Noiva Em Fuga

30 Especial 1 - Tal filho, tal mãe!


Notas iniciais
Oiiieeeee!!!!! Como vão meus amores e minhas amoras??? ^---^ Acharam que eu iria demorar, não é?! Pois bem, aí está o primeiro especial e ele é dedicado àquela que posso dizer que é a leitora número um de "noiva em fuga", micha!!!!! Este especial é pra você, flor!!! Agradeço novamente por ter sido a primeira a deixar um comentário na fic e principalmente por ter comentado em TODOS os capítulos!!! Obrigada!!!! >.< !!! Espero que gostem do capítulo e nos vemos nas notas finais!!!

Shizuo estava nervoso. Ele nunca foi de ter medo de nada, menos ainda de uma simples conversa. Bom, na verdade, não era uma simples conversa, era um assunto no mínimo... constrangedor pra ele e sinceramente ainda não fazia idéia de como contaria aquilo, nunca fora muito bom com palavras. Respirou fundo, não podia ficar adiando aquela conversa. Atravessou o quintal sempre bem cuidado de sua mãe e chegou até a porta, ainda hesitando por dois segundos antes de tocar a campainha.

– Shizu-chan! – sua mãe exclamou surpresa por vê-lo ali e logo lhe deu um forte abraço – Finalmente resolveu aparecer, querido! Eu estava com tanta saudade do meu filhinho!

– Mãe! – gemeu em protesto. Detestava quando ela se referia a ele com diminutivos, como se ele ainda fosse uma criança.

– Venha, vamos para a sala. Parece que eu estava adivinhando que você viria, sabe o que eu fiz? – ela falava animada enquanto o puxava pela mão até o próximo cômodo.

– Bolo de chocolate? – ele chutou. Era uma das sobremesas mais freqüentes que ela azia quando ele e Kasuka eram crianças.

– Não, bobinho. Fiz aqueles biscoitos de baunilha com coco que você adorava quando era criança. – soltou-o apenas quando chegaram na sala, onde o pai do loiro se encontrava lendo um livro.

– Oi, pai.

– Olá, Shizuo. – ofereceu um pequeno sorriso ao filho, que prontamente foi retribuído.

– Vou buscar os biscoitos e fazer um chá. – Namiko avisou antes de ir para a cozinha, deixando os outros dois à sós.

– Como está o trabalho? – perguntou Kichirou.

– Bem.

E aquele foi todo o diálogo entre eles. Tanto Shizuo quanto Kasuka eram bem parecidos com o pai nesse aspecto, já houve dias em que os três passaram horas juntos sem sequer trocarem meia dúzia de palavras, não que não se dessem bem ou não se sentissem à vontade na companhia uns dos outros, simplesmente não viam uma necessidade de falarem, o silêncio entre eles era agradável.

Não demorou muito para que Namiko voltasse com uma bandeja contendo duas xícaras de chá, um copo de leite com achocolatado e um grande prato com biscoitos.

– Então, Shizu-chan? O que tem de tão importante para nos contar? – sua mãe perguntou enquanto levava a xícara de chá à boca, fazendo o loiro engasgar com um pedaço de biscoito.

– O-O quê? – seus olhos estavam arregalados. Será que eles sabiam de algo?

– Pra você vir nos visitar assim, de uma hora pra outra, só pode ser por que tem algo importante a nos dizer. – deduziu ela – Estou certa?

A pergunta era retórica, Namiko sempre fora muito perspicaz em relação aos filhos, sempre sabia quando eles estavam aprontando ou lhe escondendo algo.

– Ahn... sim. Eu...

Shizuo não fazia a menor idéia de como começar o assunto, não podia simplesmente dizer que iria se casar com um ‘cara’! Abriu e fechou a boca várias vezes sem dizer palavra alguma, vez ou outra coçando a nuca ou bagunçando os fios loiros.

