Noiva Em Fuga

21 Capítulo 20 - O mais puro dos sentimentos


Notas iniciais
Olá amores!!! Quase que vocês ficam sem o capítulo hoje, meu computador resolveu dar chilique e ainda faltava a metade do capítulo pra digitar. u.u Suei pra conseguir postar ainda hoje! Viram só, não acham que eu mereço reviews só por isso??!!! *-* Bom, me senti um pouquinho mal por ter jogado água no encontro do Shinra no capítulo anterior, então, resolvi me redimir com ele nesse aqui... ^-^ Espero que gostem!!!!

– Celty, sabe que dia é hoje? – o médico clandestino perguntou empolgado.

“Não.”

– Celty! Como pôde esquecer? Hoje é o dia do nosso encontro!

“Como é?!”

– Você concordou em ter um encontro comigo, não se lembra?

“Não.”

– Celty...! – choramingou – Você disse que adiaríamos até o seu próximo dia de folga e você não tem nenhum trabalho hoje.

“Mas você deve ter algum!”

– Não tenho não! Meu dia está completamente reservado para você, bela Celty!

Ela “suspirou”.

“Ok, então. Vamos ter esse bendito encontro! Vou pegar meu capacete.”

– Na verdade, eu gostaria que hoje você usasse uma outra coisa. – levantou-se do sofá onde estava e foi até seu quarto, voltando alguns segundos depois com uma caixa de tamanho razoável e entregando à ela.

Celty abriu a caixa e retirou lá de dentro um chapéu, ele era negro, possuía aba de tamanho médio, um pouco curvada em algumas partes e havia um véu, também Nero, preso à ele. Era lindo, do tipo que se usa em ocasiões especiais.

– Gostou?

“É lindo!”

– Então vá se arrumar, bela Celty! Sairemos em uma hora, só preciso acertar os últimos detalhes!

“Ok.”

Shinra pegou o celular e entrou em seu consultório teclando rapidamente alguns números. Celty foi para o seu próprio quarto, pôs o chapéu sobre a mesinha que havia ali e tomou um banho razoavelmente rápido, cerca de quinze minutos, se enxugou um pouco com a toalha e vestiu um roupão para voltar para o quarto. Ainda tinha bastante tempo, mas estava em dúvida sobre o que vestir, obviamente não poderia ser o mesmo macacão de sempre e nem os mesmos sapatos, tinha que ser algo que combinasse com o chapéu, mas o quê? Já havia vivido muito, mas nunca havia tido um encontro. Sabia como funcionava, teoricamente, mas na prática...

Não queria admitir mas estava ansiosa, gostava daquele palerma chamado Shinra, ele a tratava como uma pessoa normal, como se o fato de ela não ter cabeça e não ser humana, fosse algo banal e completamente sem importância. Ele gostava dela, exatamente como ela era, e isso a fez gostar dele também, exatamente como ele era. “Suspirou”. Shinra estava muito animado com a perspectiva do encontro, provavelmente havia planejado para que tudo fosse absolutamente perfeito e ela não queria deixar por menos, queria estar perfeita para ele. Mas como, se não sabia nem o que vestir? Se pelo menos alguém para ajudá-la...

Se Celty tivesse uma cabeça, ela teria acabado de estapear a própria testa. Érika podia não ter muita experiência nessa área mas era sua amiga e com certeza a ajudaria. Procurou pelo celular e se lembrou de tê-lo deixado na sala, foi até lá e pegou-o sobre a mesinha de centro, ia começar a digitar uma mensagem para a amiga quando a campainha tocou.

– Olá, Celty!

“Izaya!? O que está fazendo aqui?”

– Preciso falar com o Shinra, mas o celular dele só dá ocupado. Ele está?

“Entre. Vou chamá-lo.” – deu passagem ao informante e fechou a porta, indo em seguida até o consultório do médico.

Izaya seguiu até a sala e se largou em um dos sofás, pegou uma revista sobre atualidades que estava sobre o braço do sofá e começou a folheá-la. Logo a dullahan voltou.

“Não o encontrei em parte alguma do apartamento.”

– Hm. – virou mais uma página antes de olhar para a transportadora – Sabe se ele vai demorar?

