No Tempo Delicado do Amor
2 Capitulo 2
Pov Samuel
Essa semana tem sido muito atarefada na empresa, sem contar os livros que iremos lançar, temos a confraternização da finalização dos últimos livros lançados, minha cabeça está explodindo já, mas amo o que faço.
- Olivia, poderia me trazer um remédio para dor de cabeça, por favor? — pedi a minha secretária pelo telefone.
- Claro Samuel.. — respondeu.
Logo ela entrou com um copo de água e o remédio, tomei e agradeci a ela.
- Você tem andado muito estressado. — Era verdade, mas logo tudo isso vai passar e vou poder descansar — precisa de umas férias!
- Assim que tudo isso acabar, vou tirar uns dias de folga. Mas agora precisamos ir, temos muito que comemorar amanhã! — respondi.
O dia foi cheio, muitas reuniões, coisas do jantar para acertar, contratos para ler, papéis para assinar e mais reuniões.
No fim do expediente, me despedi de Olivia e fui para casa descansar. Peguei meu telefone e vi meu irmão me chamando. Suspirei antes de atender.
LIGAÇÃO ON
— Fala, brother! — ele disse no mesmo tom animado de sempre.
— E aí… o que foi agora? — perguntei, já desconfiado.
— Credo, até parece que eu sou interesseiro assim — bufou, teatral. — Tá, tá… queria saber como você tá e avisar uma coisinha pra você ficar de boa.
— De boa com o quê? — franzi a testa. — Tô bem, só cansado desse estresse todo.
— A tua amada vai no jantar. — ele soltou uma risadinha irritante, do tipo “eu sei exatamente o que tô fazendo”.
Eu revirei os olhos.
— Você vai levar a Lisa?
— Óbvio, né, mano. Vai que você cria coragem e chama ela pra sair — ele debochou. — Aproveita e conta logo o que você tá escondendo aí e desencalha, pelo amor de Deus — riu alto.
— Ah, vai se ferrar. Você sabe que eu travo pra falar essas coisas! — rosnei. — E você? Vai chamar a Becca pra sair ou vai continuar enchendo o meu saco e fugindo da sua própria vida amorosa?
— Tá, tá, beleza… não tá mais aqui quem falou — murmurou, mas eu quase podia ver ele rindo do outro lado. — Só pensa nisso, véi. Você só trabalha, e faz tanto tempo que eu não te vejo com ninguém que já tô achando que você virou monge.
Soltei um suspiro cansado.
— Tá bom, irmão. Eu tenho que desligar, tô morto. Amanhã acordamos cedo. Depois a gente fala. Boa noite. — bocejei sem querer.
— Boa noite, ô romântico frustrado! — disse ele, obviamente só pra irritar.
E desligou.
LIGAÇÃO OFF
No outro dia...
Cheguei cedo na empresa, ainda com aquela sensação de que o dia seria longo. Tive várias reuniões seguidas, uma atrás da outra, e minha cabeça já começava a pesar com tanta informação. Depois disso, fui para o local onde seria a festa hoje. Enquanto caminhava pelo espaço, eu observava tudo com atenção — iluminação, organização, cada detalhe que precisava estar perfeito. Era cansativo, mas ao mesmo tempo me dava aquela estranha paz de estar no controle de algo.
Pedi a Olivia que fosse se arrumar para que pudesse ficar depois para acertar os últimos detalhes. Ela tinha trabalhado tanto quanto eu, e vê-la sair aliviava um pouco da minha própria tensão. Algumas horas antes de começar a festa, ela voltou, e só então pude ir para casa. Senti o corpo reclamar assim que passei pela porta.
Chegando lá, tomei um banho, deixando a água quente cair sobre meus ombros, tentando tirar um pouco do peso do dia. Coloquei uma roupa formal — consciente de que precisava parecer bem, mesmo estando exausto — e fui para o evento.