– Não pode ser! – Namiko exclamou alto, assustando os dois homens – Minhas preces finalmente foram atendidas! Shizu-chan arranjou uma namorada! – concluiu empolgada.

– Não é exatamente... – ele até tentou explicar, mas foi completamente ignorado e interrompido.

– Como ela é? É bonita? Sabe cozinhar? Sim, por que, se não eu vou ter que ensiná-la a fazer tudo do jeitinho que você gosta.

– Mãe, eu...

– Ela é de Ikebukuro? Como se chama?

– Iza...

– Iza-chan! Que belo nome! Quando vamos conhecê-la?

– Na verdade, vocês já...

– Podemos marcar um almoço, ou então um jantar, seria perfeito, não acha? – começou a andar de um lado para o outro, murmurando uma lista de tudo o que precisaria para o tal jantar – Espera um pouco! – parou de supetão, surpreendendo novamente aos dois homens – Se fosse só um namoro, Shizu-chan não se daria ao trabalho de vir até aqui, então, tem que ser algo mais sério. – franziu as sobrancelhas enquanto pensava no que poderia ser. Foram pouquíssimos segundos até os olhos dela se iluminarem e a empolgação de antes voltar em dobro – Ela está grávida! – o loiro arregalou os olhos – Oh, estou tão feliz! Meu filhinho finalmente vai formar uma família! – ela praticamente saltitava de tanta alegria.

– Mãe, não é bem o que você está...

– Você já fez o pedido? Afinal, vocês tem que se casar, já que vão ter um filho!

Uma veia parecia a ponto de estourar na testa do loiro e o último resquício de sua pouca paciência, se esvaiu completamente.

– Mãe! – disse de forma firme, finalmente conseguindo fazê-la escutá-lo. Achou melhor despejar logo tudo de uma vez – Vou me casar com um homem!

A sala mergulhou em um completo silêncio que perdurou por longos minutos e só foi quebrado quando o celular de Shizuo começou a tocar.

– Sim? – escutou por alguns instantes – Certo. Já estou indo. – e desligou – Tenho que ir trabalhar agora. – disse e saiu dali o mais rápido que pôde.

Não queria encarar os pais e ver todo o desgosto que deveriam estar sentindo agora, principalmente sua mãe, que sempre fantasiou que algum dia ele encontraria uma bela e adorável moça e se casaria com ela, logo dando os netos que ela tanto ansiava. Suspirou. Havia dito o principal, mas a pior parte ainda estava por vir. Iria esperar pelo menos uns dois dias antes de retomar aquele assunto, isso daria tempo suficiente para que eles se recuperassem do choque.

***

– Ei! Olá, Shizuo-kun!

– Ah. Oi, Shinra.

O médico clandestino estava voltando para casa depois de ter ido visitar um de seus pacientes e acabou cruzando com o loiro próximo à praça central de Ikebukuro. O guarda-costas estava tranquilamente sentado num dos bancos, aparentemente desfrutando de seu intervalo.

– E como andam os preparativos para o casamento? – o moreno se sentou ao lado do amigo, fazia tempo que não conversavam.

– Bem, eu acho. – fez uma pequena careta.

– Celty está muito animada com essa história, ela não “fala” em outra coisa. – sorriu enquanto ajeitava os óculos – Nunca imaginei que algum dia vocês dois se casariam.

– Nem eu. – inclinou um pouco a cabeça para trás, observando o balançar suave das folhas nas árvores – E provavelmente vamos nos matar depois de um mês morando juntos, talvez até antes.

O médico riu.

– Não acho. Se fossem mesmo se matar, já teriam eito isso há muito tempo!

– É. Talvez.

Shinra sorriu novamente e passou a também observar as folhas.

– Confesso que fiquei surpreso pela sua mãe ter aceitado bem toda essa história.

– Como assim? – perguntou apreensivo.

– Achei que ela surtaria quando soubesse que você vai se casar com o Izaya.

– O QUÊ?! – o loiro o encarou com os olhos arregalados e o sacudiu, segurando-o pelo jaleco – Como assim? Do que você está falando? Você falou com a minha mãe?

