Notas iniciais
Ólá! Como vocês estão? Espero que bem! _ Muito obrigada por todos os comentários, acompanhamentos e favoritos. _ Leitores novos sejam muito bem vindos. _ Fantasminhas, apareçam por favor!!!! Quero dedicar esse capítulo para a Victoria Martell por ter recomendado a fanfic! Foi minha primeira recomendação e o fato de ter sido com poucos capítulos postados significa muito pra mim! Obrigada minha linda! *O* Boa Leitura

Manhã de quinta-feira, 29 de março – Nova Iorque

– O que aconteceu? – perguntou com a voz falhada.

– Estão atrás dele. – respondeu simplesmente.

– Por quê?

– Você – Charlotte falou com um sorriso amargo no rosto.

– Como assim? – disse sem entender.

– Simples, por causa dessa ridícula lenda urbana que criaram em cima da minha família, Vladimir e sua trupe de idiotas vieram atrás de nós. – disse. A raiva exalava em sua voz. – Acharam que você estaria por perto. Acontece que não. – riu sem vontade. – Ninguém fazia a mínima ideia de onde você estava. Achavam que estávamos te acobertando, vi minha família ser destruída, dizimados um por um... Simplesmente porque você não estava conosco.

Lágrimas pesadas deslizavam pelo rosto da menina e caíam no lençol de algodão, lentamente encharcando-o.

Anna estava desolada, o que será que havia acontecido com Liev? Claro que ela temia o pior considerando o estado em que Charlotte havia chegado a sua casa. Ao pensar nessa hipótese sentiu um forte aperto no peito.

– Desculpe-me por fazer vocês passarem por isso, eu não tinha a mínima ideia de que isso estava acontecendo. – falou num fio de voz.

Ela fugira. Liev havia a acobertado na época, desde então o único contato com o amigo fora a carta que ele enviara com a foto de Charlotte e o que andava fazendo da vida. Mal podia acreditar que a procuravam, que ainda tinham interesse nela, que ainda acreditavam que estava viva.

O que ele queria com ela? Depois de séculos ele ainda alimentava aquela obsessão doentia?

– Você não tem culpa de nada, todos pensavam que a rainha estava morta.

Anna se encolheu com a frase da menina. Rainha... Odiava com todas as suas forças essa simples palavra. Diferentemente de quase todas as meninas e mulheres, nunca admirou ou sonhou em ter esse título, pelo menos não depois de se tornar o que é.

Costumava admirar a realeza, mas daria tudo que tinha para estar descansando a sete palmos abaixo da terra junto de toda sua família a possuir aquele título imundo, ilegítimo.

– Espero que voltem a pensar assim.

Charlotte riu.

– Sabe que não vão soltar meu pai até você se entregar, não sabe? – perguntou olhando fixamente para a mulher a sua frente o olhar duro e triste.

– Onde ele está?

Charlotte abriu a boca para responder, mas no mesmo instante o celular de Anna tocou. A menina crispou levemente os lábios devido à interrupção.

– Alô? Ah, Bom dia Joe. – falou com o homem do outro lado da linha. – O que? Me dá cinco minutos e já chego aí.

Desligou o aparelho e o jogou dentro da bolsa. Suspirou aliviada por ter o hábito de se arrumar cedo, sempre que aconteciam imprevistos já estava preparada, pronta para agir.

– Charlotte, eu sinto muito, mas um paciente meu chegou mais cedo e está ameaçando degolar a faxineira, preciso correr.

– Tudo bem.

Dito isso Anna saiu quase correndo do apartamento.

Ao constatar que estava completamente sozinha e inteiramente longe do campo auditivo de sua anfitriã, Charlotte levantou-se da cama e revirou o apartamento atrás de suas roupas.

Encontrou-as na lavanderia. Colocou uma das mãos dentro do bolso da calça jeans e sacou de lá um pequeno retângulo de metal.

Discou rapidamente o número e levou o aparelho à orelha.

– Eve, sou eu. Já estou com ela. – disse. – Sim, vou levá-la o mais rápido que puder.

Desligou o aparelho e apagou do histórico a ligação.

