazia cerca de dois anos aproximadamente que o irmão mais novo de seu pai, Richard Bolton, tinha sido enviado para tomar o preto junto a Patrulha da Noite.
Suas irmãs e Rowen eram jovens demais para saber a razão e tinham sido poupados da verdade. A história de como Richard tinha sido acusado de estupro por Brandon Stark e de como para impedir que o sobrinho perdesse a cabeça que Robett Bolton o enviara para longe de onde qualquer lei e sentença pudesse ser executada pelo Rei do Inverno. Larra não duvidava que aquilo pudesse ser verdade.
— Ele não pode voltar para casa? – perguntou Branda — É aqui o lar dele não na Muralha. Por que ele tinha que ir? Eu gostava do Tio Richard.
— Ele não pode retornar porque fez os votos dele e um juramento não pode ser quebrado. – Respondeu Larra imediatamente.
Se Richard tentasse, seria executado por deserção e uma parte dela imensamente lá no fundo desejava que ele ousasse a fazer isso. Se Larra não gostava do pai, o tio então era alguém que lhe aterrorizava.
— Mamãe falou que Tio Richard mereceu ir para a Muralha porque ele é um criminoso. – disse Ellyn — O que ele fez?
Larra sentiu-se se arrepiar ao lembrar-se dos toques dos dedos de seu tio. A forma como Richard a olhava e às vezes em que ele fora ao seu quarto e sentou-se ao seu lado na cama. Como as mãos frias dele lhe tocaram em suas partes intimas ainda traziam pesadelos que a acordavam durante a noite. Naquelas vezes que acontecera a garota fingira dormir enquanto o escutava proferir palavras obscenas a seu respeito, porém ele nunca lhe fizera nada.
Seu tio nunca fora além daqueles toques e ela agradecia cada vez mais a proteção dos deuses antigos sobre ela. Porque sabia que Atena Stark não tinha tido a mesma sorte. Larra nunca dissera a ninguém enquanto ele ainda estava sobre aquele teto, contara para a mãe depois de Richard ter partido para a Muralha. Aquilo passou a então ser um segredo das duas.
Talvez por medo de qual fosse ser a represália que receberia do irmão que Richard não fizera com a sobrinha o mesmo que tinha feito com a segunda filha de Brandon Stark. Royce apesar de tudo era o pai de Larra e não iria deixar que o irmão passasse impune qualquer coisa que fizesse contra ela.
— Ninguém nunca falou o que ele fez de errado para que o Tio Robett o mandasse para Fortenoite. – disse Ellyn — Mas deve ter sido algo muito grave.
— E se ele morrer para o Rei da Noite ou o Grande Outro? – Questionou Branda.
Que morra, que a Muralha desabe sobre a cabeça dele. Desejou Larra lá do fundo de seu coração enquanto sentia suas mãos tremerem, ela não podia se exaltar tanto ou ficar tão preocupada aquilo não lhe fazia bem. Não queria ter de desmaiar na frente das meninas como em outras vezes, só serviria para deixar Branda mais assustada.
— Duvido muito que isso aconteça e você deveria parar de ouvir as historias que o Rowen conta para vocês. – respondeu Larra enquanto pegava nas mãos de cada uma delas e começavam a caminhar para fora do bosque sagrado.
— Larra. – perguntou Ellyn — É verdade que estamos em guerra?
— É, isto é verdade. – respondeu Larra com sinceridade, não tinha razões para esconder isso das gêmeas afinal ambas eram espertas o suficiente para perceberem o que estava acontecendo.
— Pessoas morrem em guerras. – falou Branda.
— Só em batalhas, nós ficaremos bem enquanto estivermos em Forte Pavor. – disse Larra enquanto via Branda aconchegar-se contra o corpo dela num abraço.
— E se nós morrermos também? – respondeu Branda — Eu não quero morrer como o papai.
— Também não quero que a mamãe morra. – disse Ellyn — Meistre Lywin disse que ela está muito triste pela morte do papai que não tem se alimentado e que... – ela fez uma pausa — E se ela morrer de tristeza como aconteceu com a esposa do primo Desmond?
— Não diga isso, Ellyn. – disse Larra a repreendendo.
