No teu olhar
7 Capítulo 07 - Doces sonhos
Notas iniciais
— Olá, me chamo Edward. Acho que temos uma aula marcada. – O homem a sua frente declarou, estendendo sua mão. Bella a pegou suavemente, com medo de que aquela imagem desaparecesse diante de seus olhos.
— Bella. – Se apresentou, incapaz de desviar o olhar.
— Podemos começar a aula? Está bem ruim aqui fora. – Retrucou, se encolhendo para dentro e ela balançou a cabeça, como se acordasse de um sonho. De um sonho como todos nos últimos anos.
Com um passo para trás, ela lhe deu passagem, se lembrando de seus sonhos.
— Você está bem? – Edward questionou, quando a viu empalidecer.
A respiração de Bella parecia estar presa em sua garganta. Ela podia sentir suas mãos frias e tremulas, mas se viu incapaz de proferir uma única palavra, antes que a escuridão a tomasse.
Suas pálpebras tremeram, enquanto ela abria os olhos e encarava um teto. Ótimo, tudo não passou de um sonho, pensou.
— Bella? – Ouviu uma voz a chamando, fazendo com que todo seu corpo gelasse no mesmo instante. Então, ao olhar para o lado, pôde ver que aquilo fora real.
Seu príncipe medieval estava bem a sua frente.
— Pode me ouvir? – Ele perguntou, e ela pôde sentir preocupação em sua voz. Se não pelo fato de que ele também sonhava com ela, mas talvez porque não seja nada bom para sua reputação de professor, ter alunas desmaiadas ao seu alcance.
— Sim. Acho que foi a pressão. Eu não... Eu me sinto melhor agora. – Declarou, tentando a todo custo, manter sua voz controlada.
— Tem certeza disso? Eu tentei ligar para a senhora Swan, mas eu não...
— Estou bem. – Respondeu se sentando. – Eu juro, respondeu se levantando e caminhando até o piano. Ela podia sentir o olhar dele sobre ela.
— Se você diz... – Retrucou se aproximando. Estavam prontos para a primeira lição.
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Bella tocava as teclas, sem realmente se importar com o som que faziam, quando a porta foi aberta.
— Vejo que a aula foi ao menos produtiva. Você mal se aproximava do piano e agora está sentada aí. – Renée declarou, entrando e colocando sua bolsa sobre o sofá. – Espero que tenha se comportado.
— Eu fiz. – Murmurou, parando de tocar, apenas encarando o vazio.
— Fale alto, Isabella. Sabe que eu não suporto quando você resmunga. – Declarou, apertando as temporas. – Eu marquei as aulas três vezes na semana. Acha que é o bastante?
— Eu não me importaria que fossem todos os dias. Uma vez que você se livrou dos meus pinceis e não me deixa sair com minhas amigas...
— Eu já disse que aquela garota não é boa companhia para você. E quanto aos quadros, você estava obcecada com aquilo! Tudo que eu faço é...
— Para o meu bem... – Completou com desdém. – É o que você diz.
— Bem... Ao menos fico feliz que não tenha tentado algo para se livrar do professor. – Explicou, se virando, mas antes que pudesse sair, Bella a chamou.
— Mamãe? – Renée se virou, já bastante impaciente. – Você o conhece? – Questionou. Renée havia visto seus desenhos e não havia como não notar a semelhança entre seu professor de piano e o homem que rondava seus sonhos.
— Não, Isabella. Tudo que sei sobre ele são suas referencias e seu caráter. No entanto, nunca o vi. – Explicou suspirando ao se voltar para a filha. – Você pode não acreditar nisso, mas eu jamais a colocaria em risco. Se eu a deixei sozinha com ele, é porque tenho certeza de que é perfeitamente seguro. Não tem com o que se preocupar.
— Eu sei. – Respondeu se levantando.
— Ótimo. Agora vá dormir. Está tarde. Se acha que pode ter aulas todos os dias, ficarei mais do que feliz em providenciar isso.
— Boa noite, mamãe. – Se despediu, caminhando para seu quarto.
Ao se sentar sobre sua cama, abriu a gaveta, tirando de lá alguns retratos. Os únicos que sobreviveram a sua mãe.
E olhando para ele, se deitou, adormecendo, voltando para a terra dos sonhos, onde encontraria seu príncipe.
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Edward acabara de chegar em casa. Se livrou de seu casaco, esticando seus músculos, enquanto caminhava até o chuveiro. Estava exausto. Só desejava um banho e sua cama.
Pelos últimos dois anos, a noite se tornara a melhor parte de seu dia. Pois sabia, que tornaria a vê-la.
Não que houvesse realmente um rosto para ver, uma vez que tudo que estava ao seu alcance, era um vestido azul simples e uma massa de cabelos cor de mogno que cobriam seu rosto.
Por mais que tentasse, não era capaz de ver o rosto daquela que se apossava de seus sonhos toda e cada noite.
Sua cama parecia tentadora naquele momento, mas ele tinha tempo para um pouco mais de distração.
Edward caminhou pelo apartamento, até se sentar ao seu piano. Relembrando o dia. Se lembrando dela.
Era a primeira vez que uma aluna lhe causava sensações estranhas. Por Deus, ela era apenas uma menina. Mas tudo que conseguia fazer era pensar nela. Talvez fosse a cor do cabelo, caído sobre seu rosto quando ela perdeu a consciência, mas Deus, como ela se parecia com sua garota. A garota que fazia com que ele quisesse viver no mundo dos sonhos.
Quando ela abriu a porta, parecia ter visto um fantasma. Ele sabia que estava molhado, mas não podia ser tão ruim. Então um momento depois, ele pôde ver a consciência deixa-la, enquanto ela desmaiava.
Ela quase atingiu o chão, até que ele deu um passo e a tomou nos braços. Só esperava que não tivesse problemas.
Com ela ainda nos braços, caminhou até o sofá, depositando seu frágil corpo ali, enquanto ainda a observava.
Ele queria chamar ajuda, mas o que poderia fazer? A única que tinha o contato era a mãe da menina, e inferno, a mulher nem sequer atendia o celular.
Depois do que lhe pareceu uma eternidade, a consciência tomou o corpo da garota, que voltou a abrir os olhos. Ele já esperava que ela o mandasse embora, mas qual foi sua surpresa, quando ela disse que queria que ele ficasse?
Ainda contrariado, e bastante desconfiado, Edward fez o que podia. Começou a ensina-la.
Agora lá estava ele, sentado em seu próprio piano, enquanto repassava o dia de novo e de novo em sua mente, em busca de uma resposta para o que diabos havia acontecido.
Uma hora havia se passado, quando ele finalmente sentiu o cansaço tentando domina-lo. Então, sem relutar, ele caminhou até o próprio quarto.
— Finalmente... – Murmurou se deitando e fechando os olhos. Esperava, mesmo que inutilmente, tentar ver um rosto essa noite. – Por favor... – Murmurou, antes da inconsciência tomar seu corpo, e puxa-lo para a escuridão.
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