Noiva Em Fuga
32 Especial 3 - "Punição" ao ar livre
Notas iniciais
– Coma sushi! Sushi é bom para a pele! Experimente nosso sushi! – dizia Simon na porta do restaurante – Shizuo, veio comer sushi? – perguntou ao ver o loiro se aproximar.
– Oi, Simon. – tirou uma das mãos do bolso e ajeitou os óculos – Vim almoçar com o meu irmão, sabe se ele já chegou?
– Ah, sim. Kasuka-kun chegou há alguns minutos.
– Certo. Passou pelo negro, que já havia voltado a fazer sua propaganda, e entrou no restaurante, logo avistando seu irmão em uma das mesas do canto. – Desculpe o atraso. – puxou uma cadeira e se sentou de rente para o irmão.
– Não tem problema, também me atrasei um pouco. Isso foi obra do Izaya? – se referiu ao curativo presente na bochecha esquerda do loiro.
–Foi. – praticamente rosnou – Aquele verme conseguiu me acertar com o canivete. – rilhou os dentes – Pulga maldita! Da próxima vez eu vou torcer o pescoço dele.
Kasuka assentiu e então mudou de assunto.
– Vamos comer, estou morrendo de fome.
Shizuo concordou e fizeram seus pedidos, não demorou para que a refeição chegasse e eles começassem a comer. Continuaram a conversar enquanto almoçavam, Kasuka falou sobre o filme que estrelaria dentro de algumas semanas e sobre alguns outros projetos que tinha pela frente; e Shizuo, acabou contando como havia sido seu último ‘confronto’ com o informante.
– E depois de fazer esse corte no meu rosto, ele simplesmente disse que tinha algo mais importante para fazer e foi embora! – contou irritado – Aquele rato de esgoto...!
Kasuka arqueou levemente uma sobrancelha. Era impressão sua ou Shizuo havia ficado com raiva pelo fato de Izaya ter ido embora?
– Vocês dois nunca mudam. Vivem se digladiando pela cidade desde a época do colégio.
– A culpa é daquele verme, que só sabe infernizar minha vida!
– A culpa é dos dois. Se você não se irritasse tão fácil, ele já teria perdido o interesse em te provocar.
– Talvez. – ponderou o loiro – Mas aquela peste está sempre aprontando por aí. Eu não sou o único alvo, sou apenas o mais freqüente.
Continuaram conversando por mais algum tempo até o horário de almoço do loiro acabar e ele ter que voltar ao trabalho, Kasuka também tinha uma reunião marcada com seu agente, então se despediram e depois cada um seguiu seu caminho. Shizuo andou por três quadras até chegar ao local combinado com Tom e de lá, retomaram a lista de devedores que seriam cobrados ainda naquele dia.
Já passava das onze da noite quando finalmente deixaram a casa do último devedor, ainda tiveram que ir prestar contas ao chefe de ambos antes de encerrarem o dia. O loiro caminhava devagar, sem pressa alguma de chegar ao próprio apartamento, retirou o maço de cigarros e o isqueiro do bolso, logo acendendo um e tragando fortemente antes de jogar a fumaça pra cima. Atravessou a rua calmamente, indo até uma máquina de refrigerantes e a erguendo do chão como se não pesasse quase nada, em seguida a arremessou em direção a um beco a vários metros de distância. Não demorou a ouvir um riso divertido vindo daquela direção.
– Como soube que eu estava ali, Shizu-chan? – Izaya deixou o esconderijo e se aproximou do loiro, ainda mantendo uma distância segura entre eles e deixando um sorriso cínico brincar em seus lábios.
– Senti cheiro de algo podre. Só podia ser você. – deu uma nova tragada.
– Que cruel, Shizu-chan! – fez bico – Você feriu meu coraçãozinho. – falou com sarcasmo.
– Tsk. Como se você tivesse um. – deu uma última tragada e jogou o cigarro no chão, apagando-o com a sola do sapato – Você devia se preocupar é com os ferimentos que eu vou causar no resto do seu corpo, verme. – arrancou um pequeno poste de ferro que continha uma placa com o nome da rua em que estavam e partiu pra cima do moreno, tentando acertá-lo com o poste.
Izaya conseguiu se esquivar dos golpes e rapidamente recuou alguns passos enquanto arremessava algumas de suas lâminas em Shizuo, que rebateu duas com o poste e conseguiu desviar da terceira. O moreno estreitou um pouco os olhos e sorriu de canto, depois de tantos anos nessa “brincadeira”, Shizuo também havia ficado bom em desviar de seus ataques, mesmo ainda sendo mais ágil.
