Noite das Abóboras Vivas
2 A Vingança do Purê
A música voltou a pulsar, agora com um remix de Thriller tocado por um DJ que jurava ser o fantasma de Beethoven. Genbu e Kiki dançavam no centro da Casa de Áries, ignorando o cheiro de abóbora queimada que ainda pairava no ar. O elmo de isopor de Genbu finalmente caiu, rolando até parar aos pés de Shun, que o usou como vaso para uma planta carnívora que ele trouxe de presente (ninguém perguntou de onde).
— Acho que vencemos o Halloween — Kiki disse, girando o namorado com uma graça surpreendente para alguém carregando uma chave-inglesa de 3kg.
— Vencemos? — Genbu ergueu uma sobrancelha. — Eu ainda tô com cipó na meia. Isso aqui é tipo herpes vegetal.
Foi quando a segunda abóbora rolou.
Não era uma abóbora comum. Era maior. Tinha cicatrizes de faca antigas, como se tivesse sobrevivido a vários Halloweens. E, em vez de olhos, tinha dois buracos negros que pareciam sugar a luz. Ela parou bem no meio da pista de dança. A música parou de novo. Até Beethoven parecia assustado.
— IRMÃZINHA... — a abóbora falou com uma voz que era um coro de mil tortas rejeitadas. — VOCÊS MATARAM MINHA IRMÃZINHA.
Kiki apertou a mão de Genbu.
— Genbu-senpai... ela tá falando português de padaria. Isso é mau sinal.
A abóbora abriu a boca. Dela saiu um purê vivo. Um tsunami de laranja viscoso que se ergueu como uma onda, formando um rosto demoníaco com dentes de cravo.
— EU SOU A MÃE DE TODAS AS ABÓBORAS. E HOJE É DIA DE PURÊ COM CARNE.
Os cavaleiros entraram em pânico. Ikki tentou queimar o purê com Phoenix Genma Ken, mas o fogo só fez o purê fritar e cheirar a bolo de cenoura. Seiya tentou socar, mas afundou até o cotovelo.
— KIKI! — Genbu gritou, já sendo engolido pelo purê até a cintura. — IDEIA!
— JÁ SEI! — Kiki respondeu, mas dessa vez não tinha sal grosso.
Ele olhou em volta. Viu a mesa de doces. Viu o ponche. Viu... o liquidificador industrial que Mu usava para fazer suco de cosmos.
— Genbu-senpai, me joga!
— O QUÊ?!
— CONFIA EM MIM!
Genbu, com o pouco de força que restava, usou as toneladas como alavanca e arremessou Kiki por cima do purê. O aprendiz voou, lençol esvoaçante, LEDs piscando em modo SOS. Ele aterrissou direto no liquidificador.
— MODO SMOOTHIE DEMONÍACO, ATIVAR!
Kiki ligou o aparelho. O purê, atraído pelo movimento, começou a ser sugado para dentro. A Mãe Abóbora gritou:
— NÃO! EU SOU O RECHEIO PERFEITO!
Mas era tarde. O liquidificador engoliu tudo. Em segundos, o que era um monstro de purê virou... um smoothie laranja com pedaços de cravo boiando.
Kiki desceu do liquidificador, suado, com um copo na mão.
— Quem quer vitamina de abóbora com toque de inferno?
Genbu, agora livre, cambaleou até ele.
— Você... é louco.
— Louco por você — Kiki piscou, oferecendo o copo.
Genbu tomou um gole. Fez uma careta.
— Tem gosto de torta queimada e arrependimento.
— Perfeito pro Halloween.
A música voltou. Os cavaleiros aplaudiram. Alguém gritou “É SÓ O MU DE NOVO!” e todos riram.
Mas, no canto da sala, uma terceira abóbora... sussurrou.
— Vocês acham que acabou? Eu sou a Vovó Abóbora. E trago recheio de nozes.
Kiki e Genbu se entreolharam.
— Amor...
— Eu sei.
— Fugir?
— Fugir.
Eles saíram correndo, de mãos dadas, enquanto a Vovó Abóbora começava a tricotar um suéter de cipós com agulhas feitas de talos.
Porque no Santuário, o Halloween nunca acaba.
Fim... por enquanto.
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