Noiva Em Fuga
31 Especial 2 - Lua de mel - parte 1 - "Pra sempre"
Notas iniciais
– Shizu-chan, me põe no chão agora! – mandou, num misto de constrangimento, irritação e indignação.
– Calado, pulga. – respondeu sem se abalar com o tom de voz do outro.
– Eu não estou brincando. Me solta! – se debateu um pouco, tentando sair dos braços do loiro, mas foi inútil.
– Qual é o problema? – perguntou de forma inocente apenas para provocar Izaya, claro.
– Qual é o problema? – repetiu entre dentes – Por acaso você é idiota?! Me solta logo, Shizu-chan! Eu não sou uma mulher!
– Sério? Você quase me enganou com esse vestido.
– Shizu-chan... – foi quase um rosnado.
– Quieto, pulga. Estou tentando fazer como se manda a tradição. – estava se divertindo com a irritação do outro.
– Se queria ser tradicional, deveria ter se casado com uma mulher!
– Verdade... – ficou pensativo por alguns segundos e Izaya estreitou os olhos.
– Chegue perto de alguma mulher com esse objetivo e vai ser a última coisa que vai fazer na vida! – ameaçou e o loiro sorriu de canto.
– Então pare de ser chato e me deixe fazer as coisas direito.
Izaya bufou e cruzou os braços irritado, aquilo era humilhante! Depois de fazerem seus votos e trocarem as alianças, os dois ainda ficaram longos minutos apenas se beijando, de certa forma era algo diferente, bom. E quando o sol se pôs totalmente eles voltaram para a limusine e Shizuo os trouxe de volta para Ikebukuro, mas não para a festa, eles foram direto para o novo apartamento deles.
O prédio possuía quinze andares e havia sido escolhido estrategicamente por sua localização, ficava na metade do caminho entre o apartamento de Izaya em Shinjuku – que ainda seria mantido como escritório – e o trabalho de Shizuo. Pelo loiro, eles poderiam muito bem morar em seu antigo apartamento, Izaya não tinha realmente algo contra essa idéia, mas nem a pau iria ficar fazendo todas as vontades de Shizuo, então sugeriu que eles fossem morar em seu apartamento em Shinjuku. O loiro recusou, claro, também não queria dar o braço a torcer e ficar fazendo as vontades de Izaya. Ficaram dias nessa discussão ridícula que só teve fim quando Namie, já de saco cheio daqueles dois, sugeriu de forma gentil – gritou – que eles procurassem juntos por um novo apartamento. Funcionou. Alguns dias depois Shizuo ligou para Izaya falando sobre aquele prédio e que sua localização seria boa para os dois, o informante foi conferir aquilo no mesmo dia e não pode evitar ficar surpreso com o apartamento, não que duvidasse do bom gosto de Shizuo, afinal, o loiro gostava dele, existe prova maior de bom gosto? Mas Shizuo tinha gostos simples e Izaya esperava encontrar algo parecido com o antigo apartamento do loiro e nunca esteve tão errado em suas deduções.
O apartamento disponível ficava no sexto andar e era bastante amplo, não tanto quanto o seu em Shinjuku, mas confortavelmente espaçoso. A sala tinha um tamanho razoável, também havia uma sala de jantar e uma cozinha grande com uma bela bancada de mármore no meio dela. Havia três quartos, sendo que um deles era uma suíte com espaço suficiente para pôr uma banheira – isso definitivamente foi o que convenceu Izaya — , um banheiro razoavelmente grande no final do pequeno corredor, lavanderia e uma pequena varanda. E a localização também era boa, não ficava tão perto do centro, mas havia vários estabelecimentos ali perto.
Shizuo nunca perdia a mania de surpreendê-lo...
Mas nem sempre isso era algo bom, como nesse exato momento, no qual os dois se encontravam cruzando o hall de entrada do prédio em direção ao elevador, Izaya de braços cruzados e um bico enorme e Shizuo com um meio sorriso divertido enquanto carregava “sua noiva”, ou melhor, “sua esposa” nos braços. Esse era o motivo de toda a irritação do informante, afinal, ele não era uma mulher!
Foram poucos instantes até que o elevador parasse no sexto andar e eles saíssem, o loiro caminhou tranquilamente até a terceira porta do corredor à esquerda, ainda segurando firmemente o moreno emburrado em seus braços.
