Noiva Em Fuga
20 Capítulo 19 - "Lindo casal!"
Notas iniciais
Depois de alguns minutos acariciando os fios negros, Shizuo acabou adormecendo também, mas não por muito tempo, apenas o suficiente para descansar uma pouco. Quando acordou, ficou um certo tempo observando o outro que ainda dormia profundamente, pensou naquela relação estranha que eles tinham, e que contrariando toda a lógica do universo, ainda não tinha resultado na morte de nenhum dos dois. Izaya suspirou em meio ao sono, e Shizuo não pôde evitar que um pequeno sorriso surgisse em seu rosto. Como alguém tão sarcástico, manipulador e totalmente sem escrúpulos como ele, podia parecer tão adorável e inofensivo quando estava dormindo? Era o cúmulo da ironia! Havia muito mais em Izaya do que o loiro poderia imaginar, ele tinha qualidades, podia ser gentil algumas vezes, e era deliciosamente pervertido na hora do sexo. Mas o que realmente fascinava ao loiro era o fato do informante ficar um pouco sem jeito sempre que o maior o tratava com cuidado e certa gentileza. Até então, achava ser impossível que Izaya Orihara, a pessoa mais cara-de-pau do mundo, se constrangesse com alguma coisa. Nesses momentos, o moreno ficava incrivelmente lindo na opinião do loiro.
“- Não precisa ficar com ciúmes, não tenho o menor interesse no seu namorado!”
“- É bom mesmo!”
“- Ora, ora, então você admite que ele é seu namorado?”
“- Não. Só estou dizendo que não gosto de dividir o que é meu!”
Namorado... Aquilo estava longe de ser um namoro, embora se assemelhasse bastante a um em alguns aspectos, mas ainda assim, não passava de um acordo mútuo de sexo. Mesmo já tendo se conformado por sentir certa preocupação pelo informante e tendo a certeza de que era recíproco, não havia mais nada, eles não estavam apaixonados ou qualquer coisa parecida. Certo? Seus sentimentos em relação a Izaya eram tão confusos... Meses atrás, a única coisa que queria era torcer o pescoço do informante, e agora, queria beijá-lo, abraçá-lo, fazê-lo gemer cada vez mais alto o seu nome... Suspirou. Será que algum dia conseguiria definir exatamente o que sentia pelo outro.
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– Ahhh... Celty! O dia está tão bonito, por que não vamos dar uma volta?
“Prefiro ficar em casa.”
Shinra estava jogado no sofá, mudando aleatoriamente de canal em canal em busca de algo meramente interessante. O que queria mesmo, era sair com sua amada Celty para um agradável passeio de mãos dadas pelo parque, depois assistir a um belíssimo pôr-do-sol e finalizar com um delicioso e romântico jantar à luz de velas, mesmo que ela não comesse e apenas lhe fizesse companhia. Seria o encontro perfeito! Só precisava convencê-la.
– Por favor, Celtyyyy!
“Já disse que não!”
– Por quê?
“Porque eu não quero! Não insista!” – voltou a atenção para a revista que estava lendo e tentou ignorar o médico.
– Mas, Celty... nós ainda não tivemos o nosso primeiro encontro!
Ela “suspirou” e largou a revista sobre a mesinha de centro, vivia com ele há muito tempo, tempo suficiente para saber que a insistência do de óculos não podia ser vencida tão facilmente. Decidiu ceder, somente desta vez.
“Ok...!”
– Sério?! Vai mesmo ter um encontro comigo, bela Celty?! – o sorriso de Shinra era enorme.
“Sim.”
– ÉÉÉÉÉ!!!!!! – gritou em comemoração, erguendo-se do sofá num pulo e começando a saltitar pela sala.
“Se continuar bancando o idiota, eu mudo de idéia!” – ameaçou, mas não estava realmente falando sério, se ela tivesse uma cabeça, seus lábios estariam esboçando um pequeno sorriso. Shinra era um idiota, fato, mas ela, com o passar do tempo, aprendeu a gostar daquele idiota.
– Nós vamos ter o melhor encontro de todos! Vá se arrumar, querida Celty, mas não se arrume demais, se todos se apaixonarem por você, vai ser um grande problema! – suspirou pesaroso.
“Tá, tá...”
