Nocturne Of Nightmares
5 Chapter five
Jin soltou meu braço enquanto Taehyung assumia a liderança, sua voz soando estranhamente firme para alguém naquela situação.
— Todos viemos parar aqui assustados e confusos. O mínimo que podemos fazer é cuidar uns dos outros — disse ele. Meus olhos se arregalaram. Eu não esperava que Taehyung pudesse ser tão encorajador em um momento de crise.
— Tudo bem... — sussurrei, tentando controlar o tremor no queixo. — Eu só espero que a Minnie esteja bem.
— Certo. Vamos investigar. Peguem o que puderem para se proteger. Qualquer coisa que sirva de arma.
Saímos cautelosamente da sala. Eu segurava um bastão de beisebol que encontrara em um canto, enquanto os rapazes se armavam com o que o destino oferecia.
— O que eu vou fazer com este livro? Matar alguém de tédio ou bater na cabeça de alguém com o peso do conhecimento? — Jin resmungou, erguendo um volume grosso e empoeirado.
— Pode usar em si mesmo, se ajudar a parar de falar — Taehyung retrucou, sem desviar os olhos do corredor.
— Jimin, você está bem? — Perguntei, notando que ele empunhava um desentupidor de borracha com uma seriedade invejável. Ele apenas acenou com a cabeça, pálido demais para falar.
— Fiquem em fila — ordenou Taehyung.
Caminhamos pela escuridão densa, onde o único som era o das nossas respirações descompassadas. Pouco tempo depois, um som horrendo nos paralisou: um ruído úmido de trituração, como ossos sendo esmagados e carne sendo rasgada.
Trocamos olhares apreensivos e, milímetro a milímetro, dobramos a esquina do corredor. O ar fugiu dos meus pulmões.
No chão, uma perna humana, decepada e banhada em sangue, ainda sofria espasmos. Logo adiante, uma criatura medonha se curvava sobre algo.
— Fome... — a voz do monstro era um lamento gutural.
— Mas que diabos é aquilo? — Jin recuou, a voz falhando.
— Mamãe... tô com fome... — O monstro resmungava enquanto mastigava. A perna no chão foi puxada para trás, arrastada por uma força invisível. — Me ajuda, mamãe...
A sombra se moveu, revelando o que restava do corpo de Minnie. O vestido que ela usava estava encharcado de um vermelho escuro e viscoso.
(Ah, meu Deus... não...)
Cobri a boca com a mão livre para abafar um grito que insistia em escapar. Minhas pernas perderam as forças.
— Essa é a... — Taehyung não conseguiu terminar a frase.
Diante de nós, a criatura ergueu a cabeça, revelando fileiras de dentes afiados e sujos de restos mortais. Minnie estava morta. Há poucos minutos ela sorria, falava do namorado, planejava o futuro... e agora era apenas um resto de banquete para um pesadelo.
O som dos dentes do monstro voltando a triturar os ossos dela ecoava pelo corredor silencioso. Estávamos em choque, incapazes de processar a brutalidade da cena.
De repente, uma névoa fria começou a serpentear perto do corpo massacrado. No meio do horror, a figura de uma garotinha se materializou.
— Heehee! — Era a mesma menina de antes. Ela corria, rindo, para os braços de um homem que surgiu do nada. — Pai! Heehee!
— Minnie, você parece ótima hoje — o homem respondeu, acariciando o cabelo da menina.
— Minnie? O que está acontecendo? — Olhei para Taehyung, sentindo que minha sanidade estava por um fio.
— São memórias — Taehyung sussurrou, os olhos fixos na projeção. — Aquilo ali é a infância dela. Estamos vendo o que ela viveu enquanto o corpo dela está sendo devorado.
O contraste era insuportável: a alegria da memória contra a tragédia do chão.
— Estamos vendo as memórias dela? — Minha voz saiu num fio.
— Talvez. Mas agora... — Taehyung olhou para o monstro, que parou de comer e rosnou para nós, como se fôssemos o próximo prato.
— A gente devia sair daqui agora! — Jimin exclamou, já girando nos calcanhares.
— Ei, essa frase é minha! Vamos! — gritou Taehyung.
Eles começaram a correr, mas meus pés pareciam colados ao chão. Minhas pernas tremiam tanto que eu não conseguia dar um passo.
(Corre, Sohyun! Corre agora!)
O monstro se impulsionou em minha direção.
— GRAAAHHHH! — O berro da criatura fez o corredor vibrar.
— O que você está fazendo?! — Alguém gritou. — Temos que ir!
Cerrei os dentes com tanta força que senti minha mandíbula estalar. Reuni cada grama de força para não desabar em lágrimas e comecei a correr atrás deles.
— Depressa, Sohyun! — Taehyung esticou a mão para trás, tentando me alcançar.
Eu corri como nunca na vida. Estava quase lá. Meus dedos estavam prestes a tocar os dele quando, de repente, um som de sinos começou a tocar dentro da minha cabeça. Uma sonolência avassaladora, pesada como chumbo, tomou conta de mim.
(Não... espera... agora não...)
O tilintar dos sinos ficou ensurdecedor. Meus olhos pesaram. A última coisa que senti antes da escuridão total foi o roçar da pele quente de Taehyung na ponta dos meus dedos frios.
Fale com o autor