Norma/n Bates Motel
2 Passando a Madrugada
Notas iniciais
“Estamos ligados um ao outro, somos apenas um.”
Ao chegar no hospital, Romero entrou com Norma e Dylan na emergência, dizendo que o garoto estava em “transe” , um tipo de “apagão” e que precisava de atendimento urgente. Mandaram Norman para fazer uma tomografia as pressas. Romero então esperou do lado de fora, enquanto Dylan confortava a mãe durante o exame de Norman. Os médicos a faziam perguntas, como “isso já aconteceu antes?”, “onde ele estava?”, “ele passou por situações tensas e estressantes nos últimos dias?”, mas Norma estava tão distante, as vozes dos médicos, as perguntas, tudo isso causava tanta irritação que a pouco ela seria a próxima a ter um apagão. Dylan respondia as perguntas, poupando um pouco de esforço da loira, que estava desmoronando.
Romero estava lá fora, quase por arrancar seus cílios enormes de tanto esfregar o rosto e puxar os cabelos de preocupação. Descabelou-se todo, estava sentado, e resolveu se levantar. Andava em círculos pensando no pior de Norman, mas, o que mais o preocupava, não era o Norman em si, mas sim, sua querida mãe. Sim senhores, Xerife Romero estava pensando em Norma, quem não esperaria isso? Mas ele, severo, duro, difícil, jamais admitiria pra si que estava “pensando em Norma Bates”, pois enganava-se pondo seu cérebro a pensar que estava preocupado com Norman ou meio com cu na mão por ter assassinado Bob Paris, mas cá pra nós, é apenas desculpa pra um coração... apaixonado? Não sei, talvez não, talvez... sim.
Durante o exame de Norman, sua mãe olhava para dentro daquela capsula de tomografia, esperando que houvesse alguma coisa, qualquer coisa, para justificar seus apagões, qualquer coisa física, só pra tirar do seu coração que seu filho, seu pequeno e indefeso alongamento de si próprio, estivesse ficando louco ou fosse simplesmente um assassino frio e cruel disfarçado por um rosto meigo com sentimentos puros. Seu coração de mãe a atordoava, não vivia mais por si, não continuava lutando por si, era tudo pelo seu filho. Norma Bates deixou de existir pra si, ela agora vive para o Norman, ou como observamos, vive dentro dele.
Após a tomografia, Norman ainda não havia acordado. Foi o apagão mais longo que já teve. Os médicos ainda sem uma resposta disseram que Norman ficaria em observação no hospital, que os médicos buscariam uma resposta e uma forma de trazê-lo a realidade novamente, juntamente com o motivo e o tratamento.
Norma estava acabada com tudo isso. Esperaria levar o seu filho embora sã e salvo, fazer um chá, o por pra dormir, poderia deixá-lo dormir com ela esta noite.
Pelo fato de ter passado por tudo isso, Dylan pediu a mãe que fosse embora descansar, que ficava com seu irmão esta noite. Teimosa e persistente, Norma não concordou com a ideia, queria por que queria passar a noite ao lado do filho, mas acabou ouvindo Dylan, que a implorou que fosse descansar. Dylan foi até Romero, do lado de fora da sala, e pediu a ele que levasse sua mãe para casa, por precaução, não deixaria uma mulher desesperada e descontrolada dirigir chorando de madrugada, não mesmo. Romero concordou, chamou Norma, que se despedia de seu filho e seu coração apertava-se a cada passo que distanciava do seu pequeno, que estava mais do que nada precisando de conforto, mas que encontraria com a presença de Dylan.
Romero acompanhou Norma até o carro de Xerife, deixou o carro o dela para Dylan voltar para casa no outro dia. Entrando no carro, antes de zarparem, Ele estava preocupado com Norma, olhou bem fundo daqueles olhos de azul marcantes, agora pouco inchados de tanto chorar e de cansaço, mas continuava linda da mesma forma.
