Notas iniciais
Hello Eve! Eu sei, eu sei! Mas o que importa é que eu to aqui, obrigada pelos comentários e também por dedicarem um pouco do seu tempo a ler. Tenham uma boa leitura ☕📖

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Kurt e Burt estavam no carro indo para casa, Kurt havia deixado uma mensagem rápida para Erich avisando que não voltaria para trabalhar naquele dia. O rapaz provavelmente teria que enfrentar uma Isabelle furiosa, mas conversar com seu pai, fez com que o castanho abrisse seus olhos, e se desse conta de como sua vida estava tomando um rumo diferente do que ele planejara.

Seu filho era a coisa mais importante da sua vida, ele não se perdoaria de não aproveitasse cada momento que pudesse ao lado de Alfredo, mas de algum modo, seu subconsciente estava o boicotando sem que ele se desse conta. Seus dedos tamborilavam no volante, enquanto Burt lhe dava as instruções do dia.

– Blaine está com Alfredo agora, ele inventou uma desculpa de assistirem um filme com Maurice. Nós dois vamos passar no mercado e comprar algumas coisas para a festa, balões, velas, chapeuzinhos, doces… o bolo ficou por conta de Mercedes e Finn, Noah, Quinn, e as gêmeas já estão lá, também Rachel com Barbra para ajudar com a decoração.

– Quinn e Puck também estão lá? — Perguntou o castanho, dividindo a sua atenção entre a estrada e o seu pai.

– É claro que estão, é o aniversário do Alfredo.

Agora o castanho estava decepcionado consigo mesmo, todos estavam lá por Alfredo, e se não fosse por seu pai, ele seria o único que não estaria. — Eu sou o pior pai do mundo. Que tipo de pai perderia o aniversário do seu filho por causa de trabalho? Pensou Kurt, suspirando alto.

– Não seja tão duro com você Kurt, você não tem culpa, você só não estava pensando direito.

O resto do caminho até o mercado e depois até a sua casa, foi silencioso, o silêncio quebrado apenas para tirar qualquer dúvida sobre a festa. Os dedos do castanho insistentemente tamborilavam no volante do carro enquanto esperava que Burt voltasse com todas as coisas que faltavam.

De longe Kurt e Burt podiam ver a movimentação do lado de fora da sua casa, o Jardim estava com a grama aparada e pendurado na cerca estavam luzes parecidas com as que eles usaram na decoração de natal do ano passado. Impaciente o castanho mexia em seus cabelos de tempos em tempos, tentando aliviar seus pensamentos sobre o que estava fazendo com ele mesmo e Alfredo.

– Hey irmãozinho, você está ai? — Finn estava escorado na janela do carro semiaberta, e chamava insistentemente para chamar atenção de Kurt, que parecia estar desligado do mundo em sua volta.

– Ah meu Deus Finn, você quer me matar? — O castanho tinha a mão no peito, começou a rir quando se recuperou do susto e o irmão contagiado também sorriu. — O que houve?

– Burt quer saber se você tem algo especial que quer fazer hoje. — O mais alto perguntou.

O castanho podenrou um pouco, citando mentalmente todas as coisas que ele adoraria fazer para homenagear o seu filho. — Sim, eu vou fazer.

– Já tem algo em mente?

– Sim, mas são muitas coisas, eu preciso me decidir. Eu deixo você saber.

– Ok, qualquer coisa, eu estarei lá atrás pendurando a pinhata. Vamos lá, desça do carro, os outros querem te ver. — O mais alto foi saindo, deixando apenas as costas a vista do castanho. — Não sei por que sempre sou eu a fazer essas coisas.

– Talvez tenha a ver com o seu tamanho anormal. — Kurt gritava para as costas do irmão enquanto saia do carro, recebendo como resposta um sinal obsceno.

No restante da manhã e da tarde, ninguém conseguia ficar parado por mais de um minuto. Era muito trabalho e pouco tempo para fazer, uns corriam para a frente da casa, outros para trás dela, outros para dentro e outros para fora, alguns se chocando ao fazer seu próprio trajeto e derrubando o que tinham nas mãos, fazendo os outros rirem, até que tinham que voltar as seus trabalhos outra vez.

A pequena Barbra corria entre as pernas da mãe e do pai, e então para os braços do avô e do tio, dando um momento de paz para todos.

