No One Is Alone
1 O grande negócio.
Notas iniciais
01
Kurt Hummel estava na sala de casa jogando dominós com seu filho Alfredo e conversando sobre a vida. Kurt era um homem esguio com um corpo escultural, uma estatura mediana e suas roupas estavam sempre na moda, um jovem homem de 29 anos, mas seu rosto cansado e preocupado lhe dava um semblante de um homem mais velho. Enquanto seu filho, era um garoto de expressão alegre e o corpo igualmente esguio. Seus cabelos embaraçados e levemente assanhados deixavam seu pai louco, porém Kurt sempre achou que combinava com seu lindo sorriso, Alfredo também era um garoto muito inteligente e bastante maduro, ainda mais para um garoto de 9 anos…
Era um bom costume que pai e filho tinham sempre depois de o almoço, que era preparado por os dois, jogarem algo na sala de estar. Os dois estavam concentrado em seus jogos, Alfredo tinha duas peças e Kurt uma que bateria onde quer que jogasse, o garoto jogou uma peça das suas no tabuleiro. — Ah não, eu passo. Não acredito que venceu. — Kurt fingiu colocando sua peça virada para baixo e levantando suas mãos como forma de rendição.
Alfredo levantou uma de suas sobrancelhas e semi-serrou os olhos para o pai. Alfredo fingiu recolher as peças e antes de que Kurt percebera, virou a sua peça. — Ah não papai, eu sabia, sabia! Porque você sempre faz isso? — O menino soltou suas peças e levantou pegando os pratos para levar para a cozinha. — Assim eu não queto mais jogar.
– Ah qual é Fredo, venha cá, não fique chateado, podemos ir ao cinema para que eu possa recompensar.
– Vou pensar no seu caso papai. — O filho sumiu por a porta.
– Fredo. — triiiiiiiiiiiiiim! Salvo pelo o gongo mocinho. Pensou Kurt e foi até o telefone se jogando sobre o sofá.
– Kurt Elizabeth Hummel?– Kurt assentiu, a voz que soava do outro lado da linha era forte, formal, porém Kurt deduziu que era um jovem, porque seu tom de voz era descontraído. – Blaine Anderson que vos fala. O senhor poderia comparecer hoje as quatro horas da tarde nas empresas State Free? É um assunto importante que desejamos tratar.– Ah eu aposto que sim, o rapaz apenas assentiu e colocou o telefone no gancho, ele sabia do que se tratava, na verdade estava estranhando que eles não tivessem ligado antes. O filho voltou para a sala e sentou ao lado do pai.
– O senhor está bem pai? — Kurt deixou seus pensamentos de lado e olhou para Alfredo com um sorriso forçado.
– Claro que estou, aliás, vou precisar que você fique com a sua madrinha Mercedes um pouco esta tarde tudo bem? — O garoto assentiu e voltou a assistir a televisão. O castanho maior, pegou o telefone e discou o nome da amiga. — Alô, Mercedes?
– Kurt? Oi meu docinho. Está tudo bem?
Kurt sorriu ao ouvir o som da voz da amiga. — Não, está tudo bem. Eu só queria saber se você pode ficar um pouco com Alfredo hoje a tarde.
– Você está brincando? Claro que sim, estou morrendo de saudades desse pequeno furacão. Deixe-me falar com ele.– O pai então levantou o telefone deixando a vista do seu filho que estava no sofá.
– Sua madrinha Fredo. — O menino que via um desenho na tv nem se deu ao trabalho de segurar o telefone.
– Oi Dinda, a sua bênção. — Kurt revirou seus olhos e voltou sua atenção para o telefone.
– Ele está mais interessado na tv, ai ai esse menino. — O homem riu, mas seu riso foi ficando mais fraco e o silêncio foi se instalando entre os dois.
– Ele está bem? Quer dizer, pelo menos melhor? Sumiram os enjôos?– Kurt mordeu o lábio, era difícil conversar sobre aquilo enquanto Alfredo estava na sala.
– Ele está melhor, quer dizer… — O mais velho continuou a contar a Mercedes a situação, mas agora a atenção de Alfredo não estava nem no desenho, nem na conversa dos dois. Ele sabia que seu tempo estava se esgotando, mas ele estava pronto para ir, o que mais o preocupava era que seu pai não estivesse pronto para deixa-lo ir. O menino sentou-se no sofá atraindo a atenção do pai.