– Você pode abrir a porta? – pediu e obviamente foi ignorado – Você sabe que só vou te colocar no chão quando estivermos lá dentro, não sabe?
O moreno bufou e procurou a chave nos bolsos do loiro, logo a encontrando e destrancando a porta. Shizuo entrou e a empurrou com o pé para que fechasse, aquela fechadura não era do tipo convencional e depois de fechada, a porta só poderia ser aberta novamente com a chave, mesmo se ela não estivesse trancada.
– Pronto, já estamos dentro. Agora me ponha no chão!
Shizuo o pôs no chão mas não o soltou, abraçou-o pela cintura e tomou seus lábios num beijo lento, que foi retribuído depois de pouquíssimos instantes de resistência.
– Feche os olhos. – o loiro pediu.
– Pra que? – estreitou um pouco os olhos.
– Só feche. – beijou suavemente os lábios do moreno – Só por alguns minutos.
Izaya estreitou ainda mais os olhos, desconfiado, mas acabou por suspirar e atender ao pedido do loiro.
– Se for alguma brincadeirinha idiota, Shizu-chan, eu juro que... – foi interrompido por um beijo do loiro.
– Não é uma brincadeira. – Izaya ainda o fitou por alguns instantes antes de fechar os olhos – Só os abra quando eu disser que pode, ok?
– Tá, tá...
O loiro voltou a beijá-lo e em seguida se afastou, Izaya ficou bastante tentado a espiar o que ele estava aprontando, mas não faria isso, só esperava que não fosse nada idiota, por que sua paciência, que já era pouca, estava no limite depois de ter sido carregado como se fosse uma donzela que acabara de ser salva. Se Shizuo viesse com mais alguma coisa do gênero, aquele casamento definitivamente não seria consumado naquela noite!
– Pronto, pode abrir os olhos. – o loiro disse da sala, depois de algum tempo.
Izaya abriu os olhos e foi até onde o guarda-costas estava. Arqueou uma sobrancelha quando chegou na sala e se deparou com o que Shizuo havia feito.
– Pra que isso? Por acaso você não pagou a conta de luz? E eu não vou limpar isso!
Havia velas espalhadas por todo o cômodo e também pelo corredor, formando uma espécie de caminho, todas elas estavam acesas e devidamente postas em recipientes circulares de vidro, daqueles que podem ser usados como vasos para arranjos de flores ou até mesmo como aquários para pequenos peixes. E além disso, uma grande quantidade de pétalas de rosas de várias cores estavam jogadas por todo lado, principalmente no corredor, como se estivessem indicando um caminho.
– É só o que tem a dizer?
– E o que mais queria que eu dissesse?
Agora era Shizuo quem parecia emburrado. Izaya arqueou novamente a sobrancelha.
– Qual o propósito disso, Shizu-chan?
– Nada de importante.
Izaya ficou um pouco surpreso ao notar que Shizuo parecia um pouco... decepcionado?
– Diga logo, Shizu-chan.
– Não é nada, já disse. Foi só uma ideia idiota que eu tive.
O informante cruzou os braços.
– Shizu-chan...!
O loiro bufou e ficou quieto por alguns segundos antes de começar a falar, mas sem encarar o informante.
– Meu chefe me deu essa semana toda de folga, sabe, como presente de casamento, e... eu não tinha muita coisa pra fazer ontem e nem hoje até a hora do casamento, então... bom, eu passei o tempo todo assistindo alguns filmes na tv, mas a maioria era... – fez uma careta – de romance.
– E...?
– É que tinham... sabe... aquelas coisas românticas e... na hora pareceu ser uma boa ideia.
– Shizu-chan, eu não estou entendendo nada.
O loiro fez uma careta e respirou fundo.
– E-Eu... só queria que fosse especial. – disse baixo e um tanto constrangido.
Izaya franziu o cenho. Olhou novamente para as velas, as pétalas de rosas e para o rosto levemente corado do loiro. Finalmente entendeu.
– Shizu-chan, eu não sou uma mulher! – havia uma certa irritação em seu tom de voz. Já estava perdendo a paciência com aquilo.
