Noiva Em Fuga

27 Capítulo 26 - "Eu desejo ter muitos momentos assim com você"


Notas iniciais
Olá, amores!!!! ^-^ Vocês devem estar se perguntando: por que essa maluca resolveu postar na terça-feira??? Por que hoje, meus amados leitores, é o aniversário do loiro mais gato de Ikebukuro!!!! Então, esse capítulo é um especial de aniversário pra ele! Feliz aniversário, Shizu-chan!!!!!!!!!! >.< Leiam as notas finais, ok?!

O despertador tocou alto, alto demais na opinião do loiro que teve vontade de arremessá-lo contra a parede e só não fez isso por que havia um certo peso sobre o seu peito que provavelmente acordaria se fizesse algum movimento brusco. Esfregou os olhos e suspirou quando o alarme parou, teria cinco minutos para levantar e desligá-lo antes que ele recomeçasse a tocar ainda mais alto. O corpo de Izaya estava praticamente todo sobre o do loiro e ele ainda mantinha um braço possessivo ao redor do seu abdômen, foi particularmente difícil conseguir se levantar sem acordar o moreno, Shizuo se sentiu praticamente um ninja por ter conseguido realizar o feito. Poucos segundos depois Izaya franziu o cenho, ainda adormecido, e tateou o espaço vazio na cama até encontrar a ponta do travesseiro do loiro e puxá-lo para junto de seu corpo, abraçando-o e afundando seu rosto nele, inspirando profundamente antes de se aquietar no sono.

Shizuo riu baixo, Izaya tinha o sono leve e geralmente acordava quando o loiro saía da cama, pra ele ter continuado dormindo era por que estava muito cansado, mas ainda assim, ele havia notado a sua ausência. Sorriu bobamente e continuou o observando dormir, os cabelos negros completamente bagunçados, a expressão serena, os lábios um pouco inchados e vermelhos minimamente entreabertos, o peito, outrora pálido e agora cheio de marcas, subindo e descendo calmamente... O sorriso vacilou um pouco quando seus olhos pousaram nas inúmeras marcas de mordidas, chupões ou mesmo onde suas mãos apertaram com muita força. Havia exagerado desta vez e isso o fez se sentir um pouco culpado, mesmo tendo o total consentimento e incentivo por parte do moreno para agir de tal forma. Não queria machucá-lo. Bom, pelo menos não tanto assim.

Pegou a colcha embolada no pé da cama e cobriu devidamente o informante, que pelo visto, ainda dormiria por um bom tempo. Ele próprio estaria dormindo se não tivesse que ir trabalhar. Estava cansado. Os dois haviam ido dormir por volta das quatro da manhã, mal conseguindo afastar os lençóis sujos antes de praticamente desmaiarem sobre o colchão, ainda completamente nus. Foi até o guarda-roupa e pegou um de seus uniformes de barman, deixando-o sobre o pé da cama e pegando uma cueca e uma toalha limpas, estava precisando muito de um banho, principalmente para espantar o sono.

***

Dor.

Era a única coisa que Izaya sentia em cada parte do seu corpo. Cada músculo, cada porção de pele e até mesmo cada fio de cabelo parecia doer. Piscou lentamente por algumas vezes até seus olhos se acostumarem com a claridade do dia, as cortinas estavam fechadas, mas por não serem tão escuras, permitiam que uma certa claridade adentrasse o local.

Assim que sua visão ficou clara, notou alguns comprimidos ao lado de um copo com água sobre o criado-mudo, provavelmente para dor, esticou o braço com certa dificuldade para pegá-los e quando finalmente conseguiu, pôs os três comprimidos de uma vez na boca e tomou praticamente toda a água do copo para fazê-los descer pela garganta. Não demorou muito para que os remédios fizessem efeito e o informante pudesse se mover na cama sem gemer de dor, ainda estava doendo – e muito –, mas agora estava perfeitamente suportável. Ergueu-se um pouco na cama, sentando-se meio de lado e ficando um pouco surpreso com o que havia no pé da cama.

