Pov Elisa

Acordei de manhã com o despertador tocando. Me levantei, tomei um banho e fui escolher uma roupa, acabei colocando uma blusa branca curta que fechava atrás do pescoço, uma saia branca com flores azuis, um blazer da cor salmão, uma sandália da mesma cor, uma bolsa de um rosa bem clarinho e algumas pulseiras e brincos. Na maquiagem, bem básico, base, pó, blush, uma sombra rosa clarinha, rímel e lápis, na boca um vermelho quase chegando no rosa. No cabelo só fiz um coque mais descontraído com alguns fios soltos, coloquei meu celular na minha bolsa e coloquei meus óculos. Desci as escadas e Nicolas estava fazendo nosso café.

– Bom dia Lisa. – disse ele.

– Bom dia Nico. – respondi.

Começamos a tomar café conversando animadamente. Nicolas é meu melhor amigo desde os meus 12 anos, nos conhecemos na pequena cidade onde nós morávamos antes de vir para Florena, uma cidade um pouco maior, decidimos vir fazer faculdade em e estamos aqui até hoje. Foi aqui que conhecemos Livia, noiva de Nico e minha melhor amiga, dividimos um apartamento os três e vivemos bem. Livia desceu e se juntou a nós.

-Bom dia Liss! — disse animada. — Bom dia amor. — deu um beijo em Nico

-Bom dia fadinha! — respondi

-Liss, quando vamos ao shopping amiga? — me pergunta uma Liv esperançosa — precisamos renovar o seu e o meu guarda roupa.

-Não sei Liv — bufei — não estou tendo nem tempo e nem cabeça pra isso, a empresa está a mil.

-Pois eu vou achar um brecha e te carregar comigo um dia desses para umas compras. — respondeu. Não queria mas sabia que ela conseguiria o que quer.

Nos levantamos e saímos para o trabalho. Eu estava quarenta minutos adiantada, o que me deu tempo de levar um agrado para o meu chefe: o café favorito dele. Pode parecer estranho, eu sei — mas eu e o Sr. Bellini… ou melhor, Lucas… somos bem mais do que chefe e funcionária.

Pensaram que somos um casal, não é? Pois é. Todo mundo pensa isso quando nos vê juntos. Mas não tem absolutamente nada a ver. Somos só amigos. Amizade verdadeira, daquelas que surgem do nada e acabam virando parte do nosso dia a dia. E, sinceramente, eu não sou uma mulher que esteja muito interessada em arrumar um namoro agora. Meu coração anda silencioso… ou pelo menos eu achava que estava.

Mas, voltando.

Quando cheguei na entrada da empresa, Jéssica, a recepcionista do térreo, veio falar comigo.

– Bom dia, Elisa – disse ela.

– Bom dia, Jess – sussurrei, ainda meio sonolenta, mas tentando parecer mais viva do que realmente estava.

Ela abriu aquele sorriso acolhedor de sempre, e eu segui em direção ao elevador. Apertei o 10° andar. Ao chegar, Angela, a recepcionista do meu andar, me desejou bom dia com a mesma simpatia. Respondi e caminhei até minha sala, como fazia todos os dias. Guardei minhas coisas, liguei o computador e comecei a organizar as tarefas.

Pouco depois, ouvi a porta da sala do meu chefe abrir. Lucas havia chegado. Trabalhamos juntos há dois anos; ele é dono de uma empresa enorme, respeitada, e mesmo assim sempre foi tão leve para lidar… talvez por isso todo mundo imagine que tem algo entre nós. Mas não tem. Nunca teve. E eu repito isso para mim mesma sempre que alguém insinua alguma coisa.

Passados uns dez minutos, peguei minha agenda e fui até a sala dele. Bati na porta.

– Entre – ele respondeu.

Abri a porta com cuidado, como sempre faço.

– Bom dia, Luke – digo, sentindo a familiaridade do apelido escapar naturalmente.

– Bom dia, Lis. O que tenho para hoje? – pergunta, sem tirar os olhos das anotações à sua frente.

– O senhor tem uma reunião às 9h30 da manhã e sua tarde é livre – respondi, profissional, embora parte de mim sempre se sentisse confortável demais perto dele.

– Que ótimo. Ah, Lis… reserve para mim uma mesa para dois no almoço.

– Sim. Em qual restaurante? – perguntei, já imaginando qual seria.

– Aquele de sempre. E se arrume para a reunião, depois dela vamos almoçar.

