No One Is Alone
10 A âncora.
Notas iniciais
Semanas haviam se passado desde o roubo da coleção de roupas da agência em que Kurt trabalhava, era o dia do aniversário de Alfredo, e Kurt corrida como um louco de um lado ao outro do escritório, atendendo o telefone, tentando encontrar algum desenho a altura dos que foram roubados, para poder apresentar parar Isabelle. Embora não fosse uma tarefa fácil, achar algo que se sobressaísse, ou até mesmo igualasse aos desenhos roubados.
Seus dias estavam sendo uma verdadeira corrida contra o tempo, o dia da apresentação nacional da coleção se aproximava e não tinham nem metade as roupas prontas até o momento.
Além disso tudo, ainda havia a situação em casa. Alfredo estava bastante deprimido, nunca estava acordado quando o castanho chegava em casa, e mal se viam pela manhã, já que o garoto sempre estava cansado demais para levantar no mesmo horário do pai, isso estava quebrando Kurt por dentro.
Seu telefone tocou outra vez, ele correu para atende-lo, provavelmente seria mais um problema para resolver.
– Diga Erich.
– Você tem um tempo para seu velho pai?– Os olhos do castanho quase saltaram das órbitas, a voz conhecida soava do outro lado da linha. – Você não vem me dar um abraço Kiddo?
– Ah meu Deus, pai o que o senhor faz aqui..?
– Eu estou bem atrás da porta filho, largue esse telefone e saia para me dar um abraço.
– Claro, eu… — Kurt estava tão nervoso que soltou o telefone, deixando cair no chão. Fazia um ano que não via seu pai, ele e Alfredo não podiam viajar para tão longe e Burt agora era o dono de uma firma de oficinas mecânicas, e isso causou a falta de visitas. Era excitante ele estar ali, mas mil coisas correram a cabeça de Kurt nos metros que tinha até estar nos braços do seu pai. Será que o câncer do homem havia voltado? Será que havia algo que ele precisava contar? Ele faliu? Mas todas essas perguntas sumiram no instante em que o homem o abraçou forte em seus braços. Seu pai era seu segundo anjo, seu porto de segurança, sempre fôra, desde o ensino médio, ele tinha muita sorte de ter o pai ali com ele em todos os momentos.
– Pai o que está fazendo aqui? Alguma coisa em especial? Não me diga que…
– Shiiii… você está brincando? Não faz idéia do que eu estou fazendo aqui? Pense nas nossas conversas recentes.
Kurt se afastou, olhando confuso para seu pai. Ele tentou voltar para alguma conversa que tiveram nos últimos dias, enquanto o homem o observava tranquilamente, mas na verdade não haviam conversado ultimamente por causa de toda aquela confusão, na verdade Kurt não tinha feito quase nada à não ser trabalho. — Pai, não nos falamos a alguns dias.
– Kurt, você pode não ter reparado nisso, mas eu sim… — Burt foi interrompido por um homem alto, com cabelos nos ombros e roupas chamativas, até mais do que as de Kurt, que havia tomado sua frente e agora mostrava a Kurt um caderno preto.
– Estão muito simples Alastor, refaça-os, procure colocar alguns detalhes neles. — O rapaz ia saindo, quando Kurt chamou sua atenção. — Espere Alastor, refaça todos menos esse. — Ele arrancou uma folha do caderno do homem e rasgou bem em sua frente. — Esse não tem solução, agora vá. — O castanho apertou as têmporas com os dedos, voltando a atenção para o pai. — Desculpe-me papai, o que dizia?
– Podemos ir para algum lugar mais privado?
O castanho se apressou, ele havia se esquecido completamente de que ainda estavam no meio do salão principal. — Claro vamos até a minha sala por favor.
– Não. — O castanho se virou, olhando para o pai. — Vamos para algum lugar lá fora, tomar um pouco de ar. Você não tem saído muito não é? Está ainda mais pálido do que o normal.
– Tudo bem… Erich, por favor, avise ao Edgar que eu volto em alguns minutos, pausa para o almoço. — Ele sorriu para o assistente, que concordou imediatamente e começou a digitar um número no telefone.
Os dois desceram por o elevador, mas Kurt ainda tinha sua mente nas coisas que teria que fazer quando voltasse, quando finalmente o elevador parou, os dois saíram e foram a uma cafeteria que ficava do outro lado da rua. — Então filho, você está bem? Como anda as coisas, no trabalho, em casa, com Alfredo… como anda a sua relação com seu amigo Blaine.
Kurt olhou para o pai desconfiado, tentando entender onde ele queria chegar com aquela conversa. — Eu estou bem, meu trabalho está uma bagunça, em casa tudo tranquilo, Alfredo está bem, agora começou um tratamento de imunológico à alguns dias. — O castanho respondeu tudo rapido e sem muitas explicações, como se aquilo se tratasse de um jogo rápido de perguntas e respostas. — Ele está tão melhor papai, seus cabelos estão crescendo outra vez. — Ele sorriu lembrando do filho. — Deixe ver se me escapou alguma de suas perguntas… ah sim, Blaine e eu não temos nos visto.
– Eu soube. — O homem mais velho tonou uma das mãos do filho com as suas e a segurou firme, mantendo seu olhar no castanho. — Kurt, eu vou repetir o que disse antes, pense em nossas conversas recentes e saberá o motivo de eu eu estar aqui. — O castanho ponderou um pouco, tentando lembrar alguma conversa que deixou passar, mas desistiu em seguida sem obter sucesso. — Pai, eu realmente não me lembro de alguma conversa recente.