A bandeja era farta, tinha alguns pães de melão e alguns com coco por cima, torradas, geléia de morango e de pêssego, um grande copo de suco de laranja, um potinho de iogurte e por fim, uma tigela pequena contendo salada de frutas. Este último o fez sorrir. Às vezes costumava comer só frutas no café-da-manhã, geralmente numa salada, e quando havia mencionado isso ao loiro – durante um café-da-manhã –, Shizuo havia feito uma careta e dito que não passava de frescura ficar perdendo tempo picando frutas e no entanto, o loiro havia perdido um certo tempo preparando aquilo pra ele. Puxou a bandeja para perto de si e começou a comer, estava faminto, mas também pudera, já passava de uma da tarde e sua última refeição havia sido há mais de doze horas atrás.

Um sorrisinho bobo insistia em permanecer em seus lábios enquanto se deliciava com a salada. Aquele gesto, um tanto banal para muitos, havia sido bastante significativo. Era um pedido de desculpas, provavelmente por tê-lo deixado tantas marcas e completamente dolorido. Algo completamente desnecessário na opinião do moreno, mas ainda assim...

***

– Okaeri, Shizu-chan!

– T-Tadaima. – respondeu baixo, quase constrangido e ouviu o riso divertido do informante vindo de outro cômodo, provavelmente a cozinha. Tirou os sapatos na entrada e seguiu para lá, constatando que havia acertado em sua suposição.

Izaya estava de costas para si cortando habilmente alguns legumes sobre o balcão ao lado da pia e depois os colocou dentro de uma das quatro panelas que preenchiam o fogão, cada uma cozinhando algo diferente.

– Quer ajuda?

– Não, obrigado. Já estou terminando. – olhou para o loiro por cima do ombro e abriu um de seus sorrisinhos cínicos – E não quero que você estrague a minha arte culinária!

– Ora, seu... ! – fechou uma das mãos ao redor do pescoço do moreno ao mesmo tempo em que sentia uma faca – bastante afiada – encostando em seu pescoço.

– Por que não vai tomar um banho, Shizu-chan? – ainda mantinha o mesmo sorriso cínico no rosto – O jantar logo vai estar pronto, querido! – provocou, e teve o prazer de ver Shizuo rilhar os dentes antes de soltá-lo.

– Já disse pra parar de dizer essas merdas! – disse com os olhos estreitos.

– “Essas merdas”?! – fez-se de ofendido – Você chama o nosso casamento de “essas merdas”?! – fingiu um soluço – Minha mãe tinha razão quando disse que você não me merecia! – disse de forma bem dramática, continuando o teatrinho de esposa ofendida até uma veia quase estourar na testa do loiro e ele lhe dar as costas, saindo da cozinha.

Izaya riu tanto, mas tanto, que seus olhos chegaram a lacrimejar, teve até que se apoiar no balcão enquanto tentava recuperar o fôlego. Era extremamente divertido provocar Shizuo quando este se sentia um pouco – bem pouco – culpado por tê-lo deixado com tantas marcas e praticamente sem andar por um dia inteiro, até havia lhe levado café-da-manhã na cama novamente. Izaya estava pensando seriamente em deixar o loiro sem sexo por umas duas semanas só para que ele o fodesse com toda a sua força novamente... Isso, é claro, se não ficasse subindo pelas paredes também! Voltou a prestar atenção nas panelas, antes que o seu precioso jantar queimasse.

***

Shizuo quase arrancou a porta das dobradiças ao entrar no banheiro e fechá-la com força. Estava com vontade de socar Izaya, mas ainda se sentia um pouco – bem pouco mesmo – culpado por tê-lo deixado tão dolorido e praticamente sem conseguir se levantar da cama por um dia inteiro, mas pelo visto, ele já estava muitíssimo bem. Deveria ter lhe dado umas boas pancadas! Ligou o chuveiro e entrou embaixo da água morna, deixando que ela molhasse cada parte do seu corpo. Estava cansado, ele e Tom haviam rodado a cidade toda, literalmente, e como se já não bastasse o estresse de surrar alguns devedores irritantes, tinha que lidar com Izaya, a pessoa mais irritante do mundo e que estava hospedada na sua casa há quase três dias. Maldita hora que o havia “convidado” para ficar ali. Suspirou, pondo um pouco de shampoo nas mãos e começando a lavar os cabelos. Izaya era irritante, fato, mas passar aqueles dias com ele ali, dormindo e acordando ao seu lado, fazendo as refeições juntos... Era estranho. Estranhamente agradável.