Chegando no jantar, me sentei na mesa da minha família. Por um instante, deixei meu olhar percorrer o salão, tentando me situar, respirar… e foi aí que vi meu irmão. Ele estava no começo do salão, e ao lado dele uma linda Elisa vestida de verde. A imagem chamou minha atenção de imediato. Ela realmente estava deslumbrante, e por um segundo meu peito apertou de um jeito que eu tentei disfarçar até de mim mesmo.
Antes que eu pudesse chegar perto — talvez pra cumprimentar, talvez pra observar mais um pouco — um dos acionistas da editora me chamou para uma conversa. Suspirei internamente. Claro que seria agora. Levantei da mesa e o segui até um lugar mais reservado, tentando manter a postura apesar do turbilhão discreto dentro de mim.
Conheci Lisa quando fui visitar meu irmão no seu trabalho, já fazia um ano que ele tinha contratado ela, ele sempre me falava o quanto era bonita, atenciosa, amiga e parceira, mas quando a vi, nada fazia jus à beleza à minha frente. Ela estava estonteante em um vestido preto e os cabelos soltos, desde o primeiro dia que a vi fiquei fascinado, fomos nos aproximando mas com receio nunca disse o que estava sentindo.
[...]
-Bom obrigado pela sua atenção Srº Bellini — disse.
Depois de uma conversa de pelo menos 10 minutos ele foi se sentar em seu lugar e eu pude ir para minha mesa, indo em direção a ela, pude ver meu irmão e Lisa sentados, e que mulher! Ela estava sentada de costas para mim, fui em direção a mesa e me aproximei da cadeira vaga ao seu lado.
- Boa noite. — sussurrei.
- Boa noite irmão. — Ele disse olhando para mim.
- Boa noite Elisa — olhei em direção a ela, estava deslumbrante naquele vestido verde, que lembrava seus olhos, ela se volta para mim.
- Boa noite Samuel — respondeu.
Ela abre um lindo sorriso e me sento ao seu lado, entre ela e mamãe. O simples fato de ter aquele sorriso direcionado a mim já faz minha respiração desacelerar um pouco, como se o cansaço do dia inteiro ficasse mais leve só por estar ali.
— Você está bem? — perguntei, tentando soar natural, embora meus olhos já estivessem presos nela.
— Estou sim e você? Muito cansado? — ela pergunta, pegando o copo de água e bebendo. O movimento é simples, mas por algum motivo observo mais do que deveria, atento ao jeito tranquilo dela.
— Um pouco, mas valeu a pena todo o esforço. A editora está indo muito bem. — Ela sorri, e eu sorrio de volta sem nem precisar pensar. É quase automático.
— Está tudo lindo, Sam. Você fez um trabalho excelente! — ela diz, e eu fico olhando aqueles olhos hipnotizantes enquanto ela fala. Eles sempre me pegam desprevenido, como se ela tivesse a capacidade de enxergar mais do que eu mostro.
— Obrigado, Lisa! — agradeci, tentando não demonstrar o quanto aquela aprovação dela mexia comigo. — Não teria feito nada sem toda a minha equipe. Eles são sensacionais.
-"Queremos então chamar nosso caro Ceo Samuel Bellini para dar início ao jantar dessa noite" — Olívia me chama pelo microfone.
- Tenho que ir Lisa, mas já volto. — ela assentiu com um sorriso. — Com licença a todos. — me levantei, dei um beijo em mamãe e fui em direção a Olívia.
- Olá, boa noite a todos! O jantar dessa noite é para celebrarmos as grandes obras literárias que acabamos de lançar e são sucesso de vendas. Quero agradecer a todos dessa empresa que tem trabalhado com muito ânimo e empenho para que esse dia chegasse — olhei para alguns dos meus funcionários — agradecer aos investidores que acreditaram nesse sonho e principalmente a minha família que sempre esteve ao meu lado e sempre acreditou em mim e no que essa empresa poderia ser. Mais uma vez obrigado a todos, um brinde a tudo isso e bom jantar a todos. — as pessoas começaram a aplaudir, sai do pequeno palco que foi montado, agradeci os cumprimentos de várias pessoas e fui em direção a minha mesa.