— Se algo acontecer com mamãe então quem que vai cuidar da gente? – perguntou Branda.
— Então acho que nós teríamos de viver com o Tio Ethan. – respondeu Larra – Eu poderia cuidar de vocês, mas... – Eu poderia não conseguir ou não sobreviver para vê-las se casarem e terem suas próprias famílias, pensou.
— Não podemos viver com o Tio Ethan. Eu não gosto dele... – disse Ellyn.
— Mamãe é forte. – disse Larra — Ela vai sobreviver, não se preocupe com isso. Nós ficaremos bem e ela irá cuidar de vocês.
— Tem certeza? – perguntou Branda.
— Olha, se algo acontecer então eu cuidarei de vocês duas. – disse Larra então fazendo uma pausa — Prometo. – Eu vou tentar, ao menos eu preciso fazer isso antes de entregar-me a ideia de que não sou capaz, pensou.
— Eu ouvi Lorde Locke e Lorde Hornwood conversando. – disse Ellyn — Eles disseram que essa guerra é uma busca por vingança pela morte de nosso pai. – ela olhou para a mais velha — Que precisarão proteger Forte Pavor, ao Rowen e a nós.
— Todos estão preocupados com você, mas eu não estou. – disse Branda -Sei que você nos protegerá.
— Preocupados comigo? – Perguntou Larra.
— Lorde Hornwood, por exemplo. – falou Ellyn — Ele disse que você não tem uma saúde muito boa e que é frágil que esse momento seria bom um casamento para você só que não vai acontecer porque não seria a vontade de nosso pai. Sendo que por conta disso que você não noivou com o Lyonel.
Larra ficara em silêncio. Ela não sabia que seus pais tinham cogitado a ideia de casa-la com Lyonel Hornwood, o irmão de Elenya. Pegou-se então se imaginando casada com o rapaz de longos cabelos loiros escuros e belos olhos claros. Ela nunca tinha pensado em casar-se antes ao menos com nenhum em especifico, mas agora que o seu marido não existente poderia ter um rosto até que podia se ver fazendo um casal com o herdeiro de Hornwood.
Mas não vai acontecer, então não deveria iludir-se até porque o irmão de Elenya não tinha vindo a Forte Pavor de maneira que aquela antiga ideia que tinha vindo até ela não tinha cabimento. Larra sabia então que não deveria iludir-se com algo que nunca aconteceria afinal nenhum homem se casaria com uma mulher doente que provavelmente morreria ao tentar lhe dar filhos ou quem sabe nunca poderia. Uma parte dela pensava na possibilidade dela ser estéril e aquilo lhe machucava ao pensar que nunca poderia segurar um bebê seu nos braços.
— Mas não é só com você que eles estão preocupados. – disse Ellyn a trazendo de seus devaneios — Rowen por exemplo. Ouvi Sor Daeron Locke contando ao pai dele o quanto nosso irmão não manejava uma espada muito bem... – ela fez uma pausa — Ele chamou-o de frangote.
— O que significa frangote? – questionou Branda.
— Eu não sei só que boa coisa não deve ser. – respondeu Ellyn dando de ombros.
— Sor Daeron deveria saber conter-se caso o contrário nosso irmão pode puni-lo por tal afronta. – respondeu Larra pensando no temperamento ruim que tinha o caçula.
O herdeiro de Oldcastle tinha se mostrado uma boa pessoa, Larra e Sor Daeron tinham trocado poucas palavras, porém ele sempre lhe fora gentil e tinha lhe indicado alguns livros quando soube que ela apreciava literatura. A Rainha Bethany, no entanto não parecia gostar muito quando ambos estavam próximos um do outro.
Talvez ele estivesse com segundas intenções, ele não seria o primeiro homem que aos quarenta buscaria uma moça mais jovem. Mas ele era casado e tinha filhos na faixa etária de Larra então foi que como uma boa moça obedeceu ao conselho da mãe e passou a evita-lo.
— Rowen não é rei ainda. – disse Ellyn com a voz entediada — Não pode punir ninguém ainda mais por dizer a verdade.
— É, Harwin é melhor que ele com a espada. – falou Branda sorrindo a verdade era que desde que o irmão mais novo de Elenya tinha chegado é que tinha recebido uma admiradora. A mais nova das gêmeas mesmo fora vista suspirando pelo jovem Hornwood.