“Creio que não. Iremos sair em meia hora.”

O moreno arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.

– Não me diga que vão ter um encontro!?

“Sim, vamos! Algum problema com isso?” – as palavras continham um certo desafio, que sabiamente não foi aceito pelo informante.

– Não... nada contra. Vou esperar alguns minutos por ele, se não se importar.

“Tudo bem.”

Se afastou um pouco de Izaya e digitou rapidamente uma mensagem para Érika, quando ia enviá-la, seu celular automaticamente se desligou, a bateria havia acabado. A motoqueira negra quase entrou em estado de choque ao ver a tela apagada de seu celular. E agora? Como falaria com a amiga? Se pelo menos seu notebook não estivesse com defeito...

– O que foi, celty? – havia notado que ela parecia um pouco agitada – Algum problema? – não que estivesse preocupado, estava apenas curioso.

Celty pegou o bloco de papel que ficava ao lado do telefone e uma caneta para responder ao informante.

“Eu precisava falar com a Érika, mas a bateria do meu celular acabou.”

– Se não for demorar, posso te emprestar o meu. – ofereceu.

“Agradeço, mas eu não sei o número dela de cor, está armazenado na memória do meu celular.”

– Por que precisa tanto falar com ela, você não vai sair pra um encontro?

“É justamente por isso!”

Izaya arqueou uma sobrancelha e ela deixou seus ombros caírem, como se tivesse suspirado.

“Eu ia pedir que ela me ajudasse.”

–Oh, quer dizer que nunca teve um encontro!?

“Você já?” – a pergunta tinha um certo tom de sarcasmo e a resposta foi um sorriso extremamente malicioso.

– Pergunte o que quiser, querida Celty. – disse com certa prepotência – Vou te ajudar com o seu encontro!

“À troco de quê?” – perguntou desconfiada. Conhecia Izaya há anos e sabia perfeitamente que ele não fazia nada sem visar algo em benefício próprio.

– Assim você me magoa! – fez beicinho, falsamente magoado.

“O que está pretendendo, izaya?” – ela insistiu.

– Nada. Não posso querer ajudar minha querida amiga de vez em quando? – podia-se perceber um pouco de sarcasmo na voz do informante.

“Amiga?!” – Celty estava cada vez mais cética e desconfiada. Ela e Izaya nunca foram amigos, ela apenas fazia alguns trabalhos pra ele e particularmente nunca gostou muito do moreno...

– O tempo está passando... – alertou.

... Só que quando o assunto envolvia um certo loiro fortíssimo de Ikebukuro, sua opinião a respeito dele mudava drasticamente. Como não os achar lindos, fofos e perfeitos juntos? E se Shizuo, seu melhor amigo, conseguia passar tanto tempo com ele sem matá-lo, talvez ele não fosse assim tão ruim e desprezível...

“Ok.” – deu-se por vencida, afinal, que outra opção ela tinha?

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– Celty! – Shinra ficou realmente impressionado quando a viu chegar à portaria do prédio. Havia deixado um bilhete pra ela dizendo que quando estivesse pronta, poderia descer, ele a estaria esperando em frente ao prédio com uma surpresa. – Não achei que fosse possível você ficar mais linda do que já é!

“P-Pare de dizer essas coisas!” – ela digitou. Havia posto o celular para recarregar enquanto se arrumava.

– Mas é verdade, Celty! Você está incrivelmente linda!

Celty usava um vestido preto – obviamente, afinal suas roupas eram feitas de sombras – de comprimento até os joelhos, a saia do vestido era rodada e a parte de cima, bem justa da cintura até o busto, que estava bastante valorizado pelo singelo decote em coração, nada muito exagerado, e havia duas alças finas em cada ombro, duas delas, uma de cada lado, se cruzando nas costas e formando um “x”. Calçava sandálias de salto médio, um modelo simples, porém delicado e usava o chapéu que Shinra havia lhe dado, cujo o véu cobria todo o seu “rosto” e lhe dava um ar misterioso e à menos que se olhasse bem de perto, não daria para perceber que ela não tinha cabeça. Ela estava realmente linda. E pensar que havia sido graças a Izaya...

