Notas iniciais
Olá, aqui vai mais um capítulo. Obrigada aquelas meninas que deixam os seus recados sobre a fic, elas são importante para a minha pessoa. Por favor me enviem recado dizendo o que estão achando da fic, assim fica mais fácil de saber se ela está boa ou não, fica até chato ficar postando se vcs não comentam sobre a história, bjs.

[RECAPITULANDO]

Apoiada em Bridget, Lizzy conseguiu levantar-se. O raciocínio da serva era lógico, porém impossível não ser dominada pela apreensão ao ouvir sons que indicavam a aproximação de cavaleiros.

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Darcy abaixou a cabeça para cruzar a soleira da porta. O fogo ardia na lareira, e o barão, sentado numa poltrona confortável, bebia na companhia de quatro de seus camaradas. Nenhum deles se levantou em sinal de respeito a um emissário do rei, como seria de se esperar.

― Entre, sir ― lady Edith falou, conduzindo Darcy e três de seus homens para junto do grupo.

― Imagino que tenha encontrado a menina.

― Ela está com a babá e recusa-se a descer. ― A voz do barão soava mais arrastada do que no início do dia. Sinal de que bebera sem parar.

― Então sugiro que vá buscá-la. ― Darcy não tinha a menor intenção de tirar uma criança chorosa dos braços de sua ama. Melhor se um dos padrastos fosse buscá-la. Thomas Bennet olhou para a esposa, como se pedisse assistência, mas foi logo descartado.

― Criaturinha ingrata aquela ― Edith protestou. ― Nunca me obedeceu, nem uma vez. Não serei eu a ir buscá-la.

― Duvido que ela venha comigo ― lorde Bennet resmungou, uma expressão furiosa no rosto.

A paciência de Darcy se esgotou. Já estivera lidando com essa gente tempo bastante sem chegar a lugar algum. Pelos céus, se ninguém queria buscar a menina cuidaria disso sozinho, a despeito das consequências.

― Qual quarto? ― perguntou irado, começando a subir a escada.

— Terceiro à direita ― foi à resposta preguiçosa do barão, antes de completar com descaso ― mas você pode precisar da chave.

Porém Darcy já havia saído da sala.

A maldita porta estava trancada! Por nada deste mundo voltaria lá embaixo e pediria algo àquele bêbado insuportável. Assim, apoiou as costas maciças na madeira dura e forçou a entrada. Vistoriando rapidamente o quarto, Darcy enxergou, num canto, apenas uma velha um pouco acima do peso debruçada sobre um rapazinho coberto de sujeira, os lábios sangrando e um hematoma enorme sobre o olho esquerdo, muito inchado. Não havia nenhuma menina ali.

O miserável barão tinha mentido!

Teria que confrontar o idiota outra vez!

― Onde está ela? ― Darcy rugiu, pensando ter ouvido risadas vindas da sala.

O rapazinho ferido levantou-se e caminhou na sua direção. Um capuz marrom, bastante surrado, cobria-lhe por completo os cabelos. Todavia, o que lhe chamou a atenção foram duas coias: a primeira o tom de pele incomum para a maioria das pessoas naquela região e à beleza do olho que escapara aos ferimentos. Era um tom de castanhos escuros, enfeitado por cílios espessos e escuros.

Claramente à beira das lágrimas, o rapazinho piscou várias vezes, esforçando-se para recuperar o controle.

― Eu sou Elizabeth Bennet.

Convencido de que ouvira mal, Darcy lançou um olhar pelos arredores. Podia jurar de que fora o rapaz quem afirmara ser Elizabeth. A voz soara até agradável, delicada como a de uma... mulher.

― E verdade, senhor ― a velha murmurou ansiosa. ― Essa é Elizabeth.

― Você? ― Darcy não foi capaz de disfarçar o assombro. O rei não lhe tinha dito exatamente o que encontraria quando chegasse a Netherfeild, contudo, sem dúvida não esperara algo assim. Uma menina delicada e graciosa, talvez. Mas não essa criatura suja e espancada. Outra vez ele olhou ao redor.

Não havia uma única peça de mobília, a não ser um colchão de palha num canto do quarto. Entretanto, flores frescas, colocadas numa jarra enorme sob a janela, espalhavam um perfume delicioso, tornando aconchegante um ambiente destituído de ornamentos, à exceção de um crucifixo de madeira dependurado sobre o colchão.

Darcy perguntou-se se não seria essa jovem pessoa a responsável pela aparência elegante do salão principal. Acreditava que sim, visto que nenhuma das outras mulheres da casa lhe parecera minimamente capaz. Mesmo cercada de quase nada, a jovem Elizabeth soubera criar para si um ambiente de aconchego em meio a um território hostil.

Uma vaga compreensão do que se passava em Netherfeild começou a tomar forma em sua mente, fazendo-o concluir que não descartaria uma oportunidade de enfrentar o barão.

Pelos céus, se aquele bêbado repulsivo não suportava ter a enteada por perto, por que não a oferecia logo em casamento?

― Tenho apenas um pedido a lhe fazer, sir ― Lizzy falou, erguendo o queixo orgulhosa. Não havia dúvidas de que lhe custava pedir algo. ― Que minha ama possa nos acompanhar. Ela sempre esteve comigo, desde a morte de minha mãe e...

― Como quiser ― Darcy respondeu

Queria sair daquela casa o mais depressa possível, mesmo se isso significasse carregar um fardo adicional.

― Então arrume suas coisas, mulher. Temos pouco tempo.

― Paciência, senhor. ― Fitando-o de igual para igual, Lizzy continuou: ― Alguns minutos a mais não fará diferença.

Ele não as deixou sozinhas nem um minuto sequer. Se o barão tornasse a espancar a enteada, a viagem acabaria sendo adiada. Além domais, não queria correr o risco de vê-la desaparecer. Com aquela aparência descuidada, era bem provável que se perdesse no meio dos aldeões, caso decidisse fugir.

Ainda não sabia se fora ela ou o barão quem resistira a obedecer às ordens do rei, portanto não pretendia correr nenhum risco. Iria levá-la para Londres mesmo se tivesse que amarrá-la sobre a sela.

Barão Bennet recusou-se a liberar um cavalo para o uso da enteada. Sem vontade de implorar, ou discutir, Darcy retomou o plano original. Elizabeth era um pouco mais velha do que presumira, todavia Janus, seu cavalo de guerra, era grande e forte o bastante para carregar os dois sem que o peso extra o incomodasse. Assim, viajariam juntos. Bridget montou um animal de carga, sendo escoltada por dois dos cavaleiros de Darcy.

― Não consigo imaginar o que o rei possa querer com essa vagabunda suja e imprestável ― lady Edith comentou alto o bastante para ser ouvida por Lizzy. Darcy sentiu-a ficar rígida, porém a jovem dama manteve-se em silêncio, apesar do insulto deliberado.

Trôpego devido à bebida, em plena luz do dia, Thomas Bennet encostou-se na porta, próximo à esposa, observando o pequeno cortejo que se afastava.

― Quero-a de volta! ― berrou, semicerrando os olhos por causa da claridade. Como Darcy não se desse ao trabalho de responder, tornou a gritar, a voz pastosa e incerta: ― Você está me ouvindo, sir? Quando o rei terminar com essa miserável, quero-a de volta! Preciso dela para administrar minha casa.

Darcy só esperava que quando o rei Henrique resolvesse seus assuntos com lady Elizabeth, não fosse ele o encarregado de levá-la de volta para os domínios do barão Bennet.