Terminou o banho dentro de poucos minutos e saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e uma outra nos cabelos, enxugando-os. Procurou por roupas confortáveis no guarda-roupa, uma blusa azul-marinho de mangas compridas em especial, mas não encontrou em parte alguma, só depois de revirar todas as gavetas é que se lembrou de onde a havia visto: no corpo de Izaya. O moreno havia simplesmente se apossado de suas roupas, dizendo algo sobre não ser nada higiênico vestir as mesmas roupas por vários dias seguidos. Tsc. Ele era um folgado, isso sim! Pegou uma outra blusa qualquer e vestiu, já estava de calça, então só precisou terminar de secar os cabelos antes de sair do quarto.

O jantar foi tranqüilo, tirando algumas provocações do moreno e alguns rosnados e ameaças do loiro, nada fora do comum. Shizuo se prontificou a retirar a mesa e lavar a louça, já que o moreno havia preparado todo o jantar, e depois de deixar a cozinha perfeitamente em ordem, foi para a sala e sentou-se no sofá ao lado do informante que assistia a um telejornal.... nada que lhe despertasse o interesse. Deixou sua mente vagar sem um rumo específico e levou a mão até os fios negros de Izaya, acariciando-os distraidamente.

– Encontrei sua secretária hoje.

– Namie-san?

– Você tem outra?

– Não banque o engraçadinho, Shizu-chan.

O loiro riu e cessou a carícia nos cabelos dele.

– Eu e Tom-san fomos tomar um café – Tanaka-san foi tomar um café, Izaya corrigiu em pensamento, o loiro não gostava de café, preferia leite com achocolatado – e ela estava lá com... acho que era irmão dela, e uma garota. – Izaya sorriu em deboche ao imaginar a cara de bunda de Namie por estar com o irmão e a namorada dele – Antes de ir embora, ela disse que você poderia voltar para o apartamento se quisesse.

– Hm.

Nenhum dos dois disse nada por um longo tempo, apenas a voz do apresentador do telejornal falando algo sobre um acidente de carro em Shibuya, impedia que o cômodo ficasse em completo silêncio.

– Você acreditou mesmo naquela história? – o loiro perguntou.

Izaya havia ficado desconfiado desde que Namie havia dito que o cliente tinha insistido para que se encontrassem em Ikebukuro, não disse nada na hora, afinal, era um ótimo pretexto para ir até lá e se tivesse sorte, Shizuo o arrastaria até algum beco deserto e o foderia com bastante força. Seria perfeito, além de acabar com aquela maldita abstinência, não perderia a aposta.

– Não. E você?

– Também não. Tom-san estava meio estranho naquele dia e sempre falando com alguém no celular. Eles se juntaram, não foi?

– Creio que sim. – riu de leve.

– Então aquela história de vazamento de gás era...

– Uma mentira deslavada da Namie-san. – concluiu a fala do outro.

Voltaram a ficar em silêncio por mais alguns instantes.

– Você ainda está aqui... Mesmo depois de ter ganhado a aposta e sabendo que aquela história de vazamento de gás era mentira. Por quê?

Shizuo não tinha certeza, mas teve a impressão de que Izaya havia retesado o corpo com a pergunta, como se estivesse nervoso ou não quisesse respondê-la, mas havia tão rápido, que provavelmente era apenas imaginação sua.

– Eu só queria me divertir um pouco abusando da hospitalidade do Shizu-chan, mas já que você sabe a verdade... perdeu a graça, sabe. Acho que vou pra casa. – começou a se levantar, mas o loiro o impediu de se afastar. Arqueou levemente uma sobrancelha ao olhar para ele.