- Parabéns filho! — disse mamãe — foi lindo, você merece todo o reconhecimento por seu trabalho e esforço pela empresa.
- Obrigado mãe — dei um beijo na testa dela e me sentei. — Obrigado por acreditar em mim.
- É o que as mães fazem. — ela sorriu.
- Parabéns irmão — disse Luke. — você foi impecável.
- Parabéns Sam — disse Becca — sempre acreditei em você amigo.
- Obrigado irmão, obrigado Becca. — sorri agradecido.
- Parabéns Sam, foi excelente — Lisa sorriu — você merece tudo isso com toda a certeza. Posso parecer repetitiva mas está tudo maravilhoso.
- Obrigada Lisa, será que posso chamar você assim? Eu fico muito feliz que tenha gostado de tudo. — ela sorri um levemente corada.
- Pode sim Sam, somos amigos, acho muito informal você me chamar de Elisa — ela coloca o cabelo atrás da orelha — Lisa ou Lis está ótimo.
- Está bem então. — sorri para ela.
Enquanto conversávamos, o jantar começou a ser servido. O cheiro da comida se misturava ao burburinho do salão, mas eu me mantinha focado na mesa, tentando não demonstrar o quanto minha mente estava dividida entre prestar atenção e… observar Lisa ao meu lado.
Mamãe conversava animadamente com a Becca sobre o final de semana que estava planejando. Era o tipo de conversa que ela adorava — cheia de detalhes, empolgação e ideias. Meu irmão, por outro lado, não tirava os olhos da Becca e fazia questão de ouvir toda a conversa das duas. Ele estava tão concentrado nela que era engraçado de ver.
Eu queria perguntar algumas coisas para Lisa. Coisas simples, nada demais… mas mesmo assim a coragem não é minha amiga. Cada vez que eu abria a boca pra dizer algo, minha mente já corria pra trás, me travando. Ela estava ali, tão próxima, tão tranquila… e eu preso no próprio silêncio.
Até que…
— Lis, meu bem, o que você vai fazer esse final de semana? — perguntou mamãe.
-Eu? Acho que nada — disse — talvez ficarei em casa com meus amigos vendo um filme. Por que Susana? — perguntou.
— Se não tem nada programado, venha passar o fim de semana conosco na casa de praia, — mamãe sorriu — pode chamar seus amigos também querida.
- Ahh Susana, não sei se devo, fico lisonjeada com o convite mas..- antes que ela concluísse a frase mamãe a interrompeu.
- Meu bem é claro que pode, você é como se fosse da família, atura o Lucas todos os dias e ainda não desistiu dele — deu uma risadinha discreta.
-Eiii! — exclamou Luke. — Eu sou uma pessoa tão tranquila, não sei qual o bullying comigo. Eu sou, não sou Lis? — ele olhou para Lisa.
- — É sim! — disse Lisa, disfarçando a risada. — Ele é um anjo haha, mas ok, Susana, eu aceito o convite, só não quero ser um estorvo.
Meu peito se aqueceu de um jeito bobo só de ouvi-la aceitar. Antes que eu deixasse isso transparecer demais, respondi:
— E não é, Lis, você é incrível e nós somos felizes em ter você por perto, não é pessoal?
Um sonoro sim foi escutado em sincronia, dito por todos os presentes. Era engraçado como eles respondiam tão rápido… mas, ao mesmo tempo, aquilo me acertou por dentro. Porque eu queria dizer mais. Muito mais.
Eu queria dizer o quanto ela era bonita.
O quanto admirava a pessoa linda, maravilhosa, gentil e incrível que ela era.
Queria admitir que meu coração palpitava toda vez que ela chegava perto, que meu peito ficava apertado com medo de perder qualquer chance que eu talvez tivesse.
Meu sonho… meu sonho era dizer tudo isso. Dizer o que eu sinto por ela.
Mas é sempre assim. Eu travo. As palavras ficam presas na garganta como se não fossem minhas.
