Notas iniciais
Olá! Como vocês estão? _ Obrigada por todos os comentários e favoritos _ Leitores novos sejam muito bem vindos _ fantasminhas apareçam 1) História tá de capa nova! Feita pela linda da Laís que é leitora e designer da Sailor Edições, muito obrigada minha linda! 2) Capítulo dedicado a Dellarousse porque ela recomendou a história. SEGUNDA recomendação!!! *O* OMFG! Obrigada, você me deixou muito feliz! Boa leitura

– Então Sr. Walker, o que te trouxe até aqui? – disse enquanto pegava seu bloco e a caneta para fazer anotações.

– Me chame de Cameron, não me faça me sentir um velho Sra. Carter. — O homem a sua frente riu levemente. Ele a encarava sustentando um sorriso brincalhão no rosto.

– Ser velho às vezes tem suas vantagens. – Ela lançou a frase em tom de piada, porém existia uma verdade oculta na sentença.

– Por exemplo? – disse arqueando levemente uma das grossas sobrancelhas.

– Por exemplo, saber que existem pacientes que adoram jogar piadinhas e perguntas retóricas para fugir do verdadeiro motivo de estar dentro dessa sala. – ela disse debruçando-se levemente sobre sua mesa, mas pronunciava cada palavra ainda como uma brincadeira. – Não sei lhe informaram, mas as sessões são pagas, não sou um serviço público, a menos que queira ficar falido acho bom começarmos com o que interessa.

Cameron afundou o corpo ainda mais na poltrona, fitando atentamente todos os movimentos da mulher à sua frente. Traços do sorriso travesso ainda estavam em seu rosto.

– Tudo bem, por onde começamos?!

– Pelo motivo que veio até aqui, você aparentemente não se porta como alguém que precise dos cuidados de um psiquiatra.

Ele riu amargo.

– Realmente não preciso, mas é melhor do que ir preso, não concorda? – dizia como se aquilo fosse algo banal.

– Nesse ponto eu acredito que sim. – ela disse com um leve sorriso no rosto que logo se desfez. – Então Walker, o que você fez para vir parar aqui? – pergunta ajeitando o corpo em sua cadeira, retomando a postura estritamente profissional.

– Leia a minha ficha. – respondeu simplesmente.

Anna sorriu divertida, adorava aquele tipo de pacientes: os relutantes. Particularmente amava quando as pessoas se apresentavam assim, acabavam lhe proporcionando algumas horas diversão.

– Não tenho tempo para analisar as fichas agora, preciso te ouvir e dar algum diagnóstico se quer que eu lhe ajude. – falou olhando diretamente nos olhos dele, precisava ser dura com se quisesse algum resultado. – Caso contrário, posso ligar para polícia agora mesmo.

Ela já estendia a mão para tirar o telefone do gancho quando Cameron suspirou, dando-se por vencido.

– Tudo bem. – disse sem ânimo, a voz começando a mudar para um timbre mais calmo e triste. – tudo começou quando eu tinha dez anos.

***

As nuvens pesadas e cinzentas tornavam o dia triste e frio, era quase como se o clima refletisse o humor do pequeno menino que brincava com seus caminhões de madeira.

Ele estranhava o silêncio que pairava, assombrando o local. Geralmente a fazenda era um local alegre e movimentado o dia inteiro. Os funcionários correndo pra lá e pra cá cuidando dos preciosos barris de seu pai, as empregadas que passavam o dia no celeiro que fora transformado em refeitório para que todos tivessem um local para almoço e descanso, e nos fundos do terreno havia uma pequena casa de pedra coberta por plantas, onde ele e a mãe costumavam ficar para fugir da bagunça entorno da Grande Casa.

Hoje, era como se todas aquelas pessoas tivessem simplesmente evaporado.

A única explicação que recebera para tal fato foram as poucas palavras de seu pai.

– Nossos barris estão ficando escassos, precisamos encontrar mais deles. E para isso teremos que nos mudar para a cidade grande. – a frase ecoava em sua mente. Ele tentava achar um sentido plausível para tudo aquilo.

Não queria ter que largar o lugar onde, desde o pouco que se lembra, passara quase toda sua vida até o dado momento.

Passado alguns poucos minutos, Soledad, sua velha babá veio buscá-lo. Como era de costume, ela o mandou ir tomar banho e vestir-se enquanto ela, no andar de baixo, preparava o lanche para ele. Quase ao fim da refeição, seu pai passou pela porta, adentrando o cômodo em direção ao pequeno menino.

– Está na hora de irmos. – ele disse seco.

A criança terminou de tomar seu copo de suco e andou atrás da figura corpulenta de seu pai até a grande caminhonete que carinhosamente chamava de “elefante negro”, simplesmente por ser enorme como um elefante, pelo menos para alguém do tamanho dele.