– Sim. – ajeitou novamente os óculos que estavam tortos depois de ele ter sido sacolejado – Ela me ligou ontem pra perguntar se eu tinha o número do seu noivo, por que ela não estava conseguindo falar com você e queria ajudar com os preparativos. Ela parecia bastante empolgada.

– Não me diga que você deu o número do Izaya pra ela?

– Bom... eu disse que a Celty estava ajudando a organizar tudo e as duas ficaram de se encontrar.

– Ah, merda! – soltou o médico, que caiu estatelado no chão, e pegou seu celular, discando rapidamente o número da mãe, só para ouvir a gravação dizendo que o aparelho estava desligado – Mas que grande merda!

– Você não contou pra ela?

– Não que iria me casar com o Izaya!

– Oh, nossa!

Shinra também ficou preocupado, pois sabia exatamente o motivo de Shizuo estar tão temeroso: Namiko Heiwajima simplesmente detestava Izaya!

Os pais de Shizuo conheciam Izaya desde os tempos de Raira, assim como os pais do moreno também conheciam o loiro. De tanta confusão que os dois arrumavam, seus pais eram constantemente chamados para “reuniões” e desde a primeira vez que Namiko pôs os olhos em Izaya , ela não gostou nem um pouco dele e fez questão de deixar isso bem claro.

O loiro sabia que sua mãe podia até se conformar em não ter seus lindos netos e até aceitar o fato de ele se envolver com outro homem, mas ela aceitar Izaya, era algo praticamente impossível! E ele tinha certeza que sua mãe iria aprontar alguma coisa.

***

Izaya bocejou enquanto procurava algo interessante na internet, estava entediado e não tinha absolutamente nada para fazer naquele dia inteiro. Será que Shizu-chan está ocupado? Tirou o celular e começou a discar o número do noivo. Riu. Ele e Shizuo agora estavam noivos, era algo no mínimo estranho. Terminou de discar os números e quando ia apertar a tecla ‘chamar’ a campainha começou a tocar. Será que é o Shizu-chan? Começou a rir ao pensar nessa possibilidade enquanto voltava a guardar o celular no bolso e esperava Namie abrir a porta.

– Izaya-kun está?

Izaya arqueou uma sobrancelha, surpreso ao ver a mulher de cabelos castanho-escuros curtos e olhos castanho-dourados como os do filho. Ela se aproximou de sua mesa e se sentou na cadeira que havia ali, sem esperar por um convite.

– Oh, Heiwajima-san! Que prazer em vê-la!

– Me poupe do seu sarcasmo. E pode ir tirando esse sorrisinho cínico do rosto, você não me engana! – disse de forma seca.

Izaya voltou a arquear uma sobrancelha, divertido com a atitude da mulher. Namiko Heiwajima continuava sendo uma pessoa bastante interessante.

– E o que a traz aqui, Heiwajima-san?

– Espero que não tenha mais nenhum compromisso pra hoje, por que nós vamos ter uma longa conversinha sobre essa história de você se casar com o meu filho.

***

Shizuo estava muito, muito estressado. Não fazia idéia de onde sua mãe estava ou o que estava fazendo, mas tinha certeza de que ela estava aprontando algo. Havia pedido o resto do dia de folga para Tom, que depois de saber da ‘gravidade’ da situação, liberou o loiro para que ele tentasse resolver os problemas. O loiro foi até a casa dos pais, mas não havia ninguém lá, ligou para o celular do pai, mas este não fazia idéia – ou fora proibido de dizer – por onde sua mãe andava. Tentou então falar com Izaya, mas o celular só caía na caixa-postal, resolveu ir até Shinjuku, mas ele também não estava em casa e Namie não soube – ou não quis – lhe informar o seu paradeiro. Não queria nem pensar na possibilidade de eles estarem juntos, mas se estivessem... Não. Era melhor nem pensar. Temia pela integridade física de um deles.

