Noiva Indomável

49 Surpresa Desagradável


Notas iniciais
Ola meninas, como vcs estão? Mil desculpas pelas demoras, tentei postar pela porcaria do tablet, mas não consegui, tbm estou sem internet em casa, e assim que voltar eu posto novamente, mas aqui estou eu com mais um capítulo para vcs, espero que gostem, bjs

Darcy carregou Lizzy para fora dos túneis escuros enquanto servos ajudavam Charlotte Lucas a subir a escada e prestavam os primeiros socorros a Hugh Dryden. Raiva e frustração o faziam ferver por dentro, embora mantivesse uma expressão serena. Não havia dúvidas de que a porta do depósito havia sido trancada intencionalmente.

Charles foi ao seu encontro tão logo o viu surgir no salão, seguindo-o até os aposentos principais. O cavaleiro não escondia o choque provocado pela aparência de Lizzy.

— Como está ela?

— Ainda não sei — Darcy respondeu angustiado. — Antes de desmaiar, garantiu-me não estar ferida.

— E esse sangue?

— É de George. Lizzy o esfaqueou.

— Mulher corajosa — Charles sorriu enquanto o primo colocava a esposa inconsciente na cama. Alguns instantes de silêncio se passaram antes que voltasse a falar. — Vi Hugh. As coisas que aquele carniceiro fez com o pobre coitado são inimagináveis.

— Mande chamar Will Rose e o padre para atendê-lo.

— Já o fiz. Também coloquei guardas nas saídas das passagens subterrâneas.

— Quero que cada um dos túneis, cada vão, cada buraco seja vasculhado. Quero todas as possíveis rotas de fuga bloqueadas. Quero George esta noite. De um jeito, ou de outro.

— Mas Darcy, Calleb nos mostrou todas as saídas e já as tínhamos guardadas antes mesmo de você voltar da masmorra. Se fosse para apanharmos George...

— Nesses últimos vinte anos, meu primo provavelmente construiu novas rotas de fuga, ampliando a rede subterrânea. Ou ele conseguiu escapar de alguma maneira, usando um caminho desconhecido por Calleb, ou continua lá embaixo, em algum lugar sob o castelo. Aguardando, como uma aranha desprezível em sua teia.

— Verei se é possível encontrar um modo de obrigá-lo a sair.

A sós com a esposa, Darcy sentou-se na cama e beijou-a de leve na testa, rezando para que recuperasse a consciência. Embora lutasse contra a ideia, sentia-se aterrorizado diante da possibilidade de que ela jamais recuperasse a razão, que o choque provocado pela experiência na masmorra a lançasse num estado de estupor eterno, como acontecera com sua mãe.

Porém Lizzy tinha um espírito forte. Possuía uma tenacidade que sua mãe jamais conhecera. Talvez, se Margrethe tivesse um pouco dessa força não teria sucumbido ao desespero e desistido de viver, desistido dele.

— Volte para mim, amor — Darcy sussurrou. — Não me abandone agora que sei que você é minha.

Gentilmente, ele a despiu, livrando-a das roupas ensanguentadas. Apesar de não recobrar a consciência, Lizzy deixou escapar um gemido.

— Meu amor, abra seus olhos. Acorde para mim. Você é minha vida. Pemberley e todo o resto não são nada sem você.

Depois de cobri-la com uma manta, Darcy deitou-se ao lado da mulher, aquecendo-a com o próprio corpo, acariciando-lhe os cabelos na ânsia de acordá-la.

Quando, por fim, Lizzy abriu os olhos, sua expressão revelava pânico. Porém, ao reconhecer onde estava, suspirou aliviada, apesar de tremer violentamente.

— Está tudo acabado, minha querida. Você está a salvo agora. Não permitirei que nada lhe aconteça.

— Onde está George? Ele já...

— Ainda não. Charles e o resto dos homens saíram ao seu encalço. Não é possível que esteja muito longe.

— E Hugh? — ela indagou num murmúrio, aconchegando-se ao marido. — E quanto ao pobre Hugh?

— Ele está vivo, embora muito mal.

— Oh, Darcy.

— George nunca mais terá oportunidade de ferir alguém. Prometo-lhe. Quando penso como esteve perto de... Você está bem, querida? — ele indagou nervoso, vendo-a estremecer.

— Apenas me abrace. — Ainda se sentia dominada pelo mais profundo horror, porém os braços fortes do marido ao seu redor davam-lhe segurança.

— Sim, meu amor. Eu a abraçarei essa noite e o dia inteiro, se for preciso.

— Você me disse que George era perigoso, que não merecia confiança. Sempre soube do que ele era capaz?

— Sim. Sempre.

