O Sol bateu em meu rosto, despertando-me. Não sei quando dormi, mas as gimbas de cigarro e uma única garrafa vazia fizeram-me querer jamais ter acordado. Talvez fosse melhor para todos se já tivesse partido.

— Você é uma vergonha! — falou.

Mas não reagi.

Eu sabia.

Era verdade.

Lembrava-me da infância, quando encontrava minha mãe no quarto sozinha, exatamente no mesmo estado em que agora me encontrava.

Ela chorava.

Pedia desculpas.

E então se sentava e lia-me poemas, sonetos. As sextilhas eram seus favoritos.

Mas eu não tinha filhos a quem recitar poesias.

Não tinha crianças pra se envergonharem de mim.