Noiva Em Fuga
25 Capítulo 24 - Sobre encontros e presentes
Notas iniciais
Izaya desviou os olhos da tela do computador quando a porta do seu apartamento foi aberta e Namie entrou por ela com cara de pouquíssimos amigos, batendo-a com força para fechá-la e lançando um olhar de extremo ódio para seu chefe.
– Quanta hostilidade, Namie-san! Deveria estar de bom-humor depois das suas pequenas férias. – sorriu de canto – Aproveitou bastante? – Se olhar matasse, Izaya teria sido fulminado naquele instante. – O que foi, Namie-san? Aconteceu “algo” pra você estar assim... tão brava? – perguntou com a maior cara de pau e teve que se abaixar para não levar uma livrada bem no meio da cara.
– Seu cretino desgraçado filho da puta! – jogou mais um livro, novamente não acertando o alvo – Por sua culpa, eu não pude viajar com o Seiji e passar três dias sozinha com ele! – enquanto falava, continuava jogando todos os livros que estavam ao seu alcance no moreno, o que não eram poucos, já que ela estava parada bem em frente à enorme estante que tomava quase uma parede inteira – E ele ainda levou aquela “coisa” no meu lugar! – arremessou uma enciclopédia particularmente grande e pesada e acabou acertando o monitor do informante.
– Vou descontar isso do seu salário. – falou com sorriso cínico nos lábios. Estava se divertindo com aquilo.
– Você vai ter que pagar pelo estrago que mandou fazer no meu cabelo, ouviu bem?!
– E quem disse que fui eu? – perguntou pelo simples prazer de irritá-la, não fazendo o menor esforço para esconder a evidente culpa. Namie estreitou os olhos e arremessou outro pesado livro, desta vez mirando no belo tabuleiro de xadrez todo de vidro que havia ganhado de presente de natal de suas irmãs. Era tão bonito...
– Aposto que nem está tão ruim. – se escondeu atrás da cadeira para não ser atingido.
Como resposta, ela retirou a boina vinho que cobria todo o seu cabelo, revelando um verdadeiro arco-íris fluorescente no lugar dos fios negros. Izaya começou a gargalhar.
– E eu só posso tingir depois de quinze dias! – praticamente rosnou, arremessando outro livro.
– A culpa é toda sua, Namie-san. – disse depois de uns bons cinco minutos de gargalhada – Achou mesmo que aquela fantasia de elfo não ia ter volta?!
– Eu não te obriguei a usar.
– Não importa, a culpa foi sua. – desviou novamente de um livro e pegou o celular sobre a mesa quando notou que havia recebido uma mensagem.
“Vou abrir uma exceção hoje e não vou te expulsar a pontapés de Ikebukuro... Estou te devendo o seu presente. Você vem?”
Izaya não pôde evitar ficar surpreso com a mensagem. Aquilo parecia um convite para um encontro, o que era ridículo! E quem Shizuo pensava que era para achar que ele iria até lá só por que ele o estava convidando?
"Vou."
A resposta completamente contraditória aos seus próprios pensamentos foi enviada quase que instantaneamente, causando uma certa irritação no moreno. Não deveria ter respondido a mensagem e sim a ignorado completamente! Ultimamente seu corpo vinha tendo vontade própria quando o assunto era Shizuo e isso não era nada bom. Foi arrancado desses pensamentos por uma livrada certeira bem no meio da cara, que o fez cambalear alguns passos para trás. Havia se esquecido completamente que estava sendo alvo de uma louca arremessadora de livros.
– Espero que tenha doído bastante! – disse a morena, visivelmente mais calma por ter conseguido acertá-lo, sentou-se em frente à própria mesa e começou a trabalhar como se nada demais tivesse acontecido.
– Você vai arrumar essa bagunça. – pôs a mão sobre o local atingido e se sentou em sua cadeira giratória – E me traga gelo! Você tem sorte por eu não bater em mulheres.
Namie arqueou uma sobrancelha de forma sarcástica e foi buscar o que lhe foi pedido, voltou alguns minutos depois com uma bolsa de gelo e a colocou, de forma nem um pouco gentil, sobre o rosto de Izaya, cujo o lado esquerdo já começava a ficar vermelho. Ele lançou um olhar irritado à secretária antes de abrir a nova mensagem que havia chegado.
