No One Is Alone
6 Você não tem esse direito.
Notas iniciais
06
(...)
– Não é bem a recepção que eu estava esperando. — Blaine soltou uma risada incrédulo, ele virou de costas tentando conter seus sentimentos por aquele homem que nem conhecia. Por outro lado, Kurt estava estava boquiaberto, a muito não via aquele homem, ele estava diferente, suas expressões mais adultas, mas seus olhos ainda eram os mesmo olhos de garoto que encantavam Kurt na escola.
– Sam, o que você está fazendo aqui?
– Como assim? — Ele parecia estar ofendido. — Meu filho está alí internado, não está?
Foi a vez de Kurt rir, não com felicidade, mas com uma amargura notória, como alguém poderia ser tão cínico, desde que ele se fora, não era a primeira vez que Alfredo ficava doente, mas o ex companheiro nunca tinha ido ao hospital. — Vamos lá Sammy, ele esteve doente outras vezes e nunca foi motivo suficiente para você sair da sua zona de conforto. O que você está fazendo aqui? — Foi quando o entendimento lhe acertou bem no estômago, ele não estava ali por Alfredo, estava alí para conferir o "estamos" que Kurt havia falado no telefone, o castanho precisou de um suspiro longo para se acalmar e não gritar com o seu ex ali naquela sala. — Sam, vá embora.
Blaine continuava na cena como se não estivesse ali, apenas observando o duelo de olhares entre aqueles dois, que um dia haviam sido companheiros amantes. — Eu não vou até poder ver Alfredo. — Agora Kurt estava completamente fora de si, sua risada fria ecoou pelo salão de espera do hospital, congelando os dois homens até a espinha.
– Escute Sam, você já machucou muito aquele menino quando nos deixou. — Kurt apontou impaciente para a porta que dava na ala de internos. — Eu passei metade de um ano explicando que você havia nos deixado, depois outra metade explicando e fazendo ele perceber que não era sua culpa, você não vai entrar naquele quarto e confundir sua cabeça.
– Ele é meu filho.
– Sim, mas você não se importou com isso, quando deixou esse homem sozinho, com um filho condenado a morte para trás, por ser um covarde. — Blaine agora tomou a frente do debate, seu coração batia tão forte e tão alto, que seus ouvidos estavam ligeiramente tomados pelo som, a sala ao redor deles tornou-se embasada e as únicas pessoas em seu campo de visão eram Kurt e Sam. — Você pode ser o pai dele no papel, mas perdeu qualquer direito quando os abandonou, você não pode exigir nada desse homem.
– Você tem um novo guarda-costas? Ou é só um amante? Por que se estão juntos, é isso o que ele é. Não esqueça que somos casados.
– Blaine não é meu amante, ele é — Ele não sabia bem o que dizer, o moreno não era um amigo, mas agora depois daquela noite, ele não era um inimigo tão pouco. — um amigo da família.
– Eu não lembro dele em nosso círculo de amizades.
– Não somos mais uma familia.
– Não se esqueça que ainda estamos casados. — O tom na voz do outro homem era acusador.
– Não se atreva a repetir isso novamente, seu nome está num papel junto ao meu e isso é tudo, nosso casamento acabou quando nos abandonou. — Ele cuspia aquelas palavras como veneno, sua respiração foi falhando, 'Outra vez não, porque não consigo controlar essas malditas crises?' Kurt colocou uma mão para trás tentando encontrar algo em que se segurar, felizmente Blaine estava ali e ele agarrou-se a camisa do outro para se apoiar. — Sam, vá embora.
– Eu quero ver meu filho.
O moreno deu um passo, mas Kurt colocou seu braço na frente para impedir, um tulmulto seria pior. — Quando Fredo acordar, vou perguntar se ele quer lhe ver. Se esse for o desejo dele. — O castanho tomou uma grande lufada de ar, enchendo seus pulmões, no fundo ele sabia a resposta do filho. — Você pode vê-lo.
– Tudo bem. Amanhã eu volto.
– Mas não pense que vai poder fazer nenhum tipo de chantagem com ele. Eu vou estar junto a vocês o tempo todo. — Ele levou a mão sobre seu peito, tentando acalmar sua respiração. Por dois anos, tudo o que eles tiveram de Sam foram algumas ligações, ele não podia aparecer ali e agir como se tivesse ido comprar pão na esquina, não era justo com Alfredo.
