Notas iniciais
Hello Eve!!! Como vocês estão? Esse capítulo é para dar um fim ao anterior e também, um importante passo para a história de Kurt e Blaine. Aproveitem.

Seu coração acelerado, podia ser ouvido do outro lado do teatro, e para ele, soava mais alto do que as palmas da platéia. Kurt balançou a cabeça tentando reorganizar seus pensamentos e afastou-se devagar, tentando não se mostrar abalado. O sorriso em seu rosto, era acima de tudo constrangido.

Ele balançou a cabeça acenando, fazendo o moreno sorrir com alegria. As palmas de todos iam cessando gradativamente e todos inclusive os pequenos, agora estavam atentos ao centro do palco onde a luz focava e iluminava um objeto pequeno.

Uma música lenta começou a tocar e logo todos podiam ver, que que o objeto não era bem um objeto, mas sim algo se se movia e ficava cada vez maior. Os olhos do castanho, cada vez maiores de excitação e surpresa, então o pequeno objeto foi-se transformando em uma forma humana e então, de lá, uma voz serena que se assemelhava com as vozes do príncipes famosos dos cinemas, começou a sair daquele ser, de repente ele virou, deixando todos os presentes maravilhados com a sua beleza.

Não só a beleza física do ator, mas todos os pequenos detalhes, que envolviam a cena, a maquiagem brilhante e vibrante, os trages extremamente espalhafatosos, negros na parte traseira e coloridos na parte frontal e o cenário caprichosamente detalhado. Cooper Anderson cantava ali. Pondo toda a sua emoção e alento naquela canção.

Blaine olhou para Kurt, que tinha os olhos mareados com lágrimas de emoção. Não lhe passava na mente um só momento, tão belo e contagiante como aquele. Kurt realmente era alguém incrível, somente ele poderia diante de uma situação extremamente difícil, como a que ele passava, poderia encontrar a alegria em algo tão simples como uma peça teatral.

Aquele homem era um exemplo a ser seguido e Blaine estava disposto a fazer.

A música cessou e então as outras personagens começaram a entrar em suas posições, dando início a primeira cena daquele ato. Darren que havia visto por umas trezentas vezes aquela peça, se contentou em admirar a beleza das expressões apaixonadas e admiradas de Kurt. Seus olhos passaram do homem para as duas crianças. Alfredo tinha suas mãos apoiando seu pequeno rostinho, enquanto admirava certamente as cores e as coreografias, seus pequenos olhos azuis como os do pai, brilhavam igualmente. E seu sobrinho, até parecia que assistia por a primeira vez o musical, prestava atenção, como se não soubesse cada frase de cor.

Kurt soltou uma gargalhada com alguma piada que o ator da cena havia feito, mas que por estar tão entretido na reação dos outros. Seu sorriso era lindo, seus pequenos dentes como os de uma criança, deram o ar da graça, então o castanho virou e tão depressa colocou a mão sobre sua boca para esconder-se. Sendo mais rápido, Blaine tocou sua mão, imediatamente uma descarga correu por seus dedos se estendendo por seu corpo, a mesma sensação que Kurt sentiu com o toque. — Não faça isso, não se esconda. — Ele sussurrou sem pretensão de atrapalhar os outros espectadores, os olhos nos do castanho.

Kurt tirou sua mão, do mesmo modo que havia feito uns dias atrás, ao sentir a mesma sensação, quando os dedos de Blaine a tocou , mas ele já não sorria. — Eu só não gosto do meu sorriso. — O moreno lhe lançou um sorriso meio torto, querendo abraçar ele. Kurt era sempre tão auto confiante o tempo todo, surpreendeu Blaine que aquilo realmente incomodasse Kurt, por que para ele, por mais que aquela fosse a primeira vez que o vira sorrir com tanta vontade, aquele era um dos maiores e mais bonitos a sorrisos que ele já vira em sua vida inteira.

– Você está brincando? Você fica ainda mais bonito quando sorri.