“Vou trabalhar até as seis.”
Prendeu momentaneamente o lábio inferior entre os dentes, num gesto involuntário de ansiedade que jamais seria admitido por ele, nem pra si mesmo, a desculpa que se dava era uma mera curiosidade à respeito do quão ridículo seria o presente que ganharia de Shizuo.
– Estão trocando mensagens agora, é? Que gracinha! – comentou Namie, voltando ao seu humor habitual.
O informante a ignorou e fechou o celular, passando a analisar alguns documentos que tinha adquirido, ainda pressionando a bolsa de gelo contra o rosto e tentando se concentrar em qualquer coisa que não fosse o loiro, que ultimamente, vinha aparecendo em seus pensamentos com uma facilidade incrível, principalmente depois de tudo o que havia acontecido, tanto na véspera, quanto no dia de natal. Os dois passaram o resto do dia juntos depois que a família de Izaya foi embora e havia sido diferente das outras vezes que ficaram juntos, havia sido estranho, estranho e agradável.
Boa parte da tarde foi passada no sofá da sala, Shizuo havia colocado num canal de desenhos animados, o mesmo que havia assistido com as gêmeas, enquanto Izaya folheava um livro sobre mitos e lendas antigas que havia ganhado de seu pai, esse assunto passou a lhe interessar bastante desde que conhecera Celty, mas sua atenção era constantemente desviada para um certo loiro que ria bobamente por causa de alguma coisa idiota no desenho. Shizuo poderia ser comparado à uma criança em vários aspectos, o que era ridículo e ao mesmo tempo fascinante na opinião do moreno, principalmente levando-se em conta a personalidade extremamente explosiva do loiro. Estava tão distraído em meio a divagações que foi pego totalmente de surpresa quando o guarda-costas num rápido movimento o fez deitar-se sobre o sofá e se inclinou um pouco sobre ele. Estava baixando muito a guarda na presença do loiro ultimamente e isso não era nada bom.
– Por que está me olhando tanto? – subiu a mão pela coxa do informante até parar na cintura – Está tentando me provocar?
Izaya arqueou uma sobrancelha. Não havia tido intenção alguma de provocá-lo, mas já que o loiro tocou no assunto...
– E se eu estiver? – aproveitou que Shizuo estava no meio de suas pernas e o prendeu com elas.
Shizuo não respondeu com palavras, ao invés disso, deu um beijo de tirar o fôlego no informante enquanto se deitava sobre ele e deslizava uma das mãos por debaixo de sua camisa. Izaya moveu um pouco o quadril, friccionando os membros um no outro e arrancando um gemido baixo do loiro em meio ao beijo, levou suas mãos ao moletom que ele usava e subiu-o vagarosamente enquanto acariciava e arranhava o abdômen e as costas de Shizuo, que se afastou minimamente apenas para retirá-lo, logo voltando a atacar os lábios finos e macios do informante, num beijo rápido e lascivo enquanto desafivelava o cinto e abria a calça de Izaya, deixando-o nu da cintura para baixo mas não se importando em retirar-lhe a blusa, apenas a levantou até que tivesse total acesso aos mamilos, chupando-os com força e logo descendo para o membro, já ereto, do moreno.
Izaya se contorcia e gemia cada vez mais alto à medida em que o orgasmo se aproximava, sentir a língua do loiro deslizando por seu membro enquanto seus dedos entravam e saiam de seu corpo, o estavam levando à loucura.
– S-Shizu... hmm... eu vou... – não conseguiu completar a fala antes de se desmanchar na boca do guarda-costas, mas ele não pareceu se importar, fez uma trilha de beijos e mordidas até o pescoço do informante e depois beijou-o demoradamente enquanto masturbava o membro ainda sensível pelo recente orgasmo.
O informante viu-o se afastar um pouco e retirar o restante das roupas, antes de voltar a ficar no meio de suas pernas e afastá-las um pouco mais, encarando-o de forma faminta e um tanto hesitante enquanto encaixava sua ereção na entrada do moreno, mas não o penetrando.
– Você não está... érr... muito dolorido por causa de ontem?