– Okay – murmurei, tentando não demonstrar o leve aperto no estômago. Não era nervosismo — era… uma mistura estranha. Talvez só o peso das pessoas achando que existe algo além de amizade ali. Ou talvez o sentimento de que minha vida estava começando a sair do eixo e eu nem sabia por quê.

Me retirei da sala do Lucas, ainda sentindo aquela sensação de organização e responsabilidade que sempre me acompanha depois de resolver a agenda dele. Reservei a mesa no restaurante e me certifiquei de que tudo estava preparado para a reunião. Gosto de revisar tudo com cuidado — isso me traz paz.

Quando o relógio mostrou que faltavam dez minutos, Lucas saiu da sala e me chamou para acompanhá-lo. A reunião correu bem, e vê-lo satisfeito com os resultados me deu aquela sensação silenciosa de dever cumprido.

Peguei minha bolsa e seguimos para o estacionamento. Entramos no carro e fomos em direção ao restaurante, conversando de forma leve pelo caminho. Com o tempo, Lucas se tornou alguém muito próximo para mim. As pessoas que nos veem juntos sempre tiram conclusões rápidas demais, mas a verdade é que somos apenas amigos — amigos que trabalham bem juntos, nada além disso.

Chegamos ao restaurante. Ele saiu do carro, abriu a porta para mim e, como sempre, esse gesto educado me deixou um pouco sem jeito, mas no bom sentido. Entramos e fomos conduzidos à mesa.

– O que os senhores irão pedir? – perguntou o garçom.

– Eu quero esse Ravioli de requeijão cremoso com molho pesto e camarão. – disse Lucas. – E a senhorita?

– Eu gostaria deste Gnocchi de Batata com Molho de Tomate e Frango.

– E algo para beber?

– O Silice Rosso 2006.

O garçom anotou, recolheu os cardápios e se afastou. Lucas pigarreou, e eu virei o rosto para ele. Conheço esse sinal — era algo importante.

– Então, Lisa… eu te chamei para esse almoço para fazer um convite. – disse, enquanto o garçom retornava com o vinho.

– Que convite, Luc? – perguntei, curiosa.

– Meu irmão me convidou para uma confraternização da empresa dele e disse que eu poderia levar quem eu quisesse.

– Hum… sim e…?

– E eu gostaria que você fosse comigo. Você pode? – perguntou diretamente.

O nome “meu irmão” fez minha mente dar um pequeno salto involuntário. Samuel. Sempre que o nome dele aparece, algo em mim se remexe — uma sensação tão leve quanto inexplicável, quase imperceptível, mas que insiste em existir. Ainda não sei exatamente o que é, então deixo essa sensação lá, quieta, como se não fosse nada demais.

– Quando seria essa confraternização? – perguntei.

– Daqui dois dias.

– Está bem. – concordei.

Ele sorriu, satisfeito.

Os pratos chegaram e almoçamos, conversando como sempre. Depois voltamos para a empresa e terminei os últimos ajustes da tarde.

Algum tempo depois, Lucas saiu da sala dele.

– Bom, Lis, você está dispensada, já que não tem mais nada por aqui. Estou indo daqui a pouco também.

– Obrigada, Luc. – respondi.

Me despedi dele, peguei minhas coisas e peguei um táxi já que estava sem o carro. Chegando em casa, troquei minha roupa de trabalho por algo mais confortável e fui direto para o guarda-roupa procurar um vestido para a confraternização. Nada ali parecia adequado. Suspirei. Não tinha escapatória. Peguei meu carro e dirigi até o shopping perto de casa.

Assim que entrei em uma das minhas lojas preferidas, uma atendente veio imediatamente ao meu encontro.

– Boa tarde, o que a senhorita deseja?

– Eu gostaria de um vestido.

– E o que procura em um vestido?

– Algo elegante e bonito.

– Olhando pra você, tenho o vestido perfeito. Só um minuto.

Assenti, e ela saiu em busca da tal peça perfeita. Enquanto esperava, meus olhos passearam pelo ambiente até encontrarem um par de sapatos lindos — nude, com salto mais grosso, confortável o suficiente caso eu ficasse muito tempo em pé. Automaticamente lembrei da bolsa que tinha em casa e que combinaria perfeitamente.

Sorri sozinha… até ouvir uma voz que me fez quase derrubar o sapato.

– Eu não acredito. – Livia resmungou teatralmente atrás de mim. – Elisa Santini! O que está fazendo aqui sem mim?

Me virei devagar, já esperando a bronca.