Mercedes, melhor amiga de Kurt, que também ajudava nos preparativos, corria para a frente da casa, como se estivesse fugindo de algo. — Kurt, Kurt…

– O que houve Mercedes? Aconteceu algo com o Fredo? — O castanho havia jogado as letras que formavam os nomes "bem vindo" para o alto, enquanto corria para a negra vendo o celular em sua mão.

– Se algo tivesse acontecido com Alfie, eu não estaria nessa calma. — Kurt riu, ai dar-se conta de que a amiga estava usando o mesmo apelido que Blaine e Maurice usavam.

– Então me diga o que houve.

– Ele está pedindo para falar com você.

O castanho limpou suas mãos na calça, sem se importar se era de grife ou não e tomou gentilmente o celular da mão da amiga. — Hey senhor quase pré adolescente! Quantos anos está fazendo mesmo? Doze, treze?

– Pai, eu só tenho nove. — A risada dada por Alfredo, soou como música aos ouvidos do pai.

Kurt sorriu, a muito tempo não ouvia a voz do filho tão descontraída e animada. — O que meu pequeno grande garoto quer do seu pai?

– Na verdade, Blaine, Many e eu… — Kurt pode ouvir bem no fundo, a risada de Blaine. — Queríamos saber, se eu posso ficar aqui a tarde, já que o senhor não vai estar em casa.

Os olhos do Hummel maior se arregalaram, uma estranha sensação de tristeza se apoderou dele. Seu filho tinha toda certeza de que não veria o pai no dia do seu aniversário, e parecia que já não fazia tanta diferença para ele. Quando isso havia acontecido? — Tudo bem filhi… — Dois pequenos e simultâneos gritos de comemoração foram ouvidos no telefone. — Fredo?

No mesmo instante as comemorações cessaram. — Sim papai?

– Eu te amo, eu quero que tenha um dia maravilhoso, que se divirta com Blaine e com Maurice. Eu quero que aproveite cada segundo, tudo bem? Não deixe que seu dia fique monótono, e quando chegar em casa, eu prometo estar te esperando.

– Nós saímos da piscina e estamos info ver o pai do Many… — O pequeno fez uma pausa, Kurt sabia que Alfredo esperava que ele dissesse algo, mas mesmo assim não fez. — Você não quer vir papai?

– Filho, eu tenho…

– Tanto trabalho, já sei… — Alfredo o cortou.

O castanho mais velho suspirou com tristeza, podia ouvir o desapontamento na voz do seu filho, quase lhe gritara dizendo que queria sim ir, mas arruinaria toda a sua surpresa. — Eu te amo, tudo bem campeão?

– Eu também te amo pai… ele não vem.– O castanho ouviu o pequeno falar do outro lado da linha, antes da chamada ser cortada..

Sua cabeça estava começando a doer, então ele foi até a cozinha, abriu a geladeira dando de cara com um lindo bolo, que tinha em grandes letras: FELIZ ANIVERSÁRIO ALFIE. Ele sorriu, pegando uma garrafa com água, duas pilulas e um copo, levando até a mesa. Colocou seu copo na mesa, e pegou umas pílulas que ficavam no armário, serviu o seu copo com agua, colocou as pílulas na boca e tomou um grande gole.

– Está tudo bem?

O castanho se virou para a porta, onde estava o seu pai escorado o encarando. — Sim, está tudo bem, por que? — Ele secou a boca com o antebraço e colocou o copo calmamente, enquanto observava o pai, que continuava calado. — Alguma coisa anda te preocupando papai?

– Não, é só que… — O homem foi até a mesa e sentou-se, fazendo sinal para que o mais novo se sentasse também. — Kurt, você sabe que vai ter que convidar Sam não é?

– Eu estava tentando não pensar nisso. — Ele suspirou, revirou os olhos, a dor de cabeça se intensificando. — Eu tenho outra opção?

– Eu receio que não.

– Pode ligar para ele por mim? — Seus olhos grandes azuis, piscavam eufóricos para o pai, fazendo ele lembrar de um Kurt criança, que usava da mesma artimanha para conseguir alguma coisa, então ele sorriu.

– Claro, mas ainda vai encontrar com ele aqui.

– Eu posso me trancar no armário até ele ir embora.

– Assim como fazia quando era mais novo. — O homem mais velho se levantou, indo até o telefone que ficava na parede da cozinha, discou algum número e permaneceu ali esperando que alguém atendesse.

