Nocturne Of Nightmares
4 Chapter four
Todos nos entreolhamos, compartilhando o mesmo pensamento gélido.
— Certo, vamos dar uma olhada — Taehyung murmurou. Prendemos a respiração em uníssono, aproximando-nos para confirmar o que todos já suspeitávamos.
— Está parado... — Jimin exclamou, o desapontamento nítido em sua voz.
Os ponteiros no relógio de pulso de Taehyung pareciam gritar uma verdade impossível: o tempo havia congelado exatamente às dez.
— Ah, não. Agora não temos absolutamente nenhuma noção de quanto tempo se passou — desabafei. Era como se nosso último fio de esperança tivesse sido cortado com uma lâmina cega. Um silêncio súbito e pesado tomou conta do lugar, e o pavor começou a rastejar pela minha espinha.
— Estou tentando encontrar lógica nisso — ponderou Jin, franzindo o cenho. — Todos nós estávamos dormindo, então... isso é um sonho? Ou estamos em um universo diferente?
— Universo diferente? — repeti, a palavra soando estranha em minha boca.
— O tempo é uma construção — explicou Jin, a voz assumindo um tom analítico. — É fisicamente impossível pará-lo dadas as leis da física da Terra. Teoricamente, a única forma de o tempo parar seria em um lugar onde as leis científicas fossem outras. Mas a falta de um relógio funcionando não significa que o tempo parou; pode significar apenas que perdemos a capacidade de medi-lo.
— Essa é a coisa mais sensata que você disse desde que acordamos — comentou Taehyung, impressionado.
— Ei, eu posso não ser tão aplicado quanto você, mas entendo de ciência — Jin retrucou, com um leve traço de orgulho.
— Você está chegando a algum lugar, mas... — Taehyung começou.
— Apenas estamos aqui — completou Jimin, a voz baixa.
Taehyung cruzou os braços, bufando levemente. — Eu ia dizer exatamente isso.
— O que vocês querem dizer com isso? — perguntei. À medida que eles explicavam, minha confusão só aumentava.
— Mudar de dimensão exigiria um ato deliberado — continuou Taehyung. — Nós não fizemos nada.
— Exato — concordou Jin. — Precisaríamos rasgar o tecido do espaço-tempo, criar uma fenda e passar por ela como se fosse um portal.
Soltei um riso nervoso. — Nossa... eu mal consigo resolver minha lição de casa de física. Rasgar o espaço e flexionar o tempo definitivamente não são minhas especialidades.
Jin soltou uma gargalhada genuína, aliviando a tensão por um segundo. — Você é engraçada! Gostei de você.
— Esperem, então vocês estão dizendo que estamos na Terra, mas não na Terra? — Minha cabeça girava. — Estou confusa. Eu só quero ir para casa... Isso tudo parece um pesadelo.
O silêncio dominou o ambiente novamente. Eu estava prestes a dizer algo para quebrá-lo, quando um som cortou o ar:
— Ehehehehee!
Uma risada infantil, aguda e deslocada, ecoou pelas paredes. O terror foi instantâneo. Meu corpo congelou, como se o sangue tivesse virado gelo nas veias.
— O q-que foi isso? — exclamei, a voz falhando.
— Ehehehehee!
O eco ficava cada vez mais alto, parecendo ressoar dentro do meu próprio crânio.
— Eu não estou gostando disso. Nem um pouco! — Minnie exclamou, agarrando-se ao braço de Jimin em busca de proteção.
Eu lutava desesperadamente contra o pânico. Sabia que, se eu perdesse o controle, Minnie desabaria completamente. Cerrei os punhos com tanta força que as unhas cravaram na palma da mão. No instante em que fiz isso, a risada parou.
Virei-me para a única porta do lugar. Todos ficaram imóveis, os olhos fixos na madeira desgastada. Meu coração martelava contra as costelas. Então, o som que todos temíamos: a porta rangeu.
Uma garotinha de cabelos loiros surgiu no batente. Ela tinha um sorriso fixo, largo demais, estranho demais. Conforme ela se aproximava, a atmosfera parecia ficar mais densa.
— Ah, cara... isso está começando a me dar medo — Jin confessou, tremendo visivelmente.
A porta se escancarou e a gargalhada da menina subiu de tom, tornando-se quase ensurdecedora.
— EhehEE! Vocês querem vir?
"É só uma criança", eu repetia para mim mesma, num mantra inútil. "É apenas uma criança". Mas o instinto gritava que algo estava muito errado.
— Quem é você? — Taehyung perguntou, a voz firme apesar da palidez.
A menina apenas riu novamente.
— Talvez ela queira que a gente a siga? — Minnie soltou lentamente o braço de Jimin. Seus olhos pareciam distantes, como se estivesse em transe.
— M-Minnie, espera! — gritei, mas ela não pareceu me ouvir.
— Você sabe onde estamos? — Minnie perguntou à garotinha.
A menina sorriu ainda mais e deu meia-volta, sumindo no corredor escuro.
— Não, espera! — Antes que qualquer um de nós pudesse reagir, Minnie correu em direção à porta.
— Minnie! — Minha voz saiu em um grito desesperado.
Ela desapareceu na escuridão. Ficamos paralisados por um segundo de puro choque. Ela não deveria ter saído sozinha. Eu ia correr atrás dela, mas, antes que eu pudesse dar o primeiro passo...
— AAAAAAAAHHHHH!
Um grito esganiçado de puro horror cortou a noite.
— Foi a Minnie! — Tentei me soltar para correr, mas Jin segurou meu braço com força.
— Não vamos fazer nada imprudente! — ele ordenou.
— Mas ela está em perigo! Eu preciso...
— Não seja imprudente! — Jin me repreendeu, os olhos injetados.
— Não fazemos ideia do que estamos enfrentando — Taehyung interveio, a voz tensa. — A melhor coisa que podemos fazer agora é ficarmos juntos. Se nos separarmos, estaremos mortos.
Engoli em seco, o peito subindo e descendo com força. Ele estava certo, mas o som daquele grito ainda ecoava em meus ouvidos, como uma promessa de que o pior ainda estava por vir.
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