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“Tem certeza que eu preciso usar esse vestido?” – ela estava achando um pouco demais aquele vestido para um simples encontro.

– Homens, inclusive loucos e não muito normais como o Shinra, gostam de mulheres atraentes, e esse vestido vai te deixar atraente sem ser vulgar. – explicou.

“Nunca pensei que você soubesse tanto sobre esse tipo de assunto.”

– Sou um informante, sei muito sobre vários assuntos – deu de ombros – E além disso, sou um profundo observador do comportamento humano.

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– Vamos? – Shinra estendeu a mão para a dullahan, que a aceitou.

Ele a conduziu até uma carruagem parada bem próxima à entrada do prédio, era uma daquelas completamente decoradas com flores, que ofereciam passeios a casais apaixonados no dia dos namorados, havia até um condutor vestido a caráter.

“Como conseguiu?” – acariciou brevemente a cabeça do cavalo de pelagem marrom escura, adorava cavalos, e não fazia idéia de quando fora a última vez que andara em um, ou então em uma carruagem.

– Você costumava andar em uma carruagem, não é!? Achei que iria gostar. – ajudou-a a subir na carruagem e sentou-se ao lado dela – E na verdade, foi o Shizuo-kun que me ajudou com isso.

O condutor estremeceu de leve só em ouvir o nome de Shizuo. Ele havia atrasado o pagamento de sua dívida meses atrás e o loiro, junto com Tom-san, havia ido até sua casa para lembrá-lo “gentilmente” de sua dívida. Nem é preciso dizer que quase havia enfartado quando deu de cara com o loiro na porta de sua casa naquela manhã e só conseguiu voltar a respirar quando ele disse que não havia vindo cobrá-lo – ainda – e que se lembrava de já tê-lo visto conduzindo uma carruagem. No fim das contas era apenas um amigo do loiro que queria contratar seus serviços. Ficou mais que aliviado, claro, não teria nenhum osso partido naquele dia e ainda ganharia um bom dinheiro.

“Agradeço por isso.” – ela realmente havia gostado da idéia de andar novamente em uma carruagem.

Shinra sorriu e fez um gesto para que o condutor pusesse o cavalo para andar. O passeio foi longo, percorreram toda a cidade e deram uma volta completa em torno do parque de cerejeiras que ficava bem ao norte em Ikebukuro, a carruagem só parou no final da tarde, bem em frente ao prédio mais alto da cidade. O médico tornou a estender a mão para a dullahan, que novamente a aceitou, e adentrou o prédio, seguindo direto para o elevador e apertando o botão do último andar.

“Por que estamos aqui, Shinra?”

– Estamos indo para a segunda parte do nosso encontro.

Saíram do elevador e andaram até o final do corredor, entraram pela maior das três portas que havia ali e chegaram no enorme terraço.

– Costumam alugar esse espaço para comemorações.

“Você alugou esse terraço? Ficou maluco? Deve ter sido muito caro!”

Ele sorriu e continuou a atravessar o local ao lado da dullahan. Havia uma mesa redonda com dois lugares, bem no meio do terraço, mas não pararam ali, seguiram até a mureta que media cerca de um metro e meio e circundava todo o espaço.

– Dizem que assistir ao pôr-do-sol em frente ao mar é um dos programas mais românticos que existem. – pegou novamente a mão da dullahan e entrelaçou seus dedos nos dela – Infelizmente o mar fica muito longe daqui, então, tive que improvisar. – encolheu um pouco os ombros e sorriu, logo voltando a olhar para o horizonte, onde o sol começava a se pôr. Celty fez o mesmo e ficaram ali por vários minutos, até que o céu mudasse de um belo tom alaranjado para um azul, que foi escurecendo aos poucos.

O som da porta que dava acesso ao terraço se abrindo fez com que os dois se virassem na direção do barulho. Um homem usando roupas de garçom adentrava o local empurrando um carrinho de comida, parou próximo à mesa e ficou aguardando até que eles se aproximassem. Shinra gentilmente puxou uma cadeira para que Celty se sentasse e se acomodou em sua própria, fazendo um pequeno gesto para que o garçom prosseguisse.