Kurt e Blaine ficaram observando enquanto o homem loiro, ia desviando as pessoas que entravam e saíam da sala e que finalmente sumiu através da porta de entrada. As pernas do castanho começaram a tremer, sentindo que cairia a qualquer momento, ele foi a poltrona mais perto em seu campo de visão e sentou-se, apoiando os braços sobre as pernas e a cabeça em suas mãos. — Isso não está certo. — Foi apenas um sussurro, mas Blaine o pegou, sentou-se ao lado dele e de um modo confortante, estendeu seus braços sobre seus ombros.
– Você devia ter mantido sua palavra.
Kurt permaneceu em silêncio, sua cabeça girava em espiral.
– Por que mandou ele vir amanhã?
– Eu espero que não estejamos mais aqui amanhã. — Outro suspiro. — Ele ainda é o pai e eu sei o quanto Fredo ama Sam. Ele ainda não entendeu por que Sam se foi embora, eu nunca deixaria ele saber, que o real motivo foi a sua doença.
..........
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– Fredo? — O pai chamou baixinho da porta, fazendo Alfredo virar para olha-lo.
– Papai, eu quero ir embora. Eu não gosto de hospitais.
O castanho quase correu para o seu filho, seus braços o envolveram em um abraço apertado. Desde que Alfredo saira da casa dos Andersons, naquela ambulância fria com aparelhos por todo o corpo, era tudo o que ele queria fazer. Correr para o lugar que mais lhe fazia bem, seu lugar seguro, os braços do filho. Ele o abraçou como e fosse o ultimo abraço dos dois, por que para ser sincero, qualquer um poderia ser.
– Desculpe papai. — Kurt foi arrancado do seu devaneio.
– O que? Por que está se desculpando Fredo?
– Eu prometi que ficaria bem e eu não fiquei.
O castanho maior, tirou uma mecha de cabelo que caia sobre os olhos do filho, depositando um beijo em sua testa. — Você não podia controlar isso querido.
– Eu sei, mas eu podia ter te ouvido, podíamos ter ido para casa.
– Fredo, eu entrei em pânico, eu só pude correr e abraçar você, desejando que não fosse a hora ainda, se não estivéssemos lá, não sei o que teria acontecido. — Os olhos de Kurt se fecharam enquanto sua mente o levava para aquele momento na noite anterior, em que ele viu sei filho desacordado nos braços do amiguinho, mas agora ele estava sozinho e Alfredo estava muito mais do que só desacordado em seus braços, enquanto algumas lágrimas escorriam por seu rosto.
– Papai, está chorando. Não chore.
– Eu estou tão feliz de poder te abraçar meu amor. Nunca mais me dê outro susto desse.
– Tudo bem, eu prometo.
– Eu quase esqueci. — Ele falou enxugando suas lágrimas. — Blaine quer ver você, está tudo bem? Ou quer descansar um pouco mais?
– Many está aí também? — Os olhos do garoto estavam iluminados, aqueles pequenos olhinhos azuis como o oceno, novamente tinham vida, trazendo vida para seu pai também.
– Não, Blaine quis que ele ficassem em casa, mas assim que tiver alta, ele vai nos visitar, eu prometo. — O homem foi até a porta, colocando seus cabelos castanhos para fora. — Blaine? Pode entrar.
Kurt voltou para o lado da cama de Alfredo, com Blaine logo atrás dele, sorrindo para o garoto animado e cheio de vida, que saltitava na cama. — Olá Alfie, como está se sentindo?
– Bem melhor agora, foi tão estranho sentir meu coração daquele jeito, eu fiquei assustado, achei que morreria, mas aí, eu percebi que não ia. — Ele sorriu docemente, como se tivesse acabado de falar que seus cabelos estavam secos.
Os dois homens trocaram olhares cuidadosos entre eles e o moreno, continuou a conversa, no mesmo tom casual que o pequeno usava. — E como você sabia disso espertinho?
