Nobody Knows
5 Pessoa misteriosa e confusão
Notas iniciais
“Subi sem pressa alguma, comecei a passei entre os corredores formados pelas estantes, procurando uma plaquinha que estivesse marcando aventura. Porém minha procura foi interrompida quando trombo em algo.”
Depois do súbito encontro com algo, caio no chão e olho a minha frente para ver o que causou o acidente. Era uma menina. Ela tinha olhos azuis e uma cascata loira que ia até a metade das costas, ela estava recolhendo rapidamente os livros que deixou cair. Quando fui ajuda-la ela já havia terminado e estava de pé se desculpando e logo em seguida ia sair correndo, mas eu segurei seu pulso fazendo com que ela parasse e olhasse para mim.
— Sé-sério, me desculpe! Po-por favor me deixe ir agora! – Ela falava apressadamente e me parecia um pouco.... Aflita?
— Calma, não tem problema. Mas você está bem? Me parece um pouco aflita.... – Perguntei ainda a segurando.
— E-eu e-estou bem... Não se pre-preocupe. Vo-você... Pode me so-soltar agora? – Definitivamente ela não estava bem, enquanto falava além de gaguejar a mão que estava segurando os livros tremiam e seus olhos demonstravam medo. Mas afinal, medo do que?
— Não eu não posso. – Respondi seriamente.
— Po-por que? Por favor, me desculpe! – Implorou ela ainda agindo de modo estranho.
— Eu já te desculpei. – Disse calmamente e ela olhou para mim esperando que eu a solta-se. – Mas... Só vou te soltar depois que você se acalmar um pouco. Venha comigo tem um balcão com cadeiras ali perto das janelas.
A puxei pelo pulso até um balcão que tinha no segundo andar e nos sentamos. A paisagem dali era realmente bonita. Nos fundos do colégio tinha uma floresta de pinheiros realmente interessante... Bom, devaneios a parte, comecei a encarar aqueles olhos claros como o céu e ainda sem soltar seu pulso perguntei:
— Está mais calma agora?
— Sim... Desculpa, dá próxima vez vou tomar mais cuidado. É que não tem muitas pessoas que vem aqui na biblioteca, então... Eu fiquei um pouco distraída. – Respondeu desviando seus olhos dos meus e olhando pra baixo.
— De fato são poucas as pessoas que se interessam em bibliotecas, até as que gostam de ler preferem os exemplares digitais. – Ela olhou pra mim com uma cara estranha quase perguntando o que seriam exemplares digitas, mas deve ser coisa da minha cabeça hoje em dia é praticamente impossível não saber sobre isso. Eu acho.... – Mas então, qual o seu nome?
— .... – Ela desviou o olhar de baixo para a janela agora. Parecia até que as árvores eram muito mais interessantes que eu. Não que eu seja grande coisa, mas.... Ela estava evitando completamente olhar para mim.
— Você não vai me dizer?
— ...
— Sério mesmo? – Fiz mais uma pergunta que possivelmente também ficará sem resposta.
— .... – Viu? Não disse?
— Vai me fala seu nome, não é tão difícil. Eu sou Edward Sparks vim de uma cidade chamda Nova Iorque, e você é?
— É realmente tão importante saber meu nome? – Ela agora olhou pra mim, mas do jeito que olhou preferia que continuasse a prestar atenção nas árvores mesmo. Olhou com raiva e bochechas vermelhas, seus olhos azuis pareciam lâminas em minha direção, chegavam a ser intimidadores.
— S-sim! É importante quando conhecemos alguém nos apresentarmos.
— Tá.... – Disse em derrota soltando um suspiro. – Mas depois que eu disser você me solta? Eu realmente preciso ir agora. – Confirmei com a cabeça. – Aeris. Agora me solte por favor.
— Você não tem sobrenome?
— Você não precisa saber. – E aproveitando o meu descuido ela puxou seu pulso e junto com seus livro saiu correndo.
Interessante... É a primeira vez que conheço alguém com esse nome... É até bonito, mas um pouco intrigante... Bom, quando voltar ao dormitório pergunto pro Josh se ele conhece alguma Aeris, mas antes preciso achar um livro interessante de aventura. Peguei o livro “O Segredo do Portal” e fui em direção a estante que marcava em um plaquinha branca: “Aventura/Fantasia”.
Fiquei um bom tempo por ali vasculhando as estantes que precisavam até mesmo do uso de escadas. Até que achei um livro chamado "Dragões de Éter", o livro parecia ser tão interessante quanto a sinopse dele. Era uma trilogia. Peguei o primeiro livro da... Série? Enfim! Desci para o primeiro andar completamente deserto, somente as sombras e últimos raios de sol do dia, juntamente com livros estavam naquele local.
Fui até a bibliotecária que antes ocupava seu tempo em um jogo em seu computador, agora lixava as unhas. Emiti um som com a garganta para que a mesma notasse minha presença, ela olhou em minha direção ajeitando os óculos sobre o nariz.
— Pois não, em que posso ajuda-lo?
— Ér... Eu gostaria que locar esses dois livros. – Respondi erguendo os livros para cima do balcão para que a mesma visse.
