— Eu odeio você. — me ouvi dizer.

— Justo.

Justo.

Era tão simples. Tão fácil. Tão ridiculamente aceitável.

— Por que você não vai embora como das outras vezes? — não sei de onde viera aquele questionamento.

— Porque você precisa de mim aqui agora.

— Preciso? — deixei escapar uma risada amarga, que fez minha cabeça doer — Pra quê? Pra desquietar o meu luto?

Um período desconfortável de silêncio se seguiu.

Eu o sentia na minha pele coçando.

No arrepiar da minha espinha.

— Responda! — berrei.

— Você não quer saber.

— Responda!

— Seu luto é uma mentira. Tudo o que resta agora é arrependimento.

Não riu. Nem eu.