– Eu li algumas coisas na internet, algumas pessoas antes de sua morte, falaram sobre como era estar morrendo, que era calmo, como se estivesse caindo no sono. — O menino pensou melhor e reformulou sua resposta. — Mas não daquele jeito, que você pensa que está caindo sabe? Aqueles bem tranquilos. — A pequena testa de Alfredo estava franzida em um "V", assim como acontecia com Kurt quando ele estava preocupado e pensativo. Blaine tinha percebido isso, em sua última conversa. — Mas, eu estava realmente sufocado, não era tranquilo, então, não estava morrendo, eu queria dizer a Many, para ele não se preocupar, que eu não ia morrer naquela hora, mas não consegui. — Ele deu de ombros, se dando conta das roupas que seu pai usava. — Papai, você não tomou banho.
Mesmo ainda abismados com o relato do menino, Kurt e Blaine não conseguiram segurar o riso, nada poderia fazer Kurt rir daquele jeito, seu filho era seu único motivo para sorrir, mas ele logo não estaria ali para fazer, lembrando-se da conversa que havia tido a pouco a risada de Kurt foi se apagando.
– Fredo, temos que conversar sobre algo.
Os dois olharam para Kurt sem entender a situação, mas logo o moreno entendeu do que se tratava e se levantou para deixar o quarto. — Não precisa sair Blaine, vai ser algo rápido. — O castanho sentou na cama do filho ao seu lado. — Querido, seu pai Sam, ele veio aqui. Mas, eu não deixei que ele entrasse eu queria ter certeza que estava tudo bem para você.
Os olhos do menino cresceram uma légua quando eu ouviu o que o pai havia dito, ele amava seu pai, realmente amava mas suas mãos caíram em cima de suas perninhas e ele começou a girar seus polegares, sem coragem para olhar o pai. — Você quer vê-lo Fredo?
– Papai. — O castanho segurou a mão do filho para dar-lhe segurança, Alfredo ergueu os olhos miúdos para o pai, procurando segurança. — Vai ficar chateado se eu disser que não?
Se aquilo não fosse totalmente inapropriado, o castanho teria gargalhado, Sam era sim o pai de Alfredo, mas ele não podia simplesmente aparecer como se nada tivesse acontecido e felizmente, o filho pensava da mesma forma, ou aparentava pensar. — Não Fredo, é sua escolha.
– Então eu não quero, eu amo o papai Sam, mas ele magoou aqui. — O pequeno gesticulou para o coração, descansando sua mão sobre ele. — E ele já doeu bastante por essa semana.
Os dois homens se olharam e Kurt sentiu o apoio que o outro lhe dava com o olhar.
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– Alfredo, tem visitas. — Kurt retirou umas peças de Monopoly que estavam ainda sobre o sofá, vestígios de uma guerra, depois do almoço na casa dos Hummel.
O garoto vestia seu pijama azul, decorados com pequenas fadinhas cintilantes, Blaine apostasia qualquer coisa que havia sido um presente de seu pai.
Já tinha se passado uma semana desde que os Hummel tinham voltado para casa e durante aquela semana, Blaine e Maurice iam visita-los todos os dias a tarde, mudando os planos do parquinho, na verdade, aqueles dois, estavam mudando toda a rotina deles.
Agora, os dois homens tinham uma boa base para uma amizade, seguindo o exemplo dos dois pequenos, que se adoravam e não conseguiam se desgrudar. Enquanto Alfredo e Maurice foram para o quarto, levando junto o jogo de tabuleiro, o moreno sentou-se em uma cadeira da mesa, esperando Kurt lavar paciente a louça.
– Então, ele ligou?
O tom despreocupado do maior, agora tinha se tornado mais sério, com a mudança no tom de voz, o castanho virou para tentar saber do que se tratava a conversa, até perceber a quem o moreno se referia.
– Sim, mas Fredo não falou com ele, ele estava ocupado lendo alguns novos panfletos. — Dando de ombros, Kurt voltou para sua louça.
– Quer que eu te ajude?
O castanho virou para encara-lo, tentando segurar o riso. Quando em um milhão de anos, Blaine Anderson saberia fazer algo daquele tipo? — Você? — Perguntou ele debochado. — Não, obrigado.
– Ouch! Por algum acaso acha que eu não posso lavar um prato?
A sobrancelha de Kurt ergueu-se em desafio, ele afastou um pouco para o lado e fez sinal para a pia, assim o moreno podia ocupar o seu lugar.
