Notas iniciais
Hello eve, desculpa a demora. Como alguns já sabem, eu estava com o dedo suturado por conta da minha inteligência e habilidade de manusear facas. Mas então, o capítulo não está tão grande, por que a cena é enorme e ia ficar cansativo, então dividi. Espero que gostem e aproveitem a leitura.

07

As semanas se passaram rápido depois que os Anderson entraram na vida de Kurt e Alfredo. Os dias que se estendiam em uma rotina padronizada, agora eram cheios de surpresas e nada era igual a o dia anterior.

Blaine tinha grande culpa nisso, já que ele havia prometido ao sobrinho que faria tudo para que Alfredo fosse feliz até o seu último dia de vida. Porém, não era esse seu único motivo, fazer todas aquelas coisas proporcionava a ele grandes momentos ao lado dos garotos e também de Kurt. Suas barreiras estavam todas derrubadas e agora ele podia ser e acima de tudo, era ele mesmo.

A noite caia e o castanho se preparava em seu quarto, enquanto Alfredo batia seus pés no chão impaciente. — Vamos papai, está quase na hora.

– Você acha que eu vou a um musical da Broadway sem me arrumar? E por que essa pressa? Você nem mesmo gosta de musicais.

– Por que Many e Blaine vão chegar a qualquer hora. Eu já não quero ir e ainda mais com essa demora.– Resmungou baixinho o pequeno.

– Alfredo! — O pai repreendeu, não era do feitio de Kurt reclamar com Alfredo, mas essa noite era especial e o estava deixando realmente nervoso. Ele estava indo ver o seu musical favorito, com o seu ator favorito e ao lado de pessoas muito importantes na sua vida. Ele tinha razões para ficar como estava.

– Tudo bem, tudo bem. Vou ligar para Many e ver se ele e Blaine estão a caminho.

O pai revirou os olhos exasperado.

– Pare de agonia, eles devem aparecer aqui a qualquer instante.

No mesmo instante o som da campainha tocou pegando os dois de surpresa, o pequeno saiu correndo pelo corredor, ao encontro do seu melhor amigo e o tio dele.

– Fredo, vá devagar, você pode se machucar. — Quando finalmente ele chegou a sala, Alfredo estava parado com a porta entreaberta. — Essa não foi a educação que eu lhe dei. Deixe que Blaine e Maurice entrem.

O pequeno não disse nada, apenas se afastou da porta, deixando-a para que o visitante a abrisse. Para a surpresa de Kurt, não eram Blaine e Maurice quem estava do outro lado da porta e sim, seu ex marido. Sam trazia em uma mão uma caixa de pizza e uma sacola com refrigerantes na outra. O sorriso em seu rosto provocou náuseas no castanho.

O pequeno Alfredo deslizou-se pela parede até estar ao lado de Kurt, seus olhos no chão sem nenhuma intenção de olhar para o loiro parado à porta. O pai de uma forma protetora colocou seu braço sobre os ombros do filho e o trouxe para mais perto.

Alfredo estava claramente abalado, isso provocou em Kurt um sentimento de fúria desmedido, se Sam se aproximasse demais, ele não responderia por seus atos. — O que você está fazendo aqui Sam?

– Hoje é domingo, dia de pizza e filme em família. — Só podia ser brincadeira, o castanho se abaixou até ficar a altura do filho e colocou suas mãos no rosto do pequeno.

– Meu anjo, você pode esperar um pouco no seu quarto? — Alfredo concordou com a cabeça e saiu dando uma última olhada no homem que ainda estava no mesmo lugar.

Parecia mentira, Sam viveu ali seis anos inteiros, mas ainda assim, parecia que ele nunca pertencera aquele lugar. As suas lembranças foram apagadas da memória do castanho, talvez uma jogada inconsciente do seu cérebro logo depois da partida, para evitar sofrimentos. — Vou perguntar uma última vez Sam, o que diabos você está fazendo aqui?

O loiro deixou a sacola com os refrigerantes cair próximo a seus pés, ele deu um passo para frente. Ele nem mesmo estava perto, mas o maior sentiu a necessidade de dar dar um passo para trás, para manter distância. — Kurt, eu… — Com a respiração desregulada ele engoliu em seco tentou outra aproximação, porém outra vez Kurt se afastou. — Olha Kurt, eu fui tão burro, tão insensível e miserável quando eu decidir deixar você… vocês. Aquele dia no hospital, quando eu te vi, foi como se algo tivesse reacendido outra vez dentro de mim. A parte de mim que estava morta desde que eu coloquei os pés fora dessa casa, ressuscitou. Kurt, eu preciso que me perdoe e me aceitei.

– Primeiro, não é a mim que você precisa pedir perdão. É aquele menino que você deixou para trás, depois que ele recebeu a pior notícia da sua vida. E segundo, eu não poderia te aceitar de volta, mesmo que eu quisesse. — Kurt deixou que os ombros caíssem. — Você não pode imaginar o quanto foi difícil para mim, todas as noites ver aquele pequeno anjo ali dentro chorando por não poder ver o pai que mais amava…

– Isso não é verdade…

– Sim é, ou pelo menos era. — Ele balançou a cabeça limpando os pensamentos, tentando achar um vão confiável para se apegar. — E eu não tenho o mínimo problema com isso. Aquele garoto ali te amou com todas as suas forças, por sua vida inteira. Você era como um herói e quando ele precisou que o salvasse você o abandonou. — A essa altura a voz de Kurt tinha alcançado uma nota mais alta do seu tom natural, ele estava quase gritando. — E eu também precisei que estivesse aqui, precisei de forças para continuar quando meu mundo estava desmoronando, mas você não ficou.

– Você nem sequer pediu para que eu ficasse. -Tentou se defender.

