Já tínhamos chegado a casa, estávamos as duas, Júlia e eu, sentada no sofá à espera que a minha mãe nos contasse o que afinal sabia sobre o acidente e que nos poderia interessar.

– Então mãe? Desembucha. — disse eu.

– Oh filha, é complicado... o que eu sei é que esta história não faz sentido nenhum. Ambos os carros não andavam com muita velocidade...apenas quando estavam perto um do outro é que começaram a acelerar...parecia...parecia que tudo aquilo foi de propósito... — dizia a minha mãe receosa de parecer um pouco louca no que dizia.

– Isso é muito estranho D. Luísa, mas não é impossível realmente...num dos carros até iam os pais da Joana...sabe? Aquela rapariga muito complicada lá do liceu... — explicou a Júlia.

– Oh Jú, mas porque haveriam os pais da rapariga ir contra um carro de propósito? — perguntei eu de forma retórica.

– Sabe-se lá Rie (alcunha que me davam)! Hoje em dia tudo é possível! Até já acredito que hajam monstros vê lá tu! — exclamou Jú.

Depois de jantarmos fomo-nos deitar. Júlia adormeceu logo, eu bem tentei, mas não conseguia parar de pensar naquele rapaz misterioso e o porquê de estar a olhar tão secretamente para os carros.Também gostava de saber porque é que sentia que não devia contar a ninguém sobre a existência daquele rapaz. Decidi parar de pensar naquilo e finalmente consegui adormecer. Enquanto dormia algo invadiu a minha mente, estava no mesmo sítio do acidente, sozinha. Vi uma luz aproximar-se e, com medo do que seria, comecei a gritar. Era um carro, vinha com muita velocidade, mas quando chegou perto de mim parou repentinamente. Estava escuro, não consegui ver quem estava lá dentro. A porta abriu-se e saiu de lá o rapaz misterioso. Estava com as mesmas roupas escuras e com o mesmo olhar. De repente os lábios abriram-se, parecia que se ia rir bem alto...Voltou a fechá-los. Eu permanecia parada a olhar para ele com lágrimas nos olhos ainda assustada. Não dissemos uma única palavra. E assim acabou o sonho. Acordei sem perceber porque é que tinha sonhado com algo tão estranho e principalmente porque é que estava tão inquieta por saber algo sobre aquele rapaz...não compreendi... Senti-me mal pelo Pedro. Ele não iria gostar de saber que ando a sonhar com outros rapazes! Permaneci calada.

Fui com a Jú tomar o pequeno almoço. Era domingo, no dia seguinte iam começar as aulas outra vez, íamos para o 11º ano. Estivemos a falar sobre como achavamos que ia correr e a relembrar alguns acontecimentos engraçados do ano que tinha passado. Por exemplo, quando o Pedro caiu e partiu os oculos e que, por causa disso, decidiu usar lentes de contacto e aí as raparigas começaram a olhar para ele com outros olhos e eu não achei piada nenhuma. Mas acabávamos sempre por nos rir-mos com estas situações.

– Rie, vou ter de ir. A minha mãe não vai gostar de ver que estou sempre aqui. Ainda me tira a semanada e eu preciso daquele verniz que te disse!

– Vai lá Jújú, boa sorte com o verniz. — disse eu em tom de brincadeira.

Subi as escadas e fui para o meu quarto. Fui estudar um pouco para chegar à escola já a saber algumas coisas. Abri o caderno de Filosofia e encontrei um bilhete.

–Estranho, não me lembro de ter aqui um papel solto.... — disse eu para mim própria.

O meu coração começou a bater demasiado forte, comecei a tremer e a coçar a cabeça.

"Gostaste do susto? Não era para ser com os pais da Joana. Para a próxima verás." dizia no bilhete.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.