Quando ela ia se levantar para fazer o que ele havia pedido, seu celular começou a vibrar, anunciando que havia chegado um e-mail. Não reconheceu o remetente, mas o abriu assim mesmo, o título era: “Lindo casal!”, não havia texto, mas havia uma foto anexada, esperou que ela abrisse e quando a viu, começou a saltitar pela sala.
– O que foi, Celty? O que tem aí? – perguntou, estranhando a reação empolgada da dullahan.
Ela não respondeu, optou por lhe entregar o aparelho para que ele visse com seus próprios olhos. Shinra ficou um tanto surpreso quando olhou para a tela do celular, era uma foto de Shizuo e Izaya dentro de uma banheira, aparentemente em meio à uma guerrinha com água e os dois pareciam estar se divertindo bastante, já que ambos sorriam.
– Isso é uma montagem?
“Não sei, mas não acho que seja! Eles são lindos juntos, não são?!” – a motoqueira negra parecia estar tendo um ataque de fangirl – “Que fofo eles juntinhos na banheira...! Preciso mostrar isso pra Érika! Ela vai pirar!” – e levantou-se já pegando o capacete e o colocando.
– Mas, Celty, e o nosso encontro?
“Podemos fazer isso outro dia, não é?! Ótimo! Te vejo mais tarde!” – e saiu porta à fora.
Shinra suspirou e voltou a se jogar no sofá com o controle da tv em mãos.
– Fazer o quê, né?!
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– Coma sushi! Sushi é bom pra saúde! Não tem contra-indicação e é delicioso! – Simon gritava enquanto entregava os panfletos com as promoções do restaurante – Nosso sushi é o melhor e não é feito com carne humana! Venha experimentar nosso sushi!
– Yo, Simon!
– Tom-san! Veio comer sushi? Tem desconto especial hoje! – estendeu um cupom de desconto para o outro, que aceitou.
– Acho que vou aproveitar então. – deu um suspiro cansado – O dia hoje foi corrido, mal tive tempo de comer.
– Muito trabalho?
– Um pouco.
– Onde está Shizuo? – o negro olhou de um lado para o outro em busca do loiro – Ele já foi pra casa? Não quis comer sushi?
– Ah, Shizuo está de folga hoje.
O mais alto assentiu.
– É verdade que ele foi atacado?
– Sim, é verdade. – ajeitou os óculos – Mas não se preocupe, parece que não foi nada grave, e além disso, soube que ele estava sendo muito bem cuidado! – riu um pouco, como se tivesse acabado de se lembrar de algo engraçado – Bom, deixe eu voltar ao... – foi interrompido pelo som de uma notificação de e-mail recebido, abriu-o e desatou a rir quando viu do que se tratava.
– O que foi, Tom-san? – perguntou curioso, devia ser algo muito engraçado para o outro rir tanto. Nem teve muito tempo pra pensar no que poderia ser, pois seu celular vibrou, avisando que havia chegado um e-mail. Abriu-o e ficou chocado ao ver aquela foto dos dois inimigos jurados se divertindo como crianças dentro de uma banheira.
– Ei, Simon...! Você... está bem? – ele ainda estava tentando controlar o riso – Ah, você também recebeu, não é?! – riu mais um pouco – E ele ainda diz que não são um casal! Tsc!
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– Não dá pra ir mais rápido? Desse jeito não vamos chegar lá a tempo! – Dizia Walker, impaciente.
– Mas a tal sessão de autógrafos não é só daqui à duas horas? – indagou Kadota.
– Sim, mas eu quero chegar antes pra ser um dos primeiros! Só em pensar que vou conhecer meu mangaká favorito...! – começou a sonhar acordado.
– Ei, olha lá a Celty! – Érika avistou a amiga a alguns de distância – Encosta aí, Togusa! – ficou sacudindo o ombro dele até que ele fizesse o que foi pedido.
– Tá, tá! – se deu por vencido e estacionou próximo ao meio-fio.
– Ei! Celty! – Érika havia posto a cabeça para fora do carro e gritado para a motoqueira, que manobrou a moto e estacionou um pouco à frente da van. A fujoshi estava para sair da van, quando o alarme do seu celular, avisando que havia chegado um e-mail, soou por breves segundos. Ela pegou o aparelho e abriu o e-mail.