– Oh, parece que o monstro está ficando bom em desviar dos meus ataques. – sorriu largamente – Isso fica mais divertido a cada dia!
– Quero ver se vai achar divertido depois que eu quebrar todos os ossos do seu corpo! – partiu pra cima do moreno, novamente tentando acertá-lo com o poste.
Izaya desviou do golpe e jogou mais duas lâminas em Shizuo, conseguiu fazer um pequeno corte de raspão no ombro esquerdo do ex-barmen e saiu correndo, tendo o loiro em seu encalço.
O informante praticamente corria em ziguezague, a todo momento tendo que desviar de algum poste, lata de lixo, máquina de vendas automática e até mesmo uma motocicleta que estava estacionada em um canto; e o fato de já ser bem tarde e não haver praticamente ninguém nas ruas para servir de obstáculo, só tornava a perseguição ainda mais acirrada.
Uma. Duas. Três horas da manhã e os dois ainda estavam naquela luta, o moreno, depois de ter certeza de que havia uma distância segura entre ele e Shizuo, parou de correr e se apoiou na parede de um prédio qualquer, apenas para descansar um pouco. Shizuo fez o mesmo, ambos estavam suados e muito ofegantes.
– Você parece bem cansado, Shizu-chan. – o moreno disse depois de alguns segundos – Acho que está ficando velho, hein! – disse em tom provocativo.
– Você também está cansado, verme. – retrucou – E se eu estou ficando velho, você também está! Temos a mesma idade. – o informante deu de ombros.
– Mas eu aparento ser bem mais jovem do que realmente sou. – disse presunçoso.
– Ah é? Vamos ver depois que eu acabar com esse seu “rostinho lindo”. – arrancou uma placa de ‘proibido estacionar’ e jogou-a em Izaya, que desviou.
– Awn... Shizu-chan disse que eu tenho um lindo rostinho... Que amor! – falou com sarcasmo, se esquivando de um soco do loiro e usando seu canivete para fazer um corte no abdômen do guarda-costas.
– Seu maldito! – ergueu um grande vaso de plantas feito de gesso que estava na entrada do prédio em que Izaya havia se apoiado antes e o jogou no informante. Izaya pulou para o lado, vendo o vaso se quebrar assim que se chocou contra o asfalto e algumas partes do gesso se chocarem dolorosamente contra sua perna.
A perseguição não demorou a recomeçar, mas a vantagem do informante não estava tão grande quanto antes, sua perna doía e ele sabia que não ia conseguir manter aquele ritmo, seu objetivo agora era despistar o loiro o mais rápido possível e pôr fim àquela brincadeira, se o guarda-costas o pegasse, dificilmente escaparia da surra. Precisava pelo menos chegar à praça central, de lá, seria fácil despistar Shizuo por conta das inúmeras ruas que se cruzavam por ali. O moreno chegou a abrir um sorriso de canto quando chegou à praça, mas antes que terminasse de atravessá-la, algo acertou seu corpo bruscamente e ele caiu, bastante atordoado e dolorido, virou-se com certa dificuldade, ficando de barriga para cima e avistando o que o havia acertado, uma grande lixeira, e a próxima coisa que viu foi um loiro com um sorriso sádico parado bem na sua frente. Estava perdido.
– Ne, Shizu-chan, que tal declararmos empate, hã? – sabia que não iria funcionar, mas não custava tentar, não é mesmo?
– Nem pensar, eu quero aproveitar cada momento da minha ‘vitória’. – estalou os dedos de ambas as mãos e sorriu ainda mais – Você vai finalmente levar a surra que merece.
Izaya fez um esforço para tentar se levantar, mas Shizuo o impediu se sentando sobre seu quadril e usando os pés para prender suas mãos contra o chão. O moreno só conseguia mexer as pernas, o que não era de grande ajuda no momento, mas nem tudo estava perdido, ainda havia uma coisa que poderia fazer Shizuo desistir de lhe dar uma surra, algo que poderia ser tão doloroso quanto uma, mas definitivamente bem mais prazeroso. Umedeceu os lábios e sorriu da forma mais provocante que pôde, prendendo o lábio inferior entre os dentes. Shizuo estreitou os olhos.
– O que está pretendendo, pulga?
– Que tal brincarmos um pouquinho, hein, Shizu-chan? – sugeriu.