Subiu lentamente as escadas do prédio em que morava, estava cansado, havia andado a tarde toda à procura de Izaya ou de algum sinal de sua mãe e nada, eles não estavam em parte alguma. Tirou as chaves do bolso quando finalmente chegou ao seu andar e destrancou a porta, dando de cara com as duas pessoas que estivera procurando por quase o dia todo, tranquilamente sentadas em seu sofá tomando chá.

– Okaeri, Shizu-chan!

– Okaeri, filho.

Shizuo piscou, aturdido com aquela cena, poderia ter se irritado por eles estarem ali, enquanto os esteve procurando que nem um louco, mas o simples fato de estarem juntos e aparentemente em paz – inteiros – o deixou perplexo.

– Não faça essa cara, Shizu-chan. Está parecendo um idiota.

– É verdade, filho.

O loiro piscou novamente, desta vez fechando os olhos com força e demorando um pouco para abri-los. Só podia ser um delírio de sua mente aqueles dois nunca se deram bem e agora estavam ali, “apreciando” a companhia um do outro e estavam até concordando em algo!

– Não, você não está delirando, querido. – Namiko pousou sua xícara sobre a bandeja na mesinha de centro, conhecia bem o filho e sabia exatamente o que ele estava pensando.

– Então podem me explicar o que está acontecendo? – fechou a porta, que ainda estava aberta, e se aproximou dos outros dois, ainda um pouco perplexo.

– Não está acontecendo nada, Shizu-chan. – o loiro lançou um olhar incrédulo à mãe – Só estávamos tomando um chá. Nada demais. – deu de ombros.

– E por que estão aqui? Estive procurando por vocês a tarde toda e vocês estavam aqui esse tempo todo?! – os dois simplesmente deram de ombros, deixando o loiro ainda mais confuso – Por que estão juntos, afinal de contas?

– Só fiquei curiosa pra saber com quem o meu filhinho iria se casar, já que ele não me conta nada. – lançou um olhar acusatório ao filho, que ficou um pouco sem jeito.

– Desculpe.

– Você por acaso tem vergonha de mim, Shizu-chan? – o moreno choramingou, falsamente magoado.

– Calado, verme!

– Nee, Shizu-chan... não devia falar assim com o seu querido noivo! – fez bico e depois começou a rir de forma sarcástica, logo se levantando e indo em direção à cozinha – Vou fazer o jantar!

Shizuo agradeceu mentalmente à Izaya por tê-lo deixado à sós com sua mãe, não seria nada fácil a conversa que teria com ela. Foi até o sofá e acomodou-se no lugar que antes era ocupado pelo informante. Ambos ficaram em silêncio por um tempo.

– Por que não contou com quem iria se casar, Shizuo?

O loiro fez uma pequena careta, tudo bem que não gostava quando sua mãe o chamava de Shizu-chan, como se ele ainda fosse criança, mas ouvi-la chamando-o de Shizuo, era muito estranho.

– É claro que eu iria contar, mas achei melhor esperar que se acostumassem primeiro com o fato de eu me casar com um homem. – passou as mãos pelos fios loiros, bagunçando-os – E a senhora nunca gostou do Izaya.

– Até onde eu sabia, você também não gostava.

– É. – fez uma careta – As coisas mudaram nos últimos dois anos.

– E que coisas foram essas? Eu sinceramente não consigo imaginar o que pode ter acontecido pra vocês ficarem juntos.

Automaticamente as lembranças daquele casamento fajuto há dois anos atrás, vieram à mente do loiro, toda aquela encenação ridícula, o beijo que Izaya lhe deu no altar, toda a perseguição e finalmente, a “consumação do casamento”. O rosto de Shizuo ficou vermelho, nunca, em hipótese alguma, ele contaria aquilo para sua mãe!

– Érr... Não foi nada demais. – pigarreou – O que importa é que estamos juntos e vamos nos casar.