E foi o que ele fez, Blaine levantou-se da cadeira e foi até a pia se posicionando no mesmo lugar onde o castanho estava a pouco.
O mais alto retirou o avental, gentilmente repassou para o outro homem, ele mesmo o colocou, agora os dois estavam próximos o bastante para Kurt sentir o cheiro adocicado de Blaine, respirou fundo e amarrou no avental nas costas. — Muito bem, vá lá.
O homem procurou alí alguma coisa que se assemelhasse com o objeto que Kurt usava para limpar, estava claro que ele nunca tinha feito isso, havia sido idiotice se oferecer, mas agora ele não voltaria atrás. Finalmente encontrou a esponja de lavar pratos e pegou um tubo com líquido azul dentro.
O castanho que estava distraído com o fogão se virou para ver o progresso do rapaz, quando seus olhos pararam no produto, ele soltou um pequeno grito que assustou Blaine, fazendo ele derrubar o produto na mão. — Você está louco? — Ele disse rindo.
– O que?
O mais alto foi até ele, segurou sua mão pelo pulso e colocou debaixo d'água, deixando água em abundância correr entre seus dedos. — Isso é limpador de alumínio, se usar isso sem luvas, vai machucar suas mãos. Ainda mais as suas.
– Tudo bem, você me venceu, eu não sou tão bom.
– Nada bom, você quis dizer.
– Ouch de novo. — Agora Kurt estava secando a mão do outro rapaz com algum pano da cozinha.
– Você nunca lavou um prato não é?
O moreno balançou a cabeça e Kurt tentou se segurar, aquele pequeno fato sobre o Anderson, o deixava um pouco humano afinal. Quando o pano deslizou por suas mãos, elas se tocaram, fazendo os dedos suaves de Blaine tocarem os de Kurt, no mesmo instante, seu coração disparou, o chão sob seus pés ficou desregulado e a cozinha começou a girar em volta dos dois, eles se olharam por um segundo ou dois, incapazes de desviar o olhar.
Nesse momento os meninos entraram na sala e pararam absortos com aquela cena. Alfredo foi quem quebrou o silêncio e todo o resto que estava acontecendo ali. — Papai, eu quero comida.
O castanho puxou sua mão assustado, ainda sobre o olhar quente de Blaine.
– Tio Blay?
O moreno virou agora para as crianças com um sorriso no rosto, tentando acabar o momento constrangedor que tinha se formado ali. — Vamos sair? Podemos tomar sorvete.
Os dois garotos bateram palmas e pularam em cima dos homens, cada um abraçando seu respectivo pai, ou guardião. Nesse meio tempo, os dois homens ainda trocaram algumas olhadas para o outro, mas logo abraçaram as crianças de volta, deixando de lado aquele pequeno incidente.
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Alfredo estava dormindo em sua cama enquanto era observado por Kurt, depois do acontecido na casa dos Anderson, o pai só saia de perto da cama do filho, quando tinha certeza que ele não acordaria reclamando por estar sufocando. Seus pés giraram e ele saiu devagar do quarto, deixando a porta entre aberta para o quarto do pequeno não ficar totalmente escuro, logo seus olhos fitaram a pia, onde mais cedo ele e Blaine haviam passado um momento muito estranho. — É claro que não foi nada demais. — O castanho bufou, debochando do acontecido. — Blaine é bonito e eu estou a um bom tempo sem algum tipo de relacionamento com alguém, não é coisa de outro mundo que eu ficasse balançado, não é como se eu estivesse atraído por ele. — 'Será que não?'– Óbvio que não. — Revirou os olhos, afastando aquele pensamento e foi para o quarto, para descansar.
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Do outro lado da cidade, Blaine deitado em sua cama, que agora estava estranhamente vazia, também se questionava sobre o que havia acontecido, o toque das suas mãos, aquele pequeno e tão normal ato, mexeu com algo dentro dele, como se tivesse acordado algum sentimento. Se era algo bom? Ele não saberia dizer.
Talvez fosse algo sem importância, mas o grande problema era: e se não for? O amor podia ser bem traiçoeiro, ele vem rastejante e desliza por baixo das frestas mais estreitas. Para tocar o coração daqueles, que fecham suas portas para ele.
Talvez, fosse esse o caso agora.
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