– Mercedes só um momento. Está se sentindo bem Fredo? — Kurt olhava o filho atentamente, o que ele menos precisava agora era que seu filho tivesse outra crise.
– Papai, o SENHOR está bem? — O pequeno foi de joelhos até a ponta do sofá que ficava mais próxima de onde ficava o telefone e sorriu carinhosamente para o pai. Que estendeu-lhe um braço e acariciou o rostinho com as costas da mão.
– É claro que eu estou. Agora vá tomar um banho meu amor, eu vou me preparar para ir resolver umas coisas e sua madrinha chega daqui a pouco. — O mais velho mais uma vez falou a amiga. — Te vejo daqui a pouco. Te amo.
[♥♥]
Kurt viu seu filho deitado no sofá e sorrateiramente foi se esgueirando até o mesmo e se jogou em cima do filho. O castanho maior se ajeitou deitando no sofá ao lado do pequeno e o envolveu num abraço apertado por trás, enfiou seu rosto na curva do pescoço do filho e ficou sentindo o seu cheirinho, o cheiro de Alfredo era de longe o mais gostoso de todo o mundo. Ele nunca esqueceria o cheiro de flores e mel que o filho tinha, nem mesmo quando ele se fosse. Mas não era momento de pensar nessas coisas, não ficaria sofrendo por antecipação enquanto podia aproveitar cada minuto com o filho. — Você não dê trabalho a sua madrinha viu Alfredo? Nada de chocolates, nem andar de bicicleta por ai.
– Claro pai. — O homem beijou a cabeça de seu filho e ouviu uma música que vinha da televisão, ele se virou e sorriu com o que estava vendo. Uma propaganda do musical Rei Leão da Broadway.
– Você não adoraria estar em um desses Fredo? — Ele olhava maravilhado para a televisão, sempre fora sua ambição estar em um grande musical. Mas depois que conheceu Sam, sua vida virou de cabeça para o baixo, primeiro o relacionamento, depois o casamento apressado e então a adoção, agora… o abandono do marido e a doença do seu filho não o deixava buscar seu sonho. Kurt nunca deixaria seu pequeno sozinho, ainda mais sabendo que não lhes restava muito tempo juntos.
– Eu não, papai isso é tão cafona. — O castanho ergueu sua sobrancelha.
– Como é? Alguém devolva a cultura que eu dei a esse menino. — O pai gritou para ninguém em especial e voltou sua atenção para o castanho menor. — Teatro é a arte mais bonita, o palco, a plateia, as luzes, as músicas.
– Chaaaato. — O menino tentou segurar seu riso vendo a cara de horror do pai, então se virou e abraçou o mais velho pelo pescoço. — Papai, o senhor sabe que as coisas da sua infância são diferente das da minha não é?
– Agora vai me chamar de velho? — O pai fez uma cara de mal, agarrou a cintura do filho e lhe fez cócegas, o menino ria e batia suas mãos tentando se livrar das garras do pai. Kurt delirou ao ouvir o som da risada do filho, nada se comparava com aquilo. Nem mesmo as mais belas sinfonias de Beethoven, por quem o rapaz era fascinado.
– Ai, ai. Papai pare. Socorro, ele está me matando. — O menino protestava e tentava afastar as mãos do pai. Os dois caíram de tanto rir no sofá, Kurt tinha seus braços apoiados nos dois lados do corpo do pequeno e apoiou sua testa na do filho. — Meu pequeno, você seria um grande cantor, tem o meu talento. Mas discutiremos isso depois. Tenho que ir, vou ligar para sua madrinha para ver se ela está chegando.
[♥♥]
Eram quase cinco horas quando Kurt chegou a sede das empresas State Free, era um prédio enorme, até onde ele havia contado tinham dezoito andares, ele entrou e algumas pessoas olharam para ele meio confusos, o rapaz não estava vestido como um alto executivo, suas roupas eram básicas. Ele não lembrava de ver nada tão luxuoso em sua vida, nem mesmo quando havia passado sua lua de mel em um hotel em Vegas. E ele foi se dirigindo até a recepção onde encontrou uma moça muito bonita pronta para atende-lo. — Por favor, o senhor Anderson pediu que eu viesse aqui hoje.
