No teu olhar
4 Capítulo 04 - Em outra vida
Notas iniciais
— Peguei você! – Ele gritou, a puxando pela cintura, lhe arrancando risos.
— Você é mais rápido que eu. Não é justo. – Declarou, fingindo aborrecimento, enquanto as mãos dele se encaixavam em seu rosto e ele a trazia para mais perto.
O riso dela morreu no instante em que os lábios dele tocaram o seu.
— Edward. – Sua voz saiu em tom de advertência, o deixando atento.
— Sim? – Perguntou, a puxando para seus colo.
— Isso tem que parar. Sabe que tem. – Disse, fazendo seu corpo estremecer. Ele sabia que ela diria algo, mas nunca imaginou que pudesse doer tanto.
— Não, não tem. A menos que você ame outro, podemos continuar como estamos, Bella.
— Podemos? E o que? Nos encontrar em segredo? – Questionou, suas palavras rasgando seu coração.
— Eu sei que isso não parece...- Começou a dizer, mas ela o interrompeu.
— Não parece porque não é. – Declarou, segurando seu rosto entre as mãos. – Eu amo você, Edward. Mas nós somos de mundos diferentes. Eu sou a dama de companhia da sua irmã e você o príncipe herdeiro.
— Não...- Sussurrou, já imaginando o que ela diria.
— Nós não podemos continuar com o segredo e tão pouco você pode me assumir para seus pais. Eu sei que não pode ficar comigo em público, mas não quero ser o segredo de ninguém.
— Bella, por favor. – Implorou, a apertando contra o peito.
— Está tudo bem. Nunca pediria para que escolhesse entre mim e sua família. Não é justo.
— Mas eu amo você. – Sussurrou, sentindo sua garganta se fechar. – Eu escolho você.
— Não, Edward. Não vou pedir ou deixar que faça isso. Nós sabíamos que acabaria algum dia. – Declarou tocando seus cabelos acobreados.
— Por favor... – Suplicou.
— Talvez possamos ficar juntos em outras vidas, meu amor. – Respondeu se levantando e caminhando, desaparecendo entre as árvores da floresta onde se encontravam.
~*~*~*~*~*~*
Ele caminhava de um lado a outro, impaciente, quando sua mãe entrou na sala.
— Queria me ver, querido? – A mulher perguntou, caminhando até a cadeira, ajustando suas sais e se sentando.
— Sim, mamãe. Existe algo que quero lhe contar. – Edward respirou fundo, passando as mãos entre os fios acobreados. – É sobre o tratado de paz com Genóvia.
— Não há o que ser discutido sobre isso, querido. Você se casará com a princesa Irina e firmaremos um acordo.
— Eu não posso mais honrar este acordo. – Retrucou, a olhando nos olhos. Olhos tão verdes quanto os seus.
— O que quer dizer com, não pode honrar este acordo, Edward?
— Não posso entregar meu coração a outra mulher. Não quando estou apaixona... – Disse, mas a rainha ergueu a mão, o interrompendo.
— Não ouse terminar esta frase. Você é o príncipe herdeiro e suas obrigações são com a coroa e sobre tudo com sua família. Eu espero que quando profere esta loucura, não se refere a certa dama de companhia.
— Mamãe...
— Quieto, garoto. – Ralhou, respirando fundo. – Eu deixei que isto continuasse, apenas porque pensei se tratar de uma aventura inconseqüente. Você não vai desertar do acordo com a Genóvia e vai se casar com a princesa Irina.
— Eu não...
— Já basta, Edward. Não digo isto como sua mãe. Digo isto como sua rainha e soberana Renée Bovero Charlotte Cullen.
— Então não importa o que eu acho? O que eu sinto? – Questionou, erguendo os olhos.
— Não quando está sendo insensato. – Respondeu, o olhando com desprezo. E agora chega disso. Não me obrigue a voltar aos seus tempos de menino e lhe dar uma lição. – Acrescentou se levantando, mas o olhando sobre os ombros. – Estamos entendidos?
— Isso ainda não acabou! – Rosnou, caminhando em direção a ela. – Eu a amo. Não me importo que ela não faça parte da nobreza.
— Já basta! Parece que não aprendeu nada. Diz que está apaixonado, mas não faz ideia do que isso significa. Do que precisaria abrir mão! Você é apenas um menino tolo que não quer cumprir suas obrigações. Você irá se casar com a princesa e se insistir nesta loucura, as conseqüências serão muito maiores do que pode prever. A começar por uma lição de obediência a sua rainha.
Renée se aproximou dele, segurando seu queixo com uma das mãos e olhando no fundo dos olhos.
— A primeira coisa que terá de aprender quando for rei, é sacrificar as coisas que deseja e ama em prol do seu povo.
— Eu não desejo nada disso! – Rosnou. – Se quer a perfeição ao trono, deveria colocar Alice como sua sucessora. Sabe que ela cumpriria suas ordens sem nem ao menos piscar.
— Alice não tem o que é necessário para governar. O povo não clama por ela como clama por você. Para minha sorte, seu problema é apenas a rebeldia. O que eu posso consertar com facilidade. – Sussurrou, olhando para a porta. – Guarda? Tragam meu chicote. – Proferiu essas palavras, fazendo Edward estremecer.
~*~*~*~*~*~*~*
— Bella? O que você tem minha menina? – A mulher perguntou, enquanto a menina se jogava em seus braços, deixando lágrimas correrem.
— Você tinha razão. Sobre ele, sobre tudo.
— Oh, querida. Eu tentei tanto lhe avisar. Eu sabia que ele não poderia manter isso por muito mais tempo.
— Eu sei disso. Foi por isso que coloquei um fim em tudo.- Declarou, erguendo o rosto.
— O que? – Charlote indagou, enquanto Peter as observava.
— Eu coloquei um fim em tudo. Você tinha razão, mamãe. Que fim eu poderia esperar?
— Eu sinto tanto, minha filha. – Acrescentou, a apertando nos braços, quando um pensamento dançou em sua mente, mas Peter o proferiu antes.
— Querida?
— Sim? – Bella perguntou, ainda fungando.
— Diga que não foram longe demais. Diga que não... Que não se entregou a ele. – Pediu, fazendo Bella corar.
— Papai!
— Eu preciso saber, minha filha. Porque se você foi inconseqüente a ponto de deixar as coisas irem para esse ponto, esse rapaz terá que assumir responsabilidades. Pouso me importa se ele é o príncipe herdeiro. Ele terá que assumir suas responsabilidades.
— Não, papai! Não me entreguei a ele.
— Francamente, Peter. O que acha que nossa menina é? – Questionou o olhando.
— Você sabe como jovens apaixonados são tão bem quanto eu, Char. Só quero garantir o bem estar da nossa filha.
— Nada aconteceu, papai. Agora é hora de voltar a realidade e me dedicar aos meus afazeres. E mesmo que eu não possa mais vê-lo, ainda o verei em meus sonhos e em meus quadros.
Bella se levantou, caminhando até seu pequeno quarto. Já anoitecera e o quarto era iluminado apenas pelas velas. Ela caminhou até o outro lado, tocando a tela com os dedos. Absorvendo cada detalhe da pintura que havia feito.
— Quem sabe em outra vida, meu amor. Quem sabe em outra vida. – Sussurrou tocando o rosto do homem de sua vida.
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