Enquanto pensava nisso, olhava para Elisa enquanto ela sorria conversando com Lucas. Aquele sorriso… sempre o mesmo efeito em mim. E eu, idiota, admirando seus olhos como se pudesse entender o mundo inteiro só de olhá-los.
— Lis! E o que conta de bom, amiga? — pergunta Becca. — Alguém que balançou esse coração? Algum namorado novo?
Meu corpo inteiro ficou em alerta. Era a pergunta que eu queria fazer, mas nunca tinha coragem.
— É verdade! — disse mamãe. — Me conte tudo, não esconda nada.
Isso. Era isso que eu queria saber. Mas, como sempre, eu não conseguia perguntar.
— Ah gente, não estou com ninguém no momento. — ela disse encabulada. — É complicado achar alguém que dê certo com a gente, às vezes os gostos não batem. Mas quem sabe um dia.
Eu não sei se é certo… mas fiquei um pouquinho feliz de saber que ela não tem ninguém. Uma felicidade silenciosa, discreta, que eu escondi atrás de um gole de água.
Se ela não tem ninguém… talvez minhas chances não sejam tão impossíveis assim.
Preciso tomar coragem. Preciso falar o que sinto por Elisa.
— Ai amiga, sei bem como se sente, não tá fácil mesmo. — disse Becca, olhando disfarçadamente para Luke.
— Não me diga, meninas, não está fácil. Tenho orado tanto para que meus meninos casem logo. — disse mamãe
— Ei, eu vou me casar, um dia ok? — disse meu irmão, levantando as mãos em sinal de rendição. — Quando for a garota certa.
Disfarçadamente, ele olhou para a Becca, que estava prestando atenção em mamãe. Eu percebi o olhar dele na hora. Ele podia fingir quanto quisesse, mas eu conhecia aquele gesto — era o tipo de olhar que escapava antes mesmo que a pessoa percebesse que sentia algo.
Por um instante, quase sorri. Ele sempre foi mais direto que eu, mas, mesmo assim, quando se tratava dela, até ele ficava meio sem jeito.
— Eu digo o mesmo, só caso se for com a pessoa que eu ame.
As palavras saíram da minha boca com naturalidade, mas por dentro… por dentro meu peito apertou como se eu estivesse confessando algo em voz alta.
Olhei de relance para Liz. Não consegui evitar. Ela estava focada no que o Lucas acabara de dizer, completamente alheia ao fato de que meu olhar estava nela — como sempre estava.
E, naquele pequeno segundo, enquanto a observava tão concentrada, tão linda de um jeito que ela nem percebia, a verdade bateu forte dentro de mim:
Se um dia eu me casar… eu já sei muito bem com quem eu gostaria que fosse.
Mas, como sempre, essa verdade ficou guardada só pra mim.[...]
O jantar foi acabando e as pessoas indo embora, meu irmão se levantou um pouco bêbado e queria ir embora, mamãe pediu para que Becca levasse ela e Luke para casa, o que ela prontamente concordou.
-Sam meu amor, você poderia deixar a Lisa em casa quando estiver indo? Vamos levar seu irmão para casa. — ela me abraçou.
-Levo sim, mãe. — sorri e dei um beijo em sua bochecha.
-Elisa meu bem, obrigada pelas conversas e não se esqueça do nosso final de semana ok? — mamãe deu um abraço em Lis.
- Eu que agradeço Susana, não vou esquecer não, estarei lá. — ela retribuiu o abraço.
-Vou ajudar mamãe, já volto Lisa! — ela assentiu.
Levantei e fui levando meu irmão para o carro, ao voltar para mesa ficamos só nós, os dois meio sem jeito de conversar.
-Vamos também Lis, amanhã tem o tão esperado fim de semana da mamãe e você deve estar cansada. — ela assentiu.
- Vamos sim, estou bem e animada. — sorriu.
-Vou chamar a Olívia e nós vamos então. — Olhei pelo salão, Olívia estava conversando com algumas secretarias, a duas mesas de onde estávamos. Fui até lá e pedi que ela concluísse o evento, agradeci e fui em direção a Elisa.