– A brincadeira acabou e eu venci, agora fique quieto enquanto eu te soco! – ergueu o punho fechado, pronto para desferir o primeiro soco.
– Estou me referindo a outro tipo de brincadeira. – olhou descaradamente para o baixo ventre do loiro – Já faz semanas que não brincamos... – fez manha e sorriu de forma sedutora. O loiro arqueou uma sobrancelha e abaixou o punho.
– Está tentando me fazer desistir de te dar uma surra e te foder? – a pergunta era retórica.
– Basicamente.
– Sabe que eu posso fazer com que seja tão doloroso ou ainda mais que uma surra, não sabe? – forçou os dois pés que ainda prendiam os braços do moreno, fazendo-o gemer de dor.
– Tenho plena consciência disso. – suspirou quando Shizuo parou de forçar os pés – Eu sei que você gostou da idéia, Shizu-chan. Aposto que está louquinho pra abrir minhas pernas e me foder aqui mesmo. – sorriu de forma maliciosa, vendo o olhar do loiro se tornar lascivo. Shizuo tinha uma excelente imaginação quando o assunto era foder um certo informante.
– Já que você insiste...! – deixou os braços do moreno livres e o puxou pela gola da camisa, fazendo-o se sentar e já atacando seus lábios em um beijo luxurioso.
Izaya correspondeu ao beijo com bastante entusiasmo, claro, mas acabou por interrompê-lo quando o loiro retirou seu casaco e acariciou – de forma um tanto brusca – sua pele por debaixo da blusa. Shizuo estava mesmo pensando em fazer aquilo ali mesmo? Em plena praça pública?
– O que está fazendo, Shizu-chan?
– O que você acha? – mordeu com força o pescoço de Izaya, arrancando um pouco de sangue e um gemido do moreno.
Izaya não achou que Shizuo fosse se interessar pela idéia de fodê-lo ali, em plena praça de Ikebukuro, ele próprio não havia tido essa intenção quando disse aquilo, mas definitivamente não estava reclamando, a idéia de transarem em um local público, com o risco de serem flagrados a qualquer momento, o havia excitado bastante. Seria deliciosamente divertido.
O guarda-costas ficou de pé e puxou Izaya para que se levantasse também e praticamente o arrastou até a árvore mais próxima e o prensou contra ela, vendo-o fazer uma careta de dor ao bater as costas no tronco duro e áspero. Voltou a beijá-lo, pressionando seus lábios com força, ora mordendo, ora chupando, deixando a boca do informante bastante vermelha e inchada. Izaya ergueu as mãos para tocá-lo também, mas o loiro não deixou, segurou seus braços acima da cabeça com uma única mão, e com a outra abriu o cinto e calça do moreno, puxando-a bruscamente para baixo junto com a roupa íntima; desceu a boca até o pescoço de Izaya, pressionando os dentes com força contra a pele pálida e se deliciando com o gosto de sangue misturado a ela.
Izaya gemia cada vez mais, em parte pela dor dos machucados que Shizuo estava lhe causando, mas principalmente, por estar cada vez mais excitado; seu membro gotejante implorava por alívio, queria que Shizuo parasse de torturá-lo e o fodesse logo de uma vez. Com certo esforço conseguiu se livrar da calça e da cueca que haviam sido abaixadas até seus joelhos, não foi fácil, já que suas mãos estavam presas, mas por fim conseguiu tirá-las e chutá-las para o lado, levantou um joelho até a virilha do loiro, massageando o membro tão duro quanto o seu ainda coberto pela roupa, aliás, Shizuo ainda estava completamente vestido, não havia retirado uma única peça, enquanto ele já estava praticamente nu, usava apenas a blusa que já estava erguida até a altura do peito.
– Por que você ainda não tirou a roupa, Shizu-chan?
O loiro mordeu um dos mamilos e depois lambeu antes de responder:
– E quem disse que eu vou tirar alguma coisa? – soltou os braços do informante e o ergueu do chão, fazendo-o rodear sua cintura com as pernas, e voltando a prensá-lo contra a árvore.
Izaya fez uma careta quando suas costas bateram novamente contra o tronco, tinha certeza de que elas estariam esfoladas quando aquilo acabasse. Pôs os braços ao redor do pescoço do guarda-costas e o beijou, vez ou outra puxando com força os fios loiros.