ROMERO- Pare de se condenar Norma. Vai ficar tudo bem – Dizia o Xerife bonitão enquanto aproximava-se do corpo dela, encarando seus olhos agora mais do que nunca.
NORMA- Vamos Alex, pare de ficar flertando comigo descaradamente olhando tanto para os meus olhos, você pode fazer melhor do que isso – provocava disfarçadamente .
ROMERO- Se eu encarasse seus lábios também poderia considerar um flerte? Pois é o que estou fazendo agora... – Disse isso dando aquele leve sorriso com o canto dos lábios, aproximando-se mais, agora quase tocando os lábios de Norma, que olhava para os olhos marcantes, como de uma águia, do Xerife, e ficaram por meio segundo, como se estivesse apenas esperando a reação do outro. Norma volta a realidade, se afasta, coloca o sinto de forma desastrosa, sim, parece que Romero tirou sua concentração.
NORMA- Alex, vamos embora, não estou no momento de flertar, deixe pra outro encontro casual ok? – Disse sem o olhar, pois sabia que se olhasse novamente para aquele rosto com sorriso descarado de quem estava passando uma cantada, o agarraria ali mesmo.
ROMERO- Marcaremos pra outro dia então ! – Dizia também colocando o cinto, ligando o carro, mas um pouco risonho, pois achava graça em ver que Norma foi tocada por seus galanteios.
Ligou o rádio para tentar deixar um clima mais saudável de amigos, apenas amigos, para que Norma não se sentisse desconfortável com toda situação, e que ele possa se controlar, para que não pareça ser aproveitador demais passando cantadas para uma mulher em tal situação frágil que ela se encontrava. Norma ficou o percurso inteiro sem olhar para Romero e sem chorar também, o que já era um passo a frente, mas acabou dormindo.
Ao chegar na casa de Norma, Romero viu que a loira já estava no seu décimo terceiro sono, ficou ali, a olhando um tempo, admirando como ela era linda quando estava quieta, sem dar chiliques, sem invadir sua casa atrás do pen drive do falecido Bob Paris, sem cortar seus galanteios. A cutucou, para acordar, e ela vagarosamente foi abrindo os olhos e tomando sua postura, rindo um pouco por ter dormido no carro de Romero, que riu de volta pois era uma situação bem engraçada senhorita Norma Bates quase babando de tanto cochilar.
Romero a acompanhou até a porta de sua casa:
ROMERO- Está entregue. Você ficará bem Norma?
NORMA- Ficarei, se você ficar também, se você puder é claro!
ROMERO- Não marcamos o flerte para outro dia? – Com um sorriso sem vergonha no rosto
NORMA- Pare de ser bobo, quem disse que estou flertando? Precisamos conversar sobre o Pen Drive, sobre Bob Paris e enquanto isso você toma um café, besta ! –Ria a Loira, da cara de decepção do xerife que achou que seria HOJE.
ROMERO- Tudo Bem Norma, eu estava apenas brincando, você sabe, eu odeio você.
NORMA- Eu também odeio você, vamos entre.
E então, Norma serviu um café para Romero enquanto conversavam na sala, ele a contou sobre o que houve no seu dialogo com Bob Paris, sobre o nome de sua mãe na lista do Pen drive, e deixou claro para ela como maquiaria tudo, e aos poucos suas conversas foram sendo desviadas para outros assuntos, como filmes, livros, musicas, piadas, Norma ria tanto de Romero, tentando ser engraçado, o que era uma coisa sem preço pois um Xerife sério daqueles contando piadas com todos os trejeitos era visto uma em um milhão de vezes, e Norma foi a sorteada da vez.
Acabaram apagando ali mesmo, no sofá, até que Norma acordou, viu Romero dormindo tão em paz que ficou ressentida em acordá-lo, apenas o ajeitou na cama e o cobriu com um de seus lençóis que buscou no seu quarto. Após isso, foi ao seu quarto, se trocou e foi dormir, abraçando o travesseiro em que Norman deitava quando dormia com a mãe, pensando no melhor para o filho, para não voltar a chorar, e dormiu.
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