Notas iniciais
Primeiro capítulo ~GoGo! Espero que gostem :3

Ela corria, sem olhar para trás, corria o mais rápido que conseguia, mas não chegava a lugar algum. Onde ela estava indo mesmo? No momento, isso não importava, Claire sentia que deveria continuar correndo. Sua delicada sapatilha afundava a cada passo, e seu pé se enchia de lama. Mas ela não se permitia parar nem sequer para tira-las.

À medida que ia avançando, Claire observava ao redor. As altas árvores que a rodeavam, pareciam assustadoras na escuridão que preenchia aquela floresta sem fim. Sons indecifráveis quebravam o silêncio mortal, sons de animais, talvez. Ou não?

A exaustão começava a tomar conta, e Claire ficava cada vez mais assustada. Ela não podia parar, não sabia por que, apenas, não podia. Sem enxergar nada a sua frente, ela tropeçou em algo e rolou no chão cobrindo seu longo vestido preto de lama, ela tentou levantar. Sem sucesso. O desespero a invadiu e as lágrimas começaram a escorrer, ela desistiu de lutar e se sentou no chão, com a mão cobrindo seu rosto enquanto chorava inconsolavelmente.

– Pobre Claire. – Uma voz masculina e grossa ecoou por trás das árvores, fazendo-a se encolher ainda com as mãos cobrindo o rosto. – Tão assustada... E sozinha.

– Quem está ai? – Ela perguntou com a voz trêmula, olhando ao redor para tentar achar alguém, ou alguma coisa.

– Você não achava que ia escapar, achava? – A criatura misteriosa começa a se aproximar lentamente.

– Do que você está falando?! – O desespero em sua voz era notável, as lágrimas insistiam em cair em meio a soluços.

– Você sabe muito bem do que eu estou falando, querida. – Ele voou para cima dela numa velocidade incrível. Por causa da escuridão, ela não conseguiu enxergar nada.

– Não! Sai de perto de mim! – Ela tentou se levantar mais uma vez, mas teve seu pé segurado.

– Não adianta mais fugir Claire. Chegou a hora. – Ela começou a ser arrastada para o centro de uma clareira. Gritava o mais alto que conseguia, mas era em vão, e ela sabia disso. De repende ele parou de arrasta-la e a olhou bem de perto. – Adeus, querida.

Claire acordou ofegante e suando, a lembrança do terrível pesadelo dominava sua mente, ela se sentia confusa e assustada. Balançou a cabeça tentando afastar os seus pensamentos e olhou o relógio, que mostrava exatamente 5h00m da manhã.

Levantou-se e foi até a janela. Estava nevando, o inverno acabara de começar. Depois de um longo e relaxante banho quente, dirigiu-se até cozinha, e apesar de não está com fome, pegou uma maçã e saiu de casa.

Ela andava lentamente, brincando com a maçã em sua mão. Chegou a uma pequena praça onde havia alguns balanços, e sentou-se em um. Ela se balançava devagar, fechando os olhos para sentir a calma brisa que alisava seu rosto. Ficou assim por algum tempo, e suspirou ao lembrar que precisava voltar para casa.

Assim que chegou em casa, se deparou com um de seus irmãos mais velhos, o Mattew, que a olhou com desprezo e voltou a tomar seu café da manhã. Ela revirou os olhos e caminhou até o sofá, mas sua mãe a interrompeu parando na sua frente.

– Precisa tomar café da manhã antes de ir para a escola. – Ela falou com um tom materno que Claire mal conhecia.

– Vai continuar insistindo? Já falei que não vou mais estudar. – Claire tentou continuar seu trajeto ao sofá, mas teve seus braços levemente segurados.

– Claire, não faça isso filha. Você está no seu último ano, não quer ir para a faculdade? – Soava quase como uma súplica.

– Para que? Para eu me matar de trabalhar e depois sumir do nada, abandonar marido e filhos? – Ela suspirou com a lembrança e olhou para baixo.

