Notas iniciais
Hello Eve! Tudo bem com vocês? Bem, eu estou muito animada escrevendo essa fanfic, e esse capitulo ficou comprido, mas não deu pra evitar. kkkkkkkkkkkkk boa leitura ♥

As tardes de Kurt eram sempre as mesmas e ele nunca fora tão feliz. O rapaz e Alfredo iam ao parque, todos os dias para o garoto gastar um pouco de energia, enquanto o rapaz, fazia sua leitura e pesquisas para o seu chefe.

Desde que descobriu a doença do filho, Kurt abriu mão do seu trabalho integral para ter todas as tardes livres com seu filho. Claro que o dinheiro não era muito, mas isso não importava. Contanto que tivesse dinheiro para as dispersas médicas, o resto ia se ajeitando. Aquela tarde, os dois estavam acompanhados por a madrinha do menino, Mercedes Jones. Mercedes era um mulher de pele negra, robusta e com uma extravagância única, ela e o castanho vinham sendo amigos desde o colegial. A negra, além de madrinha de Alfredo, havia sido a barriga de aluguel para ele, quando Kurt e Sam decidiram ter um bebê.

Kurt estava um pouco desanimado aquela tarde, os médicos o haviam chamado mais cedo para contar que houve mais uma complicação no quadro do garoto. Era um fato consumado que Alfredo o deixaria, mas Kurt ainda não estava pronto. Como estar pronto para deixar seu filho ir.?Não é comum que os filhos deixem o mundo antes de seus pais. Não é o curso natural das coisas.

Mercedes estava alí quieta, mas a amiga sabia que Kurt não estava bem, as mãos do amigo ficavam inquietas em seu colo, algo que certamente passaria despercebido por outra pessoa, mas Mercedes conhecia o amigo tão bem, quanto conhecia ela mesma. As lágrimas gritavam por liberdade, mas Kurt as afastava, não queria que Alfredo o visse daquela forma, Kurt tinha que ser o pilar, não a parte sustentada. O garoto já tinha suas próprias batalhas, não precisava se preocupar com as do pai.

– Papai, papai, olha só, esse é Maurice. Eu encontrei ele na gangorra, eu posso ir brincar com ele?

Kurt que estava perdido em seus pensamentos, mirou o filho com curiosidade até que caiu em si. — Ah me desculpe meu filho, como está Maurice? Belo cabelo.

– Obrigado, foi meu tio quem fez.

– Pode ir, mas por favor Alfredo, não saia de perto, tudo bem? — Kurt sorriu para os garotos e ficou vendo enquanto eles se afastavam. Qualquer um que vira Alfredo diria que ele era um garoto saudável, até mesmo Kurt duvidava as vezes que o filho estava tão doente. Definitivamente aquele era um exemplo para Kurt seguir, seu filho passava por tudo com um grande sorriso, era inspirador.

• flashback mode on •

O dia apenas tinha amanhecido no hospital e Kurt já tinha a tarefa mais difícil de toda a sua vida. Seus olhos ainda estavam marejados, consequência da noite chorosa e angustiada que tiveram, ele e Sam.

Os dois homens entraram em um dos quartos, onde estava um pequeno garoto com cabelos castanhos amarrotado, enquanto girava a cabeça de um lado para o outro. Do jeito que era ativo, com certeza entediado com os programas matinais de domingo. Kurt lembrou de todos os momentos de sua vida, como fora zoado por seus colegas na escola, quando perdeu a sua mãe, como seu pai lhe ensinara a ser forte, mas nada no mundo o tinha preparado para algo dessa magnitude. Seus dedos trêmulos caçavam as mãos do outro homem, seu coração em busca de sair por sua boca.

– Fredo?

O garoto estava animado, os pais alí era tudo o que ele queria, agora poderia suas horas conversando sobre o trabalho deles e Kurt poderia até lhe contar histórias sobre os grandes musicais da Broadway, mesmo que ele odiasse.

O loiro sentou mais em baixo na cama, enquanto o castanho se acomodou na cadeira ao lado do filho. Kurt tomou a mão do menino entre suas e depositou um beijo casto. — Nós, precisamos conversar.

– Ah não, não me diga que tenho que ficar mais tempo aqui.

Kurt sorriu, mas um sorriso triste, sem vida. Seus olhos continuavam regados com lagrimas que insistiam em cair. O loiro colocou a mão em seu ombro o confortando, mas nem mesmo o toque do seu amado naquela hora era suficiente para aplacar a dor que seu coração estava sentindo. Porque a vida tinha de ser tão injusta, porque Alfredo, ele era um bom garoto, se dedicava aos estudos, não era mal educado em casa, nem com os professores. Porque não ele, que já tinha vivido mais do que garoto viveria.