– Eu sei! – suspirou de forma cansada – Eu só... queria que fosse diferente, sei lá. Tecnicamente vai ser a nossa primeira vez, agora que estamos casados. – coçou a nuca, sentindo seu rosto cada vez mais quente – Acho que assisti filmes demais sobre essas coisas. – suspirou – Esqueça o que eu disse, tá? Foi uma idéia patética, eu estou me sentindo um idiota e você deve ter achado tudo isso ridículo, não é? Pode rir se quiser. Eu... vou me livrar dessas coisas.
O loiro estava com vergonha, tinha consciência de que seu rosto estava completamente vermelho e se recusava terminantemente a encarar o moreno, que com certeza estava com aquela expressão sarcástica no rosto e não o deixaria em paz pelo resto da vida depois disso. Shizuo não era romântico, nunca se importou em ser e nem levava jeito pra isso, mas é verdade quando dizem que o amor deixa as pessoas idiotas, ele estava se sentindo um grande idiota agora! Onde estava com a cabeça quando pensou naquelas coisas? Bom, essa é fácil, em Izaya. Eles não eram românticos um com o outro, não precisavam ser, mas o casal do terceiro filme que assistiu e agora não lembrava o nome, também não era, eles até se detestavam no começo. Merda! Maldita hora que resolvi assistir a esses filmes! Eu nem gosto do gênero! Fez uma careta e bagunçou os fios loiros, agora não adiantava nada ficar se lamentando, toda a merda já havia sido feita mesmo! Pegou uma vela que estava sobre a mesinha de canto com o intuito de apagá-la e sumir com toda aquela palhaçada, mas antes que concluísse esse objetivo, Izaya segurou seu braço, impedindo-o.
– Você tem razão. Foi uma idéia patética, eu sempre soube que você era idiota e eu realmente achei ridículo. – o loiro já se preparou para o pior – Mas... Eu não me importo que você seja ridículo hoje.
Dizer que Shizuo estava surpreso era pouco, ele, que estava meio de costas para o moreno, virou-se para encará-lo e ter certeza de que não havia entendido errado. Izaya mantinha o olhar fixo em um ponto qualquer na parede oposta, suas bochechas estavam um pouco coradas e ele prendia o lábio inferior entre os dentes.
– S-Sério!? — o moreno assentiu, ainda sem encará-lo.
– Não é como se eu gostasse desse tipo de coisa, mas, podemos fazer isso se você quiser. – suas bochechas ficaram ainda mais coradas – Você ainda quer?
Izaya nunca gostou de romance, era meloso demais e completamente desnecessário na sua opinião. Não entendia por que as pessoas gostavam tanto daquelas coisas clichês, inclusive havia comentado isso com Shinra uma certa vez e o médico disse que era por que ele nunca havia se apaixonado por ninguém, mas quando isso acontecesse, ele entenderia. Na hora ele riu, óbvio, mas agora ele sabia que Shinra estava certo e mesmo ainda achando toda essa história de romance algo clichê e completamente ridículo, havia se sentido estranhamente feliz quando o loiro disse que queria que a primeira vez deles depois de casados fosse especial. Era difícil de explicar, mas foi como se seu corpo inteiro se aquecesse apenas com as palavras do guarda-costas, enquanto as batidas do seu coração se tornavam cada vez mais aceleradas.
– Quero. – Shizuo respondeu, o rosto tão corado quanto o do outro.
Izaya finalmente desviou os olhos da parede e fitou o loiro, que também o olhava. Ambos estavam completamente corados e sem saber exatamente com agir, pareciam até um daqueles casais virgens tendo a primeira oportunidade de um contato mais íntimo, sem saberem como ou por onde começar.
Ficaram naquela troca de olhares por vários segundos até Shizuo tomar iniciativa e acariciar o rosto do moreno com as costas da mão. O gesto havia sido tão gentil e carinhoso que o informante acabou fechando brevemente os olhos, aproveitando aquele toque, enquanto Shizuo aproximava o próprio rosto e beijava suavemente os lábios do moreno, que logo se entreabriram para dar passagem à língua do loiro. Beijaram-se por um longo tempo de forma lenta e quase delicada, finalizando o beijo do mesmo jeito que foi iniciado, com um suave encostar de lábios.
