Acordei, o dia estava lindo. O sol raiava como nunca antes visto e achei que seria um óptimo dia de sábado para por a minha saúde em dia. Viste as minhas leggins e despeço-me do meu pai que, como sempre, estava a ler o seu jornal sentado na cadeira da varanda a comentar todos os anúncios de emprego e todos os comentários do jogo de futebol de ontem.

– Bom dia pai! Vou sair...apetece-me dar uma corrida...

–É, vai, vai filha... tens de aproveitar que este Verão não anda com dias como estes! Diz aqui -apontando para a meteorologia do jornal- que esta noite vai haver uma tempestade.. vai, aproveita enquanto podes... Porque não ligas ao Pedro para ir contigo?

–Ele deve estar cansado...ontem teve um jantar de família... A mãe?

–A mãe foi ao mercado comprar ovos. Já volta.

–Ok, vou sair. Beijos.

Logo ao sair de casa deparei-me com a Júlia, a minha amiga de infância. Ela era uma rapariga faladora, tinha muitos amigos e interessava-se por rapazes, principalmente nadadores salvadores.

–Hey, Jú! Queres vir comigo correr?

–0lha que sou capaz de aceitar. Vamos aonde?

–Pensei em ir até à esplanada...Mas anda, começa a correr! Já te estou a ver umas banhas...

–Não!! 'Tás a gozar certo?! Eu não posso engordar! Tu sabes o mau que isso é?! — começou a entrar em pânico. Ela é muito vaidosa e cuida muito da sua imagem.

–Estou a brincar, rapariga... Olha quem está ali — apontei para o Vasco, um rapaz da nossa escola que metia medo a todos, no entanto,por ser assim misterioso, dava um certo encantamento ao rapaz.

–Vamo-nos aproximar! Quero ver se tem músculos! — exclamou a Jú.

Estávamos já mais perto dele. Ele olhava para o telemóvel com um ar de suspense que nós nunca conseguíamos decifrar. Chocou com uma rapariga na rua...Ficou a olhar para ela de uma forma estranha, a rapariga sorriu como se já o conhecesse. Depois foram-se sentar num café.

–Oh meu Deus! Será a sua namorada?! — perguntou a Júlia surpreendida.

–Achas?! Duvido muito...

Enquanto comentávamos a vida amorosa do Vasco ouviu-se ruídos agudos de pneus a deslizar e, quando eu e a Jú olhamos repentinamente, dois carros foram bruscamente um contra o outro. Os carros ficaram muito danificado. Aproximamo-nos para ver quem estava dentro deles. Ouviam-se as pessoas a dizerem que estavam mortos e outras a contrariarem dizendo que estavam apenas inconscientes. No carro maior estavam os pais da Joana, uma rapariga problemática lá da escola que tinha uma grande inveja da minha vida e que eu não percebia bem o porquê. No outro não percebemos quem era. Desviei o olhar e vi um rapaz alto de cabelo preto, olhos verdes grandes, músculos muito bem delineados; trazia, tal como o Vasco, um sentimento de perigo. Esse rapaz olhava para os carros de uma forma misteriosa, sério, mas não triste, mas também não estava contente. Apenas olhava. Sem nenhuma expressão facial. O olhar dele cruzou o meu. Semicerrou os olhos de um modo que me provocou um arrepio e depois foi-se embora. Olhei de volta para os carros e depois disse à Júlia para voltarmos para minha casa. Não lhe contei sobre o rapaz mistério, algo me disse que era melhor não o fazer.

A caminho de casa recebi uma chamada:

–Marie! Estava preocupada contigo! Ouvi dizer que houve um acidente perto da esplanada! Onde estás? — era a minha mãe, estava preocupada.

–Não te preocupes, está tudo bem! Estou com a Jú. Ela pode vir hoje dormir a nossa casa?

–Claro! Mas anda embora rápido. Tenho de te explicar o que ouvi sobre o acidente... Ate já.

E desligou a chamada.

Notas finais
Espero que gostem deste capítulo, não sei se é propriamente interessante, mas se tiverem críticas ou opiniões sobre ele podem comentar :) Continuem a ler, mesmo que não gostem deste capítulo, acreditem que se vai tornar mais interessante.