No teu olhar

3 Capítulo 03 - Você não sabe o que é amor


Notas iniciais
Não é miragem!! Eu voltei com capítulo sim!!! Depois de passar por um mega bloqueio, finalmente estou de volta. Quero agradecer a todos que mandaram mensagem perguntando se estava bem. Agora voltei e vamos ver o que vai dar.

— Princesa? – Bella ouviu seu pai chama-la e se levantou, correndo em direção a ele.

— Você trouxe, papai? – Perguntou, ainda segurando uma de suas bonecas.

— E alguma vez eu te decepcionei, querida? – Charlie declarou, tirando das costas uma sacola com tintas, pinceis e folhas em branco.

Ao olhar para o material, os olhos de Bella se encheram de brilho, enquanto ela espalhava tudo pela sala.

— Nada disso, querida. – Renne interrompeu. – O combinado foi, nada de tinta no tapete.

— Sim, mamãe. – Bella respondeu, apanhando tudo e correndo em direção ao seu quarto. Nada poderia impedi-la agora.

— Por que a menina não pode ficar aqui, Renée? – Charlie perguntou. – São só algumas tintas.

— Porque temos um acordo. Se eu permitir que ela fique e pinte em qualquer lugar, logo as paredes estarão cheias de rabiscos. – Retrucou, passando as mãos em seu avental, perfeitamente alinhado.

— E as paredes da sua casa estarem sujas com os desenhos da sua filha, seria um erro imperdoável, não é? – Questionou, trincando os dentes.

— Não há motivo para cena, Charlie. Bella conhece e entende as regras. Agora, se já acabou...

— Sim. Eu só trouxe o material e não vou mais tomar seu tempo. Diga a Bella que eu a amo e lhe dei tchau.

— Ela sabe dessas coisas.

— Mas ainda sim, quero que diga. Isso é claro, se não for demais para o seu coração frio.

— Foi você que nos deixou. Não aja como se eu fosse a megera frívola. – Rosnou, voltando a se recompor em segundos.

— Não, claro que não. A culpa foi minha, não é? Sempre que eu chegava em casa e você mal olhava para mim, sempre que não respondia quando eu dizia o quanto eu te amava, e sempre que não correspondia aos abraços da sua filha e aos meus beijos, aquilo era sempre minha culpa.

— Isso não tem mais importância. O que está no passado, deve ficar onde está. – Respondeu, indicando a porta.

— As vezes, eu queria ter tido coragem de ter pedido a guarda dela. Imaginar como ela tem crescido aqui com você, tira meu sono de noite.

— Mas ainda sim, tudo que você tem feito são visitas esporádicas, freqüentes o suficientes para me deixar no papel de uma mãe ruim.

— Talvez eu devesse...

— Você não vai tira-la de mim, Charlie. Esqueça isso. – O interrompeu, com os olhos começando a demonstrar uma centelha de raiva.

— E o que você faria se eu tentasse? – Indagou

— Você sabe o que eu faria. – Respondeu.

— Eu cometi erros. – Murmurou. – Isso não quer...

— Sim, você cometeu erros. E o maior deles foi deixar rastros. Agora eu quero você fora da minha casa. – O interrompeu, apontando para a saída.

E a olhou, pensando na possibilidade de enfrentá-la, mas logo desconsiderou a ideia. A vida toda fora um covarde e não ia mudar agora. E com essa linha de raciocínio, partiu.

~*~*~*~*~*~*

Dias haviam se passado desde a ultima visita de seu pai, mas Bella continuava a desenhar e a pintar.

Ela estava terminando o primeiro retrato, quando ouviu a porta se abrindo.

— Esse é diferente. – Renée declarou, se aproximando.

— É uma coisa que eu queria tentar. – Respondeu, lavando os pinceis.

— E quem é? – Perguntou, analisando os traços do rosto desconhecido.

Aquela pergunta fez com que Bella perdesse a voz. O que poderia dizer? Dos seus sonhos? Aquilo sim pareceria loucura.

— Eu não tenho certeza. Apenas veio na minha cabeça. Talvez nem mesmo exista. – Respondeu, desviando o olhar. – Você pode comprar mais tintas? E talvez um cavalete?