Shizuo entrelaçou uma de suas mãos na de Izaya e seguiu pelo caminho de pétalas até o quarto de ambos. O moreno se perguntou aonde Shizuo havia arranjado tantas flores, por que no chão do quarto também haviam várias pétalas coloridas e encima da enorme cama de casal parecia haver uma colcha feita só com pétalas, todas vermelhas. Era realmente bonito. O loiro o conduziu até a cama e o fez sentar-se na beirada, logo se afastando e indo até uma mesinha no canto do quarto onde havia um balde com gelo e uma garrafa dentro, e ao lado, duas taças. Abriu a garrafa e encheu as duas taças com o líquido de dentro dela e voltou para junto do informante, sentando-se ao seu lado e lhe entregando uma das taças.
– Suco de maçã?! – o moreno perguntou, divertido, depois de tomar um gole.
– Você sabe que eu não gosto de nada alcoólico. – deu de ombros e sorveu um grande gole da bebida, notando que era atentamente observado pelo outro – O que foi?
Izaya havia virado o corpo em sua direção, apoiando o cotovelo na coxa e o queixo na mão, enquanto a outra segurava a taça. Havia um sorriso suave em seus lábios e seu olhar era quase terno.
– Você é uma gracinha, sabia?
Shizuo ficou vermelho e desviou o olhar, tomando outro gole do suco.
– Cale a boca.
O informante riu. Ele havia falado sério, não era uma provocação. Bom, havia sim uma provocaçãozinha, mas o moreno achava fofo o modo como Shizuo fazia algumas coisas. Você é adorável, Shizu-chan.
Um terceiro gole foi o suficiente para que Shizuo esvaziasse sua taça, a de Izaya estava um pouco abaixo da metade, mas ele declinou de tomar o resto, devolvendo a taça ao loiro que as colocou no mesmo local de antes e voltou para perto do moreno, mas desta vez parando em rente a ele e apoiando um dos joelhos no chão.
– O que vai fazer, Shizu-chan? – perguntou com uma sobrancelha erguida.
Shizuo não respondeu, ao invés disso, pegou um dos pés do informante e o ergueu, retirando delicadamente o sapato branco de salto alto que ele ainda usava e deslizando a ponta dos dedos pela perna coberta por uma meia sete oitavos, também branca, brincou por alguns instantes com os babadinhos que havia na barra antes de começar a puxá-la lentamente para baixo até tirá-la completamente e distribuir pequenos beijos por toda a extensão da perna do moreno e fazendo a mesma coisa na outra perna, sempre de forma lenta e cuidadosa.
Agora era Izaya quem estava vermelho. O loiro estava sendo tão gentil, tão cuidadoso, tão carinhoso... Não imaginou que Shizuo fosse se empenhar tanto para ser romântico, e também não imaginou que fosse gostar de ser tratado daquele jeito, como se fosse o bem mais precioso, mais importante, mais... amado. Shizuo se sentou novamente ao lado do informante e acariciou seu rosto por alguns instantes antes de tomar seus lábios em um beijo lento, porém intenso. As línguas se entrelaçaram uma na outra, movendo-se em perfeita sincronia e explorando cada canto da boca alheia.
O beijo foi desviado para a bochecha do moreno e depois para o pescoço, ombro, até chegar à mão, onde beijou cada dedo e em seguida a palma, entrelaçando sua mão na dele e repetindo o mesmo processo até chegar à outra mão de Izaya. O beijo que se seguiu, desta vez foi por iniciativa do mais novo, que se inclinou para a frente e alcançou os lábios do loiro enquanto soltava uma das mãos e a levava até a nuca do mais alto, que aproveitou a mão livre para envolver sua cintura e aproximar mais os corpos. A mão do guarda-costas acariciou brevemente a cintura de Izaya e subiu para as costas, alcançando o fecho do vestido e o abrindo vagarosamente. Izaya também começou a retirar o paletó do loiro, depois a gravata, o colete, e abriu um a um os botões da camisa, da mesma forma lenta e cuidadosa que o loiro havia feito até agora.
Shizuo, nu da cintura pra cima, fez com que o informante se deitasse e voltou a beijar-lhe o pescoço enquanto puxava o vestido tomara-que-caia para baixo e ia descendo os beijos pela área agora descoberta, deslizou a língua ao redor de um dos mamilos e o chupou, roçando os dentes de leve antes de partir para o outro mamilo. O vestido de noiva foi completamente retirado e deixado num canto qualquer do quarto, deixando o moreno apenas com a roupa íntima, que para o alívio de ambos, era masculina. Bom, não era como se Shizuo fosse achar ruim se fosse algo feminino, afinal de contas, ele já estava usando um vestido mesmo, mas ele sabia que quem havia colocado aquelas roupas nele foram Namie, Celty e Érika, e mesmo sabendo que nenhuma delas era “interessada” nele, só em imaginar qualquer pessoa que fosse tocando e vendo cada parte daquele corpo, já o fazia se morder de ciúmes. Izaya era seu, do mesmo jeito que era dele, ambos pertenciam um ao outro.