– Ninguém sabe o que aconteceu Claire. Não julgue seu pai antes de saber...

– Ele morreu! Ou será que vocês ainda vão continuar sonhando acordadas e esperando que ele volte para casa? Aliás, foi bem melhor assim! – Mattew se levanta e vai até a escada, mas Claire se livra dos braços da mãe e o segura.

– Você... Não tem o direito de falar isso! Ele não morreu! E quando ele voltar, você vai se arrepender de tudo que disse! – Seu rosto começa a ficar vermelho, como sempre acontece quando Claire fica com raiva.

– Há há! Você é uma pirralha idiota, que sempre foi a preferida do papai. Ta com raiva por que não vai mais ganhar presente? – Antes que Mat continuasse a falar, Claire lhe deu um tapa no rosto. Ele a fitou com a mão afagando sua bochecha avermelhada pelo golpe, e a empurrou para o chão.

– Vocês dois, parem com isso! Não admito briga nessa casa! Vocês são irmãos, tem que aprender a conviver! – Sua mãe se senta no sofá e afasta seu cabelo do rosto dando um longo suspiro.

– Não tem problema, eu já to saindo. – Claire se levanta sem tirar os olhos do irmão que ainda alisa seu rosto. Ela pega todo o dinheiro que estava no balcão e saiu da casa.

A essa hora não havia muita gente na rua, ela andava de cabeça baixa, sem prestar atenção em nada ao seu redor. Ajeitou seu grosso moletom, desejando que ele a aquecesse o suficiente, já que não pretendia voltar tão cedo para casa.

Ela já estava bastante longe de sua casa, pensava em pegar um taxi, mas não sabia para onde ir, então continuou andando sem rumo. Já haviam se passado algum tempo, e muitas pessoas andavam pelo centro da cidade, o que a incomodava bastante. Então, ela decidiu ir mais ao sul, nos bairros desertos, onde não havia ninguém para incomodá-la, ela nunca tinha ido lá, mas no momento, só desejava ficar sozinha.

A medida que andava, menos pessoas ela via, até que estava andando sozinha. Parou num pequeno bar, e comprou algumas garrafas de cerveja, aliviada por não terem perguntado sua idade.

Andou um pouco mais e parou num pequeno parque, onde tinham vários brinquedos caindo aos pedaços, e alguns bancos ao redor. Sentou-se em um dos bancos e abriu a primeira cerveja. Claire já havia bebido antes, com alguns amigos, mas não chegava a ser uma garrafa. Porém, ela não estava preocupada com isso, o que mais queria era esquecer, nem que fosse por um momento, tudo o que vinha acontecendo.

Já haviam se passado algumas horas, e ela se encontrava tonta e faminta. E apesar de estar no meio da tarde, aquele bairro já estava escuro e sombrio. Ainda havia sobrado algumas garrafas, e ela enchia seu estômago com apenas isso.

– Ei, o que você ta fazendo ai! – Claire ouve uma voz masculina que vinha por trás, mas não se virou. – Você fez uma bela festa aqui ein? Sobrou alguma para mim?

*Silêncio*

– Hm... Me diga ao menos onde mora, eu te ajudo a chegar e casa. – Ele se aproximou, o que fez Claire alertar-se.

– Cai fora daqui. – Ela falou com a voz rouca e falha.

– Ahh, é um prazer conhecê-la também. Olha, eu só quero ajudar ta legal?

– Eu não preciso da sua ajuda! – Ela levantou-se de vez. – Não preciso da ajuda de ninguém!

– Claire? – Ele chamou. A visão dela estava turva e foi escurecendo, até que ela perdeu o equilíbrio e caiu.

Mas não sentiu o impacto no chão. Tudo ficou escuro.


Notas finais
Bem babys, vou tentar postar toda semana okay?ok. Não esqueçam de deixar reviews e me façam feliz *w* ~medinho~