[♥]

As pessoas estavam ficando impacientes com a demora de Blaine, andavam de um lado ao outro da casa, arrumando pequenos detalhes, para matar o tempo.

Alguns dos velhos amigos de Kurt estavam ali nesta noite, todos de alguma forma eram parte de sua vida e de Alfredo, mesmo alguns não morando em Nova Iorque. Quinn e Noah, que eram casados e estiveram ao lado de Kurt e Sam, desde o namoro, até os primeiros anos de vida de Alfredo, e mesmo depois de terem de voltar para Lima, com suas gêmeas, Astor e Ester não deixaram de ligar e se manter a par da situação de Alfredo e Kurt.

Brittany, que vivia agora à algumas quadras deles, e sempre dava bolinhos e cantava músicas para alegrar Alfredo quando os encontrava no parque, depois das sessões de quimioterapia do pequeno.

Elliott, que havia conhecido Kurt e Alfredo nas sessões de quimioterapia, onde ia com seu filho que também tinha câncer, e faleceu alguns meses depois de se conhecerem, por complicações da sua doença.

E também, as pessoas que faziam parte de sua vida diária, Mercedes, Charlotte, a enfermeira preferida de Alfredo, doutora Sally, sua médica, Finn, Rachel, Barbra, Burt e Carole, que havia chegado à algumas horas. Todos estavam ali, para celebrar não o possível último ano de vida de Alfredo, mas sim, mais um ano, daquele pequeno anjo em suas vidas.

Kurt estava saindo da sua casa, em direção ao jardim, carregando uma caixa cheia de pequenas luzinhas, que Rachel havia pedido para colocar ao redor da mesa de bolos. — Posso te ajudar? — O castanho assustou-se com a voz que vinha de detrás da caixa e quase a derrubou no chão. Duas mãos tocaram as suas e foram deslizando por elas, até que já estivesse livre do peso.

– Sam, você chegou… — Seu tom de voz imparcial fez o outro lhe lançar um olhar inquisidor.

– Posso ajudar em algo mais? — Perguntou Sam prestativo.

– Na verdade não, está tudo pronto, só precisa entregar esta caixa para a Rachel. — Kurt deu as costas para o loiro, indo em direção a porta, considerando seriamente a ideia de se esconder nos armários, para evitar qualquer contato com o ex companheiro.

– Kurt..?

Ele girou os calcanhares, tentando esconder a sua frustração, por ter seu plano de fulga arruinado. — Sim?

– Você está especialmente mais bonito hoje.

O castanho sorriu, mas seu sorriso não chegou a seus olhos, era difícil para ele ser gentil com Sam depois de tudo o que se passou nos últimos anos.

– Bem, fique… a vontade. Você conhece a casa, espero que não se incomode de esperar. Blaine vai chegar com Alfredo a qualquer instante.

– O que..?

O castanho não deixou que ele completasse a frase, entrou antes que pudesse se interrompido outra vez.

Sam então, se dirigiu ao jardim, para entregar a caixa que tinha à Rachel. Todas aquelas pessoas ali, reunidas, felizes e conversando entre si, lhe faziam lembrar de como era sua vida antes de tudo acontecer, como era feliz e como tinha deixado tudo para trás por medo.

Rachel o encontrou no meio do caminho e arrancou a caixa de suas mãos, claramente incomodada com a presença do loiro ali. Ele ergueu uma sobrancelha, encarando as costas da mulher de cabelos negros que caminhava em direção oposta. — Ei cara, como está?

O loiro se virou, e estava um homem de cabelos rebaixados, consideravelmente mais alto do que ele. Aquele rosto que lhe era tão familiar, também era novo, seus traços mais maduros e algumas linhas desenhavam marcas de expressão em seu rosto. Noah havia sido o seu companheiro de time de futebol na escola, quase tudo o que passaram naquela época, passaram juntos. — Diz aí Puck, como tem passado?

– Tudo bem, e você, como está?

– Eu vou dizer que… — Ele pensou nas palavras certas para explicar seus sentimentos no momento, mas tudo o que dissesse soaria ridículo, por que ele mesmo havia escolhido aquilo. — Eu estou levando cara. E as gêmeas, como estão? Nossa, a última vez que as vi, mal sabiam andar.