O ex-barmen apenas abriu a calça e abaixou a cueca o suficiente para que seu membro ereto ficasse livre, logo posicionando-o na entrada do moreno e penetrando-o de uma só vez. Izaya gritou alto ao ser invadido, a sensação era de estar sendo rasgado por dentro, era doloroso. Deliciosamente doloroso. O loiro não esperou que ele se acostumasse, claro, afinal, aquilo se tratava de uma “surra”, e logo de início, as estocadas já foram rápidas e profundas.
O fato de não ter havido uma preparação antes, tornava a penetração um pouco difícil, o membro de Shizuo era praticamente esmagado pelas paredes internas daquele canal apertado, mas com o passar dos minutos, seu membro ia deslizando para dentro e para fora com maior facilidade por conta do sangue proveniente dos machucados que havia causado com a penetração forçada. Com certeza estava doendo, e muito. O loiro sabia que Izaya era um maldito masoquista e estava adorando aquilo, a prova disso era que ele havia acabado de gozar. No fim das contas, aquilo acabava nem sendo uma punição.
Izaya ainda se recuperava do recente orgasmo quando se viu novamente no chão, Shizuo o havia desencostado da árvore e o deitado de costas no pequeno gramado que havia em volta e ele nem havia notado, mas notou – e como – quando o loiro saiu de dentro dele e voltou a penetrá-lo, desta vez bem devagar, provocando uma ardência quase insuportável. Quase. Aquela dor somada ao fato de Shizuo ter acertado em cheio sua próstata, só serviu para deixar o moreno ainda mais excitado e seu membro mais duro que antes. Abriu as pernas o máximo que pôde para que o loiro entrasse cada vez mais fundo em si e sua próstata fosse acertada com mais facilidade, já podia sentir as primeiras ondas de prazer percorrerem seu corpo à medida em que se aproximava do segundo orgasmo, levou uma das mãos até o pênis, mas Shizuo a afastou com um tapa e passou ele próprio a massagear o membro de Izaya, fazendo rápidos movimentos de vai-e-vem.
O informante fechou os olhos, já sentindo as primeiras gotas de sêmen deixarem seu corpo e no segundo seguinte, gemeu dolorosamente ao ter seu pênis praticamente esmagado pelos dedos de Shizuo. O loiro o havia impedido de gozar. Abriu os olhos e se deparou com o sorriso sádico do loiro, que aumentou a velocidade das estocadas e intensificou o aperto em seu membro até finalmente ter seu orgasmo, derramando-se no interior quente e apertado do informante.
– Você é cruel, Shizu-chan! – choramingou.
– Calado, verme. – soltou o membro de Izaya e se retirou de dentro dele, vendo seu sêmen misturado com sangue escorrer pelas coxas do moreno – Vire-se de costas. – mandou. Havia acabado de gozar, mas seu membro ainda estava semi-ereto; deslizou a mão pelo falo e começou a se masturbar para que ele voltasse a ficar duro, ainda não estava satisfeito.
Izaya ignorou a ordem e engatinhou até seu rosto estar bem em rente ao membro de Shizuo, deslizou a língua por toda a extensão e chupou suavemente a glânde antes de abocanhá-lo completamente, subindo e descendo vagarosamente os lábios ao redor dele. O guarda-costas gemeu e jogou a cabeça para trás, sentindo seu membro endurecer dentro da boca do informante; aquilo era muito bom. Izaya intensificou as chupadas, deixando o loiro cada vez mais excitado e mais próximo do seu limite, mas foi forçado a parar o que fazia quando seus cabelos foram fortemente puxados.
– Eu mandei você se virar, pulga. – puxou um pouco mais os fios negros e depois soltou, empurrando o moreno para o chão e fazendo-o ficar de quatro e voltando a penetrá-lo.
Shizuo o estacava com força, quase saindo completamente de dentro do informante e depois entrando, indo cada vez mais fundo dentro daquele corpo. Se inclinou sobre ele, colando seu abdômen às costas do moreno e mordendo sua nuca; apertou com mais força o quadril do mais novo, deixando a marca perfeita de seus dedos na pele macia e estocou-o com violência, aumentando a velocidade dos movimentos a medida em que os gritos e gemidos de Izaya iam ficando mais altos.
