— O que é você? — inquiri.

Riu, e eu estremeci.

— Você não sabe?

Silêncio.

A escuridão estarrecedora parecia me oprimir.

— Não. — minha resposta veio seca.

— Não o culpo. Eu mesmo não me reconheceria.

E se calou. E me calei.

O calor abafado da noite me sufocava ainda mais que as lembranças vindas com o silêncio. A serependidade dos meus anos de ouro já não eram motivo de orgulho.

— Dói, não é? O passado. — divertiu-se.

Mas não, não doía. Ao contrário, era quase um alívio lembrar que eles haviam passado.

— O que quer comigo? — perguntei.

Mas a essa altura já estava só.