– Ei, Karisawa! Érika! Droga! Yumasaki, ajuda ela! – mandou Kadota, depois de olhar para a garota e notar os olhos intensamente brilhantes, o sorriso abobalhado e o filete de sangue que começava a escorrer do nariz. Togusa pegou a caixinha de lenços que estava no porta-luvas e jogou para a garota, para que ela estancasse o sangue, enquanto Walker a abanava com um de seus mangás.
“Érika, você está bem?!” – Celty se preocupou com a amiga, que ao se deparar com a dullahan bem à sua frente, ergueu-se num pulo.
– Celty! Eu vi um pedaço do paraíso! – seus olhos pareciam dois faróis, de tão intensamente que brilhavam. Pegou o celular e mostrou o motivo de sua euforia à motoqueira – É, ou não é, a imagem do paraíso?!
“É claro que é! Era justamente por isso que eu estava te procurando. Eu também recebi essa foto!” – e mostrou a foto idêntica que havia em seu celular.
– AHHH!!!!!!! – Érika gritou histericamente enquanto juntava suas mãos com as da dullahan e as duas davam pulinhos no meio da rua, sob os olhares chocados de Kadota, Togusa e Yumasaki, que também haviam acabado de receber a mesma foto por e-mail.
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A primeira coisa da qual Izaya se deu conta quando começou a acordar, foi da imensa dor em sua região traseira. Gemeu e fez uma careta quando se virou um pouco na cama, ficando de lado, havia estado completamente exausto depois das intensas atividades que havia feito com Shizuo no banheiro, mal teve forças sequer para protestar quando o loiro lhe deu banho, secou e vestiu, como se ele fosse uma criança pequena, na hora, a única coisa que queria era deitar em sua enorme e confortável cama e dormir por algumas horas, nem se lembrou de passar suas “pomadinhas milagrosas” para diminuir seu desconforto. Se arrastou até a beira da cama e esticou a mão para abrir a gaveta do criado-mudo e retirar lá de dentro dois tubos de pomada e um vidro pequeno contendo analgésicos, afastou a fina colcha que o cobria e abaixou a calça do pijama juntamente com a cueca, fazendo o possível para controlar os próprios gemidos de dor enquanto passava as pomadas na região lastimada.
Maldito Shizu-chan! Era tudo culpa dele e daquele pau enorme que ele não conseguia manter dentro das calças! E agora estava ali, totalmente fodido, em todos os sentidos, enquanto o loiro devia estar tranqüilo e plenamente satisfeito. Maldito!
E por falar no cretino... onde ele estava?
Passou a mão pelo lugar onde Shizuo havia se deitado, estava frio, já devia ter um certo tempo que ele havia acordado. Se é que ele chegou a dormir em algum momento. Estreitou os olhos, provavelmente o loiro só havia esperado que dormisse para ir embora, como sempre! A única exceção havia sido naquela manhã, a única vez em que acordara nos braços do loiro. Franziu o cenho. Por que estava pensando nisso? Que diferença fazia, dormir ou acordar com o loiro? Não era como se ele se importasse, afinal, o relacionamento deles era puramente sexual e o normal era um deles ir embora depois do ato. É claro que havia exceções, mas não eram muitas, e eles haviam transado no banheiro, não havia nada de estranho no fato de Shizuo ter ido embora, não era como se Izaya quisesse ter acordado sendo abraçado de forma possessiva pelo loiro, sentindo a respiração quente dele contra seu pescoço, inalando o cheiro sutil de cigarro e baunilha que provinha daquela pele, recebendo carícias suaves no rosto e nos cabelos, sentindo-se aquecido, tanto por fora, quanto por dentro... Por que ele iria querer algo assim? Esse tipo de coisa acontecia entre casais apaixonados e eles não eram, nem um casal e nem apaixonados! Era ridículo e absurdo pensar nessa hipótese. Quem em sã consciência se apaixonaria por Shizuo? E quem, em sã consciência, se apaixonaria por ele, Izaya Orihara?
Sorriu de forma triste sem sequer se dar conta. Se apaixonar, amar, ser correspondido... Esse tipo de coisa era pra pessoas comuns, seus preciosos humanos, não pra eles!
Abriu o vidrinho de analgésicos e retirou dois comprimidos, fechou novamente o vidro e guardou-o na gaveta, juntamente com os tubos de pomada, em seguida procurou pelo copo de água que sempre deixava sobre o criado-mudo, para o caso de sentir sede durante a noite, notando que havia se esquecido de colocá-lo ali. Droga! Iria ter que engolir os comprimidos à seco mesmo. Fez uma careta e colocou-os na boca, detestava o gosto horrível que ficava depois de engoli-los.