– Fredo você está doente…

– Eu sei papai Kurt, por isso estou aqui, não é?

– Meu anjo, você está com uma doença séria. — Dessa vez, foi o loiro quem falo, Kurt sem poder se conter, deitou sua cabeça no joelho do outro homem e chorou em silêncio, enquanto ele acariciava seu cabelo.

– O que eu tenho, papai? — O menino estava tão assustado, seus olhos iam de um pai ao outro. Quando o medo assolou o coração de Kurt, todas as suas duvidas em relação a religião agora estavam mais fortes. Como um Deus todo poderoso, bendito e bondoso podia permitir que uma criança passasse por aquilo.

Kurt se recompôs e limpou suas lagrimas, seu filho não tinha que passar por aqui sozinho. — Escute Fredo, eu estarei com você, não importa o que tenha que enfrentar. Somos uma família, eu farei tudo para que você seja feliz até o dia…

– Eu vou morrer? — O garoto arregalou seus olhos e Kurt se levantou para abraça-lo, seguido de Sam que se juntou ao abraço fechando o círculo.

– Nós nunca vamos abandonar você campeão. — O loiro aperto o abraço entre os dois castanhos.

• flashback mode off •

– Kurt? Kurt? Você está ai? — Kurt voltou do seu devaneio, puxado por a voz de Mercedes. — Meu amor onde você estava? — A negra riu tentando descontrair o momento. Não podia imaginar ela, que Kurt estava nos seus mais sombrios devaneios. Porque quando a dor o invade é lá que ela se esconde, no seio da sua miséria.

– Eu estava pensando no dia em que Sam e eu contamos ao Fredo que ele estava doente. Que iria morrer. — Kurt suspirou, suas lágrimas já não tinha mais a mesma facilidade para escapar. Ele havia criado um escudo contra elas. Antes de Sam decidir que não aguentava mais a situação, quebrando a sua promessa com Alfredo, chorar era tudo o que o castanho fazia. Mas quando o esposo partiu, o ele entendeu que não importava o quanto ele chorasse, ou quanto ele pedisse, Alfredo não se curaria, sua dor não diminuiria.

O seu mundo sombrio, ele guardava a sete chaves, o chamava de a caixa de pandora, garantiu a sí mesmo, que nunca a abriria.

{♥♥}

– Maurice, espere um pouco, estou cansado. — A respiração do garoto estava bastante fraca, o moreno que era um pouco mais velho que o outro, percebeu que algo estava errado e desacelerou sua corrida.

– Está tudo bem ai, amigo?

– Eu só preciso de um pouco de ar. São esses benditos pulmões, estão morrendo primeiro do que eu.

Maurice ficou confuso, aquilo era estranho. O castanho colocou as mãos na cintura, com seu folego quase recuperado. Alfredo não detestava a sua vida, nem seu câncer, ele tinha lido em algum lugar que todos corriam risco de ter um. Mas, estar cansado o tempo todo e ter dias que não pode fazef coisas normais, isso sim o deixava chateado.

O castanho percebeu que o novo amigo o olhava confuso e se sentiu a obrigação de esclarecer as coisas. — Eu estou morrendo.

O mais velho riu e bateu de ombro com o mais baixo. — Ah para de drama, já recuperou o fôlego.

– Eu vou mesmo morrer, eu estou morrendo. Tipo, nesse momento. — Alfredo riu, mas o amigo não estava rindo junto, seus olhos estavam bem abertos e sua boca formava um perfeito "o". — Eu tenho câncer, mas não se preocupe, não vou cair aqui agora e morrer. — O garoto riu, aquilo era muito engraçado na sua cabecinha.

– Uau, como é… quer dizer, dói ter câncer?

O mais novo ponderou um pouco para poder responder. — Não muito. Só quando eu preciso fazer alguns exames… — O outro fez uma careta. — Mas eles me deixam ficar com todos os panfletos que eu quiser. Eu tenho uma coleção deles. Quer ver algum dia desses?

– Hell yeah. — Os garotos riram e começaram uma disputa para ver quem conseguia fazer cossegas no outro, uma sombra cobriu quase por completo os dois que estavam estirados no chão lutando.

– Maurice, eu preciso ir em meia hora, quer tomar um sorvete?

Alfredo saiu devagar debaixo do amigo e se levantou arrumando suas roupas, ele era bom com pessoas, mas aquele homem o deixava intimidado. — O-oi senhor.

Blaine não tinha visto o garoto castanho no primeiro momento, ele franziu a testa, aqueles olhos e aqueles cabelos castanhos rebeldes lhe lembravam algo, mas o que? Ele sorriu para o garoto e segurou a sua mão. — Quer tomar um sorvete também?