— E com um arco. – disse Ellyn — Ele contou-me que o pai deles ensinou-o a lutar e atirar assim como fez com os irmãos dele, o Lyonel e Elenya. – Era fato de que a outra gêmea admirava mais a arquearia do que a luta de espadas como fazia Branda — Por que papai nunca nos ensinou arco e flecha?
— Porque homens não costumam gostar de suas mulheres com aço na mão que não seja de agulhas. – disse Larra — Nosso pai era menos flexível que Lorde Hornwood, nós não devemos compará-los. – Sem falar que ele provavelmente seria um desastre, pensou. Afinal de contas à primogênita dos Boltons era uma alma pacifica não estava acostumada com violência.
— Mas e se quisermos aprender? – disse Ellyn – nunca iremos?
— Bem, isso eu não sei... – disse Larra sem rodeios – Os futuros maridos de vocês podem vir a ensina-las, quem sabe? – elas não pareceram muito animadas — De toda a forma, se vocês são interessadas em aprender então alguém futuramente pode ensina-las. Eu sei alguma coisa de arquearia porque a Elenya me ensinou.
— Você deveria aprender a manusear uma espada, Larra. – disse Ellyn — Deixar que alguém lhe ensine a lutar talvez você fosse melhor do que o Rowen e eles te deixassem ser rainha.
— Isso não mudaria nada, eu não posso ser rainha quando existe o Rowen para ser coroado. – respondeu Larra – Ele que é o herdeiro de nosso pai e então será o próximo rei.
— Você é a mais velha. – disse Branda — Por que é que o Rowen tem de ser rei e não você?
— Porque é assim que as coisas são. – respondeu Larrra.
— É injusto, ele é mais novo do que a gente. — disse Ellyn.
— Haverá pessoas para ajuda-lo a reinar. – disse Larra — Será escolhido um regente que irá agir em nome dele até que complete 16 anos. – ela olhou de uma para a outra — Até lá, o posto de Rei Vermelho será apenas um titulo, ele terá os direitos de um só que não é como se ele saberia como governar por conta própria.
— Você poderia ser essa regente. – falou Branda parecendo animada.
— Não, eu tenho quinze anos se esqueceram? – respondeu Larra — Provavelmente será a mamãe então passará a ser chamada de Rainha-Regente. Está ficando tarde, acho que seria melhor que retornássemos. Venham.
As três irmãs já tinham saído do bosque sagrado e agora caminhavam pelo pátio principal foi quando começaram a dirigir-se na direção das escadas que levariam ao andar superior. Porém enquanto subia sentiu-se um pouco zonza e mandou que as duas seguissem na frente enquanto sentava-se em algum dos degraus mais baixos.
Larra sentia-se fraca, provavelmente por conta do tempo que estava sem comer como só tinha se alimentado no café da manhã e àquela hora era quase meio-dia. Ou talvez, já estivesse no horário de tomar sua medicação com Meistre Lywin só que para isso teria de ter comido algo antes como não poderia ingerir as poções de estomago vazio.
Foi então a sombra de alguém cobri-la e quando ergueu os olhos viu que se tratava de seu primo, Eddard Bolton. Ele estava pálido numa tonalidade quase cadavérica como era de costume, em uma das mãos tinha uma cesta onde havia várias ervas lhe pareciam ter sido colhidas recentemente. Foi então que Eddard levou a mão livre ao interior da cesta e de lá tirou uma maçã vermelha.
— Você parece com fome – disse Eddard oferecendo a fruta para a prima que manejou a cabeça negativamente.
— Não, obrigada... – disse Larra – É sua – Então viu o primo tomar o lugar ao seu lado nos degraus da escada e depositar a cesta de lado. Ele levou a mão a um dos bolsos das vestes e tirou dali uma faca que usara para dividir a maçã ao meio.
— Eu insisto, se você não quiser tudo então pegue apenas a metade – falou Eddard então colocando a outra parte da fruta nas mãos da princesa – Você passou horas no bosque sagrado – ele então começou a tirar as sementes de sua parte com a faca — deve estar com fome.