– Não devia tomar isso com água?
Izaya se assustou com a fala do loiro, achou que ele tivesse ido embora há muito tempo, acabou se engasgando.
– Toma, beba isso! – Shizuo lhe estendeu o copo em que estava bebendo, vendo-o tomar grandes goles do líquido.
– Leite?! – fez uma careta e devolveu o copo ao loiro, que deu de ombros.
– Gosto de leite. – terminou de beber o que ainda havia no copo.
– O que você é?! Uma criança?! – deitou-se novamente e cobriu os olhos com um dos braços. Shizuo ignorou a pequena provocação.
– Que remédios eram aqueles que você tomou?
– Analgésicos. Estou todo dolorido e a culpa é toda sua! – disse em tom levemente acusatório, por pura implicância.
Houve alguns segundos de silêncio até o loiro se pronunciar.
– Desculpe.
Izaya afastou o braço que cobria seus olhos e encarou o loiro com uma sobrancelha erguida, genuinamente surpreso, esperava ouvir algo como “abriu as pernas por que quis” e não um “desculpe”, que estranhamente parecia ser absolutamente sincero.
– Como é?
– Não se faça de besta! Você ouviu muito bem o que eu disse, verme! – respondeu com certa irritação – E a culpa não é só minha. Eu não te obriguei a abrir as pernas!
O informante riu. Aquela sim era uma típica resposta do loiro!
– Não obrigou, mas usou meios bastante “sujos” pra me convencer, não é mesmo?!
Shizuo novamente deu de ombros e eles ficaram de novo em silêncio por alguns instantes.
– Pensei que tivesse voltado para Ikebukuro. – fez-se ouvir o informante.
– Por quê? – Shizuo perguntou com o cenho levemente franzido, demonstrando estar verdadeiramente confuso. Isso deixou Izaya confuso.
– Por que é o que geralmente acontece depois que fazemos sexo.
– Nem sempre. – o loiro ainda tinha o cenho franzido – já dormi aqui várias vezes.
– Sim, e a primeira coisa que fazia quando acordava era ir embora. Isso pareceu fazer sentido para o loiro, visto que sua expressão se suavizou.
– É...
Foi a única coisa que Shizuo disse, depois, pareceu estar perdido em meio aos próprios pensamentos. Izaya se ergueu um pouco na cama, apoiando-se nos cotovelos para observar melhor a face do loiro, que havia se sentado meio de lado na beira da cama. O guarda-costas tinha uma expressão peculiar no rosto, algo indecifrável e extremamente interessante na visão do informante.
– O que foi, Shizu-chan? Acabou de descobrir para que servem os seus únicos dois neurônios? – provocou, ganhando um olhar irritado do outro. – Não se esforce tanto pra descobrir quanto é dois mais dois, ok. – viu uma veia pulsar na testa do loiro – Se quiser, até te empresto uma calculadora.
– Não me provoque, pulga! Você não está em condições de conseguir fugir de uma surra! – a vontade de torcer o pescoço do informante estava bem visível em seu rosto.
Izaya engatinhou até o loiro, posicionando-se às costas dele e rodeando seu pescoço com os braços, nunca deixando de exibir um meio sorriso cínico nos lábios.
– Você teria mesmo coragem de me bater, Shizu-chan? – perguntou num tom de voz sarcástico e meloso, trilhando um caminho da mão até o ombro do loiro, como se estivesse caminhando com dois de seus dedos por aquela área.
– Se continuar me enchendo, ao invés da surra, vai ganhar uma passagem só de ida pro mundo dos mortos!
– Você é tão cruel, Shizu-chan! – fez beicinho – Você devia me agradecer, sabia!? Se não fosse por mim, a sua existência insignificante seria ainda mais patética!
O loiro rilhou os dentes e num movimento rápido livrou-se dos braços de Izaya e o jogou de costas na cama, apertando seu pescoço com uma das mãos.