Izaya arqueou as sobrancelhas. Shizuo estava hesitando por não querer machucá-lo? O que estava acontecendo com ele? Ou melhor, o que estava acontecendo com eles? De qualquer forma, pensaria nisso depois, agora tinham coisas mais importantes que mereciam sua atenção, como por exemplo, a nova ereção que se formava em seu baixo ventre.
– Quem se importa? – impulsionou o quadril para frente fazendo o membro de Shizuo começar a invadi-lo.
O loiro gemeu baixo e terminou de penetrá-lo com um único movimento, já engatando uma seqüência de estocadas fortes e profundas. Izaya gemeu alto quando sua próstata foi acertada e passou a impulsionar o quadril contra a ereção do loiro, tornando o ato sexual ainda mais intenso para ambos. Foram poucos minutos até o moreno parar momentaneamente de respirar quando teve seu segundo orgasmo, ao mesmo tempo em que sentia um forte jato de esperma lhe preencher e o loiro praticamente desabar sobre si. Foram quase cinco segundos até o ar voltar aos seus pulmões e ele começar a respirar com certa dificuldade, assim como Shizuo que também arfava, pelo visto não havia sido o único a se esquecer de respirar. Ficaram um bom tempo daquele jeito até Shizuo se levantar, saindo de dentro dele e em seguida puxá-lo, dizendo algo sobre continuarem aquilo no banho...
Izaya balançou brevemente a cabeça com o intuito de afastar aquelas imagens, se continuasse pensando naquela parte específica daquele dia, acabaria tendo que usar a bolsa de gelo para esfriar uma certa parte de seu corpo que já começava a querer se animar.
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“Vou abrir uma exceção hoje e não vou te expulsar a pontapés de Ikebukuro... Estou te devendo o seu presente. Você vem?”
Shizuo se arrependeu assim que enviou a mensagem. Aquilo era ridículo, parecia que o estava convidando para um encontro. Patético! Izaya à essa altura já deveria estar rolando no chão de tanto gargalhar daquela mensagem e provavelmente nem a responderia, mas uma hora ou outra viria até Ikebukuro apenas para debochar daquilo e rir mais um pouco. Suspirou e guardou o celular no bolso, mas logo teve que pegá-lo de volta quando ouviu o toque de notificação de mensagem recebida.
“Vou”
Ficou longos segundos apenas encarando aquela única palavra na tela do celular e um pequeno sorriso involuntário começou a surgir em seus lábios. Digitou uma nova mensagem e a enviou, tornando a guardar o aparelho no bolso e acendendo um cigarro enquanto esperava Tom terminar de cobrar um devedor para irem atrás do próximo. Estava um pouco ansioso e nem sabia exatamente o porquê, ele e Izaya vinham se encontrando bastante desde que começaram a fazer sexo, não tinha motivos pra ficar ansioso apenas por que se veriam mais tarde e Izaya provavelmente demoraria horas para chegar, apenas pelo prazer de irritá-lo, os dois trocariam alguns insultos e provocações e acabariam transando no sofá da sala, depois continuariam aquilo no quarto ou então no banheiro, ou ambos, não necessariamente nessa ordem. Ele então entregaria o presente e Izaya riria, dizendo o quão ridículo e idiota era aquele presente, ele se irritaria e talvez acabassem fazendo sexo novamente antes de dormirem. Não seria um encontro, não haveria romance e menos ainda sentimentos envolvidos, eles não precisavam disso, eles não estavam apaixonados e aquele natal também não havia sido um dos melhores momentos de toda a sua vida.
– Vamos parar para almoçar, Shizuo. – disse Tom – O próximo cara mora praticamente do outro lado da cidade, vamos aproveitar que já estamos perto de um restaurante.
– Claro.
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Shizuo chegou em casa por volta das cinco e quinze, as cobranças no período da tarde haviam sido incrivelmente rápidas e ele ainda tivera tempo de passar no supermercado e comprar algumas coisas que estavam faltando. Pôs as compras sobre a bancada da cozinha e separou alguns ingredientes para fazer o jantar, guardou o resto em seus devidos lugares e foi tomar banho, demorando-se um pouco mais que o habitual embaixo do chuveiro. Vestiu as roupas já previamente separadas sobre a cama, uma cueca azul-marinho, calça comprida cinza escura e blusa azul clara de mangas compridas com gola pólo, um presente de sua mãe, nem sabia ao certo o porquê de ter escolhido essa roupa, mas se lembrava perfeitamente de sua mãe sempre dizendo que ele ficava lindo com aquela cor. Calçou um par de chinelos e voltou para a cozinha, se ocupando com o preparo do seu jantar que seria algo simples, um ensopado de carne com batatas e cenouras e uma porção de arroz, não era nenhum gênio na cozinha, mas sabia se virar muito bem. Lavou e cortou todos os ingredientes e pegou uma panela para cozinhá-los, mas antes que acendesse o fogo a campainha começou a tocar.
