Noiva Em Fuga
22 Capítulo 21 - Complexo de Shizuo
Notas iniciais
“Nunca pensei que você entendesse tanto desse assunto!”
– Sou um informante, sei muito sobre vários assuntos – deu de ombros – E além disso, sou um profundo observador do comportamento humano.
“Izaya , você já namorou alguém?”
– Meu charme é irresistível, querida Celty. – falou sem modéstia alguma – Shinra tem sorte por eu não me interessar por mulheres sem cabeça. – brincou. A dullahan ignorou a última parte.
“Com garotas?”
Izaya estreitou um pouco os olhos e franziu levemente as sobrancelhas.
– É claro que eram garotas! Não entendi o porquê dessa pergunta.
“Desde os tempos de Raira, eu nunca te vi com uma garota, você vivia atrás do Shizuo e na primeira vez que ficaram juntos foi você que tomou a iniciativa, não foi?”
– E daí? – estreitou ainda mais os olhos.
“Sempre achei que você gostasse de homens.” – deu de ombros.
– Hã!? Eu não sou gay! – exclamou fazendo uma careta.
“Não acho que o Shizuo seja uma garota.”
– Shizu-chan não é humano, não pode ser definido como homem ou mulher! – a dullahan cruzou os braços e ele revirou os olhos – O que eu quis dizer é que, tecnicamente, homossexuais são pessoas que se sentem atraídas por pessoas, no plural, do mesmo sexo. O que não é o meu caso, como eu disse, Shizu-chan não é humano!
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Izaya franziu o cenho e voltou a prestar atenção na tela do computador. Deveria estar concentrado no trabalho, mas aquela conversa estranha que tivera com Celty no dia anterior, insistia em sempre voltar à sua mente. Será que todos pensavam o mesmo que Celty? Todos achavam que ele era gay, mesmo antes de começar aquele estranho relacionamento com Shizuo? Não... Isso era ridículo! Ele sempre fez sucesso com as garotas, principalmente na época do colégio. Tudo bem que nunca teve nada serio com nenhuma, mas isso não significava que ele fosse gay. Não mesmo! Embora alguns garotos – nos tempos de Raira – e alguns homens – num passado não muito distante – já o tivessem convidado para sair, e ele, por pura diversão, tivesse flertado com alguns deles, também não significava nada. Até estar com Shizuo, nunca sequer havia cogitado a hipótese de beijar um homem, menos ainda ir pra cama com um. Aliás, a idéia de fazer sexo com qualquer outro homem que não fosse Shizuo, lhe era completamente absurda.
Tentou novamente se concentrar no trabalho, mas foi inútil, mal havia terminado de reler o primeiro parágrafo do e-mail que havia recebido a pouco e seus pensamentos novamente se desviaram para aquela conversa. Merda! Deu um pequeno impulso com os pés, afastando a cadeira da mesa e se espreguiçando.
– Namie. – a secretária não parou o que fazia e sequer olhou para o chefe, mas ele sabia que ela estava escutando – Você acha que eu sou gay?
– Não acho, tenho certeza! Não creio que homens héteros fiquem por aí abrindo as pernas para outros homens!
– Desde quando?
– “Desde quando” o quê?
– Desde quando acha isso de mim?
– Desde sempre, oras!
– Sério?! – perguntou com as sobrancelhas levemente franzidas – Mesmo antes de eu dormir com o Shizu-chan?
– Sim.
– Isso é ridículo! – riu com desdém – O que te fez chegar a essa conclusão?
– Por que está me fazendo essas perguntas? É alguma crise de identidade?
– Não. Só quero saber por que acham que eu sempre fui gay!
– “Acham”? Quem mais acha isso?
– Celty. – girou um pouco a cadeira para a direita e depois para a esquerda, repetindo isso por várias vezes – Estávamos conversando e ela disse que sempre achou que eu me interessasse por homens. – parou de mover a cadeira – Eu sinceramente não entendo como vocês duas chegaram a essa conclusão absurda!
– Não é absurda!
– É claro que é! Eu não sou gay! – Namie o encarou de forma cética e ele revirou os olhos – O que eu quis dizer foi que eu nunca me interessei por nenhum homem, exceto o Shizu-chan.
– Não era o que parecia.
– Como assim?
– Já te vi flertando com os clientes que dão encima de você.
– Só por diversão.
– Você se passa por mulher naquele chat que sempre entra.
– Apenas para preservar minha identidade.