– Pois é, agora estão por aí, correndo por algum lugar. São crianças lindas, graças a Deus puxaram a mãe. — Os dois homens se riram, era como se nunca tivesse se separado. A amizade e o carinho que nutriam um por o outro era nítidos. — Eu dou para elas todo o tempo que tenho, sabe, por causa da marinha.

– Sei cara, ta mais do que certo, não se pode desperdiçar esses preciosos momentos. — Sam baixou sua cabeça, seus olhos fixos nos próprios pés.

– Sente falta deles?

Os olhos do loiro foram até os do amigo, ele sorriu de canto, tentando parecer menos decepcionado do que realmente estava, mas sabia que poderia contar com seu melhor amigo. — Nunca senti tanta falta de alguém na minha vida. Eu não achei que seria tão difícil estar longe deles. A ideia era que fosse mais fácil.

– Cara, eu não sou de rodeios, e nunca te escondi nada, não vai ser agora que vou começar, mas, você foi bem babaca por deixar eles. Kurt ligava para Quinn quase todos os dias, contava como estava difícil para ele segurar a barra com Alfredo e todo o resto.

– Você conhece esse Blaine? — O loiro perguntou sem conseguir segurar as palavras.

– Quinn falou sobre ele, mas nunca o vi.

– Kurt quem contou sobre ele? — O moreno estava para abrir a boca, quando Burt apareceu atrás de Sam, sua expressão de surpresa, fez com que o loiro virasse e desse de cara com o ex sogro, seu rosto vermelho como sangue. — Oi Burt.

– Sam. — Burt ouviu o loiro perguntar algo sobre o seu filho, tentava ser o mais cordial possível. — Puck, Quinn e Rachel querem que vá dar uma ajuda com as luzes, acho que elas querem que a casa seja vista do espaço. — Mesmo sendo uma piada, ninguém riu, o clima não estava para isso. O moreno assentiu e saiu cruzando o jardim.

– Como vai Burt, como anda Lima?

– Senhor Hummel. — Corrigiu Burt.

Sam já bastante intimidado por o homem mais velho, tentou ser mais gentil.

– Você já viu Alfredo? Está um homenzinho não?

– Escute aqui homenzinho, eu fiz com que Kurt o chamasse para a festa, mas isso não quer dizer que eu queria que estivesse aqui. — O tom de voz sereno e baixo de Burt, não deixava a conversa menos tensa. — Na verdade, se não fosse a festa de aniversário do meu neto, provavelmente eu já teria lhe jogado no bolo.

O loiro revirou seus olhos, mesmo ciente de que havia cometido um erro, era irritante que todos ali se comportassem feito crianças e lhe tratassem como o dedo duro da turma ou algo assim. — Me diga Bu… Senhor Hummel, precisamos mesmo de toda essa hostilidade? Somos adultos não somos?

– Papai. — Kurt chamou antes que Burt respondesse a Sam, o castanho vinha a passos largos cruzando o jardim com um sorriso no rosto, lembrando uma criança que acabara de ganhar seu presente de natal. — Alfredo está chegando, Blaine me ligou e disse que eles estavam a uns quinze quilômetros daqui.

– Eu vou avisar a todos, vá para casa filho, vamos começar a colocar nosso plano em prática.

Kurt voltou para dentro de casa, apagou todas as luzes, sentando-se no sofá, deixando apenas o abajur ligado, para poder folhear uma revista, Ele viu as luzes no fundo da casa sendo apagadas e soubr que todos estavam preparados agora.

A sensação de borboletas voando em seu estômago estava ficando mais intensa e seus olhos não paravam de mirar o relógio em seu pulso. A campainha soou e Kurt pode ouvir com clareza a voz estridente e alegre de Alfredo. Ele foi até a porta e a abriu, seus olhos encontrando os do moreno, ambos instantaneamente hipnotizados por o olhar do outro.

– Oi Kurt.

– Olá Blaine. — Silêncio. As duas crianças se entreolharam, soltando pequenas risadas entre si.

Cansado de ficar do lado de fora e animado para contar ao pai como tinha sido o seu dia, Alfredo começou a puxar a camisa do castanho. — Papai, papai…

O castanho se deu conta do que estava se passando na sala e logo pôs sua atenção as crianças que mexiam-se agitadas. — Alfie. — Kurt tomou o filho em seus braços o arrancando do chão e logo o girou no ar, seus pés deslizando no piso da casa, até que finalmente caíram no sofá. O Hummel maior, agora beijava todo o rosto do filho que tentava se livrar do ataque do pai, enquanto Blaine e Maurice observavam a cena juntos. — Alfie meu amor. — Mais beijos. — Eu. — Beijo na bochecha. — Te. — Beijo no nariz. — Amo. — Beijo na testa.