– Você não... precisar ir. – o loiro não olhava para Izaya, mantinha os olhos fixos na tv – Quero dizer, nós apenas supomos que eles conspiraram para acabar com a aposta. Pode ter sido mesmo coincidência e sua secretária pode ter dito a verdade.

Izaya arqueou ainda mais a sobrancelha. Aquilo não era uma simples suposição, era uma certeza!

– Mesmo que tenha sido verdade, ela disse que eu posso voltar pro apartamento, não disse?

– Hm... É. – disse soltando o braço do moreno, de forma um pouco hesitante.

Izaya observou atentamente ao loiro, ele mantinha seus olhos fixos na tela, mas não estava realmente prestando atenção, era apenas para não ter que olhá-lo. O informante segurou o riso quando notou um suave rubor nas bochechas do guarda-costas.

– Namie-san nunca escondeu que “morre de amores” por mim, – disse de forma irônica – então provavelmente, meu apartamento ainda deve estar com cheiro de gás. – voltou a se sentar no sofá e começou a procurar por algo interessante em algum outro canal.

Shizuo ficou surpreso. Aquela desculpa havia sido tão ridícula que o loiro quis pegar um poste e bater na própria cabeça por dito aquilo. Era óbvio que tudo havia sido um plano de Tom e Namie para fazê-los pôr fim àquela aposta, e sabia que Izaya tinha a mesma certeza, por isso realmente ficou surpreso quando o moreno seguiu com o mesmo pretexto esfarrapado. Sorriu. Ele não era o único que queria continuar com aquilo.

Izaya finalmente parou em um filme de suspense – seu gênero favorito – e se ajeitou no sofá, logo sentindo os dedos de Shizuo voltarem a acariciar seus cabelos. Aquilo era gostoso, nunca havia se sentido tão bem com algo tão singelo. Foi se inclinando cada vez mais em direção à carícia, acabando por se deitar no colo do loiro. Era tão bom... e o filme também era interessante, mal desgrudou os olhos da tela enquanto Shizuo ainda acariciava seus cabelos, também bastante interessado, mas não no filme, seus olhos mantiveram-se o tempo todo em um certo moreno com a cabeça em seu colo.

***

Shizuo estranhou o fato de Izaya não estar na cama quando acordou. O moreno também não estava no banheiro, nem na sala e nem na cozinha, não estava em parte alguma do apartamento. As roupas dele também não estavam mais ali e isso só podia significar que ele havia ido embora. Se sentiu confuso. Tudo bem que eles não haviam dito mais nada depois daquilo, mas achou que ele fosse ficar por pelo menos mais alguns dias, ou pelo menos, por aquele dia. Estava de folga e por algum motivo completamente absurdo, pensou que talvez, pudesse passar o dia com Izaya, mas pelo visto, o moreno não tinha os mesmos planos. Bagunçou os próprios cabelos e suspirou, num misto de confusão e irritação. No que ele estava pensando? Não era como se eles fossem um casalzinho apaixonado que passaria a maior parte do dia abraçados no sofá assistindo a um filme qualquer – embora eles tivessem feito algo bem semelhante na noite anterior, mas isso não vinha ao caso – mas ele tinha esperança de passarem um tempo – muito, muito tempo – fazendo certas... atividades, não necessariamente encima de uma cama.

Não havia um único lugar naquele apartamento em que eles não haviam feito sexo, o apartamento de Izaya também não era diferente, a mesa de Namie era o local favorito do moreno. O loiro riu, Izaya era um verdadeiro pervertido, nem o banheiro do Rússia Sushi havia escapado, mas sem duvida, o local mais ousado em que já haviam transado, havia sido em praça pública, bem no centro de Ikebukuro. Sacudiu a cabeça, com o intuito de afastar aqueles pensamentos e foi tomar um banho, antes que uma certa parte do seu corpo resolvesse se animar com aquelas lembranças.

