No teu olhar
11 Capítulo 11 - Porque o passado sempre volta
Notas iniciais
1 ano depois
— Vem, Bella. Nós vamos nos... – Ela ouviu alguem a chamar, mas não deu atenção. Seus olhos estavam focados no livro em suas mãos. O livro que há um ano atrás, ela leu, questionando seu falecido avô sobre o significado do amor.
Ainda se lembrava da sensação ao terminar de ler.
Flashback On
— Você mentiu!- Choramingou, invadindo a casa de seu avô.
— Isso são modos? Pensei que a desnaturada da minha filha tivesse te dado educação melhor, menina. – A advertiu, mas parou ao ver o livro que ela tinha nas mãos. – Ah, então você terminou.
— O senhor disse que era uma história de amor! Isso... Isso não é... Isso – Apontou para o livro- É tudo, menos uma história de amor.
— Acho que isso depende do ponto de vista, querida. – Respondeu, batendo no lugar ao seu lado, indicando para que ela se sentasse. – Foi uma história de amor. Mas eu nunca disse que tiveram um final feliz, Bella.
— Mas ele... O príncipe foi tão... Tão covarde! – Resmungou. – Deixou que a rainha o obrigasse a se casar, enquanto a criada passou a vida trancada na torre.
— É uma maneira de analisar. Mas e se você analisar de outra maneira? – Questionou. – Então, o que você vê?
Bella olhou para o livro, mas não disse nada.
— Me de o livro, querida. Vamos voltar a uma parte importante. – Declarou, pegando, folheando as páginas. – Ah, aqui. Encontrei. Você leu até o final, querida? – Indagou, já sabendo a resposta.
— Não... – Murmurou.
— Imaginei que não. Bem, ainda sim, vou lhe contar o que aconteceu com o jovem casal desafortunado.
Bella se ajeitou no sofá, puxando suas pernas contra o peito, apoiando o queixo nos joelhos.
— Edward realmente se casou com a princesa Irina, como a rainha havia ordenado. Aliás, Irina era uma boa moça. Nunca exigiu ou cobrou nada do rapaz, porque sabia que ele amava outra. – Explicou. – Continuando. Eles nunca tiveram um filho, o que deixou a rainha ainda mais irada. Sabe por que, Bella? – Ele perguntou e ela negou.
Folheando mais algumas páginas, ele mostrou o livro para ela.
— Porque do amor proibido dele com Isabella, nasceu um menino.
— Eles... Eles tiveram um filho? Eu não.. – Murmurou surpresa. – Ela disse ao pai que nunca...
— Ela mentiu! Precisou mentir. Além disso, Isabella pensou que o menino havia morrido no parto. É claro que a rainha acrescentou alguns detalhes, dizendo que Edward estava ocupado demais para cuidar de um bastardo, quando o primeiro herdeiro havia nascido.
— Ela acreditou? – Questionou. – Acreditou que o príncipe havia a abandonado?
— Que outra escolha ela tinha? Edward nunca a visitava. É claro que ele tinha um motivo para isso. Da primeira vez que a rainha o pegou tentando vê-la, o ameaçou. Disse que se ele a encontrasse novamente, a mataria. E o filho que ela carregava também. – Acrescentou.
— Ele sabia!
— Claro. Mas o que ele poderia fazer? Algum tempo depois do nascimento, Isabella não resistiu, morrendo também. Essa é uma parte triste, é verdade.
— E o que aconteceu depois, vovô? – Perguntou, curiosa.
— Na época, ele havia sido proclamado rei, e mandou que construíssem uma cripta para ela. Irina nunca o amou. Eram apenas bom amigos em um casamento por conveniência. E então veio a praga... – Murmurou, olhando para Bella. – E a rainha ficou doente.
— Ela... ela morreu?
— Foi um fim digno. Depois de tantas maldades, a praga a consumiu. Veja, tem uma frase, onde ela está no leito de morte.
O avô abriu o livro, procurando...
“- Você teve sorte garoto... – Murmurou, tentando respirar. – Ao menos a praga não irá matar você.
Edward se aproximou da mãe, sussurrando em seu ouvido.
— Eu já estou morto há muito tempo. E a única praga responsável por isso, foi você. – Declarou. – Você me matou quando a tirou de mim. – Acrescentou se afastando, enquanto a rainha dava seu ultimo suspiro. “
— Ela morreu? – Bella perguntou, arregalando os olhos. – E a criança? O filho deles? Ela realmente o matou?
— Não. A criança foi bem cuidada. Edward sempre soube onde o menino estava e fez questão de cuidar dele. E quando a rainha morreu, e já não era mais um perigo, levou o filho para viver no castelo, uma vez que Irina não podia ter filhos, eles o criaram. O menino se tornou rei.
— Eu nunca... Nunca pensei que isso aconteceria.
— E não é só isso. Ele não apenas se tornou um rei. Mas um rei bom, generoso e puro. Antes de morrer, Edward contou a história deles ao menino, pedindo perdão por não ter sido forte o bastante para salvar a mãe. Quando morreu, seu corpo foi colocado junto com o de Isabella, na cripta que havia mandado construir.
Ao terminar de contar a história, estendeu uma foto para Bella.
— Quem é? – Ela perguntou, analisando a imagem.
— Esse, é Anthony Maximus Swan Cullen, o tataravô, do seu bisavô.
— O que? – Questionou, confusa, enquanto olhava para a foto. – Quer dizer que...
— Eu nunca disse que era uma fantasia, querida. Essa... – Apontou para o livro. – É uma herança de família. E agora é sua. A história deles não teve um final tão feliz, mas é assim que acaba, querida. Aqui, leve. – Declarou estendendo o livro. – Leia e fique com você. Ele é seu agora.
— Mas, vovô... – Protestou, mas ele ergueu a mão.
— Não discuta com este velho, menina. – Segurou o livro contra o peito e saiu.
Aquela foi a última vez que viu seu avô.
Flashback Off
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— O que é isso? – Rosálie, sua melhor amiga e agora colega de apartamento perguntou.
— É um livro. Fazia tanto tempo... – Murmurou tocando a capa. – Eu emprestei para um amigo, mas nunca mais o encontrei.
— É mesmo? – Questionou, olhando sobre o ombro de Bella. – Como ele veio para aqui? – Acrescentou.
— Eu não faço ideia. – Respondeu, pensando nas possibilidades.
Um ano atrás, sua vida havia mudado radicalmente. Saiu de casa, do controle obsessivo da mãe, arrumou um emprego e morou um tempo com Rosálie e os pais dela, até se formar no colégio. Tentou manter as aulas de piano, mas era muito mais difícil.
As aulas eram no apartamento de Edward, uma vez que ela não tinha mais o piano. Mas elas se tornaram cada vez menos freqüentes, até que pararam. Na ultima vez que havia o visto, havia se formado no colégio e estava a caminho de uma faculdade em Boston. Cursaria artes, enquanto Rosálie faria administração.
Ao ver o livro na sua frente outra vez, se lembrou daquela ultima noite.
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