No teu olhar
12 Capítulo 12 - Te encontrei
Notas iniciais
— O que é isso, Bella? – Perguntou, olhando por cima dos ombros de Bella.
— É um livro, com uma história antiga. Meu avô disse que é um antepassado meu.
— E como é? – Perguntou curiosa.
— É a história de um príncipe que se apaixona por uma criada. A mãe dele não aprovava a relação e os separou. – Explicou, olhando para o bilhete que ali havia.
Obrigado por um dos melhores presentes que já recebi.
Agora que te encontrei não tenho intenção de deixa-la escapar.
Aula de piano? Pelos velhos tempos? Sala de música as três.
— E.C
— Quem é E.C., e que presente foi esse? – Questionou curiosa.
— Se lembra do meu professor de piano? – Perguntou, fazendo Rose assentir.
— O que também era seu príncipe dos sonhos e modelo artísticos para retratos nas horas vagas?
— Sim. – Declarou, revirando os olhos. – Eu dei esse livro para ele pouco tempo antes de me mudar. Nunca mais o vi, mas parece que ele me encontrou.
— E isso é uma coisa ruim? Questionou, fazendo Bella negar.
— Eu não sei. Quando ele estava por perto, meus sonhos diminuíam. E se isso acontecer outra vez? – Perguntou.
— E seria assim tão ruim trocar a fantasia por uma vida real, ao lado de um cara real? – Ela perguntou tocando os ombros da amiga. – Vá encontrar seu príncipe encantado. Nada pode ser tão ruim. Já é hora de resolver isso.
— Você tem razão. – Respondeu agarrando sua mochila.
— Ei, onde você vai? – Rose perguntou.
— Resolver isso. Estou cansada de viver na fantasia e talvez essa seja minha chance de dar um jeito niss. – Acrescentou decidida, e saiu.
~*~*~*~*~*~*~**
— Alou? – Chamou, batendo na porta. – Tem alguem aí?
— A garota que eu queria ver. – Bella ouviu uma voz, que fez seu coração saltar. E ao se virar, ali estava ele.
— Edward! – Se aproximou, quando ele a envolver em um abraço. Então pouco a pouco, ela sentiu como se os cacos que ainda estavam quebrados dentro dela, se colassem outra vez.
— Não acredito que está aqui. – Ele murmurou, a soltando, finalmente olhando para ela.
— E eu não acredito que me encontrou. – Declarou, o admirando. Ele havia ganhado mais corpo, mas não havia mudado quase nada.
— Você foi embora. Eu precisava te encontrar.
— Eu precisei. Eu... –Começou a explicar, mas ele a interrompeu.
— Éramos amigos. Ao menos eu achei que fossemos. Você foi embora e mal deixou um bilhete de despedida. Um número para contato. Qualquer coisa!
— Nós éramos! Foi você que me ensinou a ter coragem e a enfrentar as regras da maluca da minha mãe. Já era hora de ir atrás da minha vida, e aqui estou. Eu juro que tinha a intenção de me despedir, mas depois daquela noite... Eu só precisava ir embora. E não olhar para trás.
— O que aconteceu? – Questionou.
— Meus pais nunca tiveram um bom relacionamento, exatamente. Eles se divorciaram quando eu era pequena e desde então nunca conversam mais do que o necessário.
Ela caminhou pela sala, tocando o piano, suavemente.
— Mas eu sempre pensei que havia mais coisa ali. Quase como se minha mãe tivesse uma carta na manga contra ele. – Explicou, fitando o vazio.
— E então...? – Indagou curioso.
— E então ela a usou. No dia em que eu desafiei Renée, disse a ela que iria morar com meu pai. Então ela disse que eu não poderia ir. Quando perguntei por que, ela disse que ser filha em meio expediente seria diferente de ser filha em tempo integral. Que Charlie não iria me querer.
Explicou, voltando a se levantar, caminhando de lado ao outro.
— E o que ela fez? – Edward perguntou a observando.
— Perdeu a cabeça e disse que os filhos dele não me aceitariam ali. E então abriu a bolsa e me deu uma foto. Nela, meu pai sorria e havia uma mulher e duas crianças ao seu lado. Renée disse que era a nova família de Charlie.
— Você não...