***

O dia foi longo, muito longo na opinião do loiro, mas não havia sido um dia ruim, muito pelo contrário, mas simplesmente não estava muito animado naquele dia. Logo depois do banho recebeu uma mensagem de Kasuka, convidando-o para almoçarem juntos. Estava com saudade do irmão, fazia tempo que não se viam pessoalmente. O almoço foi ótimo, fizeram companhia um ao outro e conversaram bastante – do jeito deles, claro, afinal, nenhum dos dois era de falar muito – até Kasuka ter que ir embora por causa de um compromisso de trabalho. Depois disso, encontrou Kadota e conversou um pouco com ele, até uma surtada chamada Érika Karisawa aparecer e quase fazer uma veia sua estourar com tantas perguntas irritantes e embaraçosas à respeito de sua relação com Izaya, felizmente, Yumasaki e Togusa conseguiram amordaçá-la, antes que o loiro realmente explodisse. Quase meio maço de cigarros foi fumado antes que ele se acalmasse, acabou encontrando Celty e Shinra, que haviam saído juntos para comprar algumas coisas que estavam faltando em casa. Shinra o convidou para tomarem um chá, e já que estavam praticamente em rente ao prédio em que os amigos moravam e não tinha mais nada pra fazer mesmo, aceitou, mas não ficou por muito tempo.

Estava tão distraído que só se deu conta de pra onde seus pés o estavam levando quando chegou ao parque que costumava ir quando era adolescente, lá era calmo e tranqüilo, gostava de ir lá para pôr as idéias em ordem ou simplesmente para não pensar em nada. Sentou-se em um dos bancos mais afastados e deixou sua mente vagar por nenhum lugar específico... E foi então que soube que não tinha problemas no coração, por que se tivesse, com certeza teria morrido de susto com o toque absurdamente alto do seu celular, que tocava uma musiquinha irritante e estridente. Tinha que se lembrar de socar Izaya depois, por ter mexido em seu celular.

– Alô.

– Como vai, Shizu-chan?

Shizuo arregalou os olhos. Só haviam duas pessoas que o chamavam daquele jeito.

– M-Mãe?!

– Oh, então você se lembra que sou sua mãe? – Shizuo revirou os olhos, se preparando para o drama que viria pela frente – Custa vir visitar à mim e ao seu pai de vez em quando? Ou então pelo menos ligar?

– Mãe...

– E custava ter avisado que trocou de celular?

– Mãe...

– Tive que ligar para o Kasu-chan para saber o seu número!

– Mãe, eu...

– Deu o maior trabalho! Kasu-chan vive com aquele celular desligado! – Deixe o garoto falar, Namiko!, ouviu a voz do seu pai ao fundo e logo em seguida um pequeno suspiro de sua mãe – Desculpe, querido. Estou sendo um pouco dramática, não é? – um pouco? – Feliz aniversário!

– Obrigado. E... desculpe por não ir visitá-los.

– Tudo bem, querido.

Sua mãe agia assim sempre que ficava muito tempo sem ver ou falar com os filhos, primeiro, fazia o maior drama, depois, era amável e gentil, e finalmente, virava a “mamãe gansa super-protetora” !

– Você tem comido direito, Shizu-chan? A última vez que te vi você estava tão magrinho...

– Sim, eu estou comendo direito, mãe!

– Tem escovado bem os dentes depois de comer seus doces?

– Mãe, eu não tenho cinco anos!

– Mas ainda é o meu bebê!

Shizuo fez uma careta.

– Eu não sou um bebê! Sou um adulto!

– E eu sou sua mãe! Você e Kasuka sempre serão os meus bebês, ponto final!

A estranha lógica de sua mãe era absoluta entre os Heiwajima, era inútil discutir com ela. Suspirou. Amava sua mãe, mas não tinha muita paciência para ficar ouvindo aquilo.

– Mãe, eu tenho um compromisso agora e...

– Oh, desculpe, querido! Eu só queria lhe dar os parabéns e acabei falando demais. – ela riu um pouco – Por acaso é algum encontro?

