No te Quiero más
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Maria não conseguia trabalhar, algo estava errado, algo tão ruim que a fazia ter um arrepio na espinha.
— Maria precisamos conversar. – Estevão trancava a porta. – Há algo de errado com a Estrela, hoje ela não saiu do quarto e não quer abrir a porta pra ninguém, eu não sei, mas temo o pior.
— Como? – Seu coração parou por um instante. – Vamos.
Ele a viu guardar alguns documentos e pegar a sua bolsa. – Vamos pra onde?
— Você vai levar a sua noiva pra almoçar em casa. – O olhou como se fosse óbvio. – E não esquece dos meninos, tenho de falar com a Estrela.
— Noiva é? – Ele cruzou os braços e sorriu. – Minha noiva, soa melhor do que na primeira vez.
— Para de ficar se iludindo e vamos. – Ela segurou o braço dele e o arrastou para o elevador.
—Vamos almoçar na minha casa meninas. – Estevão falou para as suas secretárias. – Qualquer coisa estamos no celular.
/.../
Em um quarto escuro uma menina antes alegre estava deitada em estado de luto, não tinha forças pra levantar, havia chorado muito nas últimas horas e a sua dor de cabeça não era nada comparado a dor em seu coração, suas tias, seus irmãos e até seu pai havia tentado conversar com ela, mas como dizer a eles? Se nem ao menos conseguia dizer o acontecido a si mesma?
Em meio aos seus pensamentos ouviu batidas na porta.
—Estrela? – sua voz era mansa.
— Maria? – Estava surpresa.
— Estrela, abra a porta, por favor. – Não havia mudança de tom na sua voz.
— Estou indisposta, vá embora. – As lágrimas voltaram.
— Eu sei que não está, e não precisa me falar, apenas me deixe entrar.
Estrela decidiu abrir a porta e voltou para a sua cama.
Maria entrou no quarto e no meio da escuridão pôde ver os olhos marejados da sua menina, ela se sentou na cama e a puxou para um abraço.
/..../
— Eu não acredito Estevão, como pode trazer aquela coisa pra nossa casa? – Alba estava furiosa. – Isso é um absurdo.
— Gostei de ver a Mary Chula, ela está muito linda.
— Se for pra falar essas idiotices é melhor calar a boca Carmem.
— Vamos parar com isso. – Estava farto. – Tia, uma hora ela iria ter que vir pra cá, vamos nos casar é melhor se acostumar, não queria ser rude, mas o que me preocupa é a minha filha.
— E você acha que a Estrela vai abrir a porta pra uma estranha? Se ela não abriu pra mim que sou como uma mãe para aquela menina.
— Não custa nada tentar, porque pra todos os efeitos Maria é a mãe dela.
— Não é porque pariu seus filhos significa que ela sabe o que é ser mãe. Vamos Carmem, como a senhora desta casa preciso ver os preparativos para o almoço. – E saiu brava.
/.../
Estrela se sentia uma criança novamente, mas uma criança sendo amparada por sua mãe.
— Me desculpa senhora. – Tentava se recompor. – Não queria te molhar.
— Eu me importo mais com você do que com as minhas roupas. – Maria enxugou as lágrimas da sua filha. – O que houve pequena?
Por mais que tentasse não conseguia falar, foi quando Maria acendeu o abajur e viu marcas no pescoço da sua filha.
— Por favor Estrela. – Ela temeu a resposta. – Eu vejo marcas, é algo relacionado a elas?
— Sim. – Não conseguia a olhar nos olhos.
— Vem. – Voltou a abraçar e chorou junto com ela. – Eu vou cuidar do idiota não se preocupa.
— Não Maria, não quero que ninguém saiba.
— Sei que é difícil, mas ele tem de pagar e a sua família tem de saber, tenho certeza que você não tem culpa do que aconteceu e eles também vão ter essa certeza
Maria passou mais um tempo dentro do quarto, ficou ali até a sua menina voltar a dormir.
/.../
— Eu não entendo papai, como a Estrela abriu a porta para a senhora Maria?
— Anjinho, Maria é uma pessoa maravilhosa. – Carmem o respondeu.
— Como pode saber disso se nem a conhece tia?
— Heitor Chulo, têm coisas que nós sabemos só de olhar.
— Se tem uma coisa que sei sobre a Maria. – Estevão olhou para todos a mesa. – Tudo que ela quer, ela consegue.
— Isso deu pra perceber. – Alba comentou irônica.
— Estão falando de mim? – Maria chegou na sala de jantar.
— Como não falar. – Estevão aproveitou a oportunidade para beija-la. – Como foi com a Estrela.
— Foi bem, mas precisamos conversar assim que chegarmos na empresa.
— Tudo bem. – Puxou a cadeira para que ela se sentasse. – Vamos comer.
/../
Durante todo o caminho Maria ficou quieta, chegando na empresa foi direto aonde Carlos estaria.
— Carlos precisamos conversar. – Foi curta e grossa.
— Senhora Maria. – Lhe sorriu. – Vou estar disponível daqui há 1 hora.
Maria perdeu o controle e lhe deu uma forte bofetada nele.
— Maria porque fez isso? – Estevão a segurou pela cintura.
— Você está demitido.
— Posso saber o porquê ? E ainda mais porque dessa agressão? – Carlos a olhava com ódio.
— Porque você é um covarde, quer se aproveitar das mulheres? Agora vão se aproveitar de você. – Ela olhou os policiais. – Aqui senhores.
— O QUE? VOCÊ É LOUCA? – Ele foi para cima dela.
Estevão ficou entre eles e olhou bem na cara do Carlos – Na minha esposa você não toca. – Ele olhou para Maria e disse – Na minha sala, você vai ter que me esclarecer toda essa história.
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