– Sei... – deu uma risadinha descrente – Mas você disse que não se interessa por nenhum homem, exceto o Heiwajima, não é?!
– Sim, eu disse.
– Pois é, soube que isso não é de agora. – disse em tom malicioso.
– Claro que não é de agora, já se passaram vários meses, sabe... – falou com sarcasmo.
– Você vivia atrás dele no colegial, não é mesmo? – ela continuou no mesmo tom.
– Aquilo era diferente. – estreitou um pouco os olhos e voltou a girar com a cadeira.
– Oh, é claro. – salvou o arquivo que estava digitando e virou-se na direção do chefe, apoiando o queixo sobre as mãos entrelaçadas e os cotovelos sobre a mesa – Você vivia tentando chamar a atenção dele...
– Para irritá-lo. – estreitou ainda mais os olhos – Onde você está querendo chegar, Namie-san?
– Não é óbvio?
– Não, não é. Então diga de uma vez, antes que eu perca o último resquício de paciência e resolva te demitir.
O tom de voz era o mesmo de sempre, mas a morena sabia que ele estava falando sério. Ela sorriu de canto e arqueou levemente uma sobrancelha. Izaya era realmente esperto para muitas coisas, mas se tratando dos próprios sentimentos... era um completo obtuso!
– Pra mim, você sempre teve uma queda pelo Heiwajima!
Izaya parou de girar com a cadeira na mesma hora e olhou para a secretária como se ela tivesse dito a coisa mais ridícula e absurda do mundo e em seguida começou a rir, ou melhor, gargalhar histericamente. A morena, que já esperava por esse tipo de reação, simplesmente pegou a bolsa, o celular, as chaves e saiu, dizendo algo como “Já deu o meu horário”. Quando o informante se viu sozinho no escritório/apartamento, sua risada cessou instantaneamente. Aquilo não era engraçado. Ele não tinha uma “queda” por Shizuo desde aquele tempo, isso era impossível!
Levantou-se num salto e vestiu seu casaco que havia deixado sobre o braço do sofá, pôs o celular no bolso da calça e pegou as chaves, saindo em seguida. Iria se encontrar com um cliente importante em alguns minutos, não tinha tempo para ficar pensando nas besteiras que Namie dizia.
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– Olá, Simon!
– Oh, Izaya! Veio comer sushi? – disse o negro sorridente terminando de lavar alguns copos – O sushi está muito bom hoje!
– Claro, claro. Vou querer o de sempre, sim?! — sentou-se num dos bancos altos em frente ao balcão e começou a tamborilar os dedos enquanto esperava. O encontro com o cliente havia sido rápido, ele era dos que costumavam flertar com ele, inclusive o havia convidado para jantar, mas Izaya recusou, não estava com vontade de “brincar” com um de seus queridos humanos.
– Fazia tempo que não aparecia aqui no restaurante, Izaya – pegou um pano de prato e começou a enxugar os copos que havia lavado a pouco.
– Estou muito ocupado ultimamente. – deu de ombros.
– Você não está aprontando nada, está? – perguntou em russo.
– É claro que não! Sou completamente inocente! – respondeu, também em russo.
– Você é tão inocente quanto uma bomba nuclear.
– Que cruel, Simon! – falou falsamente ofendido – Não estou aprontando nada.
O garçom não pareceu nem um pouco convencido, mas voltou a falar em japonês.
– Também não tenho visto Shizuo ultimamente. – Izaya arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada – Vocês estão juntos agora, não é?! Sempre achei que você tinha algum complexo com o Shizuo. – terminou de enxugar o último copo e o guardou.
– Nós não estamos “juntos” como você disse. – retrucou, fazendo uma careta – E eu não tenho e nem nunca tive, nenhum complexo com o Shizu-chan! – disse com certa irritação.
– Você é mais transparente do que pensa, Izaya. – entregou o pedido do moreno.
Izaya estreitou os olhos e retirou algumas notas da carteira, logo as entregando ao garçom e pegando seu pedido antes de deixar o restaurante, sem dizer qualquer outra palavra ao negro. Como se já não bastasse Celty e Namie, dizendo que ele corria atrás de Shizuo desde os tempos de Raira, agora vinha Simon e dizia que ele tinha algum complexo com Shizuo! Até parece!
Entrou num táxi e seguiu para Shinjuku, não queria ir a pé e correr o risco de encontrar a razão da maior parte dos seus problemas.
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