Oh, merda!

– Não, mãe, não é um encontro!

– Pois então você deveria arrumar um! Já está na hora de você se casar e me dar lindos netos!

– Eu tenho que desligar.

– Certo, mas não se esqueça: quero ser uma avó linda e jovem! Nós te amamos, querido!

– Eu também amo vocês.

Encerrou a ligação e suspirou, sua mãe vivia lhe enchendo o saco com essa história de netos, mal sabia ela que já poderia perder as esperanças, ou melhor, depositá-las todas em Kasuka. Não havia a menor possibilidade de ele e Izaya terem um filho – biologicamente falando – , não que ele tivesse qualquer intenção de se casar com ele, longe disso, mas aquelas três semanas foram o suficiente para mostrar que mesmo se quisesse, não conseguiria ficar muito tempo sem aquela pulga maldita!

O sol já havia se posto há bastante tempo quando deixou o parque, no céu, algumas nuvens anunciavam a chuva que poderia cair a qualquer momento. Shizuo seguiu a passos lentos pela rua, não dando a mínima importância quando os primeiros pingos começaram a cair, e depois outros e mais outros, até realmente começar a chover, não muito forte, mas o suficiente para fazê-lo se molhar um pouco, nada demais. A chuva não durou mais que cinco minutos, parecia ter sido apenas para espantar as pessoas da rua.

Quando o loiro chegou ao apartamento, suas roupas já estavam secas, não apresentavam nenhum indício de que haviam estado molhadas há pouco tempo atrás, mas isso não tinha a menor importância agora, não quando Izaya estava adormecido no sofá de sua sala vestido novamente com roupas suas. Se aproximou do moreno e se abaixou em frente ao sofá, passando os dedos pelos fios negros e deslizando as costas da mão suavemente pelo rosto do informante, que se remexeu um pouco e em seguida abriu os olhos, logo os estreitando.

– Você me fez esperar por horas, seu imbecil cretino. – o insulto não teve muito efeito naquela voz levemente rouca por causa do sono e o beicinho irritado que começava a se formar.

– Desculpe. – sorriu de forma involuntária, estava feliz por Izaya estar ali, esperando-o.

– Não ria, seu bastardo! – e lá estava o beicinho – Você me fez desperdiçar um tempo precioso, sabia? – apontou irritado para a mesinha de centro.

Shizuo não havia reparado, mas a mesinha de centro – que não era tão pequena – estava perfeitamente posta e com vários pratos que o loiro gostava, havia ikizukuri, arroz frito, karaage, missoshiru, tempura, tonkatsu, salada de harusame – esta era um dos que Izaya gostava – e até alguns onigiris.

– Desculpe. – seu sorriso aumentou um pouco. Izaya havia feito aquilo tudo pra ele? – Eu pensei que tinha ido embora.

– Hã?

– Achei que tivesse voltado para Shinjuku.

– Awnn... que gracinha! Shizu-chan sentiu minha falta! – disse com deboche enquanto se sentava. O olhar que Shizuo lhe lançou o deixou tão desconcertado que seu riso desapareceu. Havia algo diferente naquele olhar – Eu não fui até Shinjuku, só saí para comprar algumas coisas que eu precisava. – deu de ombros e deslizou para o chão, sentando-se ao lado do loiro.

– Você fez tudo isso pra mim? – havia um sorriso de canto nos lábios do loiro.

– Não fique se achando, idiota, eu fiz por que estava com vontade de comer!

– Você não gosta de karaage.

– Não importa! – cruzou os braços e virou o rosto para o outro lado.

– Eu já pedi desculpas. – disse em tom calmo e isso irritou Izaya ainda mais.

– Pois pegue as suas desculpas e enf-

Quando Izaya virou o rosto na direção do loiro para insultá-lo, Shizuo o calou com um beijo. Não um simples beijo, era... diferente. Diferente de todos os beijos que ele já havia lhe dado. Era calmo, profundo, intenso e havia feito seu coração acelerar consideravelmente.