– Izaya? – ficou surpreso por encontrar o moreno ali àquela hora, realmente achou que ele só fosse dar as caras bem mais tarde.
– Por que a surpresa? Foi você quem me chamou aqui. – uma de suas sobrancelhas estava levemente arqueada e havia um pequeno sorriso cínico no canto dos lábios.
– Sim, mas, não achei que fosse vir agora. – conferiu as horas, 6:18 – Achei que só apareceria bem mais tarde.
– Tive um compromisso aqui em Ikebukuro. – deu de ombros e entrou no apartamento.
Não havia compromisso algum para aquela tarde, muito menos em Ikebukuro, mas o loiro não precisava saber disso. Havia realmente pensado em só chegar depois das nove, mas estava ansioso demais para esperar tanto.
– Compromisso, é? – estreitou os olhos enquanto se aproximava do sofá onde o moreno havia se sentado – Deve ter sido com alguém importante... pra você ter se arrumado assim. – Shizuo tentou soar indiferente, mas podia-se perceber uma certa irritação na sua voz.
Izaya arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto ao constatar que Shizuo havia ficado com ciúmes por ele ter se arrumado para se encontrar com alguém, mesmo esse alguém sendo o próprio loiro, mas em seguida franziu o cenho, ele não havia se arrumado! Bom, ele não estava usando suas roupas habituais, as calças jeans eram negras, assim como todas as outras, mas a blusa de mangas compridas que estava vestindo era vermelha com uma pequena abertura na gola para comportar três botões, que estavam abertos, deixando à mostra uma pequena porção da pele pálida e também não estava com o casaco que freqüentemente usava, ao invés dele estava com uma jaqueta de cor escura e o fato de ter demorado quase meia hora para escolher aquela roupa, não significava absolutamente nada.
– Por acaso está com ciúmes, Shizu-chan? – voltou a exibir um sorriso cínico.
– Tsc. Até parece! – resmungou irritado e voltou para a cozinha, obviamente sendo seguido pelo outro.
– Ownn... que gracinha você com ciúmes, Shizu-chan! – falou debochado.
– Calado, verme! Antes que eu resolva te quebrar a cara! – acendeu o fogo sob a panela e pôs um pouco de óleo para refogar a carne.
– Oh, Shizu-chan vai exibir seus dotes culinários! Está tentando me impressionar? – o tom cínico e irritante fez com que uma veia começasse a pulsar na testa do loiro.
Shizuo fechou os olhos e respirou fundo, tentando ignorar o informante e se concentrar na carne que estava dourando na panela. Todo o preparo do jantar foi assim, Izaya fazendo comentários debochados, Shizuo o xingando, Izaya rindo ironicamente e vez ou outra tendo que se esquivar de alguma panela ou outro utensílio que o loiro jogava em sua direção.
– Até que não está ruim. – comentou o moreno depois de pôr a primeira garfada na boca.
– Ninguém está te obrigando a comer! – o loiro retrucou irritado.
– Foi um elogio.
– Ah. — Shizuo ficou um pouco sem jeito, não estava acostumado a receber elogios, mesmo estando disfarçado de ofensa, como era o caso. Murmurou um “Obrigado... eu acho” antes de se ocupar em comer também, fazendo o moreno sorrir divertido.
O resto do jantar foi feito em silêncio, um silêncio surpreendentemente agradável e incomum se tratando de quem eram. A sobremesa havia sido um generoso pedaço de torta de pêssego que o loiro havia comprado para si e teve que dividir com o outro com bastante má vontade. Izaya só comeu para irritá-lo, fazendo questão de deixar isso bem claro sorrindo cinicamente entre uma garfada e outra do doce.