— Sua carteirinha escolar, ou o código dela, por favor. – Se prontificou pegando imediatamente os livros da minha mão. Vasculhei o bolso da calça e por sorte, não havia tirado a carteirinha dali ainda, entreguei e a moça que aparentava ter uns trinta e poucos. Ela rapidamente fez o que o bibliotecários fazem e me devolveu os livros com a carteirinha. – O prazo é de uma semana, boa leitura. – E voltou a lixar as unhas.
Bom, que seja! Saí da biblioteca e já eram por volta das cinco e meia da tarde fui diretamente para o dormitório, já estava me habituando a esse lugar... Só não sei chegar ainda na sala de aula, mas depois vejo isso com alguém. O gramado perto do refeitório já se encontrava com algumas pessoas transitando por lá, realmente tem gente pra caramba aqui!
Entrei no quarto e só vi Brandon ainda jogado na cama fitando o teto sem expressar nenhuma reação. Coloquei os livros na cabeceira da minha cama e sentei na cama de Percy que ficava ao lado da do Brandon e perguntei:
— Você está bem?
— Por que não estaria? – Perguntou de volta ainda olhando para o teto e erguendo uma sobrancelha.
— Sei lá... Não te conheço direito mesmo... – Respondi com o olhar vago. De fato saber mais sobre novos amigos é um tanto complicado. Principalmente pra mim que era amigo de uma porca... De pelúcia...
— São uns problemas meus com algumas pessoas, nada que precise se preocupar. – Respondeu sem mais nem mesmo, se sentando logo em seguida e perguntou. – Vamos para o refeitório? Falta uma meia hora pro jantar. Eu acho.
— Ãh... Ok e o Josh e o Percy?
— Eles já foram, Percy disse que tinha algumas coisas da escola para resolver e Josh foi junto. Eles disseram para nós esperarmos no refeitório. – Acenei positivamente com a cabeça e saímos rumo ao refeitório.
Brandon comentava algo sobre cada menina pela qual nós passávamos, coisas como: "Aquela namora com o chefe do clube de karatê, melhor nem mexer com ela." "Aquela outra é mó esquisita, acredite você definitivamente não vai querer falar com ela." "Iiiii! Não olha diretamente nos olhos dessa loira aí, dizem que ela hipnotiza os caras e depois se faz de vítima." Chegava a ser até engraçado alguns comentários, parecia até que todas as meninas do mundo tinham ido parar na mesma escola. Era um pouco assustador, confesso.
Já sentados no refeitório, Brandon e eu ficávamos conversando sobre banalidades esperando Josh e Percy chegarem. Ele levou um tapa na cara também, o que foi realmente hilário por ele não poder revidar. Ele perguntou descaradamente para uma menina que passava o seguinte, "Oi, você tem Twitter?" Daí ela disse, "Tenho, por quê?" "É que meu pai disse para mim seguir meus sonhos" e com o sorriso sacana que expressava, levou um belo tapa deixando a marca perfeita de cinco dedos. Todos que estavam por perto se acabaram de rir.
Enquanto Brandon ainda de recuperava, eu comecei a olhar em volta a procura de nossos amigos. Até que chegam subitamente e se sentam em silêncio. Ficamos em silêncio por um tempo e quando eu ia perguntar algo para "quebrar o gelo", uma mulher se levanta de seu lugar na mesa dos professores realizarem suas refeições e disse:
— Espero que durmam cedo e se preparem para o primeiro dia de aula amanha, para os alunos que não me conhecem meu nome é senhora Andréa Eton, diretora do colégio interno Elliot Eton. Que sejam todos Bem-Vindos! Antes do jantar ser servido, eu irei ler algumas regras. – Completou pegando umas folhas que poderia formar um livro. Cara... Aquilo ia demorar muito, aff.
Enquanto a diretora começa a falar regra por regra tediosamente, as luzes do refeitório se apagaram e o microfone da diretora parou de funcionar. Ainda bem, diga-se de passagem. Mas não foi, com certeza, a energia que acabara... Pois pôde ser ouvido uns ruídos e por fim uma voz masculina distorcida toma o lugar da voz feminina que antes falava regras.
— Ora, ora, ora... O que temos aqui? Um jantar de boas-vindas ou uma reunião chata sobre regras? Você não concorda comigo Senhorita Eton? – Pergunta a voz carregada de deboche.
— Quem se atreve?! Se alguém souber de algo e não me contar será expulso! – Grita a Diretora com a voz claramente abalada. Provavelmente isso nunca havia acontecido antes.
— Acalme-se Senhora Eton... Vamos jogar um jogo! – Exclama a voz de forma assustadora, terminando com uma risada medonha que foi abafada. Cara! Minha vida com uma pelúcia era muito mais tranquila... Só falta esse cara ser um viciado em jogos mortais, daí estamos ferrados!
Todos os alunos que se encontravam no breu do refeitório, tinham seus rostos iluminados por pequenas velas que ficavam sobre a mesa, antes somente de enfeite. E seus rostos mostravam medos e insegurança, sobre um futuro totalmente incerto.
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