Namiko comprimiu os lábios, numa expressão de desgosto.

– E acha mesmo que vai dar certo? Mesmo estando juntos, vocês ainda correm por aí tentando se matar! Ele nunca vai parar de te provocar e você sempre vai continuar se irritando. – fez uma pequena pausa e olhou firmemente nos olhos do filho – Você quer mesmo isso pra sua vida?

Shizuo sustentou o olhar da mãe e sequer piscou antes de responder:

– Eu sei que a minha vida provavelmente vai ser um inferno, mas, mesmo se eu quisesse, não conseguiria ficar longe daquela pulga! E a verdade é que eu realmente não quero ficar longe dele!

Havia uma sinceridade tão grande naquelas palavras, que Namiko não teve mais o que contestar. Suspirou pesadamente e ofereceu um pequeno sorriso ao filho.

– Tudo bem, querido.

– Hã?! – Shizuo ficou surpreso e confuso. Como assim “tudo bem”? Sua mãe havia aceitado Izaya assim, tão fácil? Ela riu da confusão do loiro.

– Não estou dizendo que agora morro de amores por ele. – fez uma careta – E embora eu não costume admitir que os meus filhinhos cresceram... – sorriu docemente – Você é um adulto, Shizuo, e tenho certeza de sabe o que é melhor pra você. Mesmo eu não concordando muito com a sua escolha...

– Mãe!

– Ok. Ok. Não vou me meter! – ergueu as mãos em sinal de rendição – Mas se ele não cuidar muitíssimo bem de você, ele vai se ver comigo! – o tom de voz dela foi tão ameaçador que até Shizuo sentiu um pouquinho de medo. Ele realmente tinha motivos para temer pela integridade física de Izaya!

– Certo... eu acho.

– Ótimo. Agora venha cá e dê um forte abraço na mamãe! – puxou o loiro e o prendeu fortemente entre seus braços, ignorando completamente os protestos do filho e só o soltando depois de vários minutos.

– A senhora vai ficar pra jantar?

– Mas é claro! Tenho que ter certeza de que o meu filhinho será bem cuidado! – puxou uma revista qualquer sobre atualidades que estava sobre a mesinha – uma das revistas de Izaya – e começou a folheá-la.

O loiro revirou os olhos e foi para a cozinha, Izaya estava de costas para si, mexendo cuidadosamente o conteúdo de uma das panelas, aproximou-se dele e o abraçou pela cintura enquanto apoiava o queixo em seu ombro. Sabia perfeitamente que ele havia escutado a conversa com sua mãe.

– Quer dizer então que Shizu-chan não consegue viver sem mim, é? – seu tom de voz não era sarcástico e nem debochado, era apenas divertido.

– Cale-se, ou eu posso acabar mudando de idéia.

O informante riu enquanto dava uma olhada nas outras panelas sobre o fogão, o loiro fez uma careta para o conteúdo de uma delas.

– Nem adianta fazer essa cara, Shizu-chan! Se não comer os legumes, não tem sobremesa!

– Tsc. O pudim é meu! – parecia uma criança fazendo birra.

– Não vai ser mais, depois que eu o jogar pela janela! — o guarda-costas bufou irritado.

– Você é pior que a minha mãe! – soltou o moreno e foi até a geladeira beber água.

– Faça algo de útil e ponha a mesa, Shizu-chan. – o loiro revirou os olhos e continuou bebendo calmamente sua água – E quando eu disse que você ficaria sem sobremesa, eu não estava me referindo ao pudim. – falou bem próximo ao ouvido do maior, que engasgou ao entender o que ele havia dito.

Namiko se afastou com cuidado e voltou para a sala antes que os outros dois notassem a sua presença. Havia assistido a toda aquela interação deles na cozinha. O jantar não demorou a ficar pronto e tirando alguns comentários sarcásticos de Izaya e algumas respostas irritadas por parte do loiro, a refeição foi feita com tranqüilidade. A mulher apenas observava à tudo e teve que admitir que Izaya realmente cozinhava bem.