Levou o dedo indicador aos lábios, tamborilando o mesmo contra a carne macia enquanto decidia o que iria fazer em seguida.

Andou até a sala e ligou a TV. O jornal da manhã exibia novamente a noticia sobre sua aparição.

– Ótimo! – bufou. – Estou virando celebridade de novo.

Revirou os olhos.

Antes de desligar o aparelho, pode ver que uma foto sua estava estampada na tela.

Com isso, resolveu qual seria sua atividade do dia.

***

Estava a duas quadras do prédio comercial.

Andava alheia às pessoas à sua volta, seus pensamentos ecoavam as palavras de Charlotte.

Porque depois de todos esses anos? Achava que estava bem escondida, que nunca mais a mancha negra do passado a tocaria.

É claro que tinha sido mais do que ingênua. Para alguém imortal, tempo não significa nada. Quase duzentos anos eram mais que suficientes para encontrar uma única pessoa no meio de bilhões.

Ficou dividida entre a vontade de salvar Liev e o alerta que soava em sua cabeça, mandando-a sair daquele lugar o mais rápido possível e arrumar um novo para se esconder.

Em meio a tantos pensamentos embaralhando-se em sua cabeça, foi pega de surpresa. Só teve tempo de raciocinar que algo havia se chocado contra seu corpo e então estava no chão.

Por um segundo seu corpo se enrijeceu, achou que era um dos capangas de Vladimir, foi então que se deu conta que eram oito da manhã era completamente impossível eles andarem em plena luz do dia. Suspirou aliviada.

Levantou o rosto e viu que um homem a observava.

Não conseguiu descrever mentalmente a figura parada diante de si em todos os mínimos detalhes, pois, ao constatar que ela estava bem, ele levantou os braços na altura dos ombros, as mãos espalmadas em um gesto de quem se desculpa, virou-se e saiu correndo em disparada Central Park adentro.

Levantou-se, espanando com as mãos a sujeira de seu vestido.

Poucos minutos depois já estava passando pela porta de vidro do prédio.

– Bom dia, Joe!

– Bom dia, Srta. Carter, suas correspondências. – o porteiro disse sorridente enquanto entregava um bolo de cartas para a mulher.

– Obrigada. Onde está Mary Ann? Vim o mais rápido que pude.

– Os enfermeiros conseguiram imobilizá-la e a faxineira está bem. Estão esperando-a em sua sala. Tomei a liberdade de abrir para eles.

– Tudo bem, fez o certo. Obrigada Joe. – disse dando um beijo na testa do velho e logo em seguida dirigindo-se ao longo corredor, onde no final encontravam-se os elevadores.

Esperou junto um pequeno aglomerado de pessoas um dos elevadores chegar ao térreo.

Bufou levemente.

Quando tudo parecia ter se acertado, a represa resolveu ruir.

Seu melhor amigo estava sendo feito de refém. E por mais que tentasse negar o fato teria que abandonar sua família.

Família... Ainda era um pouco estranho o som dessa palavra, mas era essa a definição em que se encaixava Joe. O adotara como seu novo pai e para ele Anna era como uma filha. Natal, Ano Novo e todas essas comemorações banais que os humanos usavam para se reunir com os entes queridos, ela passava junto a Joe a família dele. Era muito bem recebida e sempre a faziam sentir-se em casa.

Não queria ter que abandoná-los sem uma explicação plausível.

Mas esse era o preço de ser quem era, estava condenada a viver na solidão.

Após longas e caóticas horas, finalmente Anna tinha alguns minutos sozinha antes do paciente das 13h chegar.

Pegou o bolo de envelopes e começou a ler as cartas, separou as que eram contas, das poucas que alguns pacientes reabilitados enviavam esporadicamente contando o que andavam fazendo da vida depois de passarem pelas “mãos milagrosas” de Anna, como costumavam dizer.

Uma das cartas lhe chamara atenção, o envelope era negro e não continha nada escrito, nem na frente, muito menos no verso.

Rasgou com cuidado a borda do papel e puxou a folha dentro dele. Sua cabeça pesou, o peito apertou. Estava começando a juntar as peças e perceber o que estava por vir.

O envelope negro, a folha amarelada e de material caro...