Então ele parou, assustado com suas palavras e consigo mesmo. Naquele momento, onde todos estavam tão focados em prestar atenção no palco, onde apenas ele e Kurt mantinham aquela conversa, ele se deu conta, que seu coração não lhe pertencia mais, que por alguma razão, aquele homem ali em sua frente, que se encantava com um simples musical, que lutava todos os dias para fazer seu filho sorrir, que sentia vergonha do seu maior trunfo, que lhe arrancava sorrisos mesmo que não fosse sua vontade, que lhe tirava a paciência, mas lhe encantava em tantas formas, que lutava com unhas e dentes por seu filho e tudo o que construíram juntos, aquele homem havia agora também roubado seu coração.

Ele não poderia dizer em que momento exato isso havia acontecido, ou como ele havia permitido que algo desse tipo acontecesse. Ainda mais ele, que não poupava esforços para fugir de qualquer coisa que se assemelhasse com o amor.

O castanho notou a expressão desnorteada no rosto do castanho e o soprou um "o que" sem som. Ele apenas se limitou a fingir um sorriso e votar a olhar a peça, deixando Kurt confuso e intrigado com a brusca mudança de humor do outro. E assim eles seguiram ao longo dos minutos que se seguiram, sem trocar um olhar.

Kurt tentando entender o que havia feito de errado e Blaine levou seu tempo em tentar reorganizar seus pensamentos e provar para si mesmo que não, ele não podia estar apaixonado por Kurt, ele não estava.

A um certo ponto da peça, o pequeno Alfredo acostou sua cabeça no braço do pai, tirando a atenção do castanho da peça. Era algo normal que uma criança acabasse dormido, mas com Alfredo era sempre um motivo de preocupação instantânea. — Alfredo? Filho? — O tom de preocupação, embora que em uma voz baixa, chamou a atenção de Blaine e Maurice para o castanho menor também.

Os pequenos olhinhos azuis se abriram sem focar em nada especial, apenas por instinto ao ter seu nome mencionado. Kurt soltou todo o ar que estava preso em seus pulmões naquele momento deixando seu corpo afundar um pouco mais na poltrona do teatro. — Papai, já vai acabar? Eu quero ir para casa, isso é tão chato.

Blaine não conteu uma gargalhada que felizmente foi encoberta por a salva de palmas que se seguiram ao final do primeiro ato. O moreno levantou-se e foi até a cadeira do menino e abaixou-se pegando o pequeno em seus braços, surpreendendo Kurt, que tomou a mão de Maurice na sua e segui o moreno, por entre as pessoas que saíam do salão.

Mesmo o garoto aparentando estar a baixo do peso, Blaine se espantou com o pouco peso que o menino tinha em seus braços. Era normal que pessoas com câncer perdessem peso por o tratamento e todas essas coisas, mas ele não imaginava algo desse tipo. — Vamos comprar algo para comer? — Falou para os outros dois. — Você quer alguma coisa Alfie? — O garoto balançou a cabeça negando e deitou-a no ombro do moreno.

Blaine virou o rosto para o olhar, e reparou que faltava um tufo de cabelos próximo a orelha do menino, agora dando uma olhada melhor, em vários outros lugares era nítido de se ver cabelos faltando.

Kurt ao perceber a preocupação nos olhos do moreno, passou as mãos por o cabelo do filho adormecido e sorriu para Blaine tentando o dar um pouco de segurança. — Os cabelos dele estão caindo outra vez. É do tratamento. — Ele deu de ombros. Mas o menor não se conformou, sua mente não deixava de viajar enquanto imaginava o quanto Alfredo sofria por ter que enfrentar esse tipo de coisa.

Seus olhos procuraram o sobrinho automaticamente, ele queria poder segura-lo em seus braços e proteger o pequeno de coisas como essas, mesmo sabendo que não era possível.

– Senhor Kurt, podemos comer chocolate?

– Claro por que não Maurice? — Ele acariciou o rosto do pequeno com o polegar, fazendo pequenos círculos.

– Ei, ei, ei ei. Auto lá mocinho. Está tentando se aproveitar de Kurt? — Kurt lançou um olhar confuso para Blaine que piscou para ele, depois voltando sua atenção ao sobrinho.

– Mas tio Blaine, já faz um mês. Eu não estou mais de castigo, trato é trato.