— Como sabe que eu estava no bosque sagrado? – perguntou Larra enquanto dava uma pequena mordida em sua parte da maçã.
— Eu estava lá também, mas você não me viu. – disse Eddard então apontando para a cesta – Estava colhendo algumas ervas que o Meistre Lywin me contou que cultiva lá e outras que crescem naturalmente. Meu estoque de alguma delas estava baixo – Ele mostrou um pedaço de papel com algumas anotações feitas – Eu precisava repor então foi assim que decidi que seria um bom momento.
— Você me viu então por que não se aproximou? – disse Larra.
— Não queria incomoda-la – disse Eddard – Vi você praticando sua música então sabia que não deveria interferir. Sem falar que fazia tempo que eu não ouvia uma melodia tão bonita... – E a garota sorriu.
— Agradeço o elogio – disse Larra.
— Lembra-se de quando éramos mais novos? – disse Eddard parecendo saudosista — E nós costumávamos todos juntos brincarmos por dentre as arvores do bosque sagrado? – ele suspirou — Eu, você, Rowena... – ele fez uma curta pausa então se voltou sorrindo para a prima que sempre acharia que tal ato parecia muito entranho na face do primo ao menos em sua face adulta de aspecto sombrio — Ficávamos lá por horas e mais horas até que sentissem nossa falta.
— Rowena costumava dizer que você era o irmão dela – disse Larra – Que não podia brincar comigo só com ela. Mas mesmo assim você dizia que só brincaria se fosse com nós duas e se não brigássemos então ela cedia.
— Minha irmã era mais fácil nessa época – disse Eddard – Eu sinto falta daqueles tempos.
— Nós nos divertíamos muito. – respondeu Larra sorrindo.
— Mas depois tudo mudou e se tornou o que é hoje. – disse Eddard — Lorde Robett deu ao meu pai uma fortaleza para que reconstruísse e então nós nos mudamos e as coisas só fizeram com que nos distanciássemos mais.
— Fizeram-me um lorde em treinamento, não havia mais tempo a perder com brincadeiras infantis foi nesse período que percebi que eu não estava sorrindo mais. – continuou Eddard — Não vivia mais porque estava seguindo os passos do meu pai e eu nunca quis ser como ele.
— Os anos em que estive na Cidadela sem que ninguém soubesse, estudando para tornar-me meistre até que eu fosse encontrado pelo meu pai e trazido de volta para o Norte. – continuou Eddard — Então foi que eu percebi o quanto tudo tinha mudado, minha irmã e você. Rowena só passou a ser tão diferente, o olhar dela mudou ou talvez tenha sido eu que percebi que não era quem imaginava.
— Mas você, Larra... – continuou Eddard — Você não mudou. Prometa-me que não irá, por favor. Eu gosto de você do jeito que é. Sei que você é uma donzela em idade para ser desposada e que pelo seu nome logo surgirão homens que queiram propor a você. – ele passou a mão no rosto dela — E que irá casar-se com algum deles e que terá suas responsabilidades só não quero que você se destrua e se transforme em outra pessoa pelos outros. Você não precisa mudar.
— Desculpe-me interrompe-los – disse Elenya Hornwood se pronunciando e chamando a atenção dos dois primos para si. Pelo olhar era fácil distinguir o desgosto que havia nos olhos da loira ao ver a amiga ao lado daquele homem. – Eu vim procurar pela princesa Larra porque o Meistre Lywin está a aguardando para que tome para que seja medicada.
— Não é incomodo algum – disse Larra se levantando – Eu já deveria tê-lo encontrado – E então encarou o primo que também tinha se erguido e agora a encarava – Eu sinto que nossa conversa acabou.
— Por enquanto sim – disse Eddard Bolton – Também possuo outros afazeres como o processamento das ervas que recolhi – ele pegou a cesta e começou a distanciar-se — Com sua licença, Larra. – fez uma curta reverência de despedida e quando estava passando ao lado de Elenya lhe lançou um olhar sério e um meio sorriso – Foi bom vê-la, milady. – E retirou-se.
— Não me olhe assim — falou Larra ao notar o olhar de Elenya — Ele é meu primo, Enya. E mesmo que você não goste dele ainda assim eu o considero uma boa pessoa.