– Oi, Liv. Lucas me convidou pra ir no jantar que o Samuel está organizando para a empresa. – expliquei. – Eu não tinha um vestido adequado e resolvi vir aqui. Foi de última hora. Juro!

Ela cruzou os braços como se fosse minha mãe pegando-me no flagra.

– Sei. Estou de olho, dona Elisa. Me dê esses sapatos. – Ordenou. Entreguei obedientemente. – Acho muito simples.

Revirei os olhos, mas antes que pudesse responder, a atendente voltou.

– Moça, achei o vestido.

Ela se aproximou trazendo um longo verde, com uma transparência discreta, elegante sem esforço. Assim que vi, meu coração bateu um pouquinho mais forte — era exatamente o tipo de vestido que eu imaginava para a ocasião, mesmo que eu não tivesse admitido isso antes.

– Vejo que já achou um sapato — disse a vendedora — e combina perfeitamente com o vestido.

Livia abriu um sorriso malicioso que eu já conhecia bem.

– Ahh amiga… com esse vestido você vai arrasar corações nesse jantar. Principalmente o de um certo irmão.

Bufei.

– Aff, Livia, já deu essa história. – murmurei, apertando o vestido contra o corpo e indo para o provador.

Vesti a peça e, quando me olhei no espelho, por um instante esqueci das provocações da Liv. O vestido caía como se tivesse sido feito para mim. O verde realçava minha pele e meus olhos, e com a maquiagem certa… eu realmente ficaria muito bonita. Suspirei, sentindo aquele misto de empolgação e nervosismo que eu sempre tentava ignorar quando o nome Samuel surgia, mesmo sem entender bem o motivo.

Troquei de roupa e saí do provador.

– Vou levar os dois. – disse à vendedora.

Livia cruzou os braços, emburrada como uma criança.

– Você nem deixou eu ver! — Paguei e dei uma risadinha, aliviada e animada ao mesmo tempo. A sensação era confusa… mas boa. Talvez boa até demais.

Saí da loja com uma Livia de cara fechada caminhando atrás de mim, dramatizando como se eu tivesse cometido um pecado mortal ao escolher o vestido sozinha. Fomos até o carro e seguimos para casa. Quando chegamos, já passava das cinco.

Tomei um banho rápido para relaxar e depois fui preparar o jantar. Mais tarde, Nico chegou e jantamos juntos, entre risadas e conversas soltas do dia.

Depois do jantar, resolvemos assistir nossa série favorita, The Big Bang Theory. Nos acomodamos no sofá, colocamos um episódio e, como sempre, rimos das mesmas piadas como se fosse a primeira vez.

— Boa noite, gente. — falei, me levantando devagar. — Tô caindo de sono.

— Boa noite, Lis! — respondeu Livia, abraçada com Nico como uma atriz de novela. — Depois você me conta direitinho sobre o jantar que o Lucas te convidou pra ir.

Assenti e fui para o meu quarto, tentando me preparar mentalmente para outro dia de trabalho.

Deitada na cama, o silêncio da casa me envolveu… e juntou todos os meus pensamentos em um só lugar. Inevitavelmente, eles foram parar nele.

Samuel.

Conheci o Sam quando ele apareceu na empresa para ver o Lucas. E foi estranho, porque foi como se meu cérebro tivesse marcado aquele momento sem me pedir permissão. Eu reparei nele — como não repararia? Alto, forte, aquele jeito brincalhão e leve que faz qualquer ambiente parecer menos pesado. Atencioso, gentil, divertido… e lindo. Muito lindo.

Mas não é só aparência. Nunca foi. Tem algo nele que eu não sei explicar. Uma sensação esquisita — mas boa. Como se existisse… eu não sei… uma curva no caminho quando ele está por perto. Uma mudança no ar. Às vezes parece até um pressentimento, como se algo estivesse para acontecer, mas eu não tenho ideia do quê. Ou talvez eu saiba e prefira fingir que não sei.

Nos aproximamos com o tempo, criamos uma amizade tranquila, confortável. Não é aquela intimidade profunda, mas existe algo. E é justamente esse “algo” que me deixa perdida, porque eu não sei nomear. Não sei se é só interesse, curiosidade… ou uma coisa maior que eu ainda não entendi.

E toda vez que Livia e Nicolas começam com aquela história de “vocês dariam um casal tão bonito”, eu fico indignada. Sério. Eles falam como se fosse óbvio. Como se o mundo inteiro enxergasse alguma coisa entre nós que eu ainda não estou preparada para admitir. E o pior é que às vezes eu mesma me pego pensando… e se? Será que eu sinto alguma coisa? Será que ele sente?

