No te Quiero más
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Maria estava sentada tentando controlar o seu temperamento, mesmo sendo quase impossível porque o safado mexeu com a sua filha.
— Lupita, pega um pouco de gelo, por favor. – Estevão desligou o telefone. – Me fala o que aconteceu.
— Aquele incompetente, eu devia ter dado um soco nele, sei que poderia ter quebrado a minha mão, mas valeria a pena quebrar o nariz daquele idiota. – Ela não conseguia prestar atenção em mais nada.
— Maria? – Lupita chegou com o gelo e deu para Estevão. Ele foi até Maria e pôs a mão dela no gelo sem ao menos ela perceber.
— Safado, idiota, eu devia ter arrancado o saco dele.
— Epa. – Ele se afastou e colocou a mão para proteger o seu membro. – Você está me assustando.
Foi quando ela percebeu que a sua mão estava no gelo. – Precisamos ir para a polícia.
Ele a segurou antes dela alcançar a porta.
— Calma, me explica o que está havendo. A única pessoa que você ameaça a cortar o saco sou eu.
Ela respirou fundo, sabia como ele iria reagir. – Carlos abusou da Estrela. – Fechou os olhos.
Estevão soltou os braços dela e começou a respirar como um touro raivoso. – Vamos. – Voltou a segurar pelos braços e a arrastou até o elevador.
No carro Maria ligou para Rodrigo, além de amigo ele também é advogado, ele aconselhou levar Estrela até a delegacia e ele os encontraria lá.
/../
— Estrela, você precisa ir. – Estevão tentava convencer a sua filha a ir até a delegacia.
— Eu não quero, me deixa em paz. – Estevão tentou abraçar a sua menina mas ela gritou. – NÃO TOCA EM MIM.
— Mas você precisa ir, o delegado não vai poder segurar ele por muito tempo se você não for fazer o exame de corpo de delito.
— Me deixem aqui sozinha. – Ela deitou na cama. – Por favor.
Maria vendo o sofrimento da sua filha e a aflição de Estevão decidiu tomar as rédeas da situação.
— Estevão me espera lá embaixo. – Quando ele saiu, ela sentou na cadeira perto da cama. – Estrela eu sei que dói o que está sentindo agora, mas se você não for, ele pode fazer isso com outras mulheres, eu te conheço o suficiente pra saber que o que você sente não quer que mais ninguém passe por isso.
— Eu não tenho forças Maria. – Sussurrou ainda de costas na cama pra ela.
— Olha, eu fui molestada pelo meu pai durante algum tempo, não falo de boca pra fora quando falo que sei o que está passando dentro de você. Eu tinha 5 anos quando a minha mãe morreu, e meu pai começou a me tocar quando eu tinha 6 anos, não sabia o que estava acontecendo, mas me sentia suja, culpada e tantas outras coisas erradas, quando completei 10 anos fugi de casa. Mas acabei tendo um acidente na rua e me levaram para o hospital, foi ali que descobriram tudo e acabei em um orfanato. Hoje eu não vivo com medo e ele ter sido denunciado foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
— Eu não sabia disso. – Seus olhos eram tristes.
— Eu nunca contei isso pra ninguém. – Deu um fraco sorriso. – Nem para o seu pai.
— Eu não sei o porque, mas confio em você. – Disse secando as lágrimas. – Eu vou trocar de roupa. Ah! Não sei se ajuda, mas a roupa daquela noite está debaixo da cama, eu não quero chegar perto.
— Tudo bem eu levo.
/../
Maria, Estevão e Rodrigo estavam na sala do delegado.
— Fizeram bem ter vindo a delegacia, nós fizemos todos os procedimentos padrão e também demos um coquetel de remédios para doenças sexualmente transmissíveis. Nossa legista conseguiu encontrar pelos pubianos e sêmen na cavidade genitália da sua filha, com isso podemos oficialmente acusar o meliante de estupro.
— Esse imbecil vai passar quanto tempo na cadeia? – Estevão perguntou.
— De 6 à 10 anos de prisão, mas isso vai depender do juiz.
— Só isso? – Levantou indignado.. – Esse verme deveria apodrecer na cadeia.
— Calma Estevão.. – Maria tentava conte-lo.
— Eu também concordo com o senhor, mas conhecendo os que já estão presos, o acusado não vai viver no mar de rosas.
— Não se preocupe, eu como advogado vou me certificar que ele pegue a sentença máxima.
Estevão e Rodrigo não tinham uma boa relação, mas o que e estava fazendo pela sua filha não tinha preço. – Obrigado Rodrigo.
— Antes de irem – O delegado chamou a atenção deles. – Vou deixar o cartão dessa psicóloga, é de minha inteira confiança. A senhorita Estrela vai precisar de muito apoio agora..
— Obrigada Delegado pode deixar conosco.
Maria chamou Estevão de lado.
— Hoje eu vou dormir na mansão.
— Claro Maria, vou ligar e pedir pra preparar um quarto pra você. – Ela viu o quanto ele estava tenso com a situação, pois não fez nenhuma piada. – Olha Estevão tudo vai ficar bem, Carlos vai pagar muito caro pelo que fez e nós vamos ajudar a nossa menina.
Ele a puxou para um abraço. – Não sei o que faria sem você aqui. – Ficaram mais um tempo abraçados, mas antes de se soltarem. – Eu preciso mesmo pedir pra preparar um quarto pra você? Você pode dormir comigo na nossa cama.
— Você sempre tem de estragar tudo abrindo a boca não é?
— O que posso fazer? Uma hora vai dar certo. – Sorriu.
— Já podemos ir. – Estrela chegou de cabeça baixa.
Partiram para o apartamento da Maria para que ela pegasse algumas mudas de roupas e depois direto para a mansão.
Ao abrirem a porta Alba e Carmela vieram até Estrela.
— Estrelinha. – Abraçou ela. – Vem fiz um suquinho pra você.
— Não estou com sede tia.
— Mas você deveria comer alguma coisa está tão magrinha, FILHA. – Alba disse esta última palavra para alfinetar Maria.
— Eu vou para o meu quarto. – Estrela subiu.
— Vou levar as suas coisas e por ela na cama. – Estevão avisou Maria.
— Como assim? – Mas Estevão já havia saído. – Vai passar a noite aqui?
— O que acha? – Maria revirou os olhos.
— Por acaso você não tem casa? Pensei que estava acostumada a dormir no chão, já que esteve presa durante anos.
Maria pegou no cabelo dela e olhou bem nos seus olhos.
— Eu espero que você não esqueça disso Alba, porque na cadeia aprendi muito bem me defender e respondendo a sua pergunta, sim eu tenho uma casa e você está morando de favor nela. – Soltou ela. – Boa noite Carmela.
— Boa noite Mary.
— Você viu o que essa delinquente fez? Ela já perdeu o respeito por tudo e ainda se diz mãe, essa criminosa. – Bufava de raiva.
— O que ela fez? – Carmela se fez de inocente. – Eu virei pra procurar meu isqueiro, perdi alguma coisa?
— Outra incompetente. – Saiu brava para os seus aposentos. – Mas todos vão me pagar.
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