Deslizou a língua ao redor do umbigo do moreno enquanto retirava a única peça que ele ainda vestia, acariciou o membro semi-ereto, sentindo-o endurecer entre seus dedos enquanto os movia de forma lenta, quase torturante. Izaya gemeu quando o loiro começou a masturbá-lo daquela forma, ele precisava de mais, embora estivesse gostando de ser tratado daquela forma, seu corpo precisava de mais, e aquele loiro sádico com quem havia se casado com certeza o torturaria mais um pouco com a desculpa de estar sendo romântico. Tsk. Como se não o conhecesse!
– Shizu-chan... – choramingou.
O loiro, para a sua surpresa, atendeu sua vontade, finalmente movendo a língua ao redor de sua ereção pulsante e a abocanhando, começando a chupar com intensidade. O informante voltou a gemer, desta vez um pouco mais alto, sentindo a boca de Shizuo subir e descer ao redor de seu membro e às vezes os dentes roçando de leve em sua glande, deixando-o cada vez mais próximo de chegar ao ápice.
– Shi... Shizu-chan, eu vou... – tentou avisar que estava prestes a gozar, mas o loiro passou a chupá-lo com mais força, fazendo-o perder qualquer linha de raciocínio e deixando-se levar pelo orgasmo.
O loiro saiu da cama e terminou de tirar o restante das próprias roupas, nunca deixando de olhar para o corpo de Izaya, tentadoramente largado na cama em meio àquelas pétalas vermelhas que contrastavam com a pele clara do informante, os olhos estavam fechados e ele prendia o lábio inferior entre os dentes enquanto seu corpo se acalmava. Aquela definitivamente era a imagem da perfeição, tanto que seria um crime deixar que ela se perdesse... Um sorriso malicioso e extremamente luxurioso surgiu nos lábios do guarda-costas, ele pegou a calça que havia acabado de tirar e procurou pelo celular nos bolsos, mas só encontrou o de Izaya, não tinha tempo para procurar seu próprio aparelho então usou o do informante mesmo para tirar uma foto daquela imagem tão perfeita. Tenho que passar essa foto pro meu celular antes que Izaya a veja. Salvou a imagem e voltou a guardar o celular do moreno no bolso de sua calça para que ele não o achasse e apagasse aquela foto antes de conseguir passá-la para o seu próprio celular. Izaya com certeza iria querer matá-lo se visse aquilo, não que ele tivesse qualquer pudor quando o assunto era sexo, mas aquela imagem não era puramente luxuriosa, ela tinha algo a mais, e todo aquele clima romântico e sentimental daquela noite, ficava bem evidente na foto. O informante não estaria nem aí se fosse apenas sexo, mas aquilo era algo bem mais íntimo e o deixaria com vergonha, ele apagaria a foto sem pensar duas vezes.
Shizuo ainda deu uma boa olhada em Izaya antes de voltar a subir na cama, seu membro latejava de tão excitado que estava, sua vontade era devorar o moreno, pedaço por pedaço como sempre havia feito, mas não faria isso, não desta vez. Havia dito que seria especial e era exatamente assim que seria!
Izaya abriu os olhos quando o corpo de Shizuo ficou completamente sobre o seu, automaticamente seus braços rodearam o pescoço do loiro, trazendo seu rosto para mais perto e o beijando. Inicialmente, o beijo foi lento, mas a medida em que o desejo e a excitação de ambos foram crescendo, o beijo se tornou cada vez mais lascivo, toques se tornaram mais urgentes e a necessidade de se tornarem um só já era quase insuportável. O loiro terminou o beijo dando uma breve mordida no lábio inferior do informante e em seguida passou a língua pelo local, se ergueu um pouco, esticando o braço até o criado-mudo ao lado da cama e pegando um pequeno tubo transparente com conteúdo da mesma cor. Izaya arqueou uma sobrancelha,já haviam usado lubrificante várias vezes, mas sempre por iniciativa sua, afinal, mesmo que não se importasse com a dor na hora e até gostasse de senti-la, no dia seguinte não era assim tão divertido quando mal conseguia se levantar da cama. Viu o loiro abrir o tubo de forma apressada e lambuzar três dedos, não demorando a sentir o primeiro deles, lhe invadir com certo cuidado. Shizu-chan está se segurando.