-Tudo certo, vamos então?
-Vamos! — ela assentiu, pegou sua bolsa e fomos para o estacionamento.
Entramos no carro, coloquei uma música para tocar e seguimos caminho. O silêncio inicial era confortável, mas ao mesmo tempo me deixava atento demais a cada respiração dela perto de mim. Eu tentava manter os olhos na estrada, fingindo calma, enquanto minha mente trabalhava o dobro.
— Então, Sam… nenhuma garota em vista? — perguntou Lisa, meio sem jeito.
Meu coração deu um pulo tão forte que quase senti o impacto físico.
Como eu ia responder aquilo? Como dizer “tem sim, e está sentada exatamente aí do lado” sem parecer um completo idiota?
— Ahh… — suspirei, tentando ganhar tempo. Como dizer que tem e é ela? Oh Deus, me ajuda aqui. — Não sei, acho que ando focado no trabalho, acabo não pensando nisso — desconversei.
Mentira descarada.
Eu pensava nela o tempo todo.
Pensava em Lisa quando acordava, quando via algo que ela poderia gostar, quando estava na empresa de Luke, quando ela estava na casa dos meus pais, quando ela sorria para mim… sempre.
Mas na hora de falar a verdade, eu travava. Sempre.
— E você? — perguntei, tentando não soar ansioso demais. — Nenhum cara que vale a pena?
— Ahh… pode ser que tenha — disse ela, encabulada, o rosto ficando levemente corado. — Mas ainda não encontrei… ou ele não me enxerga!
Meu peito apertou de imediato. A frase dela veio como um choque.
Senti um ar de indireta… será que foi isso mesmo? Ou estou só imaginando coisas porque queria muito que fosse?
É loucura demais pensar que é recíproco, eu dizia a mim mesmo, o pensamento ecoando forte.
Queria muito que fosse verdade. Queria tanto que chegava a doer. Mas e se eu estivesse errado?
E se ela estivesse falando de outro cara?
O carro seguiu, a música tocando ao fundo, mas minha cabeça estava longe — presa entre esperança e medo, no mesmo dilema de sempre: falar ou continuar calado.
-Bom chegamos! — encostei o carro na entrada do prédio dela.
-Nossa já? Mas então a gente se vê amanhã na sua casa! Obrigada pela carona Sam. — Disse Lisa enquanto abria a porta. Depois de aberta virou para dar tchau.
-A gente se vê sim Lis, eu que agradeço pela companhia e por ter ido ao jantar. — dei um beijo em sua bochecha. — Se precisar posso vir, buscar você e seus amigos.
- Obrigada Sam, mas não precisa, nós vamos com meu carro mesmo. Até amanhã- Ela me devolveu o beijo na bochecha e saiu. Antes de sumir, virou e deu um tchau de longe.
Ai...Ai, essa garota me deixa louco um dia, liguei uma música bem alta e sai dali para minha casa.
Pov Elisa
Meu coração estava disparado, não sei o que está acontecendo comigo, só posso ter enlouquecido.
-Cheguei… — disse, entrando em casa, Livia e Nico estavam assistindo filme na sala — desculpa atrapalhar o filme.
-Tudo bem best, o filme está chato — disse Livia enquanto Nico desliga a TV. — Me conta como foi lá, tô super animada pra saber!
-Prometo que conto, só preciso tomar um banho rápido e colocar meu pijama. Ahh a Susana, mãe dos rapazes nos chamou para um final de semana amanhã na casa de praia deles.
-Oba — escutei bem longe uma Olivia super animada com a notícia — vou preparar minhas coisas.
Tomei um banho super rápido, coloquei meu pijama e fui para o quarto dela.
— Agora senta aqui — disse ela, se sentando na cama. — E conte-me tudo, todos os detalhes.
Me sentei perto dela, tentando organizar as emoções que nem eu mesma entendia. Às vezes, eu achava que estava exagerando… outras, que não estava vendo algo óbvio.
— Ahh… foi incrível… — comecei, tentando parecer neutra. — Tudo estava muito bom e a companhia do pessoal é muito boa.
