No meio do caminho tinha um poste de luz, que piscava, fazendo o ambiente oscilar entre o mais claro e a penumbra.

— Espero que não se importe. — puxou uma cadeira e sentou ao meu lado, à janela.

Gelei.

— Achei que estava só.

— Você nunca está.

— Nunca?

Balançou a cabeça em negativa.

— Ninguém jamais está. — completou.

— O que quer dizer?

Um suspiro.

— Sempre cercado de pessoas vis.

Desta vez eu que balancei a cabeça.

Silêncio.

O poste se apagou por completo, com um estalo.

— Como chegou até aqui? — perguntei, reencontrando a voz.

Contudo, quando olhei para o lado, já estava só.