– Shizu-chan. – o chamou baixo. Shizuo ergueu os olhos para o informante, sem parar com o que fazia e nem alterar o ritmo. Ficaram naquela troca de olhares, uma conversa silenciosa que durou alguns segundos, até Izaya suspirar e sorrir de forma quase imperceptível para o guarda-costas e este retribuir.
“Você sabe que não precisa fazer isso.”
“É, eu sei.”
“Eu não me importo com a dor. Eu até gosto.”
“Também sei disso. Mas eu quero levar isso até o final, entende?”
Um segundo dedo foi introduzido lentamente e o informante gemeu baixo e mordeu de leve o próprio lábio de forma bastante erótica apenas para provocar o marido. O loiro estreitou os olhos, já estava a um passo de perder completamente o pouquíssimo auto-controle que tinha e Izaya fazia questão de não facilitar nem um pouco. Adicionou o terceiro dedo lubrificado aos outros dois e passou a movê-los de modo que fossem mais fundo, visando acertar aquele determinado ponto que já era muitíssimo bem conhecido por ele, fazendo o moreno arquear o corpo e gemer alto.
– Shizu-chan... – gemeu de forma suplicante o apelido do marido – Eu preciso de você... agora.
Aquilo definitivamente era uma ordem, e Shizuo, como um bom – e muito, muito excitado – marido, obedeceu prontamente. Retirou seus dedos de dentro de Izaya e arrebentou o pobre tubo de lubrificante ao abri-lo de forma um tanto desesperada, lambuzou o próprio membro que já estava dolorido de tão duro e o encaixou na entrada de Izaya, deslizando-o pra dentro com facilidade e acertando em cheio a próstata do moreno. Ambos gemeram alto, sentindo uma onda de prazer percorrer seus corpos.
Shizuo voltou a se deitar sobre o informante, que o abraçou pelo pescoço e rodeou sua cintura com as pernas, fazendo o membro ir ainda mais fundo dentro de si enquanto tomava os lábios do loiro em um beijo cálido e faminto. Os movimentos logo de início já foram rápidos e precisos, o loiro estava excitado demais para sequer pensar em ir com calma agora, pôs mais força nas estocadas, indo ainda mais fundo dentro daquele corpo que tanto o enlouquecia, passando a morder e chupar o pescoço alvo de Izaya, que gemia cada vez mais alto.
– Shizu-chan, eu...
O loiro sabia que ele estava no limite e prestes a gozar, então o estocou com ainda mais força naquele determinado ponto já sentindo os primeiros espasmos percorrerem o corpo abaixo de si.
– ... te amo.
Shizuo parou de se mover quando aquelas palavras o atingiram, é claro que sabia que Izaya o amava, mas aquela era a primeira vez que o escutava dizer isso. Já havia sonhado uma vez com uma declaração por parte do informante “Eu também não odeio você, Shizu-chan. Na verdade eu... acho que te amo”, mas aquilo era apenas um sonho e sem dúvida, a realidade era muito, muito melhor. O loiro estava tão absorto com aquilo que se surpreendeu quando se viu deitado de costas sobre o colchão com Izaya sobre seus quadris. Ambos os abdomens estavam sujos, o que significava que o moreno havia gozado, mas seu membro já se encontrava semi-ereto. Por quanto tempo havia ficado viajando?
Izaya não imaginou que Shizuo fosse ficar tão aéreo e com uma expressão tão besta no rosto depois de ouvir aquilo, também não havia planejado dizer aquilo, simplesmente disse, e não era como se fosse alguma revelação surpreendente e provavelmente teria ficado com vergonha por ter dito se não estivesse tão inebriado por conta do orgasmo. Ele simplesmente não conseguia se acostumar com essas coisas sentimentais, era a única coisa que conseguia deixá-lo realmente constrangido. Quando se recuperou do orgasmo, notou que o loiro ainda não havia reagido e continuava com cara de bobo, moveu um pouco o quadril apenas para se ajeitar melhor abaixo do loiro e acabou fazendo com que o membro ainda completamente duro dentro de si roçasse em sua próstata, fazendo-o se excitar novamente, e já que Shizuo não tomava uma atitude... Conseguiu inverter as posições com um pouco de esforço – Shizuo era pesado afinal de contas – e ficou por cima, sobre o quadril do guarda-costas que finalmente pareceu acordar.