Ao perceber que o pai dera a partida no veículo, ele se dirigiu ao mesmo.

– Cadê a mamãe? – perguntou estranhando o fato de ela não estar os acompanhando.

– Ela irá nos encontrar depois. Ela vai cuidar da mudança dos móveis primeiro. – respondeu simplesmente sem nem se dar ao trabalho de olhar para o filho.

***

– Nunca mais vi a minha mãe. – a tristeza exalava em sua voz, era visível que estava à beira das lágrimas. – Durante alguns anos, me fizeram acreditar que ela ainda estava cuidando de alguns assuntos da família, depois que cresci mais um pouco entendi que ela nunca voltaria. Quando fui tirar satisfação, meu pai disse que ela tinha fugido com outro. Mais uma grande mentira.

Mágoa, ódio e tristeza exalavam da voz falhada de Cameron.

Anna anotava tudo que achava relevante e começava a encaixar as peças, mas ainda estava muito longe de completar o quebra cabeça. Fez mais algumas perguntas sobre as memórias de infância, como era sua rotina entre outros detalhes daquela época.

– Desculpe, mas nosso tempo acabou, continuamos na semana que vem, dessa vez eu vou ter lido as fichas.

– Tudo bem.

Cameron levantou-se da poltrona e dirigiu-se rapidamente à porta, porém hesitou alguns instantes antes de sair da sala. Ele virou-se e novamente aquele sorriso debochado estava estampado em seu rosto.

– Agora que eu me lembrei, desculpe por te fazer cair mais cedo. – ele ria.

– Então foi você?! – ela não pôde deixar de rir junto.

– Sim, mas estava fugindo, não estava nas melhores condições para te ajudar. – deu de ombros.

– Bem, esse fato muda completamente a situação, está desculpado. – disse sem se importar muito. Estava concentrada em arrumar a papelada em sua mesa.

– Até mais. – disse saindo da sala fechando a porta atrás de si.

– Aleluia! Pensei que ele não iria embora!

A voz pegou Anna desprevenida que soltou a resma em sua mão, fazendo com que as folhas voassem por toda sala.

– Como entrou aqui? – perguntou enquanto respirava fundo, acalmando-se.

– Pela janela. Estava sentada no batente ouvindo tudo.

– E não se preocupou de alguém te ver? – Anna arqueou uma das sobrancelhas.

– Magia da névoa minha querida. – disse rindo.

– Esqueci que você não faz a linha do “mantenha a descrição”. – disse em tom debochado, revirando os olhos.

– Não, e você também podia ser menos careta. Qual a graça de ser o que somos, com tantos poderes e vantagens se não podemos usufruir nem um pouquinho? – perguntou fitando atentamente o rosto da mulher a sua frente.

– A diferença Moira, é que você escolheu ser o que é. Eu fui forçada, o que muda completamente nosso ponto de vista sobre o assunto. – disse seca.

– Desculpe falar isso, mas se você odeia tanto o que é, porque ainda não deu um fim nisso? – disse enquanto pegava um dos enfeites da mesa e brincava com ele.

– Você acha que já não tentei? – ela soltou uma risada seca. – Acontece que sou covarde demais. E, além disso, agora uns assuntos pendentes resolveram dar as caras.

– Vladimir?

– Sim. – disse jogando o envelope para a mulher a sua frente. — Isso aqui chegou hoje de manhã.

Moira leu atentamente as palavras, dava para reparar a tensão percorrer seu corpo e apoderar dela.

– Ele está aqui?

– Não acredito. – disse enquanto recolhia os papeis e seus pertences, organizando-os. – Vladimir não é discreto, se ele estivesse na cidade já teriam aparecido evidências. Mas ele está vindo, ele não é de fazer ameaças e voltar atrás.

Moira assumiu um semblante pensativo, o que raramente acontecia. Sabia que aquele nome não era qualquer nome. Mesmo antes de Anna contar toda sua história, soube por outros sobre Vladimir. O mesmo frio na espinha que sentiu ao lhe contarem sobre ele, tomou conta de cada centímetro de si.

– E nós faremos o que? – perguntou ainda séria.

– Eu ficarei, se quiser ir para algum lugar... – disse indiferente, deixando o resto da frase pairando como no ar, esperando que a ruiva a completasse.

– Ficar? Não é essa a Annabel que conheci. Desde quando quer enfrentar o Rei?

– Desde que descobri que uma das pessoas mais importantes pra mim corre perigo, preciso salvá-lo. – disse, a raiva começava a soar em sua voz. Nunca imaginou que teria de enfrentar todos os seus medos de uma vez só.

– Se é assim, vou ficar do seu lado. – disse lançando um sorriso reconfortante para a morena.