Logo depois do jantar ela se despediu, dando outro forte abraço no filho e lançando um olhar de advertência ao futuro genro. Assim que deixou o prédio e entrou no táxi que a levaria para casa, um sorriso satisfeito se formou em seus lábios, estava feliz pelo filho. Shizuo podia achar que seu maior sonho era que ele se casasse com uma bela e delicada moça e tivesse lindos filhos, bom, é claro que fantasiava com isso, mas o seu maior desejo sempre foi que seus filhos encontrassem alguém que os amasse e aceitasse do jeito que eles realmente eram, sabia que no caso de Shizuo seria bem mais difícil por causa do temperamento do filho, e por alguma razão estranha e completamente absurda, Izaya parecia ser a pessoa certa pra ele. Eles realmente podiam fazer aquilo dar certo.

***

– E o que a traz aqui, Heiwajima-san?

– Espero que não tenha mais nenhum compromisso pra hoje, por que nós vamos ter uma longa conversinha sobre essa história de você se casar com o meu filho.

Izaya estreitou um pouco os olhos e manteve um pequeno sorriso de canto.

– Namie-san, pode nos trazer chá, por favor?

– Claro.

A secretária se retirou e voltou alguns minutos depois com o que lhe foi pedido.

– Por que não vai dar uma volta, Namie-san? Depois você termina o seu trabalho.

A morena assentiu, desligou o computador que estava usando, pegou suas coisas e saiu, deixando os dois sozinhos. Namiko tomou um gole do chá antes de iniciar a conversa.

– Vou ser direta com você. O que está pretendendo com essa história, Izaya-kun?

– Pretendo me casar com o Shizu-chan! O que mais poderia ser? – o leve tom sarcástico fez a mulher estreitar um pouco os olhos.

– Sei muito bem que você vive jogando e manipulando a vida das pessoas apenas por diversão. É isso o que pretende fazer com o meu filho?

– Shizu-chan não é alguém que se possa manipular. Ele é bastante imprevisível, sabe?

– E mesmo assim você vive armando pra cima dele, até já fez com que ele fosse preso!

– Admito que já fiz algumas brincadeirinhas com ele, mas isso foi antes de as coisas mudarem.

– Oh, e o que exatamente mudou? Pelo que eu saiba, vocês continuam brigando pelas ruas da cidade. – a ironia ali era palpável.

– Mas é claro, é a nossa brincadeira favorita!

– Ficarem tentando se matar por aí não é o que eu chamo de brincadeira. – disse séria.

– Eu e Shizu-chan fazemos isso há anos, acha mesmo que ainda estaríamos vivos se realmente quiséssemos nos matar?

A mulher sabia que ele tinha razão, mas aquele não era necessariamente o ponto.

– Ainda assim, não acho que conseguiriam viver juntos sob o mesmo teto. E, além disso, um casamento não se mantêm apenas por um capricho!

O informante voltou a estreitar os olhos, não estava gostando nem um pouco daquela conversa e tinha certeza que ainda iria piorar.

– Não é um capricho. – disse sério.

– Ah, não? E o que é então?

Izaya não respondeu. Sabia exatamente o porquê de se casar com Shizuo, mas o que sentia pelo loiro não dizia respeito a ninguém além deles dois.

– Você não tem uma resposta, não é? – voltou a tomar um pouco do chá – Quero que se afaste do meu filho.

– Como é?

– Termine com ele. Acabe de uma vez com essa história.

– Lamento, Heiwajima-san, mas não é a senhora quem decide isso. – Izaya estava começando a se irritar de verdade com aquela conversa.

– Eu sei o que é melhor para o meu filho!

– Shizu-chan é adulto, sabe muito bem o que é melhor pra ele!

– É óbvio que não! Shizuo precisa de alguém que saiba cuidar dele, que o mantenha sob controle!

– Ele não precisa ser controlado! – a raiva do informante crescia mais a cada minuto.