Estava completamente fora de si quando decidiu “punir” Izaya bem ali, no meio da rua, ou melhor, no meio da praça, onde qualquer um poderia ver ou mesmo ouvir os gritos do informante. Com toda certeza estava pensando apenas com a cabeça de baixo. O loiro agradecia mentalmente por estarem naquela determinada praça, ela era a única que ficava bem no centro comercial da cidade, ou seja, não havia prédios residenciais ou casas a menos de duas quadras dali, do contrário já teriam chamado a polícia e os estariam presos por atentado ao pudor. Também tinha que agradecer ao fato de já ser bem tarde – ou seria cedo? – não sabia ao certo, mas com certeza já passava das quatro da manhã e não havia nenhuma viva alma por ali além deles.
Izaya sentiu espasmos cada vez mais fortes por seu corpo a medida em que o orgasmo se aproximava, suas pernas ficaram bambas e teriam cedido se Shizuo não o estivesse segurando firmemente pelo quadril, sua próstata foi novamente acertada com força e ele se entregou completamente ao prazer ao finalmente chegar ao ápice, fechando os olhos e jogando a cabeça pra trás enquanto um gemido longo e rouco escapava de seus lábios.
Shizuo o estocou por mais algumas vezes antes de também gozar, permanecendo dentro dele por um tempo e se retirando devagar, nunca deixando de fitar o moreno, que parecia lutar para manter-se acordado. Uma tarefa completamente inútil. Ambos estavam exaustos, claro, passaram horas correndo pela cidade desviando de postes, lixeiras ou qualquer objeto cortante e depois ainda tiveram uma bela sessão de sexo punitivo que por si só já seria cansativo, principalmente para Izaya. Era só uma questão de tempo até que o informante adormecesse... E foi exatamente o que aconteceu meros segundos depois. A última coisa que o moreno viu antes de apagar completamente foi a imagem do loiro já de pé terminando de arrumar a própria roupa e pronto para ir embora.
***
Izaya abriu um pouco os olhos, mas logo teve que voltar a fechá-los por conta da claridade. Havia amanhecido. Foi abrindo os olhos aos poucos, tentando se acostumar com a luz do dia, fitou o teto branco, ainda piscando algumas vezes antes de mantê-los abertos. Não fazia a menor idéia de como havia chegado em casa, mas... Franziu um pouco as sobrancelhas, confuso, o teto do seu apartamento não era branco, era cinza claro, assim como todas as paredes. Ignorou a dor em seu pescoço e virou a cabeça para um lado e depois para o outro, observando tudo ao seu redor. Estava no quarto de Shizuo. Não esperava por isso, a última coisa da qual se lembrava antes de adormecer era de ver o loiro de pé, prestes a ir embora, naquele momento teve certeza que ele o deixaria ali, mas como sempre, o loiro o havia surpreendido.
Notou que estava vestindo roupas de Shizuo e seu corpo estava limpo, o que significava que o ex-barmen havia lhe dado banho; também notou que havia alguma coisa enrolada em sua perna direita, a perna que havia sido atingida pelos pedaços de gesso, alguns bem pontiagudos. Fez um enorme esforço para afastar as cobertas e mover a perna para que pudesse olhá-la, seu corpo inteiro estava completamente dolorido, até respirar doía. Sua perna estava enfaixada de forma um tanto desajeitada, com toda certeza havia sido obra do loiro. Céus! O que mais se poderia fazer com alguém profundamente adormecido sem que a pessoa acordasse?
Fez uma careta e gemeu de dor quando esticou o braço até o criado-mudo para pegar seu celular que estava ali, havia várias chamadas perdidas, duas eram de Namie, mas tinha certeza de que ela não estava nem um pouco preocupada. Olhou as horas no canto da tela e viu que já passava das três da tarde, havia dormido por mais ou menos dez horas e ainda estava cansado, bom, cansado e com fome, mas seu corpo estava tão dolorido que não havia a menor possibilidade de ele conseguir se levantar daquela cama naquele momento. Suspirou, tentando ignorar o ronco de seu estômago, poderia ligar para Namie, Celty ou então algum restaurante qualquer, mas, quem iria abrir a porta? Virou um pouco o corpo para pôr o celular novamente sobre o criado-mudo e notou uma garrafinha de leite ali, nem havia reparado nela antes. Ele sabe que eu não gosto muito de leite. Acabou rindo enquanto alcançava a garrafinha e bebia o conteúdo, Shizuo era mesmo um sádico! Devolveu a garrafa vazia ao móvel e ajeitou as cobertas com dificuldade enquanto se virava para o lado oposto à janela, para que a claridade não mais incomodasse, e voltou a fechar os olhos. Ainda tinha bastante tempo para dormir até que o loiro chegasse do trabalho.
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