— Não estou lhe questionando, princesa. — respondeu Elenya por mais que seu olhar pudesse dizer o contrário — Devemos ir — E as duas começaram a se encaminhar ao encontro do meistre.
— Sobre o que era a carta que Meistre Lywin a entregou? — disse Larra, se lembrando de como aquela manhã a sua dama de companhia tinha sido abordada com o anuncio sobre um corvo que carregava uma correspondência que lhe era endereçada.
— Ela foi enviada pelo meu irmão — respondeu Elenya sem dar mais detalhes o que fez com que a princesa estranhasse seu comportamento.
— Sobre o que se tratava? — perguntou Larra e Elenya pareceu não querer responder por ficar em silêncio — Enya? Você está me escondendo alguma coisa?
— Nós somos amigas — disse Elenya — Quero que se lembre disso, está bem? E eu te amo como um irmã. Mas algumas coisas eu devo guardar para mim mesma.
...
Karhold
Jenyver sentiu o cheiro do chá de erva cidreira e camomila quando se serviu do bule. Uma das criadas tinha servido as xicaras das outras damas à mesa, porém ela dispensou-a e decidiu fazer por si mesma. Achava um tanto ridículo a dependência que alguns nobres tinham dos criados para coisas tão banais quanto aquilo.
O vapor e o aroma subiam da xicara adornada com o brasão de sol que representava sua família. Em um ponto de sua vida pegou-se pensando se não era muito insistente ostentar todo aquele orgulho por sua casa? Era algo tão típico para que sempre fossem associar o grande astro com eles ao menos quando fosse branco. Aprendeu desde cedo que cada coisa ligada a ela possuía tal símbolo.
Será que se acostumaria com o dia que passasse a não usar mais as cores de seus pais e tomasse as de seu marido como suas? Quando parava e tentava rever a conversa que tivera com Edwyn antes de partir sobre como o pai deles estava negociando a mão dela em segredo. Sabia que um dia se casaria só pensaria que poderia ter a opção de conversar com seu pai a respeito.
A verdade era que só estava relembrando aquilo por conta da conversa que girava em torno da mesa de chá com a sua mãe e a Tia Tanásia que tinham trazido o assunto do casamento de Edwyn a tona. Jenyver as ouvira conversando sobre como aparentemente não estariam presentes no casamento do herdeiro de Karhold e parte dela também se ressentia-se.
Ela sentiu o calor da porcelana contra suas mãos enquanto servia-se de um pedaço de pão de mel e tentava não ser notada enquanto as duas senhoras conversavam. A conversa delas tinha se voltado para a noiva.
— É uma grande honra que nosso Eddie case-se com uma princesa – disse Lady Alais – Fazia quase um século desde que uma união assim foi feita.
— Bem, isso se deu naturalmente pelo acaso das circunstancias que transformaram Edwyn em um herdeiro – disse Tia Tanásia – Mas ele não poderia ter assumido o compromisso com a Princesa Brie? Ela sim pode ser considerada um bom partido e ela teria sido a esposa perfeita para Rodwell.
— Sim, certamente que seria – disse Lady Alais com certa tristeza como mãe ainda lhe doía lembrar do filho que partira — Atena e Edwyn não se dão muito bem e pode ser que nunca se amem o que seria desagradável. Meus netos cresceriam em um lar com pais infelizes...
— Oh, mamãe não pensa que está indo rápido em já pensar em netos? – disse Jenyver se pronunciando – Meu irmão ainda nem se casou e já espera por crianças vindas dele?
— A função de um casamento tem por base a construção de uma família – disse Tia Tanásia – Não tiro o direito de sua mãe querer netos. Filhos terão de vir ao menos um para que dê prosseguimento a nossa casa. Não precisam se amar de qualquer forma para isso...
— Eu acho que o amor mesmo em casamentos arranjados pode vir a acontecer – disse Lady Alais – É fato de que leva algum tempo para isso porém um lar sempre é mais feliz quando um casal se ama.
— Pois creio que seria o contrário. Não creio que seja tão necessário... – respondeu Tia Tanásia – Sinceramente, sempre achei o amor um sentimento superestimado.