– Como não? Quem se aproximaria dele sabendo dos riscos? Shizuo sempre soube que ninguém iria gostar dele de verdade, afinal, quem se apaixonaria pelo “monstro” de Ikebukuro?!

Aquilo foi a gota d’água. O moreno se levantou de sua cadeira e bateu as mãos com certa força sobre a mesa.

– Shizu-chan não é um monstro! Muito pelo contrário, ele é doce, atencioso e extremamente gentil! Não há nada de errado com ele e eu o amo exatamente do jeito que ele é! Não vou me afastar dele!

Izaya havia dito tudo aquilo de forma extremamente séria e um tanto quanto ameaçadora, qualquer pessoa normal teria ficado com medo, mas Namiko Heiwajima não, ela sequer se intimidou com o tom de voz do informante, na verdade, sua expressão se tornou mais suave.

– Eu acredito em você. – disse simplesmente, deixando o moreno confuso – Continuo não gostando de você, mas acredito que realmente ame o meu filho. Isso é o mais importante pra mim.

Izaya estreitou os olhos e em seguida começou a rir.

– Realmente imprevisível, Heiwajima-san! – riu mais um pouco – Só disse aquelas coisas sobre o Shizu-chan pra ver a minha reação, não é? – a mulher deu de ombros e se ocupou com seu chá.

Izaya estava certo, Namiko havia dito tudo aquilo pra saber como ele reagiria. Ela não era boba, antes de ir “confrontar o inimigo”, havia se informado sobre toda a história do relacionamento daqueles dois, e para isso, nada melhor do que ter como fontes a melhor amiga de seu filho, Celty, e a secretária de seu futuro genro, Namie. Havia se encontrado com Celty no dia anterior e através dela, pôde falar com Namie. As duas lhe contaram tudo, tudo mesmo! Desde o casamento encenado que iniciou tudo, até o flagra da secretária no momento do pedido, algumas semanas atrás. Só de ouvir o relato das duas sobre aquele relacionamento, deu pra notar que os dois se gostavam de verdade, mas ainda assim, ela precisava tirar suas próprias conclusões pessoalmente.

– Mas não pense que só por que aceitei que se case com meu filho, eu não vá ficar de olho em você. Você ainda tem que me provar que vai cuidar muito bem do meu filhinho! – lançou um olhar desafiador ao moreno.

Izaya arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto. Sua futura sogra era tão interessante quanto o filho.

– Isso seria divertido... Por que não fazemos uma visitinha ao nosso querido Shizu-chan? Assim vai poder ver o quão bem eu sei cuidar do meu futuro maridinho... – voltou a exibir seu sorriso sarcástico, mas por dentro, estava aliviado, sabia que Shizuo ficaria feliz.

O loiro não costumava falar muito com a família, mas Izaya sabia que a aprovação deles era algo muito importante para o noivo, e só em saber que ele ficaria feliz, ele próprio já ficava feliz. Amor é definitivamente um sentimento estranho. Acabou rindo com esse último pensamento e conseqüentemente, recebeu um olhar estranho de sua futura sogra.

Notas finais
E então? Gostaram do primeiro especial? Deixem comentários me dizendo o que acharam, ok?! >.o !! Bom, a votação para o lemon do especial - que será, provavelmente, o terceiro especial a ser postado - está encerrada, e o resultado foi o seguinte: 1- mesa da Namie- 7 votos 2- banheiro do Rússia Sushi- 4 votos 3- praça de Ikebukuro- 15 votos Como puderam ver, o lemon vencedor foi o 3- praça de Ikebukuro!! Sinto muito pelos que votaram nos outros lemons e talvez eu até use aquelas ideias em alguma oneshot ou em alguma fic que eu vá escrever. E mais uma coisa, talvez o próximo especial demore um pouquinho pra ser postado, mas vou fazer o possível para não demorar muito, ok?! >.o Bjs, amores! Comentem!!!!