Mas aí eu corto o pensamento antes que ele tome forma. Talvez seja tudo coisa da minha cabeça. Talvez seja só exagero deles.

Ou talvez não.

Suspirei, tentando afastar tudo isso, e me enrosquei nas cobertas. Com esses pensamentos confusos — e um pouco perigosos — acabei pegando no sono.

O grande dia...

Eu estava organizando a agenda do Lucas quando o telefone pessoal dele tocou. Ele atendeu rápido, como sempre.

— Sim?

— …

— Lisa, poderia vir aqui?

— Já estou indo, Luc.

Fechei a agenda, ajustei o que estava fazendo e segui até a sala dele. Bati na porta de leve e ouvi um “entre”. Entrei, fechando a porta atrás de mim.

— Queria algo? — perguntei.

— Sim. Quero que vá para casa se arrumar, você está liberada. Eu também já estou indo. A confraternização começa às 21h, então te pego às 20h30.

— Ok.

Saí da sala, desliguei meu computador e peguei minhas coisas. Assim que cheguei em casa, fui recebida por um cheiro delicioso vindo da cozinha e alguns barulhos de panelas.

— Lis, já chegou? — perguntou Livia, sem sair do fogão.

— Oii, amiga. Tudo bem? — deixei minha bolsa no sofá e segui até ela. — Meu Deus, que cheirinho maravilhoso! Que pena que hoje eu vou sair… queria muito aproveitar essa comida.

— O jantar é hoje, né? — ela me lançou um olhar malicioso.

— Sim. Você e o Nico vão ter o apê só pra vocês hoje. Vou chegar tarde. — sorri enquanto ela balançava a cabeça.

— Ai, ai, dona Lisa… vai ver aquele homem lindo. — Livia soltou um riso safado. — Nico que me perdoe, mas esses Bellini’s… meu Deus. Lindos demais.

Revirei os olhos.

— Aff, Livia… já deu. — bufei. — Vou tomar um banho e me arrumar, porque daqui a pouco o Luc aparece por aqui pra me pegar.

Saí da cozinha ouvindo a risada dela ecoar, como sempre exagerada e impossível de ignorar. O que, no fundo, me arrancou um sorrisinho enquanto seguia para o meu quarto.

Fui para o meu quarto e me permiti um banho demorado, daqueles que fazem a gente respirar fundo e esquecer do mundo por alguns minutos. Depois, comecei minha pequena maratona de me arrumar. Passei uma maquiagem leve — nada que chamasse atenção demais — só o suficiente para realçar meus olhos verdes, que às vezes pareciam mudar de tonalidade conforme a luz. Arrumei meus cabelos castanho-escuros, naturalmente ondulados, que insistiam em cair nas laterais do meu rosto. Coloquei o vestido verde, elegante e fluido, que abraçava meu corpo de um jeito que eu ainda não sabia se era bom ou intimidador. Depois os sapatos, o brinco, a pulseira… e por fim, meu perfume preferido, aquele que sempre me trazia uma sensação de segurança, como se eu me lembrasse de quem sou.

No entanto, enquanto me olhava no espelho, aquele pensamento familiar tentava me puxar de volta: “Não é tudo isso… não é tão especial assim.” Sempre foi estranho ouvir os outros falarem sobre minha beleza, como se eu fosse muito mais do que eu conseguia ver. Eu me enxergava… normal. Comum. Só eu. E talvez fosse por isso que aquele vestido, aquela produção inteira, me deixava tão nervosa.

— Uau, quem é essa morena de verde? — ouvi a voz do Nico atrás de mim, encostado no batente da porta.

Virei para ele, meio sem graça.

— Oi, amigo. Já chegou? E aí, muito produzida? Ou está bom? — perguntei, mexendo de leve no tecido do vestido, como se ainda pudesse ajustar alguma coisa.

Nico deu um sorriso enorme.

— Está linda, Lis. Um certo irmão de alguém vai ter um troço quando te ver, haha.

Revirei os olhos, irritada com a direção óbvia da piada.

— Aff, até você? É difícil de entender? Ele só é o irmão do Lucas, Nico. Nada mais. Somos amigos. Amigos. Reforçando: não temos nada. — bati o pé no chão, cruzando os braços.