— Superestimado? – perguntou Jenyver – Como o amor pode ser superestimado? Todo mundo basicamente busca por isso em sua vida.
— Não estou dizendo que não devemos amar – disse Tia Tanásia – Mas é necessário saber que ele lhe desvia do que realmente importa que seja o dever. Amor faz as pessoas esquecerem-se ou se ludibriarem por sentimentos mesquinhos e egoístas sem pensar no bem maior. O amor não é necessário, por exemplo, em um casamento.
— Como não é? – disse Jenyver.
— Não sendo – falou Tia Tanásia – O amor é algo nocivo que corrói e corrompe as pessoas. Todos somos frutos do pecado, mas levar uma vida pecaminosa é algo que destrói nosso espirito. Amar demais algo ou alguém nos afasta e distrai do que verdadeiramente importa... Nossa dedicação com os deuses. – ela fez uma pausa dramática — Nosso coração é corrompido e se distancia deles.
— Tolice – respondeu Jenyver.
— Tolice? Meu irmão Thorne amou a esposa dele com todo o coração – disse Tia Tanásia – Quando ela se foi o que lhe restou além de um vazio em seu peito que nem toda bebida poderia preencher. Negligenciou a criação do filho, tornou-se ainda mais promiscuo do que era antes de casar-se e teve um fim patético quando de tão bêbado caiu do cavalo...
— Não fale assim do Thorne – repreendeu Lady Alais – Ele estava triste também pudera era a mãe do filho dele.
— Meu pai foi outro – falou Tia Tanásia – Teve amantes espalhadas por todo o Norte incluindo a que deu a luz para o bastardo que ele trouxe para casa cinco anos depois de estar casado com a minha mãe. E depois que minha mãe se foi na cama de sangue que foi o parto dos gêmeos a situação só piorou. Sobre nosso teto fedia o pecado que a vida de meu pai se tornou até que ele morreu naquele acidente de caça.
— E o meu casamento? Vamos, você certamente tem algo a dizer sobre mim e Torrhen – disse Lady Alais – Nosso casamento pode ter sido arranjado só que acabou que nós nos apaixonamos. E não vejo nada de errado com a vida que tenho.
— Se você diz então vou me abster de minhas palavras – disse Tia Tanásia.
— Não porque não houve amor no seu casamento que ele seja algo ruim – disse Lady Alais – E eu espero que meu filho seja amado por sua esposa porque ele merece ser feliz.
— Seu menino já é feliz – disse Tia Tanásia – Olhe para Edwyn tão perfeito como uma graça divina é claro que serve aos deuses errados, mas pelo menos não é uma alma pecadora como o primo ou uma descrente como a irmã. – Ela então olhou para Jenyver – Os deuses antigos podem ter falhado com você, criança. Mas se me ouvisse e passasse a seguir a Fé dos Sete...
— Ninguém dessa casa vai se converter a sua fé, Tanny – disse Lady Alais a chamando pelo apelido que apenas Torrhen usava para referir-se a irmã – Estamos felizes com a nossa fé e não chame minha filha de descrente ela apenas não é muito religiosa.
— De toda a maneira, acho que foi uma fatalidade o fato de que Edwyn tenha acabado tendo que casar-se com a princesa Atena – disse Tia Tanásia – Havia tantas melhores moças na Campina, tão adoráveis... – ela suspirou parecendo tristonha enquanto tomava um pouco de chá — Eu estava negociando o casamento dele com pretendentes que eram jovens donzelas tão mais prendadas e adoráveis, filhas de damas que eu conheci no septo.
— Nunca concordei com Edwyn tomasse uma noiva sulista – disse Lady Alais.
— Sempre achei uma péssima ideia também – completou Jenyver – Ele pertence ao Norte. O que ele iria fazer no sul? Sem falar que ficaríamos sem vê-lo com no máximo duas visitas por ano e isso porque ainda estou tendo pensamentos generosos.
— E me admira você querendo arrumar um casamento sulista para Edwyn – respondeu Lady Alais – Já que foi infeliz no seu. – E bebeu seu chá enquanto recebia olhares sérios da mulher mais velha.