– Nee, Shizu-chan... que tal provar algo bem mais gostoso agora? – sugeriu maliciosamente enquanto lambia os últimos vestígios da torta em seu garfo.
– Dispenso. – respondeu seco e lançou um olhar irritado para o devorador de tortas alheias.
Izaya riu da expressão emburrada do loiro. Jamais iria admitir em voz alta, mas achava fofo esse aspecto infantil da personalidade de Shizuo.
– Esse drama todo só por causa de uma tortinha de pêssego que nem estava tão boa?
O loiro não respondeu, apenas virou o rosto para o outro lado, parecendo estar prestes a fazer bico. Izaya sorriu, achando aquela expressão incrivelmente tentadora. Levantou-se da cadeira e foi até o loiro, sentando-se em seu colo de frente pra ele e com uma perna de cada lado.
– Se o problema é esse... – rodeou o pescoço do guarda-costas com os braços e se ajeitou melhor em seu colo – eu posso fazer algo bem mais gostoso. – sussurrou de forma provocante no ouvido do loiro e mordiscou levemente a ponta da orelha.
– Tipo o quê? – perguntou num tom falsamente desinteressado. A torta de pêssego havia perdido toda a importância no momento em que Izaya se sentou em seu colo, mas não queria dar o braço a torcer assim tão fácil.
– Muitas coisas. – deslizou a língua pelo pescoço de Shizuo – Mas você não parece muito interessado... – fez menção de sair do colo dele, mas foi impedido.
– Talvez você não tenha feito o suficiente pra eu me interessar. – mordiscou o pescoço do informante – Você pode fazer melhor que isso.
Izaya sorriu largamente ante o desafio, deslizou uma das mãos pelo abdômen coberto de Shizuo até a nuca, massageando brevemente aquela área antes de embrenhar os dedos nos fios loiros e puxá-los com força, ao mesmo tempo em que atacava os lábios do guarda-costas num beijo extremamente luxurioso com gosto de pêssego. As mãos de Shizuo foram para as coxas do moreno, apertando-as com força e puxando o corpo do informante para ainda mais junto do seu – se é que era possível – e depois subiu-as até o quadril de Izaya, fazendo-o mover-se sobre seu membro já bastante “animadinho”.
O informante usou a mão livre para acariciar o abdômen definido do loiro por baixo da camisa e estimulando brevemente os mamilos dele com as pontas dos dedos. Quando respirar se fez necessário, o beijo foi terminado com uma forte mordida no lábio inferior do loiro, seguida por uma chupada quase obscena no mesmo local. Shizuo gemeu e voltou a juntar seus lábios num beijo ainda mais lascivo que o anterior, respirar não era algo assim tão importante, não é mesmo? Izaya voltou a deslizar a mão pelo abdômen do outro, desta vez descendo-a até que ela adentrasse a calça do loiro, apertando o membro intumescido por cima da cueca.
– Então, Shizu-chan... – moveu os lábios para perto da orelha do loiro e deslizou a língua por ela – Foi o suficiente pra te deixar interessado?
A pergunta era retórica. Óbvio. Tanto que o loiro nem se deu ao trabalho de responder, ou melhor, não se deu ao trabalho de responder com palavras, começou a morder e a chupar com vontade o pescoço de Izaya, arrancando vários gemidos dele que já estava tão excitado quanto o guarda-costas. Apertou um pouco mais o quadril do moreno e se levantou com ele no colo, voltando a beijá-lo nos lábios enquanto começava a andar.
A intenção de Shizuo era ir até o quarto, mas não chegaram nem na metade do caminho. Por estar mais interessado nas sensações embriagantes que o beijo de Izaya lhe proporcionava do que no caminho até o quarto, o loiro acabou tropeçando em sabe-se lá o quê e caindo de costas no chão junto com Izaya. O informante riu alto vendo o loiro fazer uma careta, mais pela surpresa da queda do que por qualquer dor que poderia ter sentido. Shizuo ia mandá-lo engolir o riso antes que o fizesse engolir os dentes, mas a mão de Izaya novamente em seu membro o fez perder qualquer linha de raciocínio.