– Oh, vejo que você finalmente acordou, Shizu-chan! – usou seu típico tom irônico enquanto fazia movimentos circulares com o quadril, ficando cada vez mais excitado.
– Diz de novo. – o loiro se ergueu um pouco apoiando os cotovelos na cama.
– Que você finalmente acordou? – arqueou levemente uma sobrancelha, estranhando a atitude do guarda-costas.
– Não, me refiro ao que você disse antes.
As bochechas do informante adquiriram um suave tom rosado.
– Você escutou muito bem da primeira vez e eu não vou repetir! – fez bico e desviou o olhar – Além disso, temos coisas mais urgentes aqui. – se ergueu um pouco e desceu lentamente sobre a ereção do loiro, ia repetir o movimento, mas Shizuo segurou firme em sua cintura, impedindo-o.
– Diz de novo. – pediu novamente enquanto se sentava e usava a mão livre – a outra ainda estava na cintura do moreno – para acariciar o rosto do informante e fazê-lo o olhar nos olhos – Por favor.
Izaya mordeu o lábio inferior e suspirou. Como poderia dizer não a um pedido desses? Seu rosto foi ficando cada vez mais corado, mas em nenhum momento desviou os olhos dos de Shizuo.
– E-Eu te amo. – seu rosto já estava completamente vermelho, mas manteve-se firme. Shizuo sorriu – o sorriso mais lindo que Izaya havia visto em toda a sua vida – e o beijou, de forma intensa e completamente apaixonada.
– Eu também amo você. – disse com os lábios próximos aos do informante e logo voltando a juntá-los.
O beijo que se iniciou calmo foi ficando cada vez mais envolvente, lascivo, luxurioso; os corpos se moviam rápido e em perfeita sincronia, implorando por alívio naquela busca incessante por prazer. Logo os primeiros espasmos foram sentidos e tomados como incentivo para que seus corpos se movessem ainda mais rápido e de forma frenética e enlouquecedora, que os levou a ter o orgasmo mais longo e intenso de suas vidas. Shizuo foi o primeiro, derramando-se no interior quente e apertado de Izaya, que gozou em seguida, sujando novamente ambos os abdomens. Shizuo voltou a se deitar trazendo o informante consigo e saindo de dentro dele. Começou a acariciar os fios negros, úmidos de suor, depois desceu as carícias para as costas de Izaya e começou a retirar as pétalas grudadas ali, aliás, havia pétalas grudadas em todo o corpo do moreno e no seu também.
– É você quem vai limpar essa bagunça, ouviu bem?
– Hmhum. – continuou a carícia suave pelo corpo do informante.
– Afinal, onde arrumou tantas flores assim, de uma hora pra outra? – ergueu um pouco a cabeça para ver o loiro e apoiou o queixo nas mãos entrelaçadas sobre o peito de Shizuo – E aposto que tem dedo do Shinra nisso.
– Verdade. – sorriu um pouco – Eu tive a idéia, mas não sabia exatamente o que fazer e o Shinra vive fazendo esse tipo de coisa para a Celty. – deu de ombros – Aquelas flores eram de um casamento. – o moreno arqueou uma sobrancelha – Faziam parte da decoração e seriam jogadas fora no dia seguinte, Shinra conhecia a pessoa que organizava tudo e ela deu as flores pra gente. Deu o maior trabalho ficar tirando pétala por pétala! – bufou e Izaya riu – As velas, toda loja de conveniência tem no estoque e aqueles recipientes de vidro são do Shinra, ele tinha comprado há algum tempo pra fazer uma surpresa desse tipo pra Celty. – coçou a bochecha, um pouco sem jeito e pigarreou – Érr... Você gostou?
Izaya corou e saiu de cima do loiro, deitando-se ao seu lado e encarando de forma bastante interessada uma das velas acesas sobre a mesinha do outro lado do quarto.
– Hm.
– Isso foi um sim?
– Entenda como quiser.