— Meu marido preferia companhias masculinas – disse Tia Tanásia – Eu falhei em salvar sua alma dele e ele falhou-me ao não me dar filhos. – ela transpareceu seu rancor — Preferia comer a maçã do amigo Fossoway dele no lugar de tentar fazer brotar sua semente em mim. Espero que ele esteja queimando nos sete infernos.
— Palavras adoráveis de sua parte, minha irmã – disse Thorrun Snow entrando na varanda superior – Porém, temo que deva interromper a conversa. – E naquele momento foi que Jenyver agradeceu muito ao tio.
— E quão é a razão para isso? – disse Tia Tanásia — Estamos no meio de nosso chá. – Porém, Barba Branca ignorou o que a irmã tinha dito e voltou-se para a sobrinha.
— Lady Jenyver, a sua presença está sendo requisitada no grande salão imediatamente. Apresse-se. – disse Thorrun Snow.
— Algum problema? – perguntou Jenyver.
— Lorde Ethan Bolton chegou aos nossos portões de uma maneira inesperada. – informou Thorrun Snow — Em suas palavras sua visita a nós é meramente diplomática e pacifica e deseja ser recebido pela milady.
— Você não pode tratar com ele, Barba Branca? – disse Jenyver — Você é o Castelão de Karhold e certamente entende mais de politica do que eu. – Ela vinha estudando com Meistre Fall cada vez mais manobras politicas, porém ainda sentia que lhe faltava algo.
— Ele exige uma audiência com quem foi nomeado a cuidar do castelo na ausência de Lorde Torrhen Karstark. – respondeu Thorrun Snow — De maneira que o que tem a ser conversado é com a milady. Sem mencionar que ele pode ver o fato de ser recebido por um bastardo como um insulto por mais que seu pai possa ter confiado a mim o meu cargo há algumas coisas que apenas representantes de casas distintas devem tratar.
— Compreendo. – disse Jenyver.
— É realmente necessário que venha agora. – falou Thorrun Snow.
— Está tudo bem, você deve ir. – respondeu Alais quando sentiu o olhar da filha sobre si — É o que deve ser feito. – E então foi que a garota ergue-se de sua cadeira e acompanhou o cavaleiro de apenas um braço.
...
Jenyver então tentou acompanhar os passos do castelão de Karhold enquanto cruzaram o longo corredor em direção do grande salão. Ela sentiu aquela leve fisgada que geralmente vinha quando tentava andar mais rápido do que podia.
Estavam de frente para o grande salão e os guardas abriram as pesadas portas de madeira de carvalho com um som forte. E a dama e o cavaleiro entraram. O lugar era amplo e espaçoso de uma maneira que acoplasse grandes jantares em épocas festivas, porém em dias comuns era um lugar quase vazio.
O grande salão possuía grandes lareiras em cada uma das extremidades em que costumavam queimar em tempos frios e chuvosos, janelas com vidrais de vidro rustico e áspero se encontravam altos na parede frontal para quem entrava pelos portões. E é claro que havia os estandartes da casa pendurados em cada lado da parede atrás da mesa principal, caindo graciosamente e solenidade.
Mal ingressaram no local e logo ambos foram abordados pelo Meistre Fall que viera até eles a passos tão apressados que Jenyver achou que ele cairia ao pisar em suas vestes. Ele era jovem, tanto é que se sentiu estranha por não parecer tão respeitável quanto os outros que estava acostumada por ver afinal as figuras geralmente tomavam esse titulo eram senhores de meia-idade ou idosos não um garoto com feições delicadas quase como de um garoto.
Ela se lembra de comentar isso com Tyr quando receberam Meistre Fall há seis luas atrás para ajudar o antigo que já se encontrava em uma idade avançada. Ele tinha assumido as funções então desde que Meistre Glenn se mostrou acamado.
— Eles apareceram sem avisar. – disse Meistre Fall — Lorde Ethan está inquieto nos portões pedindo para entrar e eu acredito que tenha informado a Lady Jenyver o motivo de ele ter vindo até nós.
O jovem meistre era uma visão bonita aos olhos de Jenny. Com sua pele clara já que não tomava muito sol por conta de preferir atividades em ambientes fechados à ao ar livre. E suas sobrancelhas eram as do tipo que são conhecidas por asas de gaivota, que deixam suas feições mais marcadas. Ele tinha feições bastante expressivas e naquele momento mesmo Jenyver podia notar que o rapaz estava preocupado.