– Exato Kurt.
– Você vai precisar se esforçar mais papai, eu continuo sem entender.
– Kiddo, desde que Alfredo foi diagnosticado com cancer, você não passa um dia se quer sem me ligar. Até essas últimas semanas.
– Não é exatamente todo dia. — Ele afirmou, mas sua voz não foi tão firme, ele estava tentando convencer a si mesmo.
– Kurt, eu estou preocupado com você. — O homem parou de falar quando o garçon chegou para pegar o pedido, os dois pediram café com brownie e o rapaz saiu para ir fazer o pedido. — Escute filho, você e Alfredo não tem estado muito tempo juntos ultimamente. Você não acha que seria muito difícil para você se ele partisse e não tivesse aproveitado seu tempo junto a ele?
– Eu não estou ausente, eu estou ocupado, eu preciso trabalhar. — Sem perceber Kurt havia aumentado o tom da sua voz mais duas escalas.
– Kurt, eu quero te ajudar, você é meu filho e as vezes você não se dá conta das coisas que faz. Quando foi a última vez que você viu Alfredo acordado? Quando foi a última vez que vocês jogaram depois do almoço?
– Eu… — Foi quando ele se deu conta, ele estava sendo um pai ausente, tudo o que ele não queria estava acontecendo. Ele estava longe de Alfredo, por tanto tempo. Seus olhos marejaram, ele estava mesmo ausente e eles poderiam não ter tempo para recuperar o tempo perdido. — Eu não me lembro…
– Você tem um grande amigo sabia? — O castanho confuso com o rumo que a conversa estava tomando, apenas escutou. — Blaine tem estado todos os dias com Alfredo, eles vão ao parque, eles jogam, conversam sobre coisas de garotos. Você não me disse que as coisas entre eles estavam tão sérias- Kurt riu acompanhado por seu pai, Burt podia ser um bobo as vezes, mesmo quando o assunto fosse sério. — Filho, o que você está fazendo? Hoje é aniversário do seu filho.
– Eu sei pai, mas eu combinei com o Fredo para que a gente comemorasse no fim de semana.
– Não é o suficiente. Já parou para pensar que hoje pode ser o último aniversário dele que passaram juntos? — O castanho pensava nisso todos os dias, todas as horas, todos os minutos dos seus longos dias, mas não era fácil para ele admitir, para ele, dizer aquilo em voz alta, era como se estivesse entregando seus pontos. — Deixe-me colocar de outra forma, lembra quando sua mãe morreu? Como eu estava afundado em meu trabalho? Como mal nos víamos, ou conversávamos? — Kurt concordou com a cabeça, aquele tempo era uma lembrança vaga, algo que ele gostaria de esquecer. — Eu pensei, que se me enfiasse no trabalho, seria mais fácil para superar a morte da minha doce Elizabeth… — seus pensamentos vaguearam, a lembrança de uma linda mulher, de longos cabelos castanhos como os do filho, lhe sorrindo surgiu em sua mente e ele suspirou.- Vocês são tão parecidos… isso me trouxe a necessidade de né afastar, por que sempre que olhava para você, era como se estivesse vendo ela. Me desculpe por isso filho. — Ele apertou as mãos do filho e sorriu para ele. — Agora, pense se eu tivesse morrido, se o câncer tivesse me levado. Minha alma nunca teria paz, eu não voltaria e nunca poderia reaproveitar aqueles momentos preciosos que eu deixei passar, e eu nunca me perdoaria por ter afastado você de mim.
O castanho ainda olhava para o pai sem saber onde ele queria chegar, aquelas palavras eram esclarecedoras, mas somente para aquela parte do seu passado, mas não fazia sentido tocar no assunto nesse momento. — Eu não estou tentando afastar o Alfredo papai. — Kurt brincou, como se fosse isso que o pai quisesse insinuar, mas Burt não sorriu para ele. — Você não acha que eu…
– Kurt, você tem certeza que não? Filho, eu sei o quanto você luta contra sentimentos, contra ter relações com outras pessoas por medo de perde-las, a morte da sua mãe me causou danos parecidos.
– Papai eu…
– Kurt, eu não estou dizendo que você quer se afastar, mas eu acho que nem no fundo, o seu subconsciente está querendo isso, está lutando para ativar sua arma de proteção.
Talvez Burt tivesse razão, talvez ele estivesse mesmo fazendo isso. Kurt começou a sentir falta de ar, seus pulmões sugavam uma quantidade inferior a que precisava para manter sua respiração regular. O pai levantou-se da cadeira e foi até o filho, e o abraçou na tentativa de acalma-lo. Kurt passou seus braços envolvendo o pai, seus olhos cheios de lágrimas que ele insistia em não deixar cair. — Ah meu Deus pai, eu estou afastando meu filho, eu não consigo pensar e. algo mais repugnante, Alfredo está em casa sozinho no dia do seu aniversário, e eu fiz isso com ele.
– Kurt, não é sua culpa, você não pode controlar isso, por isso eu vim te ver, você precisava que alguém te puxasse, precisava de uma âncora. E além disso Fredo não está sozinho, nem em casa. — O homem se ajeitou e pegou as coisas do filho, a respiração de Kurt agora estava um pouco mais regulada e ele já não precisava mais se esforçar para não chorar. — Venha, vamos para casa.
– Como assim?
– Apenas venha comigo, eu conto tudo no carro. — O sorriso no rosto de Burt foi suficiente para Kurt se acalmar e seguir o pai para um cardo que estava estacionado próximo a agência.
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