Izaya ergueu-se um pouco, ficando sentado sobre as pernas do loiro e abaixando a calça e a cueca do mesmo, fazendo a ereção pulsante saltar pra fora e deslizando a ponta dos dedos de baixo à cima antes de começar a masturbá-lo lentamente, mas pondo certa força nos movimentos, passou a ponta da língua pela glande e depois chupou, para só então descer ao redor do membro. Shizuo gemia a cada chupada mais forte em seu falo, Izaya era muito, muito bom nesse tipo de coisa e ficava incrivelmente sexy enquanto o chupava, era excitante vê-lo mover os lábios ao redor de sua ereção, deslizar a língua lentamente por todo o pênis e depois nos testículos e então voltar para o membro e recomeçar as chupadas, dando uma atenção especial à glande outra passando os dentes por ela, sempre com uma expressão extremamente pervertida no rosto e fazendo questão de gemer despudoradamente por saber que era atentamente observado pelo loiro.
Shizuo sabia que iria gozar a qualquer momento, já podia sentir o orgasmo se aproximando, estava quase... só mais um pouco e... Shizuo grunhiu num misto de irritação e frustração por não ter gozado. Izaya, quando percebeu que o loiro estava quase chegando ao ápice havia apertado fortemente a base do seu pênis, impedindo-o gozar.
– Seu verme desgraçado! – rosnou, vendo o moreno rir de forma sarcástica enquanto se levantava e começava a se despir lentamente, primeiro a jaqueta, depois a blusa, em seguida a calça juntamente com a cueca e as meias – os sapatos havia retirado assim que entrou no apartamento, afinal, ele era educado (quando queria).
Shizuo fez o mesmo, mas diferente do moreno, se despiu o mais rápido que suas mãos conseguiram, permanecendo deitado, apoiado nos cotovelos, seus olhos repletos de desejo e luxúria percorriam cada parte do corpo do moreno, parecia um animal selvagem prestes a devorar sua presa. Izaya tinha um olhar igualmente desejoso quando voltou a ficar sobre o loiro, beijando-o de forma lasciva por um bom tempo e depois descendo para o pescoço, fazendo uma trilha de chupões e mordidas até a virilha. Pegou um pequeno tubo plástico num dos bolsos da calça e abriu-o, despejando uma grande quantidade do conteúdo sobre a ereção pulsante do guarda-costas.
– Pra quê isso? Está com medo de não agüentar, é? – perguntou com uma sobrancelha erguida.
– Não é você quem vai ficar dolorido depois, é? – fechou o tubo e jogou-o num canto qualquer.
– Desde quando você se importa?
– Não me importo, mas tenho um compromisso amanhã e preciso pelo menos conseguir ficar de pé. – ficou sobre o quadril do loiro e posicionou o membro lambuzado de lubrificante em sua entrada.
Shizuo ia perguntar que tipo de compromisso e principalmente com quem, mas acabou esquecendo até o próprio nome quando o moreno desceu de uma vez sobre o seu membro. Nunca se cansaria daquela sensação extasiante que era estar dentro de Izaya, o moreno era tão apertado...
O primeiro movimento partiu de Izaya, ele se inclinou pra frente até conseguir beijar o loiro enquanto fazia alguns movimentos circulares com o quadril. Shizuo apertou com força as coxas do informante e subiu as mãos até seu quadril, incitando-o a subir e descer, no começo devagar e depois mais e mais rápido, num ritmo enlouquecedor para ambos, até Shizuo fazê-lo parar e inverter as posições. O loiro pôs as pernas do informante sobre os ombros e voltou a penetrá-lo com força, movendo-se rápido e estocando de forma cada vez mais profunda, visando encontrar um certo ponto em especial. Izaya gemeu alto quando sua próstata foi acertada pela primeira vez, ele entreabriu os lábios e arqueou um pouco as costas enquanto fechava os olhos com força por um momento. Quando o loiro viu que finalmente havia encontrado, passou a estocá-lo cada vez mais forte, sempre naquele ponto, fazendo Izaya se contorcer abaixo de si e impulsionar o quadril de encontro ao seu membro.
O som de seus gemidos roucos e carregados de luxúria mesclados ao som de seus corpos se chocando violentamente pareciam ecoar nas paredes do apartamento, o suor presente em seus corpos, o cheiro de sexo, tudo isso só servia para excitá-los e incitá-los a se empenharem cada vez mais naquele ato, embriagando-se naquele prazer carnal tão intenso e extasiante. Uma última estocada forte e profunda na próstata do moreno levou ambos ao orgasmo quase simultaneamente, o loiro praticamente desabou sobre o outro, respirando com certa dificuldade enquanto espasmos de prazer percorriam seus corpos ainda conectados.