— O assunto é relacionado a uma negociação entre os Karstarks e os Boltons. – respondeu Thorrun Snow — Eu a informei sobre o necessário algo como um acordo de paz entre as duas casas.
— Isso não irá acontecer seria traição ao rei e eu não respondo por minha casa apenas pelo que há dentro dos muros de Karhold. – falou Jenyver decisiva — O que o leva a pensar sobre tal fato possa ser possível?
— Exatamente, não faz diferença alguma para nós em recebê-lo ou não. – respondeu Thorrun Snow — Não devemos a eles nenhuma satisfação. – O Barba Branca pareceu apreciar o comentário da sobrinha como colocou a única mão que tinha sobre o ombro dela – Mas mesmo assim deveríamos vê-lo.
— É fato de que milady sabe que a mãe de seu pai era uma Bolton. – disse Meistre Fall — Seu pai lhe deu o papel de atuar na ausência dele e responder como uma verdadeira senhora de uma grande casa então essa é sua primeira chance mostrar-se como tal.
— Não devemos fazer nada impensado e imprudente. – disse Jenyver — As coisas já estão suficientemente ruins sem que precisemos atrair a atenção para nós.
— A atenção já está voltada de qualquer forma. – disse Thorrun Snow — Temos Ethan Bolton em nossos portões com seus homens se ele quisesse atacar então já teria feito e mesmo que tente estaremos preparados para recebê-los como merecem.
— Eu consigo lidar com Lorde Ethan Bolton. – disse Jenyver — Ele é apenas um terceiro filho que se acha mais do que realmente é só porque recebeu terras do irmão mais velho.
— Bem colocado, milady. – respondeu Thorrun Snow — Porém, o receba como uma verdadeira dama e o trate de modo formal como um convidado. Mesmo nós temos que reconhecer quando estamos muito próximos de nos arriscarmos em excesso. Um passo a frente e dois atrás ao mesmo tempo...
— Isso é dança por acaso, tio? Porque minha perna não me torna uma boa dançarina, na verdade odeio dançar... – respondeu Jenyver sorrindo por conta de seu sarcasmo para então se recuperar e continuar no mesmo tom sério — Mas saiba que eu sei ser criteriosa e não irei afronta-lo a menos é claro que ele me ataque primeiro.
— E não o deixe que saiba que está assustada. – disse Meistre Fall.
— Não estou. – respondeu Jenyver — Estou perfeitamente tranquila.
— Não é hora de irritar Lorde Bolton mais do que já possa estar e não devemos menospreza-lo pela sua posição. – disse Meistre Fall — Ele é um dos membros daquela família que devemos ter mais cuidado e é um fato de que aquele homem é uma das razões para que nessa última década os números de ataques de homens de ferro ao Norte tenham caído absurdamente.
— Sem falar que ele tem pelo menos sete vezes mais homens que nós temos protegendo Karhold. – disse Thorrun Snow — Fora os outros que ele pode reunir para um ataque eventual.
— Isso é mais uma razão para recebê-lo para que saiba que não o tememos nem toda a intimidação que pode tentar colocar sobre nós. – disse Meistre Fall — Ele olha para Lady Jenyver e vê-la como um alvo fácil então basta que o mostremos o contrário.
— Como faremos isso? – perguntou Jenyver.
— Encare-o de cabeça erguida e encare a fera nos olhos. – disse Thorrun Snow — Apenas um covarde e os mortos não incapazes de olhar diretamente para o inimigo. Não abaixe a cabeça frente aquele sujeito mesmo que ele tente quebra-la.
— Ele não conseguirá fazer isso, Barba Branca. – respondeu Jenyver — Eu já me quebrei antes e me recuperei, não vou deixar que aconteça novamente.
— Seu corpo se quebrou, milady. – falou Thorrun Snow com algum pesar — Estou falando de ele quebrar seu espirito. – Jenyver ficou em silêncio frente aquelas palavras então erguendo olhar com determinação.
— Pois que ele tente – disse Jenyver – Mande-o que entre porque estou pronta para recebê-lo.
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