– Eu precisava? Você poderia muito bem ter ficado aqui. Mas você era muito bom para ficar aqui aguentando todas as vezes que Alfredo ficasse doente, precisasse ir ao hospital, para a tortura que é seu tratamento. Notícia nova: VOCÊ É UM COVARDE SAMUEL.

Os olhos do loiro estava cheios de lágrimas prontas para cair igualmente aos do castanho, porém por motivos diferentes, para o loiro tudo o que ele ouviu era a mais pura verdade, ele sentiu-se um fraco. Ele abandonou o amor da sua vida e seu único filho por medo. E o castanho, esse sentia tanta raiva que de algum modo ela tinha que sair.

– Kurt, eu ainda amo você. E amo Alfredo, eu só não sabia o que fazer naquela época.

– E precisou de dois anos para descobrir?

O loiro deu mais um passo, mas dessa vez Kurt não recuou, então ele seguiu, até estar a menos de um palmo de distancia do castanho. — Kurt eu te amo.

– Kurt, desculpe ir entrando, mas Many estava apressado e a porta estava… — Blaine parou ao ver a cena, o sorriso sumindo devagar de seu rosto, enquanto uma vertigem atingiu ele em cheio. Ele e Maurice ficaram observando a cena que parecia ter congelado diante dos seus olhos, o moreno olhou de um homem para o outro e então desviou o olhar para o chão se sentindo estranhamente envergonhado. — Desculpe, vamos esperar do lado de fora.

– Não Blaine. — O castanho se apressou em impedir os dois de saírem. — Estávamos esperando você. Maurice, por que não vai chamar Fredo para mim? Ele está no quarto.

O pequeno saiu correndo da sala, como se fugisse de um terrível monstro que o perseguia. Era o que Blaine desejava fazer naquele momento, sair correndo daquela sala e esquecer aquele momento constrangedor. — Sam, você precisa ir embora. Eu e Alfredo vamos sair.

– Com eles? Francamente Kurt, o que você está fazendo?

– Eu estou seguindo minha vida, assim como fez com a sua. Agora por gentileza vá embora. Alfredo não quer lhe ver e eu muito menos. — O loiro olhou para o ex esposo e então para o moreno que ainda estava parado na porta. Seus olhos se cruzaram queimando de raiva. — Não se engane, essa é minha família. E não vou deixar ninguém toma-la de mim.

– Agora Sam. — Um grito esganiçado de Kurt e ele se foi, deixando as coisas para trás, dando uma última olhada ameaçadora para o moreno. Blaine fechou a porta à suas costas e foi atingido por Kurt que correu para os braços dele, para poder se acalmar antes dos meninos voltarem a sala.

O moreno se assustou, mas ficou em silêncio acariciando as costas do outro enquanto esperava paciente ele estar pronto para conversar. — Acho que devemos chamar os meninos.

– Você tem certeza que está em condições para ir?

– Ta brincando? Nem em um milhão de anos eu perfeita a chance de ir ver Cooper Anderson na primeira fila. — O castanho sorriu, mas o sorriso não atingiu seus olhos. Blaine sabia que para o castanho era difícil encontrar com o ex, ainda mais quando Alfredo estava por perto, mas quem sabe fosse melhor ele sair.

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O salão estava cada vez mais cheio e o castanho estava maravilhado com o palco a sua frente, todas as luzes e os pequenos e tão significativos detalhes do cenário. Os dois garotos conversavam animados, enquanto Blaine não conseguia tirar os olhos de Kurt.

Não olhar para Kurt naquele momento era algo difícil para qualquer um naquele recinto. Dado o fato que a sua expressão maravilhada, toda a sua admiração expressada no brilho dos seus olhos e o sorriso gigantesco, , estampado em seu rosto. O castanho tocava todos os corações de apaixonados por teatro e artes naquele local, por sua admiração.

– Papai, já vai começar? — Perguntou impaciente o pequeno castanho sentado ao lado de Kurt.

– Calma Alfie, o pessoal ta chegando ainda. — Respondeu o outro pequeno sentado duas cadeiras depois, ao lado do seu tio.

– Eu quero ir para casa. — Todos se viraram para ele, imediatamente Kurt se virou para o filho visivelmente preocupado.

– Está se sentindo bem Fredo? — O moreno de ajeitou em seu acento para alguma pessoa passar, até a outra ponta e logo voltou a olhar para os dois. Seria muito decepcionante se precisassem ir para casa naquele momento. A noite tinha que ser especial para Kurt. Ainda mais depois do começo daquela noite, o pobre homem merecia uma pausa da sua vida complicada.

– Eu só estou entediado. — Ele afundando seu corpo na cadeira, fazendo Kurt revirar os olhos. O pequeno sempre fora assim, sua hiperatividade o deixava alheio a qualquer coisa que não exigisse esforço físico e lhe exigisse que ficasse algum tempo parado.

As cortinas se levantaram e então o teatro explodiu em aplausos e gritos. Era como um sonho para Kurt, bem, não exatamente como um sonho, por que na verdade o real sonho, era estar recebendo aquela salva de palmas, enquanto de preparava para mostrar todo seu talento, para os presentes.

– Está ansioso? — O moreno sussurrou, fazendo o castanho se virar assustado em direção ao ele, que estava bastante próximo, próximo bastante para beijarem um ao outro, se fosse o caso. Seus olhos presos nos olhos ambar do outro, faziam com que sentisse seus pés perderem o chão, como se estivesse caindo em um abismo sem fim, onde somente a escuridão e a calma o envolvessem e nada mais.

Notas finais
Gente o que acharam? Sugestões, críticas? Todas são bem vindas. Mas eu gostaria de saber em especial se eu deveria aumentar o tamanho dos capítulos. Beijos e até a próxima semana.