Shizuo respirou fundo e saiu de dentro de Izaya, mas não se afastou, tomou os lábios do informante num beijo lento e rolou com ele para o lado, ficando com as costas no chão e o moreno sobre si, suas mãos deslizaram pelas costas suadas dele em uma carícia suave enquanto os dedos finos e ágeis do informante embrenhavam-se nos fios loiros. Ficaram assim por um bom tempo e quando o beijo acabou, Izaya apoiou a testa no ombro de Shizuo, suspirando cansado enquanto fechava brevemente os olhos e depois saindo de cima do loiro, levantando-se devagar.
– Vou tomar um banho. – avisou, dirigindo-se ao banheiro com passos incertos.
O loiro o observou se afastar, ainda permanecendo deitado no chão por um certo tempo até decidir se levantar, vestir novamente a cueca e recolher todas as peças de roupa espalhadas pelo chão, dobrando-as e as colocando sobre a cômoda de seu quarto. Separou algumas roupas confortáveis para dormir e pegou uma toalha limpa para si quando ouviu a porta do banheiro ser aberta e logo em seguida Izaya adentrou o quarto terminando de secar os cabelos com uma toalha e o corpo nu completamente à mostra.
– Gosta do que vê? – provocou, sorrindo de canto. Shizuo o olhou de cima à baixo, deixando a resposta um tanto óbvia e fazendo o sorriso de Izaya aumentar.
– Essas roupas são pra você. – apontou para as peças que havia separado e colocado sobre a cama.
– Quem disse que eu vou dormir aqui?
O guarda-costas franziu as sobrancelhas, parecendo u pouco confuso com as palavras do informante, mas depois deu de ombros.
– Faça o que quiser. – e foi tomar banho.
Minutos depois, quando o loiro voltou para o quarto parcialmente seco e com a toalha enrolada na cintura, encontrou Izaya vestido com as roupas que havia separado pra ele e todo esparramado em sua cama. Não demonstrou, mas ficou feliz por ele ainda estar ali. Jogou a toalha de qualquer jeito sobre a cama e começou a se vestir, só se dando conta da aproximação de informante quando este o puxou pela camisa, fazendo-o cair sentado no colchão, e sua surpresa só aumentou quando a toalha que havia largado sobre a cama foi jogada em sua cabeça.
– Sua mãe não te ensinou a secar os cabelos direito, Shizu-chan? Ou foi o seu cérebro minúsculo que não conseguiu aprender algo tão complexo? – falou em tom sarcástico enquanto secava os fios loiros. Shizuo ignorou a ofensa e aproveitou aquele gesto tão inusitado da parte do moreno.
Depois de secar os cabelos do loiro, o próprio Izaya se prontificou em levar a toalha molhada até a pequena área de serviço e estendê-la no varal que havia ali, exatamente como havia feito com a que usara e quando voltou, o loiro estava sentado próximo à cabeceira da cama com um pequeno embrulho verde e retangular nas mãos. Seu presente. Havia se esquecido completamente do motivo de ter ido ali.
– Oh, vamos ver o quão espetacular é o presente que Shizu-chan comprou pra mim! – disse com ironia, indo até a cama e pegando o embrulho das mãos do loiro.
Shizuo sabia que iria acabar se arrependendo por ter comprado aquele presente para Izaya, já podia até imaginar a infinidade de piadinhas que o moreno faria assim que visse o quão simples era o presente, isso logo depois de explodir em gargalhadas, claro. Viu-o desfazer o laço e rasgar o papel de embrulho e depois abrir a pequena caixa de papelão que havia dentro e se preparou para ouvir os insultos e as gargalhadas que com certeza viriam.
– ....
Nada. Izaya não riu e não disse uma palavra, apenas ficou olhando o conteúdo da caixinha. Shizuo achou estranho, óbvio, mas talvez, o moreno havia achado o presente tão ridículo, que entrou em estado de choque. O loiro achou melhor se antecipar a qualquer merda que fosse sair daquela boca e disse logo de uma vez o que tinha pra falar sobre o presente.