— Ainda! — gritou Livia lá da cozinha, como se estivesse só esperando o gancho pra se intrometer.

Eu já estava me preparando pra ir lá dizer umas poucas e boas, quando o interfone tocou. Nico saiu do meu quarto para atender.

— Lisa, o Lucas está subindo — avisou Livia logo em seguida, com aquele sorriso travesso estampado no rosto.

— Ok, dona Livia, obrigada! Quando eu voltar vamos ter uma conversinha, viu? — falei enquanto caminhava para a sala, apontando o dedo para ela.

— Ah, amiga, eu estava brincando — disse ela, embora o brilho no olho desmentisse completamente. — Mas sinceramente? Acho que vocês dois formam um super casal.

Suspirei, derrotada.

— Aff…

Mas, no fundo — bem no fundo — uma parte de mim tremia com aquela possibilidade. Não porque eu acreditava nela… mas porque eu não sabia explicar por que meu coração sempre agia estranho quando o assunto era Samuel Bellini. Por Deus, ele é o irmão do meu chefe.

Toc… Toc…

— Deve ser sua companhia — disse Liv, indo para a cozinha com um sorrisinho suspeito.

Respirei fundo, ajeitei o vestido pela milésima vez e abri a porta. Dei de cara com um Luc absurdamente charmoso — camisa social impecável, blazer escuro e aquele ar despreocupado que só deixava tudo pior… ou melhor.

— Uau, dona Elisa, está um espetáculo — disse ele, com um sorriso de lado que eu já conhecia bem. — Foi uma ótima escolha de companhia.

Senti as bochechas esquentarem.

— Oi, Luke… Será que não está demais? — perguntei, passando a mão pelo tecido do vestido, tentando disfarçar o nervosismo.

— Está linda. Nada exagerado — respondeu sem hesitar. — Vamos?

Ele estendeu a mão, e por um segundo meu coração vacilou — não por causa dele, mas por causa de uma sensação estranha que sempre surgia quando eu pensava no irmão dele. Algo que eu ainda não entendia… e que sinceramente preferia não pensar naquele momento.

— Só vou pegar uma bolsa e já venho.

Corri até o quarto, mesmo sabendo que estava pronta fazia tempo, coloquei o essencial na bolsa e voltei para a sala.

— Vamos então! — falei, tentando parecer mais tranquila do que realmente estava.

— Tchau, Livia — disse Luc, dando um abraço nela.

— Tchau, Luc. Cuida bem da minha best, hein? E vê se tenha juízo — respondeu Liv, retribuindo o abraço de forma teatral.

— Pode deixar, ela está segura — garantiu ele.

— Tchau, dona Livia — falei enquanto seguia para a porta. — E vocês dois, juízo também, viu?

Liv apenas riu e acenou, claramente se divertindo às minhas custas.

Descemos, entramos no carro e Luke dirigiu até o evento. A ansiedade começou a subir conforme nos aproximávamos — e era ridículo, porque eu nem sabia por quê. Não era como se algo… ou alguém… fosse mexer comigo lá. Certo?

Entramos no local. Estava tudo impecável: luzes suaves, arranjos elegantes, um clima sofisticado, típico de eventos empresariais bem planejados. Fomos até a mesa onde Susana, mãe do Lucas, estava sentada. Ela sempre exalava classe — um sorriso acolhedor, postura impecável, e aquele jeito de mãe que te faz sentir em casa.

— Olá, Susana, como está? — cumprimentei.

— Olá, querida Elisa, estou bem. E você? — respondeu, beijando meu rosto com carinho. — Oi, filho.

— Estou bem — sorri.

— Oi, amiga! — Rebecca apareceu, calorosa, me puxando para um abraço.

— Oi, Becca! Que bom te ver! — retribuí o abraço. — Oi, Luke! — acrescentou ela, meio sem jeito.

— Oi, Becca, você está linda — disse ele, sincero.

Rebecca estava realmente maravilhosa num vestido azul-escuro que valorizava seus traços — e, sinceramente, era tão óbvio o clima entre eles que eu não entendia como ainda negavam aquilo.

Sentei-me entre Lucas e a cadeira vaga ao meu lado. A mesa estava animada, conversas fluindo, risadas suaves, talheres tilintando. Mas, enquanto eu prestava atenção na conversa, senti… algo.

Uma presença. Um calor sutil atrás de mim. Como se o ar tivesse mudado de densidade.

Alguém se aproximava.

Meu coração, traidor, acelerou antes mesmo de eu virar o rosto.

Continua...