"Nunca fale com estranhos", "não aceite nada que um desconhecido lhe oferecer". As vozes instrutivas do pai ecoavam por a cabeça do menor, ele encolheu os ombros e negou com a cabeça. 'Poxa eu queria um sorvete.'

– Vamos Alfie, esse é meu Blaine, ele não vai te fazer mal.

– Tudo bem, acho que não tem problema.

O garoto olhou para onde seu pai estava com a madrinha e desejou que eles não se dessem conta do seu sumisso. Os três saíram na direção oposta dos dois, para tomar o sorvete.

– Tio o senhor tem câncer? O Alfredo tem um, não é Alfredo?..


{♥♥}

– Vamos embora? Está ficando tarde, você vai jantar com a gente?

– Macaco quer banana? Acha que eu vou perder a oportunidade de ficar com Alfredo? Por favor?

– Obrigada por mencionar o quanto eu sou importante. — Os dois caíram na risada. A garota era a única que conseguia tirar um sorriso sincero do castanho, além de seu filho.

Kurt passou seus olhos por o parque, e suas pernas enfraqueceram, Alfredo não estava alí. — Mercedes? Você está vendo Alfredo? — Sua respiração começou a ficar pesada, o mundo ao seu redor começou a girar. 'Agora não.' Kurt tentou manter a calma, as vertigens também foram causadas por o temor do dia em que recebeu a notícia, Kurt tinha desenvolvido síndrome do pânico. Como já tratava isso a um tempo, ele se acostumou e aprendeu a se controlar.

– Mercedes, ele não está aqui, será que aconteceu algo com ele? E se ele se perdeu Mercedes? E se ele está desmaiado em algum lugar? — A respiração de Kurt estava curta, seu corpo tremia. Sentimentos causados por a angústia, Alfredo era um garoto forte, mas o pai sempre temia que ele não pudesse se virar sozinho.

– Kurt fique calmo, ele vai aparecer. Deve ter ido brincar do outro lado.

Kurt não esperou a amiga, saiu correndo para atravessar o parque, todos o olhavam surpresos e assustados. Kurt estava desesperado e todos podiam notar. O coração dele palpitaval mais rápido do que nuncas não só por a corrida, se não por o medo do que tinha acontecido com o seu pequeno. O castanho parou próximo a uma estatua que marcava o centro exato do parque, e voltou a procurar por seu filho ao redor, a crise de pânico dele não atrapalhou sua busca, encontrar Alfredo era o mais importante.

Ele viu a amiga agora com um homem moreno, seu filho e outra criança, o telefone celular do castanho tocou e ele atendeu as pressas, era Mercedes.

– Kurt, você está louco? Eu além de preocupada com Alfredo, ainda tenho que me preocupar com você? Venha aqui, Alfredo está bem.

– Eu vejo vocês, estou indo. — Kurt desligou seu telefone, passou as mãos em seus cabelos para arrumar e voltou mais tranquilo por o caminho onde tinha vindo. Certo, Kurt havia exagerado, mas Alfredo era o único que lhe restara, sua mãe falecida, Sam foi embora e Burt, estava em Lima. Se algo acontecesse com seu filho, ele nunca o perdoaria. O que seria dele se até como pai ele falhasse? Ninguém podia culpar-lo por se preocupar com seu filho. Agora mais próximo, o único que ele conseguia enxergar era o menino. Ele sabia que haviam outras pessoas, mas seu cérebro só conseguia enxergar o castanho menor. Talvez por o costume.

– Fredo, onde você se meteu? Eu disse que não saísse de perto. — O garoto se assusto, o pai nunca havia falado com ele dessa forma. O homem não gritou, mas seu tom era estridente e significativamente algo. — Podia ter te acontecido algo, você está ciente disso? — Alfredo se encolheu, sua cabeça baixa indicava que ele estava arrependido, mas o menino não sabia se era hora de falar. Porque o seu pai estava gritando?

– Senhor?.. pode ficar tranquilo estavamos tão animados que eu esqueci completamente de….

O coração de Blaine parou, seus olhos foram direto aos de Kurt. Como era possível que eles se encontrassem naquele parque? Blaine ia alí todos os sábados com seu sobrinho e nunca o tinha se encontrado. E Alfredo havia dito que estava alí todas as tardes. Agora sim, fazia sentido que o garoto lhe fosse familiar.

Os olhos do castanho queimavam em fúria, ele soltou o filho e se levantou como um gigante para cima do outro homem.

– Você não tem limites? Como se atreve a sequestrar meu filho? Isso é algum tipo de jogo psicológico para que eu seda? Pois fique que sabendo que não vai funcionar. Eu posso mandar te prender por isso e fique sabendo, que acontecer uma outra vez, eu vou fazer!