E era verdade. Eu realmente gostava da família deles. Era confortável, acolhedor. E quando o Samuel estava por perto… eu não sei. Alguma coisa em mim sempre ficava mais atenta, como se meu corpo percebesse algo antes da minha mente.
— Essa parte eu já imaginava, mas me conte, e o Samuel? Aconteceu alguma coisa? — perguntou Olivia.
Meu coração deu um pequeno salto — uma reação que eu não entendia direito. Por que aquilo sempre me deixava tão sem jeito?
Pra mim, o Samuel era só… o Samuel. Amigo. Irmão do meu chefe. Alguém querido. E mesmo assim, eu ficava toda atrapalhada sem motivo.
— Aff, Olivia, não aconteceu nada. Nós conversamos, ele me deu uma carona até aqui. — disse irritada.
Irritada mais pela insistência dela do que pelo assunto. Ela sempre imaginava coisas, sempre colocava nós dois como parzinho. Só que eu… eu não via assim. Pelo menos não conscientemente. O que acontecia comigo perto dele ainda era algo que eu não sabia nomear.
— E? Nada? Sério? — ela olhou incrédula para mim. — Nem um abraço.
Cruzei os braços, desconfortável. Eu não queria pensar demais naquilo. Talvez porque, quando eu pensava, tudo ficava ainda mais confuso.
— Nada demais, você só pensa em arrumar alguém pra mim! — cruzei os braços, olhando pra ela com uma cara de poucos amigos.
— Alguém não! O Samuel! — ela constatou.
— Amiga, dá pra ver na sua cara que você sente algo. Só não sabe o que.
A frase dela me atingiu de um jeito estranho.
Meu coração acelerou — não de paixão, mas de confusão.
Sinto algo? O quê?
Ele era só meu amigo. Era só… o Samuel. Mas, ao mesmo tempo, tinha momentos em que eu ficava sem graça, sem entender o motivo.
— Sério? Será? — perguntei, meio perdida. — Olha, vou dormir que ganho mais do que discutir com você. Boa noite, até amanhã.
Levantei e fui até a porta, querendo encerrar o assunto antes que minha cabeça começasse a criar coisas que eu não sabia lidar. Eu gostava dele… mas como exatamente, eu ainda não fazia ideia.
-Pense no que eu falei com carinho viu! Boa noite, amanhã conversamos melhor. Vou ajeitar minhas coisas para esse final de semana. — disse pegando uma mala enorme.
Sai rindo do tamanho da mala de Liv, mas, conforme o riso foi passando, fiquei presa nas palavras dela. Será que existe algo que eu não estou percebendo? A ideia me pegou de surpresa. Até onde eu sabia — ou achava que sabia — Samuel era meu amigo… só isso. O irmão do meu chefe, alguém com quem eu me dava bem, alguém com quem a conversa sempre fluía. Mas então por que meu coração sempre reagia de um jeito estranho quando estávamos juntos?
Será que gosto de Samuel mais do que um amigo?
A pergunta ficou ecoando, incômoda, insistente.
E pior: será que é recíproco?
Esse pensamento me deixou ainda mais confusa. Eu não tinha certeza de absolutamente nada, só desse aperto inesperado que aparecia quando me lembrava do sorriso dele… ou do jeito atencioso que ele sempre tinha comigo.
Sacudi a cabeça, tentando espantar tudo. Acabei dormindo com esse turbilhão rodando, como se meus pensamentos estivessem tentando montar um quebra-cabeça sem ter visto a foto da caixa.
Ao acordar, levantei e tomei um banho relaxante, tentando colocar minhas emoções em ordem — sem sucesso, obviamente. Me preparei para o tão falado fim de semana, respirei fundo e fui preparar o café. Foi quando recebi uma mensagem.
[08:30]Bom dia Lis, tudo bem? Estou indo para a casa da minha mãe e queria perguntar se tem certeza que não quer que eu dê uma carona pra você e seus amigos? - Sam
Continua...
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