– Me desculpe. – sussurrou contra os lábios do moreno e voltou a beijá-lo.

– N-Não importa. – Mas que merda!, se amaldiçoou em pensamento por ter gaguejado, e tinha plena consciência de que seu rosto estava bastante vermelho. Que ridículo! Eu estou parecendo uma daquelas garotas apaix- arregalou os olhos e balançou um pouco a cabeça para afastar aqueles pensamentos absurdos – Está frio, mas acho que ainda está bom. – se referiu a comida.

O loiro pegou os hashis e levou um pouco de ikizukuri à boca.

– Está muito bom! – e começou a provar os outros pratos.

– É claro! – sorriu presunçoso – Afinal, fui eu quem fiz! – também pegou um par de hashis e puxou sua preciosa salada para perto.

Estava tudo realmente uma delícia, mesmo já estando frio. Izaya sabia que cozinhava muito bem, mas ficou bastante satisfeito em ver o loiro comendo com verdadeiro entusiasmo.

– Foi a melhor comida que eu já comi! – Que a minha mãe não me ouça. – Estava tudo muito gostoso!

– Tenho algo ainda mais gostoso pra você. – cantarolou de forma bem sugestiva e o loiro o encarou como se ele fosse o próximo prato a ser devorado. Riu alto – Você é tão pervertido, Shizu-chan! – levantou-se rapidamente antes que o loiro o atacasse e foi até a cozinha, voltando logo em seguida com um bolo nas mãos e o colocando bem em frente ao loiro – Feliz aniversário, Shizu-chan!

Shizuo ficou maravilhado com o bolo, não era novidade pra ninguém que ele era uma formiga quando o assunto era doces, e aquele bolo estava lhe dando água na boca, mesmo tendo os dizeres: Parabéns, meu odiado monstro!

Izaya havia feito um bolo de nozes com coco e recheio duplo de chocolate meio amargo com creme de avelã e creme chantili com baunilha e pedaços de morango; a cobertura era de chocolate branco, com fatias de morango em toda a lateral e alguns inteiros por cima; e bem no centro uma única vela, que foi acesa pelo informante.

– Faça um pedido, Shizu-chan! – falou em tom debochado, como se o loiro fosse uma criança pequena.

Shizuo ignorou a provocação e pensou um pouco, fechou os olhos por dois segundos e soprou a vela, apagando-a. Izaya começou a rir.

– Eu não acredito! – riu mais um pouco – Você fez mesmo um pedido?!

– Cale-se, verme! – não estava realmente irritado – o que era incrível – , só queria que a hiena parasse de rir.

– Você é igual a uma criança, Shizu-chan! – disse, ainda com ar de riso enquanto partia o bolo, dando um enorme pedaço ao loiro, que parecia mais interessado em observá-lo do que no doce – Não vai comer? – perguntou com o cenho franzido.

Shizuo se inclinou para frente, acabando com a pouca distância entre eles e juntando novamente seus lábios aos do informante, voltando a beijá-lo de forma calma e bastante intensa. O bolo poderia esperar.

“Eu desejo ter muitos momentos assim com você.”

Notas finais
E então? Gostaram? Espero que sim!!! ^-^ Bom, duas coisas: primeiro: como eu já havia mencionado antes, o próximo é o último capítulo, as ainda tem o epílogo e alguns especiais. Segundo: nesse capítulo eu mencionei três lemons que não foram descritos na fic, 1- na mesa da Namie, 2- banheiro do Rússis Sushi, 3- em plena praça pública. Bom, não achei meios de encaixá-los na fic, mas achei que eles mereciam pelo menos um especialzinho, mas não estou com tempo para fazer todos, então... gostaria que vocês votassem no lemon que vocês gostariam de ler, mas... o vencedor tem que ter pelo menos quinze votos, o que não é muito, levando em conta que mais de cem pessoas leem essa fic. Então, votem!!! Só vou escrever se vocês votarem, hein! A votação segue até o epílogo. Bjs, amores!!! Comentem!!! *-* !!!