Nocturne Of Nightmares
3 Chapter three
— Certo. Agora que já nos apresentamos, precisamos descobrir onde estamos e, principalmente, o porquê.
A voz de Taehyung tentava projetar a autoridade de um líder, mas uma leve tremulação denunciava seu nervosismo. Nós nos aproximamos, formando um círculo apertado no centro da sala. O piso sob minhas pernas era gélido e implacável, drenando o calor do meu corpo.
O ambiente estava mergulhado em uma penumbra densa. A única iluminação vinha de uma lua de sangue que observava tudo pela janela, projetando sombras longas e distorcidas que pareciam dançar nas paredes descascadas. O ar tinha um cheiro pesado de poeira misturado a algo vagamente adocicado — um odor enjoativo que me fazia sentir dentro de um sonho febril. Meu estômago se revirava em um nó de ansiedade pura.
— Alguém já esteve aqui antes? — Taehyung perguntou, os olhos vasculhando os cantos escuros como se esperasse que o próprio prédio confessasse seus segredos.
— Eu não — respondeu Jin. Sua voz soava firme, mas seus dedos batucavam inquietos no joelho.
— Nem eu. Esse lugar é assustador demais para o meu gosto — murmurou Minnie, desviando o olhar das sombras.
A tensão no ar era quase palpável, um fio esticado prestes a romper. Taehyung olhou para Jimin, que apenas balançou a cabeça negativamente, o semblante sombrio. Quando o olhar de Taehyung caiu sobre mim, senti um calafrio.
— Eu também não, mas... — Hesitei.
— Mas? — Taehyung insistiu imediatamente.
— É que... eu estou sentindo algo. Não sei explicar, não é uma informação útil, mas parece que... — As palavras morreram na minha garganta. O peso da incerteza se instalou entre nós, e o silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela batida do meu coração, ecoando como um tambor distante.
— Vamos tentar outra abordagem — Taehyung retomou, tentando manter o foco. — Qual foi a última coisa que vocês fizeram antes de aparecerem aqui?
— Eu estava de conchinha com o meu namorado — Minnie respondeu prontamente. Mesmo sob a luz pálida e avermelhada, pude ver o rubor subindo por suas bochechas. — Estava tão quentinho e aconchegante...
— Que constrangedor! — Jin soltou uma risadinha, piscando para ela. Minnie cruzou os braços, fingindo indignação, mas um pequeno sorriso escapou.
— Nós estávamos no sofá e... — Minnie tentou detalhar, mas Seokjin a interrompeu com as mãos para o alto.
— Tá bom, já entendi a cena! — Ele ria baixo, aliviando um pouco o peso do ambiente. — Minha vez: eu estava navegando na internet, me preparando para dormir. Nada fora do comum.
O silêncio retornou. Eu fechei os olhos, buscando a última imagem da minha vida normal.
— Eu estava no sofá, esperando minha série favorita começar. Já passava do meu horário de dormir, por volta das dez da noite — relatei.
— Dez da noite? — Taehyung arqueou uma sobrancelha. Eu assenti.
— Humm, agora que você mencionou... — Jin franziu o cenho, reflexivo. — Foi por volta desse horário para mim também.
— Tinha alguma coisa tocando... — A voz de Jimin surgiu como um sussurro, quase inaudível. Ele levou as mãos aos ouvidos, como se tentasse espantar um inseto invisível. — Um som que parecia pular dentro da minha cabeça.
— Sim! Eu senti isso também! — exclamei, surpresa pela coincidência.
— Para ser honesto... doía um pouco — admitiu Jin, e todos nós compartilhamos um olhar de reconhecimento. O eco daquele som persistente ainda parecia vibrar em nossos ossos.
Taehyung voltou-se para Minnie novamente. — E você?
— Eu... não me lembro do som, mas talvez? Eu estava com o meu namorado e—
— Chega de “namorado”! — Taehyung cortou, e Minnie lançou-lhe um olhar fulminante.
— Haha, você definitivamente não entende nada sobre o coração de uma mulher apaixonada, Taehyung — Jin brincou, tentando equilibrar o humor ácido do grupo.
— Não preciso entender, isso não é relevante para a nossa sobrevivência aqui — rebateu Taehyung, subitamente sério.
Apesar das farpas, a interação deles trazia uma estranha normalidade àquele pesadelo. No entanto, o mistério central continuava ali, crescendo como o mofo nas paredes.
— Certo, recapitulando — Taehyung inclinou-se para frente. — Primeiro: ninguém conhece este lugar. Segundo: todos sentimos uma sonolência súbita por volta das dez da noite. E terceiro: o tinnitus...
— Tinni-o-quê? — interrompi, confusa.
— Tinnitus. É o termo médico para o zumbido ou ruído nos ouvidos — Jimin explicou calmamente.
— Oh! Alguém aqui é inteligente — Jin exclamou, fingindo admiração.
Olhei para Taehyung, curiosa. — Você é médico?
— Ainda não. Estou no quarto ano de medicina — ele respondeu com um meio sorriso, mas Jin deu um tapa em sua perna, interrompendo o momento de orgulho.
— E o que o "doutor" estava fazendo na hora?
— Estudando — Taehyung respondeu, parecendo subitamente sem graça.
— O quê? Que tédio! — Jin fez uma careta e Minnie concordou enfaticamente. — Quem estuda em uma noite de sexta? Noite de sexta é para festa, bebida e amigos!
Eles trocaram um high-five, e por um breve segundo, o som das risadas fez a sala parecer menos hostil. Mas a dúvida que queimava na minha mente não me deixava rir.
— Pessoal, escutem — minha voz cortou a diversão. — Nós viemos para cá em um horário definido, certo? Dez da noite.
Todos se voltaram para mim.
— Mas vocês repararam? — Apontei para as paredes vazias. — Não tem nenhum relógio aqui. Nem um cronômetro, nem um rádio, nada.
Um silêncio tenso e pesado caiu sobre o círculo.
— É verdade... — Jin murmurou, olhando em volta como se visse a sala pela primeira vez. — Eu estava tentando calcular quanto tempo passou, mas sempre me perdia.
— Será que o tempo aqui corre diferente? — Jimin sugeriu, a inquietação voltando aos seus olhos.
— Alguém está com relógio de pulso? — Jin perguntou, a esperança brilhando em sua voz.
Antes que qualquer outra pessoa pudesse falar, Taehyung levantou a mão lentamente. Seu rosto estava pálido.
— Eu tenho um relógio... — ele disse, e o tom de sua voz fez um calafrio percorrer minha espinha de cima a baixo.
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