No fim do túnel
7 Zazpi
O Sol bateu em meu rosto, despertando-me. Não sei quando dormi, mas as gimbas de cigarro e uma única garrafa vazia fizeram-me querer jamais ter acordado. Talvez fosse melhor para todos se já tivesse partido.
— Você é uma vergonha! — falou.
Mas não reagi.
Eu sabia.
Era verdade.
Lembrava-me da infância, quando encontrava minha mãe no quarto sozinha, exatamente no mesmo estado em que agora me encontrava.
Ela chorava.
Pedia desculpas.
E então se sentava e lia-me poemas, sonetos. As sextilhas eram seus favoritos.
Mas eu não tinha filhos a quem recitar poesias.
Não tinha crianças pra se envergonharem de mim.
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