Anna suspirou lentamente.

– Depois nós discutiremos esse assunto.

Encerrando o assunto de vez, a mulher pegou todos os papéis que precisava levar para análise e as cartas, incluindo o envelope negro e saiu de sua sala.

***

O silêncio dominava o lugar, massacrando-o. Cada segundo parecia uma eternidade, o que era de certo modo cômico, devido à sua situação. O único som era o dos insetos e de uma família de ratos que vivia dentro de uma das paredes e das correntes quando esporadicamente se movimentava. Não fazia ideia de onde estava, devia estar há dias trancafiado naquele cômodo.

Estava fraco, a sede o dominava, sua garganta parecia estar em chamas, seus olhos já deviam estar mais do que negros.

O Barulho de passos ecoou do outro lado da porta. A mesma se abriu com um rangido.

– Liev. – ao som de seu nome, direcionou seu olhar para a figura imponente à sua frente. Arrependeu-se na mesma hora.

Ao mesmo tempo em que seus olhos bateram na taça que o homem carregava, o cheiro adocicado e metálico invadiu suas narinas.

Por mais que tentasse não demonstrar sinal de fraqueza na frente de ninguém, era impossível conter-se.

Sua gengiva formigou incontrolavelmente, os caninos alongaram-se rapidamente, as veias – quase secas – de seu corpo saltaram, como uma súplica muda.

O homem a sua frente riu com desdém.

– Ah, que desfeita a minha. Servido? – sorriu ao passo que se aproximava cada vez mais de Liev, a taça estendida à sua frente.

Passou lentamente a taça perto do rosto do prisioneiro. Seu corpo começou a tremer, não conseguia mover-se, sua visão já estava nublada. A necessidade, o desejo de sangue o controlava.

– O que a sede não faz. – disse o homem, divertindo-se com a cena. – Transforma o mais integro homem no mais primitivo dos animais. Patético.

– Por favor. – disse com dificuldade. – Devolva minha filha, nós ficaremos presos e ela virá até você, não precisa fazer ninguém sofrer.

O homem rondava a figura semiconsciente, o sorriso cada vez maior em seu rosto.

– Eu sei, mas desse jeito é mais divertido, torna o espetáculo muito mais interessante aos meus olhos.

– Vladimir, por favor, pelo menos deixe minha filha fora disso. – suplicou.

– Fique calmo meu amigo, ela é só uma isca. Logo ela estará livre.

Liev suspirou levemente, fechando os olhos. Ouviu o barulho de chaves e então o peso de um de seus braços caindo, pendendo livre. Uma dor misturada com alívio tomou conta de seu corpo e não pôde deixar de sorrir levemente.

– Tome.

Ao ouvir a ordem assustou-se. O homem estendia a taça de sangue em sua direção, oferecendo-a. O encarou alguns segundos para certificar-se de que não se tratava de alguma piada. Vladimir não era misericordioso, não costumava praticar bondade gratuitamente.

– Tome! – disse mais enérgico dessa vez.

Liev prontamente obedeceu a ordem e tomou o objeto das mãos de Vladimir, levando o mesmo a boca, ávido por cada mísera gota de sangue que pudesse desfrutar. Na metade da taça uma dor agonizante apoderou-se dele, fazendo com que a largasse e a mesma que se estilhaçou em mil pedaços, espalhando vários goles do denso líquido vermelho pelo chão.

Percebeu então que o quarto ficara subitamente claro, podia sentir o feixe de luz e calor diretamente em suas costas, e na mesma rapidez com que a luz o invadiu o local, ela desapareceu.

Vladimir gargalhava sem o mínimo de piedade.

– O sol. Como ele dói, nos dilacera, trucida sem pudor. Com ele não há lugar para criaturas da noite como nós. Mas em breve a situação irá mudar, graças a sua querida Annya.

Liev ainda contorcia-se de dor, toda parte de trás de seu corpo estava em carne viva. Mais alguns segundos exposto e não conseguiria regenerar-se completamente, viraria pó. Toda a força que a metade da taça havia lhe proporcionado, se esvaia para regenerar o corpo. Parte das lágrimas que rolavam por seu rosto, eram devidas a dor, a outra parte clamava para que Annya estivesse a salvo.

– Realmente essa é uma cena muito linda, mas tenho preparativos para cuidar. – Ele disse retomando a pose superior que sempre carregava. – Caso sinta sede, tudo que precisa fazer é lamber o chão. Acredito que isso é suficiente para você.

E então ele virou as costas e retirou-se do local, trancafiando Liev novamente na mais completa escuridão.

Notas finais
Estou com uma nova história, gosteria de ver vocês por lá, é um romance policial e tals. Burning - http://fanfiction.com.br/historia/562804/Burning/