Os olhos do castanho se arregalaram de surpresa e ele sorriu. — Por que estava de castigo Many? Andou aprontando.

O pequeno cruzou os braços em frente ao corpo e lançou um olhar feroz para o tio, que lhe sorria em retribuição.

– Coop pegou o Many — O moreno olhou para o sobrinho Clemente se divertindo com a reação do sobrinho. — Eu conto?

– Não a atreva tio Blaine.

A essa altura o castanho já sorria com aquela cena tão simples, mas tão adorável de se ver. Talvez por conta das condições em que se conheceram e se encontraram a as primeiras vezes, Kurt nunca imaginou o moreno em alguma situação parecida, com Alfredo nos braços e brincando com daquela maneira com Many, era como se ele tivesse nascido para aquela situação e por um segundo quase imperceptível ,seu coração desejou que ele tivesse conhecido aquele homem ao invés de Sam, mas seus pensamentos foram arrancados por a voz de Blaine. — Ele estava no banheiro se maquiando com as coisas do Coop.

– Por isso? — Cooper teria problema de ter um filho que gostasse de coisas de meninas? O castanho sentiu uma pontada de desapontamento, não esperava isso do seu ator favorito.

– Conte a ele o que você fez Many, eu viu comprar algumas coisas e voltamos para assistir o resto.

– Quer que eu segure o Fredo? — Kurt apressou-se a falar estendendo os braços para segurar o filho.

– Tudo bem Kurt, eu ainda posso fazer isso. — Ele revirou os olhos, mas seus lábios traziam um sorriso, mas logo voltou sua atenção ao pequeno Maurice que foi contando sobre quando ele destruiu as paredes do banheiro do pai, decorando-as com sua maquiagem.

No decorrer da noite, os quatro assistiram a peça em silêncio, Blaine com um Alfredo agora desperto e impaciente em seu colo e Kurt e Maurice conversando entre si, sobre como eram feitos os efeitos e detalhes de cenas e também sobre as atuações dos atores, ambos se demorando nos elogios para o pai do garoto.

Finalmente as cortinas se fecharam, todos aplaudiram e Kurt sem poder se conter, ficou de pé e soltava alguns gritos de ovação para as cortinas.

O castanho se levantou, vendo o moreno com o pequeno Alfredo nos braços e Maurice segurado pela mão, foi caminhando até o corredor que dava para a saida do salão, quando a voz de Blaine chamou sua atenção. — Kurt onde está indo?

– Oh, me desculpe. Quer ajuda?

– Não. Mas nós vamos ao camarim do Coop, não quer ir?

Os olhos azuis agora tinha o dobro do tamanho, seu sorriso ia de orelha a orelha sem deixar os dentes a mostra. Deixando Blaine desconfortável com isso. — Claro que eu quero, só não achei que iríamos. — Ele voltou até eles quase saltitando, e seguiram até lá.

O homem trocava de roupa enquanto um dos seus maquiadores removia com delicadeza qualquer vestígio de maquiagem em seu rosto. Enquanto isso, os garotos e Blaine conversavam animados sobre algo alheio aos pensamentos de Kurt, que estava se perguntando como alguém podia ser prefeito até mesmo naquela situação, logo os cinco se envolveram uma conversa que se demoraria por toda a noite.

[♥♥]

O carro parou em frente a casa dos Hummel, a madrugada fria e negra era clareada apenas por uma luz fraca que brilhava na varanda. Primeiro a descer do carro foi Kurt, que trazia Alfredo adormecido em seus braços e Blaine, foi até o banco detrás, para pegar um também adormecido Maurice.

– Blaine, eu insisto por favor, fiquem.

– Não queremos incomodar.

– Não vai incomodar, Maurice pode dormir-se aqui na minha cama. E você no sofá, eu me ajeito numa poltrona, não seria a primeira vez que eu faço isso. — Ele riu, uma pequena referência as noites dormidas ao lado do filho em hospitais.

– De maneira nenhuma.

– Blaine por favor.