– Eu não tinha a intenção de te matar hoje, verme, mas já que você insiste...! – apertou um pouco mais, mas ainda assim, o cretino filho da puta que estava sendo estrangulado, não deixava de exibir aquele sorrisinho irritante. Fechou ainda mais a mão ao redor daquele pescoço por breves segundos e o soltou, vendo-o tossir um pouco quando o ar voltou aos seus pulmões – Algum dia desses, eu vou realmente acabar te matando, verme. – Shizuo praticamente rosnou aquelas palavras.
Izaya, que ainda respirava com um pouco de dificuldade, arqueou uma sobrancelha e sorriu de forma ainda mais cínica que antes. O loiro estreitou os olhos, tinha certeza que o outro diria alguma merda que acabaria deixando-o ainda mais irritado. O informante abriu a boca, mas antes que qualquer som escapasse dela, o celular de Shizuo começou a vibrar dentro do bolso. Era uma mensagem de Celty, ele a leu e franziu um pouco as sobrancelhas, em sinal de confusão.
"Super, hiper, mega LINDO!!!! Tão fofos!!! Érika e eu achamos que é a imagem da perfeição!!! Preciso saber de tudo! TUDO MESMO!!!” – dizia a mensagem.
– O que foi, Shizu-chan? – o moreno havia ficado curioso por causa da expressão um pouco confusa do outro.
– Uma mensagem estranha da Celty. – tornou a guardar o aparelho no bolso e dois segundos depois ele voltou a vibrar, mas desta vez era uma ligação – Algum problema, Tom-san?
– Não, não... Então, Shizuo, está se divertindo na sua folga? – disse, tentando conter o próprio riso.
– Me divertindo?
– Quem venceu a disputa? – mais risos.
– Que disputa? Do que está falando? – o guarda-costas estava cada vez mais perdido naquela conversa.
– Depois dessa... não tem como você... dizer que não são um casal...! – disse entre risos.
– Hã? Casal? Você não está dizendo coisa com coisa, Tom-san! – esperou que o outro esclarecesse aquela história, mas só ouvia risos do outro lado da linha. Ficou irritado e encerrou a ligação antes que seu último resquício de paciência se esvaísse e acabasse mandando seu chefe para lugares nada agradáveis – Mais essa agora! – resmungou com raiva.
Izaya não disse nada, apenas continuou observando-o atentamente até que o toque de notificação de e-mail do seu celular lhe chamou a atenção, pegou o aparelho e abriu o arquivo recebido. Sua reação foi um breve arquear de sobrancelhas, instantaneamente soube do que se tratava a tal mensagem estranha de Celty e a última ligação de Tom. Namie, ao invés de postar a foto na internet para qualquer um ver e provavelmente ninguém acreditar, mandou-a por e-mail especificamente para as pessoas que com certeza acreditariam nela. Uma boa jogada, ele tinha que admitir. O barulho do celular de Shizuo vibrando novamente o tirou dos seus pensamentos. Quem seria agora? Viu-o encarar o aparelho irritado e depois arregalar os olhos. Provavelmente havia acabado de receber a foto por e-mail.
– Mas que... porra é essa?!
– Você também recebeu, não é? – havia um pequeno sorriso em seus lábios. Estava se divertindo às custas da reação do loiro.
Shizuo desviou o olhar para o moreno, que virou a tela do próprio celular em sua direção, mostrando uma foto idêntica à que havia acabado de receber.
– Eles também receberam. – concluiu – Era ‘disso’ que eles estavam falando. Que ótimo! – falou com sarcasmo – Aqueles dois vão me encher pelo resto da vida... Não tem como ficar pior!
– Não devia dizer isso, Shizu-chan.
– Por que não? É a verdade!
– Geralmente quando se diz que não tem como algo ficar pior, a tendência é piorar ainda mais. – disse calmamente, ainda soando divertido.
– Impossível.
Mal terminou de falar e o celular do loiro vibrou novamente. Era uma mensagem, ele a leu e ficou estático, completamente pálido e sem esboçar nenhuma outra reação. Izaya, curioso pra saber o que poderia ser tão grave para deixá-lo naquele estado, pegou o celular do loiro, que nem tentou impedi-lo, e começou a ler a mensagem. Explodiu em gargalhadas quando terminou.
“Nii-san, acabei de receber uma foto sua com o Izaya. Desde quando estão juntos? Bom, não importa. Se você está feliz, por mim tudo bem. Nunca acreditei muito naquele “ódio” todo que você dizia sentir por ele. Não estou surpreso.”
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