Primeiro, o homem acendeu as três velas no castiçal de prata que havia sobre a mesa, depois, serviu duas taças com vinho tinto e pôs uma travessa média contendo camarões e vários tipos de molho no centro da mesa. Quando terminou de servi-los fez uma pequena reverência e se retirou, deixando os outros dois sozinhos.

– Sei que não come e nem bebe nada, bela Celty, mas um jantar romântico à luz de velas é essencial para um encontro perfeito!

“Admiro o seu empenho para deixar esse encontro perfeito, Shinra. Obrigada. Eu adorei tudo!”

– Mas ainda não acabou, minha amada Celty! – ajeitou os óculos e pegou sua taça de vinho.

“Não? O que ainda falta?”

– Você logo vai saber. Mas agora, vamos fazer um brinde! – esperou que a dullahan erguesse a própria taça – Vamos brindar ao nosso grande amor e à sua deslumbrante beleza, querida Celty! – e tocou a taça na dela. Ela teria sorrido se pudesse.

Shinra logo começou a comer seus camarões, sempre comentando algo como “Isso é delicioso!” ou “É uma pena que você não possa provar essa maravilha!”, coisas assim. Celty as vezes o repreendia com um “Não fale de boca cheia!” enquanto seus dedos brincavam com as inúmeras pétalas de rosas, vermelhas e rosadas, espalhadas pela mesa e também no chão ao redor dela.

Minutos depois, o som da porta se abrindo se fez presente novamente, mas desta vez não era o garçom de antes, era um outro homem, impecavelmente vestido com um terno de cor escura e trazendo em uma das mãos um delicado instrumento de corda e na outra, um arco, igualmente delicado. Parou a alguns metros do casal e posicionou o instrumento no ombro esquerdo, logo iniciando uma suave e bela melodia.

O médico clandestino limpou a boca com um guardanapo, levantou-se de sua cadeira e parou em frente à Celty, inclinando-se um pouco enquanto lhe estendia a mão, em um convite.

– Me daria a honra dessa dança?

“Não sei dançar.”

– Nem eu. – disse sorrindo.

Celty balançou brevemente a “cabeça” de um lado para o outro antes de aceitar o convite, pondo a mão sobre a de Shinra e sendo conduzida por ele – um tanto desajeitadamente – no ritmo da música. Desistiram de tentar dançar depois de alguns minutos, ficaram apenas balançando o corpo e movendo minimamente os pés, sem realmente saírem do lugar.

– Obrigado, celty.

“Pelo quê?”

– Por ter aceitado ter esse encontro comigo. – sorriu pra ela – Hoje é o dia mais feliz da minha vida!

“Eu me diverti muito hoje, Shinra.”

– É muito bom saber disso. – ergueu o olhar para as estrelas, que brilhavam intensamente no céu – Mesmo que você não me ame, fico feliz por estar aqui comigo. – voltou a olhar para a dullahan quando ela o cutucou no peito.

“Quem disse?”

– Hm?

“Quem disse que eu não te amo?”

Ele parou de se mover e arregalou um pouco os olhos, completamente surpreso com as palavras dela.

– Celty, você... você me ama?

“Mesmo você sendo um completo idiota... acabei me apaixonando por você.”

– Celty!!! – exclamou eufórico e a abraçou forte, quase a esmagando entre os braços, tão feliz quanto uma criança que esperou o ano inteiro – no caso dele, a vida dele – e finalmente ganhou seu tão almejado presente.

“Se continuar agindo assim, vou acabar mudando de idéia!”

– Eu estou tão feliz, Celty!

Essas palavras eram completamente desnecessárias, já que qualquer um que olhasse para ele, facilmente perceberia isso.

“Eu sei.” – tocou o rosto dele com carinho – “Só lamento não poder te beijar agora.”

Shinra sorriu e levou a mão da dullahan até a boca, beijando-a suavemente.

– Só preciso que você me abrace. Pra mim isso já será o suficiente.

Ela o abraçou, colocando seus braços ao redor do pescoço dele e se aconchegou nos braços do médico, o som do violino ao fundo ainda se fazia presente. Recomeçaram a se balançar no ritmo suave da música, compartilhando não só aquele momento, mas também o mais puro dos sentimentos.

Notas finais
Acho esses dois tão bonitinhos juntos!!! *-*