Os dois por fim entraram, Blaine trancou a porta atrás de si e seguiu Kurt até o quarto, para acomodar ele. O moreno estava sozinho com seu sobrinho adormecido no quarto, deu uma xecada para certificar que Kurt não estava vindo e começou a explorar o quarto, seus olhos correndo por os quadros e porta retratos pendurados nas paredes, alguns com um pequeno bebê e um Kurt mais jovem, os dois sorriam, nas fotos. — Aí está você. — Ele disse mais para si mesmo, quando viu o sorriso espontâneo e sem medo em uma das fotos.

Seus olhos caíram então numa foto em cima do armário, não uma foto de Kurt, nem de Alfredo, ainda sim um rosto familiar. Ele riu outra vez, Kurt era sempre tão sério e concentrado, aquela imagem o lhe causava vontades incontroláveis de rir. Sentou ao lado da cama e pegou a foto em suas mãos.

– Blaine me desculpe, é que — Outra vez os pequenos olhos dobraram de tamanho, mas dessa vez de surpresa. Blaine tinha erguido em frente ao seu rosto, uma foto emoldurada do seu irmão mais velho e começou a andar em direção a Kurt.

– Desculpe, mas Blaine não está aqui, eu com colocar meu adorável filho para dormir na casa do homem que tem uma queda por mim e

O moreno foi interrompido, por Kurt que deu um bote quase certeiro para tomar a foto do outro homem, seguindo se algumas outras tentativas. Em sua última, o moreno lhe abraçou por a cintura, deixando a máscara atrás do seu corpo, não dando chances para ele pegar.

Os dois riram, sem conseguir parar por um tempo, mas logo as risadas foram perdendo o volume, voltando a ser apenas pequenos sorrisos, uma tranquilidade os envolvendo. Um sentimento totalmente novo para ambos, começou a rodea-los Blaine e Kurt tinha seus rostos próximos demais, seus narizes se tocavam no momento, seus olhos sem quebrar o contato, azul no âmbar, as cores se misturando, os dois procurando a alma do outro em seus olhos.

Agora a respiração podia ser sentida na pele do outro, mais um centímetro e suas bocas estariam uma na outra. Blaine não tinha percebido o quanto queria isso, até aquele momento. As mãos de Kurt deslizando nas laterais do corpo do moreno, engoliu em seco, desviando seus olhos dos olhos do outro até a boca.

– Titio?

Os dois pularam para trás ao ouvir a voz do pequeno Maurice chamando, o clima no mesmo instante esfriou, como se dementadores estivessem os rodeando, exatamente como num dos livros de Harry Potter que Kurt havia lido para Alfredo nos dias que passavam no hospital.

O castanho saiu primeiro do quarto, deixando Blaine e Maurice para trás.

Alguns minutos depois, o moreno entrou na sala, instalando no ambiente um clima tenso. Os dois se entreolharam, Blaine quis sorrir, mas não tinha certeza de era isso que Kurt esperava naquele momento. Ele apenas fez o caminho até o sofá até onde Kurt estava sentado e sentou-se ao seu lado.

Palavras não precisavam ser ditas naquele momento. Os dois apenas focaram em silêncio, aproveitando a companhia do outro. Se enchendo de coragem, o moreno passou seu braço por trás do pescoço do maior, fazendo com que Kurt, cansado demais para outra coisa, deitasse sua cabeça em seu ombro. O moreno puxou um lençol que Kurt trazia para ele e cobriu o corpo dos dois. Então, assim os dois começaram a adormecer. Apreciando a companhia e o doce cheiro do outro.

Naquele momento, Kurt descobriu em Blaine uma fortaleza, que a muito não tinha, que na verdade nunca soube se teve quando estava com Sam. Se sentiu seguro e que finalmente tinha alguém com quem compartilhar sua dor e suas tristezas, alguém com quem poderia contar, quando o dia do seu sofrimento eterno chegasse, quando a morte lhe levasse o único bem de sua vida, alegria da sua existência, a sua essência o seu bem. Alguém em quem confiar.

Notas finais
E ao gostaram? Nossa, essa história meche com meu emocional. Os próximos capítulos não teremos muito de Klaine em si, mas serão bem interessantes e emocionantes. Espero que tenham se divertido, já sabem, críticas, sugestões são sempre bem vindas.