Notas iniciais
Olá meninas como vão? Desculpa a demora, mas aqui estou eu, estou sem net, pensei q voltaria a funcionar semana passada, mas aparentemente não aconteceu isso, mas aqui estou eu com mais este capítulo. Obrigada pelos recados de vcs eles são muito importantes, bjs

Chovia sem cessar e Lizzy sentia-se satisfeita por se ver livre do cheiro de sangue que lhe impregnara as roupas depois da cena comThomas Bennet. Os doze aldeões convocados para o resgate do duque aguardavam agora, nas proximidades da ponte.

Minutos atrás Gilbert e o ferreiro tinham voltado com a notícia de que havia mesmo uma espécie de buraco enorme cavado na base da ponte, o alçapão parcialmente coberto por uma vegetação espessa. Chegara o momento de Lizzy e Tom Partridge colocarem a primeira parte do plano em ação.

Tom correu atrás da duquesa na direção do banco de areia e então a segurou pelo braço. Ela gritou e o atingiu no peito com um soco, o que apenas o fez rir.

— Solte-me, seu bruto! Alguém me ajude! — pediu, antes de cair de costas na lama.

— Oh, milady — Tom murmurou em pânico.

— Deixe-me ajudá-la.

— Seu maldito! — Lizzy tornou a gritar, na esperança de atrair a atenção daqueles dentro da toca. — Tire essas mãos de cima de mim!

Percebendo a intenção de lady Elizabeth, Tom fingiu esbofeteá-la antes de permitir que saísse correndo na direção do esconderijo. Então a jogou no chão outra vez.

— Oh, não, você não vai fazer isso comigo. — Lizzy esperneou e berrou, como uma mulher a ponto de ser subjugada contra a vontade. — Você me pagará caro, Tom Partridge!

— Ei, o que está acontecendo aqui? — soou, afinal, a voz de um homem.

— Quem é você? — desafiante, Tom encarou o intruso, fazendo bem o papel que lhe coubera. — E de onde surgiu? Não pense que pretendo dividi-la com alguém.

De súbito, o sujeito acertou o queixo de Tom com um murro possante, nocauteando-o.

No mesmo instante, Lizzy pôs-se a correr na direção oposta, perseguida de perto pelo comparsa de George, só parando ao ouvir um baque surdo às suas costas. Com o coração aos pulos, os músculos doloridos, virou-se a tempo de ver Gilbert e outros dois aldeões segurarem o agressor.

— Não se aproxime, milady — Kenneth Gamel a advertiu. — Deixe esse canalha conosco.

— Milady? — o homem repetiu, reconhecendo-a afinal sob a camada de lama que lhe cobria o rosto. — Pelo sangue de Cristo, eu deveria ter imaginado.

— Cale a boca, Tuck — avisou-o o ferreiro. — Responda apenas às perguntas de milady — Quem está naquele esconderijo sob a ponte?

— Quer dizer, além do conde e de seu marido?

Daniel Page o golpeou nas costas.

— Nada de insolência. Limite-se a responder à duquesa.

— Se eu não responder, o que acontecerá? — Tuck indagou cheio de desprezo. — Vocês não passam de um bando de aldeões. Ninguém tem coragem de me enfrentar.

— É mesmo? — Lentamente, Kenneth deslizou a ponta da faca ao redor da orelha do outro, deixando claras suas intenções.

— Está bem, pare! Contarei tudo! Já não tenho nada a perder.

— Exceto algumas partes do corpo. Vamos, fale.

— Estão apenas o conde e Saladin no esconderijo.

— E meu marido?

— Também está lá.

— Vivo? — Gilbert Lucas fez a pergunta que Lizzy não fora capaz de formular.

— Sim. George planeja mantê-lo vivo como fez com Dryden, usando certos métodos.

— Em que condições se encontra o duque agora?

— Ele..., ele...

Kenneth deslizou a faca por trás da outra orelha de Tuck.

— Estou tendo alguma dificuldade para acreditar em você, sr. Tuck. Parece-me um tanto imprudente da parte de lorde George estar metido naquele buraco com apenas dois de seus homens.

— Mas é a verdade!

A faca se moveu devagar, a ponta fina tirando sangue.

— Pare! lEu lhe imploro! Você está certo! Jack Hartford está lá embaixo também.

— Hartford! — Lizzy repetiu atônita ao descobrir que fora um dos criados de Pemberley que, provavelmente, atraíra Darcy para a armadilha.

— Mesmo se quiséssemos, não teríamos como impedir o conde de agir à sua maneira. Planejávamos partir para a Irlanda, todos nós, o conde também. Ele queria apenas... A questão é o duque. Ele odeia o duque.

— Amarrem as mãos desse canalha — Lucas ordenou. — Depressa, rapazes. Lady Elizabeth, tem mesmo certeza de que pretende continuar?

— Sim, seguirei em frente. Irei atrás de meu marido.

— Foi o que pensei, milady.

Enquanto o pequeno grupo se encaminhava para o local do esconderijo, Lizzy tentava não pensar no pior, sufocando imagens de Hugh Dryden que insistiam em lhe vir à mente. Darcy saíra do castelo poucas horas atrás. Com certeza não era tempo suficiente para George cometer todo seu ritual de atrocidades.

— Chame-os — Kenneth ordenou a Tuck ao chegarem perto do alçapão. — Dê a impressão de que encontrou alguma coisa, de que precisado auxílio de ambos.

Depois de alguma hesitação e apenas sob a ameaça da faca, Tuck concordou:

— Saladin! Hartford! Venham me ajudar! O homem é muito pesado para eu carregar sozinho.

— Você está louco de ficar gritando aí fora dessa maneira? — Saladin falou, saindo do buraco. — O conde não quer...

Um golpe certeiro calou Saladin no mesmo instante em que Hartford era dominado, aliás, sem ter oportunidade de oferecer resistência. William Smith fez sinal para que Lizzy o seguisse. Sendo ele o mais alto e corpulento dos aldeões, parecia sensato tomar à dianteira. Com sorte, apenas George e o duque estariam lá embaixo, o que representaria um perigo menor à segurança de lady Elizabeth.

Com a faca em punho, Lizzy seguiu-o em silêncio. Depois de percorrerem alguns metros de um túnel escuro, William parou de repente, apontando para a direita. Rastejando, protegidos pelas sombras, os dois se aproximaram de um cômodo pequeno e úmido, iluminado pela luz de uma única tocha. Imediatamente os olhos de Lizzy pousaram sobre a figura do marido, jogado numa cadeira, as mãos atadas atrás das costas.