Shizuo riu e o abraçou por trás, trazendo seu corpo para mais perto do seu e lhe dando um beijo no pescoço. Achava ‘fofo’ quando Izaya ficava com vergonha por causa de gestos ou palavras que demonstrassem carinho, amor ou qualquer outra coisa do gênero. Tão adorável. Se lhe perguntassem, Shizuo não saberia dizer ao certo em que momento se apaixonara por Izaya, a única certeza que ele tinha era que a cada dia se apaixonava um pouco mais pelo informante, e mesmo que algum dia Izaya deixasse de amá-lo, o mesmo não aconteceria com ele. Amaria Izaya pra sempre.
– Eu vou te amar pra sempre. – sussurrou no ouvido do moreno, como se estivesse contando um segredo. Não houve resposta e ele nem esperava por uma, beijou de forma carinhosa a bochecha do informante e voltou a se deitar.
Izaya parou momentaneamente de respirar quando ouviu aquilo, seu coração batia tão forte que chegava a doer. Droga, Shizu-chan! No momento em que se deu conta de que estava apaixonado, soube que estava perdido, o mais sensato era cair fora antes que as coisas piorassem, mas teoria e prática são coisas tão diferentes... Antes que se desse conta, aquilo que sentia já havia se tornado algo mais forte, não tinha mais como voltar atrás, e mesmo que em algum momento Shizuo deixasse de gostar dele, ainda assim, continuaria o amando. Pra sempre. Ouvir aquelas palavras havia, de certa forma, acalmado seu coração, mesmo ele parecendo estar prestes a explodir de tão rápido que batia. Foram longos minutos até que ele se pronunciasse.
– Shizu-chan? – o chamou em voz baixa.
– Hm. – a voz do loiro estava sonolenta, ele com certeza estava quase adormecendo.
– Eu... também vou te amar pra sempre. – agradeceu imensamente por estar de costas para o loiro, seu rosto parecia em chamas de tão quente que estava.
Shizuo sorriu, aquela era a melhor coisa que poderia ter ouvido. Beijou suavemente a nuca do moreno e intensificou o abraço ao redor de seu corpo, como se aquele gesto significasse que ele jamais o deixaria. Izaya se aconchegou naquele abraço e suspirou, queria que aquela noite durasse pra sempre, mas em hipótese alguma diria isso em voz alta. Não mesmo.
***
Izaya saiu do banheiro enxugando os cabelos recém lavados durante o banho e encontrou o loiro ainda esparramado ma cama, completamente adormecido. Os dois haviam cochilado um pouco e depois só afastaram os lençóis sujos, ainda restando algumas pétalas na cama, e voltaram a dormir abraçados e cobertos apenas por uma colcha fina já que não estava frio. Ficou um tempo apenas observando o loiro, ele estava deitado de bruços com a colcha o cobrindo da cintura para baixo, mas de uma forma que deixava evidente que ele não estava vestindo absolutamente nada embaixo daquele pano; nas costas havia vários arranhões ligeiramente avermelhados, os fios loiros completamente bagunçados caídos sobre o rosto, a expressão serena que ele sempre tinha quando estava adormecido, os lábios minimamente entreabertos deixando escapar sua respiração suave, e as pétalas vermelhas que ainda restavam sobre a cama, pareciam emoldurar aquela imagem tão perfeita, na sua opinião. Sorriu. Seria um desperdício deixar que algo assim simplesmente se perdesse.
Procurou pelo celular, não o encontrando em lugar algum e só então se lembrando que o havia deixado com o loiro já que não havia bolsos naquele ‘bendito’ vestido de noiva. Procurou pelas roupas de Shizuo, achando primeiro o paletó e o celular do marido em um dos bolsos internos; continuou procurando e depois de alguns minutos, finalmente encontrou a calça do loiro praticamente embaixo da cama e recuperou seu celular. Acionou a câmera do aparelho e sempre que se fazia isso, a última foto tirada era mostrada no canto inferior da tela.
– Shizu-chan! – não chegava a ser um grito, mas sua voz estava relativamente alta e um tanto irritada.
– Hm. – o loiro resmungou, com preguiça de sequer abrir os olhos.
– Quem lhe deu autorização pra tirar essa foto?
– Foto? – murmurou sonolento – Que Fo... – arregalou os olhos e se deparou com o rosto corado e nada amigável de Izaya.
Oh, droga!
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Continua....
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