— Eu posso pensar. Você realmente leva jeito e talvez não seja um completo desperdício.

— Obrigada.

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Três meses depois.

— Bella? Bella? – Renée a chamou, mas não houve resposta. Ela subiu as escadas, passando pela porta do quarto, que estava vazio. – Onde foi que essa menina se meteu? – Questionou, parando ao ouvir um barulho.

Ao abrir a porta do antigo escritório, Renée arfou de surpresa.

— O que é isso? – Questionou, olhando para a bagunça de tintas e quadros espalhados.

— Meu ateliê particular. – Bella respondeu, prendendo o cabelo e voltando a pintar.

— E quem autorizou essa mudança? – Indagou.

— Meu quarto não é grande o bastante e eu preciso de um lugar para os meus quadros.

— Então decidiu invadir o meu escritório? – Questionou.

— Eu não invadi o seu escritório. Esse é o escritório do papai.

— Charlie não tem nada dentro dessa casa e você deveria saber disso. Ele foi embora e está na hora de aceitar. Não é mais uma criança.

— Ele não teve escolha! Você não lhe deu escolha — Ela gritou.

— É nisso que você prefere acreditar? Que eu não deixei escolha? Se ele fosse ao menos um bom pai...

— Ele é um bom pai! – Respondeu.

— Ele é mesmo? E qual foi a ultima vez que ele deu o ar da graça? Faz mais de três meses.

— Você não sabe o que diz. – Retrucou.

— Não sei? Então me diga você, Isabella? Se ele é um pai tão bom, por que não pediu sua guarda quando teve a chance? Por que se limitar a fazer algumas visitas? Por que aparecer apenas para me deixar como a vilã?

— Você não precisa dele para isso. – Gritou.

— Você diz essas coisas porque não conhece a verdade. E a única razão pela qual eu permito que você continue com essa estupidez que é a pintura, é porque você tem talento, mas isso está fora de controle. – Declarou, dando as costas.

— E o que você vai fazer? Jogar tudo fora? Me prender no quarto? Eu realmente gosto de pintar. Eu amo meus quadros e não há nada que você possa fazer. E mesmo que você jogue tudo fora, o papai vai me comprar outros e ... – Respondeu, fazendo Renée se virar.

— Você tem se encontrado com ele? – Questionou, fazendo as palavras ficarem presas na garganta de Bella. – Responda, Isabella!

— Ele pelo menos me ama. – Foi tudo que ela respondeu.

— E eu não? Eu te dou um teto, comida, estudos e tudo que seus caprichos desejam. O que ele te da? Um pincel e um espírito rebelde? Você diz que ele te ama. Quando amamos alguem, não conseguimos deixa-lo. Você diz que ele a ama. Acha que ele seria capaz de ficar meses longe de você se isso fosse verdade? Você usa essa palavra, mas não faz ideia do que significa. – Respondeu, se aproximando. – Você diz que o ama, como se eu não amasse o bastante.

— Bem, — começou a dizer, olhando direto nos olhos de Renée, eu não acho que ame de verdade, já que precisaria de um coração para isso e você não tem nenhum. – Respondeu. – Sabe o que eu acho? Você me sufoca e me prende porque não conseguiu segurar o papai.

Ao ouvir essas palavras, Renée perdeu o controle, erguendo sua mão, parando apenas quando ouviu um estalo e sentiu seus dedos formigarem, enquanto Bella continuava caída.

— Bella? – A chamou, se aproximando, mas ela se encolheu para longe.

— Não toque em mim! – Ela gritou, agarrando as pernas, enquanto ainda atônita, Renée saiu do escritório.

Ao perceber que estava sozinha, Bella se levantou, olhando para seu quadro. E lá estava ele. O rapaz de cabelos ruivos e olhos verdes, ainda a encarava e ela continuava sem ter ideia de onde ela o conhecia, alem dos seus sonhos é claro.

Notas finais
Renee parece uma bruxa, mas tem uma razão. E logo vocês vão descobrir. No próximo capítulo vamos voltar a outra época. Será que Edward quebrou a promessa? E quem será a rainha dumal? Continuem acompanhando e comentando. bsj!