– Kurt Hummel? — Kurt assentiu, a moça digitou alguma coisa no computador e entregou uma pulseira para o homem. Ele a pegou e tentou não rir de desprezo. Enquanto uns tinham tanto, para luxos, ele e seu filho estavam passando altos bocados para pagar o tratamento e sobreviver. — O senhor pode ir até o vigésimo segundo andar, a única sala que tem lá é a do senhor Anderson.
– Obrigado. — Kurt seguiu até o elevador ainda admirado com a magnitude do prédio, os elevadores ficavam fora do prédio, dando uma vista inacreditável da cidade que estava com suas luzes ainda acesas. Kurt pode ver os grandes teatros da Broadway também, até o seu elevador chegar no último andar. Ele respirou fundo, as portas se abriram, então viu uma enorme sala, com paredes de vidro, que aparentemente estava vazia. Foi até uma mulher que tinha uma mesa abarrotada de papéis e usava o telefone, ele esperou paciente que a mulher desligasse a ligação. — Eu vim ver o senhor Anderson.
– E o senhor é?
– Kurt Hummel.
A mulher segurou um botão do seu telefone. — Senhor? O senhor Hummel está aqui. — A mulher esperou paciente, então desligou o telefone e sorriu para Kurt. — Pode ir senhor, ele está lhe esperando. — Ele ficou um pouco confuso, sobre para onde ir, já que a única sala estava vazia, então quando ele se virou para verificar, a cadeira agora estava virada para ele, um homem bastante jovem o olhava do outro lado das paredes de vidro, seus cabelos bem desenhados e comportados sob uma camada de gel, sua expressão era séria e Kurt até ficaria intimidado, se não fosse por seu filho e as lembranças dele.
Kurt colocou sua melhor cara de desinteresse e então foi até a sala. Parou à porta e Blaine Anderson o autorizou entrar. Seu coração estava quase na garganta, Kurt lutava com o medo, medo do que o poder daquele homem poderia fazer, mas não iria dar para trás, não quando se tratava do seu filho e da sua felicidade. — Pode sentar senhor Hummel. — A voz era formal, mas como previra, era apenas um homem jovem.
– Kurt por favor. — O castanho sentou-se a cadeira da frente a do outro rapaz e seus olhos se mantiveram nos do outro por um tempo indeterminado. — O senhor queria que eu viesse aqui, aqui estou. — Blaine fez menção de falar mas Kurt o interrompeu. — Mas, deixe-me te dizer senhor, que eu não estou disposto a seder.
O jovem empresário ficou impressionado com a audácia do menos, mas não ia permitir que ele agisse assim no seu território. — O senhor sabe que uma disputa legal não seria nada bom para você não é? Pense que, se entrarmos em uma disputa, o senhor gastaria muito, passaríamos muito tempo disputando e no final, eu ganharia a causa. Então, pense melhor, podemos fazer um acordo que favoreça ambas as partes.
O corpo do castanho estava tremendo, Kurt podia jurar que sentia seu sangue ferver dentro de suas veias. — Escute aqui senhor. Não importa quanto dinheiro, ou status o senhor tenha. Existe algo pelo qual vale a pena lutar, e eu não estou falando de dinheiro. Mas eu divido que o senhor conheça e acredite em algo além da riqueza. — Kurt se levantou, sendo imitado pelo menor, que se levantou em seguida. Seus olhos queimavam com a ira que sentia. — Se me der licença.
– Espere, senhor Hummel seja racional, eu estou disposto a te dar uma boa quantidade de dinheiro por aquelas terras, mas do que elas merecem. Aqui se mudar de idéia. — O moreno entregou um cartão a Kurt que deixou os ombros caírem seguido de um suspiro, e Blaine, mesmo estando decepcionado, por a facilidade com que o rapaz cedera, sorriu achando que finalmente havia vencido.
– O senhor não entendeu nada não é? O senhor, provavelmente nunca entenderia minhas razões, mas isso não tem nada haver com dinheiro. Passe bem senhor Anderson. — O mais alto saiu da sala, deixando um atordoado Blaine Anderson para trás o observando enquanto ia para o elevador. No caminho Kurt jogou o cartão no lixo próximo ao elevador. Blaine ergueu os olhos para Kurt, que o olhava com pena, então as portas se fecharam e Blaine sentou-se em sua cadeira. A coragem de Kurt impressionara o CEO, fazendo Blaine querer saber qual o grande motivo de Kurt ser tão resistente a venda do terreno. Ele não desistiria até conseguir aquelas terras.
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