Tinha certeza de que ao desdobrar o papel encontraria uma caligrafia perfeitamente trabalhada.

Respirou fundo algumas vezes e leu o conteúdo da carta.

Estou mais próximo do que pensa minha querida.

Em pouco tempo estaremos juntos novamente.

E não se preocupe com Liev, estamos tratando-o como ele merece.

Até breve.

Vladimir

Sentiu as lágrimas rolarem pesadas por seu rosto. A situação cada segundo mostrava-se pior do que pensara. Eles já sabiam onde estava, deviam estar a vigiando há meses e não percebera. Não havia mais escapatória.

Antes que pudesse se recompor, ouviu passos adentrarem sua sala.

– Anabel! Mia Cara!

– Oi Moira.

Moira era uma das amigas de Anna. A conhecera durante sua breve estadia na Itália. Quando a mulher descobriu a verdadeira identidade de Anna, – ou parte dela – resolveu que queria ser uma deles também. Como havia recusado veementemente realizar o pedido, Moira procurou Lorenzo, um vampiro italiano e conseguiu realizar seu desejo. Desde então ela viaja o mundo junto com Anna, que insistia em chamar de Anabel por causa de suas raízes italianas.

– O que houve?

– Nada, só lembranças. – disse limpando as lágrimas do rosto.

– Então pode tirando essa carinha do rosto, porque tenho ótimas notícias! – disse enquanto largava o corpo na enorme e macia poltrona de couro, onde os pacientes de Anna ficavam acomodados durante as sessões.

– E que noticias seriam essas? – Perguntou tentando fingir animação, mas tinha que admitir que estava sentindo-se um pouco melhor com a presença da ruiva ali na sala.

– Megan conseguiu descolar uma mesa no Humpfrey’s. A melhor de todas. – ela dizia gesticulando com os braços, os olhos azuis brilhando de empolgação – E não é tudo, hoje tem apresentação de calouros.

– É sério isso?! – perguntou com um sorriso verdadeiro no rosto. A mulher realmente tinha o dom levantar o ânimo de qualquer um.

– Mais sério impossível.

– A reserva é pra 20h amanhã. Ouvi dizer que é um carinha que vai tocar, espero que seja bonito pelo menos. – Moira respondeu mordendo levemente os lábios e rindo logo em seguida.

Anna não se conteve e riu junto.

Bateram na porta.

– Entre.

– Hm, sou o paciente das 13h horas.

Anna olhou rapidamente para Moira, tentou segurar a risada ao perceber que a amiga estava de queixo caído, vidrada na figura do homem que entrou na sala.

Enquanto ele avançava a passos lentos até a mesa de Anna, ela reparou atentamente nele.

Era alto, de pele bem clara. Seus cabelos castanhos e desgrenhados iam até pouco abaixo das orelhas e uma franja caía cobrindo um pouco das grossas sobrancelhas, os olhos eram de um tom intenso de castanho, no rosto carregava traços fortes e definidos junto com algumas linhas de expressão. A figura em si, lhe era vagamente familiar.

Ele depositou um envelope pardo em cima da mesa de Anna.

– Minha versão dos fatos. Não confio totalmente na polícia.

– Tudo bem. Sente-se para começarmos, por favor, senhor...

– Walker, Cameron Walker.

– Senhor Walker, perdoe-me não consegui ler sua ficha.

– Sem problemas.

– Moira?

– Hã? O que? – Ela acordou de seu estado de transe. – Ah sim, já estou saindo. Até amanhã Anabel. – Disse já se direcionando para a porta.

Rapidamente o homem tomou seu lugar na poltrona de frente para a morena.

Antes de fechar completamente a porta Moira soltou um “Gostoso” mudo para Anna, fazendo com que a amiga abrisse um sorriso como quem queria gargalhar e não podia devido à situação.

Contou mentalmente até dez enquanto abria todos os envelopes e fichas relacionados a Cameron e esvaziou a cabeça para se concentrar na tarefa de dar o melhor de si para ajuda-lo, varrendo para o fundo de sua mente todos os problemas que a afligiam.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Vejo vocês nos comentários. Beijoooos ;*