*****

— Realmente estou bem, marido. — Lizzy insistiu horas depois, enrolada numa manta grossa. — Vá com Charles descobrir o paradeiro de George.

Contudo, Darcy hesitava. Não havia nada que desejasse mais do que encontrar o primo, porém relutava em deixar a esposa sozinha..

— Você sofreu um choque terrível.

Uma batida tímida na porta os interrompeu. Era Vilma, trazendo água quente para o banho de lady Lizzy.

— Por favor, vá com seus homens. Ficarei bem. Tomarei um banho e o aguardarei aqui mesmo, no quarto.

Por fim, Darcy decidiu-se, prometendo a si mesmo não se ausentar mais do que uma, ou duas horas.

— Em caso de algum problema, chame o guarda nos aposentos de Hugh. Não demorarei muito a retornar.

— Sei que não. — Ela sorriu, beijando-o de leve nos lábios.

— Eu te amo.

— Então volte para mim depressa.

— Onde está Charlotte? — Lizzy perguntou, enquanto a criada ajudava-a a vestir-se com roupas limpas e perfumadas. Recusara-se a colocar a camisola, querendo estar apresentável quando trouxessem George.

— Foi para casa, com o marido.

— Ela está bem?

— Sim. Apenas um pouco abalada.

— Gostaria de vê-la, para me tranquilizar.

— Mas o duque, milady. Ele não a quer fora do castelo. Não agora. Não até...

— Tem razão.

Vilma suspirou aliviada.

— Posso providenciar seu jantar, milady? Com certeza encontrarei algo especial na cozinha.

— Jantar? — Até o momento, a ideia de comer não lhe passara pela cabeça, todavia descobria-se repentinamente faminta. — Sim, creio que gostaria de um lanche rápido.

— Então estarei de volta daqui a alguns minutos. — Apanhando as toalhas molhadas, Vilma retirou-se.

O silêncio profundo que a cercou, depois da saída da criada, começou a enervá-la. Sentada num banco, pôs-se a desembaraçar os cabelos para se ocupar, atenta ao menor ruído. Sentia-se ridícula, preocupando-se com tudo, até com a própria sombra. Não era possível que George estivesse à espreita, esperando o momento certo de surpreendê-la. Porém, bastara pensar nele para um estremecimento de pavor a sacudir por inteiro.

Tensa, levantou-se e foi até a cômoda, onde havia guardado a adaga que ganhara de William, anos atrás. Somente depois de colocá-la no corpete do vestido é que começou a sentir-se melhor.

Embora tentasse se convencer de que George não se encontrava nos arredores do castelo, temia tornar a vê-lo e, por nada deste mundo, ficaria frente a frente com aquele louco sem ter como se proteger.

De súbito, escutou o barulho de uma porta se fechando e passos no corredor. Certa de que era Vilma, trazendo-lhe o jantar, Lizzy abriu a porta do quarto. Para sua surpresa, tratava-se de lady Kitty Gardiner, que parecia procurá-la.

— Lady Elizabeth! — Kitty exclamou, tomando-a pelo braço. — Acabei de saber da experiência horrível pela qual passou. Como fiquei feliz ao ser informada de que a resgataram antes de George a...

— Não tão feliz quanto eu — Lizzy retrucou entrando no quarto,imediatamente seguida por Kitty. — Minha criada foi até a cozinha. Porque não se senta?

— Mas não podemos nos sentar — a outra falou aflita, levando a mão ao coração. — Seu marido me mandou buscá-la.

— Darcy? — Por um momento ela sentiu-se confusa. Por que o marido mandaria Kitty Gardiner à sua procura? Embora não fizesse sentido, acabou abrindo a porta do quarto e saindo para o corredor pouco iluminado. — Ele descobriu o paradeiro de George? Oh, céus, está ferido?

— Não, não — Kitty a assegurou, andando depressa. — O duque quer sua ajuda.

— Minha ajuda?

— Não posso explicar agora.

Lizzy perguntou-se o que o marido estaria fazendo naquela ala afastada do castelo. Ninguém costumava ir para aqueles lados.

— Ele não falou por que queria minha ajuda? — tornou a insistir.

— Não. Apenas me pediu que a apressasse.

— Darcy deve estar ferido — Lizzy murmurou quase que apenas para si mesma. — Não consigo imaginar o motivo dessa...

— Aqui. Rápido.

Kitty abriu a porta de um pequeno aposento, iluminado por uma única vela. Dando um passo para o lado, esperou por Lizzy. Não havia sinal do duque.

— Mas...? — Antes mesmo que ela completasse a frase, Kitty a empurrou para dentro do quarto, batendo a porta com força. Um movimento num dos cantos escuros chamou-lhe a atenção. Não era Darcy, contudo um outro homem escondia-se ali e agora se aproximava.