— Eu não fazia ideia. Eu podia jurar que ela estava mentindo, mas meu pai teve o time perfeito. A porta estava encostada e ele ouviu minha discussão com Renée. Quando ele entrou, viu a foto na minha mão. A luz deixou seus olhos e a cor fugiu de seu rosto. Ali, eu soube. Minha mãe não havia mentido e ele tinha uma nova família
— Eles são pequenos? Você os conheceu? – Indagou, querendo saber mais.
— Essa é a melhor parte. Depois de ser pego no flagra, Charlie decidiu contar tudo. Dilan, o garoto é um ano mais velho que eu. Isso quer dizer que a amante, na verdade, é a minha mãe. Por isso ela o odeia tanto. Por isso se separaram. A menina é dois anos mai nova que eu e se chama Alyssa.
— Eu sinto muito. Mas chega de falar de mim. O que faz aqui? Não parece que você seja um dos alunos, então...
— Na verdade, sou um dos professores. Ensino música. Se quiser continuar suas aulas...- Propôs, a fazendo sorrir.
— Eu vou pensar nisso. Aqui, meu número. Assim não nos perdemos dessa vez. – Declarou se levantando.
— Espera, onde você vai? – Questionou, segurando sua mão.
— Eu tenho que ir. Vai ter uma festa hoje a noite e Rose quer que eu vá.
— Sabe, talvez não seja uma boa ideia. Você parece chateada e a bebida e os problemas nunca formam uma boa combinação. – Explicou, com um sorriso doce.
— Onde está o seu espírito rebelde, senhor Cullen? – Perguntou, zombando.
— Eu sou professor. Acho que o perdi. Só tome cuidado e me ligue se precisar de algo, Bella. – Declarou a abraçando, em despedida.
~*~*~*~*~*~*
— Eu não vou sair vestindo isso! – Ralhou para a amiga, que terminava de prender seus cabelos. – Rose, isso é....
— Você está linda, Bella. É solteira e está na faculdade. Um pouco de diversão não machuca ninguém.
— E para me divertir preciso me vestir como uma vadia? – Indagou, abrindo a gaveta e pegando uma camisa de banda.
— Você não vai usar isso. Não pode! – Ralhou, mas Bella foi mais rápida, agarrando a tesoura. – Está bem! Não precisa me ameaçar com uma tesoura, vista o que quiser. – Acrescentou se afastando, fazendo Bella revirar os olhos.
Rose saiu do quarto, então ela começou a trabalhar.
Bella vestiu a camisa, agora pronta e saiu do quarto, fazendo Rose ofegar.
— Puta merda, eu quero uma! – Gritou, batendo palmas.
A camisa estava todo customizada com tiras e cortes estratégicos, que a deixavam sexy, mas de um jeito nada vulgar.
— Agora podemos ir. – Bella declarou caminhando em direção a porta. Seria uma noite incrível.
~*~*~*~*~*~*~*
O quarto girava e sua cabeça latejava. Abriu os olhos, sem ter ideia de onde estava. O que diabos havia acontecido. Ela se lembrava de beber uma ou duas cervejas com Rose e no segundo depois, estava acordando em um quarto completamente estranho.
— Merda! – Sibilou, se dando conta de que sua calça e camisa estavam no chão, mas não era as únicas. Peças masculinas as acompanhavam. Em uma varredura rápida, se deu conta de que as roupas haviam saído, mas a calcinha continuava ali, então não podia ser tão ruim quanto ela pensava.
— Bom dia. – ouviu a voz a chamando, e se virou para a porta. Talvez aquilo fosse ruim. Talvez aquilo fosse muito ruim.
— Nós... – Bella engasgou, tentando colocar as palavras para fora. – Nós fizemos... – Perguntou e ele negou, lhe entregando um copo de suco laranja com um analgésico.
— Não se preocupe. Não fizemos nada. Você bebeu um pouco demais e eu não queria te deixar sozinha. – Disse, apontando para o chão. – Mas eu estou curioso, no entanto. Pode me dizer por que tem desenhos meus no seu criado mudo? – Acrescentou, fazendo com que ela engasgasse. Se estavam no quarto dele, como ele havia conseguido aqueles desenhos?
Fale com o autor