– Eu sei que esse presente é ridículo, eu não sabia o que comprar pra você e nem se deveria comprar algo, mas a Celty e o Tom-san ficaram me perturbando tanto com esse negócio... – coçou a nuca, completamente sem jeito por conta do assunto – Acabei passando em frente a uma vitrine e vi um desses – apontou para o presente –, me lembrei que você estava com um desses no primeiro ano quando eu fui te arrebentar, você desviou e eu acabei destruindo tudo o que tinha encima da sua mesa. – concluiu, já esperando ouvir o riso sarcástico e escandaloso do outro, mas ele continuava observando o objeto.
Izaya se lembrava daquele dia. Estava saindo para o colégio quando viu o pacote que havia chegado pra si, poderia muito bem ter voltado para dentro de casa e o guardado em seu quarto, mas seus pais haviam resolvido agir como “uma família feliz e perfeita” naquela manhã e nada no mundo o faria voltar pra lá antes que eles tivessem saído para o trabalho, colocou o pacote dentro da bolsa e seguiu para o colégio. Como sempre, a primeira coisa que fazia quando chegava lá era provocar Shizuo um pouquinho, apenas para começar o dia, e sumiu das vistas do loiro, deixando-o espumando de raiva, depois disso assistiu algumas aulas sem o mínimo interesse e só abriu o pacote na hora do intervalo para o almoço, que ele sempre passava sozinho em uma das salas vazias do segundo andar, lá era um ótimo lugar para observar os outros alunos no pátio. Dentro do pacote havia um globo de neve, sua avó paterna o havia mandado, quando achava algum interessante ela sempre lhe enviava. Izaya não era muito próximo de nenhum familiar, mas se dava bem com a avó, ela era parecida com ele por gostar de observar, mas não necessariamente humanos, ele tinha pouco mais de cinco anos quando demonstrou um ínfimo interesse pelo objeto durante um passeio e desde então ela costumava lhe presentear com alguns, dando início a uma coleção.
O moreno nunca teve um real interesse em colecionar aqueles objetos, mas também não desgostava, eles tinham uma certa peculiaridade devido ao gosto um tanto exótico – e muitas vezes estranho – de sua avó. Enfim, Shizuo acabou o encontrando naquela sala e arremessou o armário que ficava num canto em sua direção, conseguiu desviar facilmente, claro, mas suas coisas não tiveram a mesma sorte, incluindo o globo de neve.
Tinha razão sobre o presente de Shizuo ser realmente algo ridículo, mas não estava com vontade de rir, na verdade, achou até bonitinho o loiro ter se lembrado daquilo, e a imagem no globo era até interessante, uma representação em miniatura de Ikebukuro.
– É um presente ridículo mesmo, Shizu-chan. – balançou o globo, fazendo nevar na mini-cidade – Obrigado.
Shizuo ficou surpreso, ou melhor, chocado. Izaya havia realmente gostado? Ou será que aquilo era um outro nível de ironia? Provavelmente a segunda opção.
– Por que está me olhando com essa cara, Shizu-chan? – achou graça da expressão confusa do outro – Não me diga que o seu minúsculo cérebro acabou de dar curto circuito?
– É provável. – respondeu, ainda confuso. Izaya riu e deixou o corpo cair pra trás, sacudindo novamente o objeto e vendo os pequenos flocos brancos caírem.
– Isso é sério? Nenhum insulto? Você realmente não vai fazer nenhuma piadinha? – o loiro ainda estava achando aquilo bem difícil de acreditar.
– Você quer que eu faça? – arqueou uma sobrancelha e abriu um meio sorriso sarcástico.
– Não. – Shizuo achou melhor parar de perguntar antes que ele resolvesse falar merda.
O guarda-costas levantou-se e apagou a luz, logo voltando para a cama e deitando-se ao lado do moreno antes de puxar o edredom e cobri-los. Assim que fechou os olhos sentiu Izaya se aproximar mais de si e depositar um singelo – quase carinhoso – beijo em sua bochecha, como uma espécie de agradecimento. Sentiu seu rosto esquentar e agradeceu mentalmente pelo quarto estar completamente escuro, do contrário, as piadinhas do informante seriam inevitáveis.
Mal sabia ele que o rosto de Izaya estava tão ou ainda mais corado que o dele.
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