O peito do castanho subia e descia claramente debaixo de seu colete, se um olhar pudesse matar, certamente naquele momento, Blaine Anderson e toda a merda dele estariam fulminados. As crianças estavam assustadas, Maurice se escondia detrás do corpo de Blaine, enquanto Alfredo puxava as vestes do pai para fazê-lo parar.

– Kurt? — Mercedes chamou sem resposta, Alfredo então, mesmo assustado tomou a palavra.

– Papai, fique calmo. O senhor Blaine é tio do Maurice, eu só estava tomando um sorvete com eles, e…

Kurt estava tão afundado em sua ira que nem se deu conta que todos o olhavam assustados, até mesmo Mercedes.

Claramente o rapaz nunca tinha tido uma atitude desse tipo, não era típico dele, ele sempre fora o cara calmo e apaziguador, que sempre tomava decisões pensadas e preferia uma boa conversa. 'Brigas são para trogloditas antiquados', ele sempre dizia.

Os pequenos olhos assustados do filho fez o homem se arrepender da atitude tomada no mesmo instante. Mesmo sendo um homem orgulhoso, que não sedia e não voltava atrás em sua palavra, o moreno se recompôs e voltou sua atenção para Blaine.

– Eu sinto muito, eu só… eu estava preocupado, Alfredo é bastante esperto, mas ele ainda é uma criança.

– Está tudo bem, deveríamos ter avisado a você de qualquer forma. Então, vamos Maurice?

O garoto acenou com a cabeça, deu um passo a frente ainda intimidado por Kurt, foi caminhando até ficar frente a frente com o castanho menor. — Até mais Alfie, eu te ligo depois ok?

– Sim, e… desculpe meu pai. Ele não é assim o tempo todo. Você sabe, é culpa do câncer…

O castanho maior olhou de volta para o moreno, seus olhos se mantiveram um no outro por um tempo indeterminado.

O que Kurt viu em seus olhos o deixou irritado, o moreno tinha um olhar caridoso, de pena. A última coisa que ele queria para o seu filho, era que ele fosse digno de pena, que as pessoas o vissem como o garoto que tinha câncer e morreria por causa dele.

Fosse por notar isso, ou não. Blaine desviou seu olhar do maior, o poder do olhar daquele castanho o deixava desnorteado. Mas ele era Blaine Anderson, não se intimidaria por aquilo.

Kurt pegou a mão do filho e o simples toque fez com que o mais velho esvaziasse toda a sua raiva, Alfredo era como um anjo, livrava ele de todos os seus mal e trazia conforto e bem estar ao seu coração.

– Nunca mais faça isso, não importa quem seja, você precisa me avisar…

– Eu sei papai, me desculpe. Ei, podemos ver aquele filme de luta que vai passar hoje?

– Mas... vai estar passando Les Mis hoje Fredo.

– A não papai. — O garoto choramingou fazendo sua madrinha tomar as rédeas da situação.

– Eu posso te levar para ver o filme e seu pai vai ver o musical, aprenda Fredo, você tira o homem da Broadway, mas não tira a Broadway do homem. — Os três riram com a bobagem dita pela negra.

Blaine pode ouvir Kurt conversando com Alfredo e Mercedes animadamente até que suas conversas foram ficando distantes e inaudíveis.

Tomado pela mão com Maurice, Blaine foi até o carro para voltar para casa do seu passeio.

Durante todo o caminho, os pensamentos sobre Alfredo e Kurt assolavam-lhe a mente, ele não fazia ideia do que o castanho passava quando lhe falava, havia sido tão estúpido com ele uns dias atrás. Agora sim, podia entender o motivo de tanta resistência.

O que ele havia dito? "O dinheiro não é o mais importante no mundo, existem outras coisas", pobre coitado, até Blaine que tinha o coração difícil de se comover, havia ficado balançado. O pequeno castanho havia lhe contado sua história.

O pensamente de Kurt enfrentando tudo sozinho, cuidando de uma criança doente, depois de ser abandonado por seu esposo, apenas com uma amiga o ajudando. Isso era tão bonito, mas tão triste. E o menino, que foi deixado por um dos pais, quase sem amigos por não frequentar mais a escola, ele queria não pensar nisso, era uma situação difícil até para quem estava de fora.

– Tio Blaine?

– Hun? — Blaine quase esquecera que estava no carro com o sobrinho.

– Eu posso ligar para Alfie quando chegar em casa?

– Pode fazer o que quiser meu amor…

Blaine precisava achar uma forma de ajudar aqueles dois. O menino havia ganhado seu coração e do seu sobrinho, por seu jeito afetuoso, sincero e extrovertido. — Que certamente não herdara do pai... — O moreno sussurou para si mesmo.

Notas finais
AVEEEEEEEEEEEEEEEEEE, eu to adorando escrever essa fanfic, então é isso. Até o próximo capítulo. Já sabem, criticas, sugestões e opiniões, serão bem recebidas.