– Papai, o que que você tem, está bêbado?

– Ei… — O castanho começou a fazer cócegas no filho. — Não é todo dia que seu filho faz nove anos. Agora … — Kurt levantou, sentando-se no sofá e puxou o pequeno Maurice para seus braços. — E você Maurice, como está? Você parece maior.

– Na verdade eu cresci dois centímetros. — Falou o menino orgulhoso de si mesmo.

– Então, vamos lá fora, seu presente está esperando lá no jardim.

– Presente? — Os olhos do menino se iluminaram fazendo o castanho rir. Kurt segurou a mão do filho e também a de Maurice para irem justos e não eestragar a surpresa. — Ei, você não vem Blainey?

O moreno que observava a cena toda, apressou os passos para os acompanharem e passou um braço por o pescoço de Alfredo.

– SURPRESA! — Todos no jardim começaram a gritar quando a porta se abriu e Alfredo foi o primeiro a passar. As gêmeas de Quinn e Noah se apressaram para abraçar o Hummel menor que tinha uma expressão maravilhada em seu rosto. Logo Burt, Finn, Rachel e os outros foram se aproximando para cumprimentar o aniversariante.

Quando Sam se aproximou o pequeno deu um passo atrás, encontrando o corpo do pai. Blaine segurou a mãozinha de Alfredo para lhe mostrar que também estaria ali para ele. — Oi Alfie, eu estava com saudades. — A única coisa que o loiro recebeu como resposta, foi um olhar amedrontado do filho. Tentando não parecer abalado o homem se ajoelhou próximo ao filho e tirou do bolso um aparelho pequeno e o entregou ao filho. — Isso é para quando quiser conversar, comigo, ou com qualquer outra pessoa. Vê? Tem uma foto sua, comigo e seu papai Kurt também. — O castanho menor, mostrou um sorriso para o pai, ao ver a foto, ele sorriu e beijou o rosto de Alfredo dando espaço para a criança.

Blaine que estava próximo aos dois, não se conteve e olhou disfarçadamente para ao aparelho. A foto tinha Kurt sorrindo, enquanto um pequeno Alfredo e Sam faziam cócegas em sua barriga. O moreno engoliu a seco e deu um passo para se afastar, quando Kurt segurou sua mão. Surpreso pelo ato, o menor olhou para suas mãos agora unidas e sorriu, aproximando o seu corpo do corpo do castanho. O que não passou despercebido por Sam, que logo fechou suas mãos em punho.

– Muito bem, quem quer doces? — Mercedes perguntou chamando a atenção de todos para as crianças que gritavam e corriam em direção a negra.

Kurt virou-se para Blaine, lhe lançando um sorriso encantador.

– O que? Tem algo no meu dente?

O castanho riu, e ao seu redor pode perceber os olhares dos seus amigos sobre Blaine e ele, inclusive o de Sam. — Não, é só que… — Kurt demorou em continuar, estava difícil encontrar palavras para dizer a Blaine o que ele realmente queria. — Blaine, muito obrigado por tudo o que está fazendo por Alfredo… quer dizer, você estava aqui com ele esses dias de insanidade que me assolaram, você estava aqui para nós dois, isso significa muito para mim. Eu…

– Se você continuar com essa bobagem, eu vou entrar com aquela causa na justiça para derrubar a sua casa. — Blaine levou uma mão ao braço, quando sentiu uma dor fina no braço, provocada por um soco que Kurt acabara de dar. — Okay, eu estava só brincando, não sabe brincar.

O castanho se jogou em cima do moreno, envolvendo ele em um abraço e beijou seu rosto. Seus corpos passavam uma corrente elétrica para o outro, como se fossem cargas completamente opostar, que se atraiam uma para a outra.

O beijo, fez o rosto do castanho queimar, mas não de um modo ruim, era algo estranhamente agradável e familiar, mas ele não lembrava de ter sentido nada parecido antes.

Sam visivelmente incomodado com a cena, deu um passo a frente, mas foi impedido de continuar por Finn. — Ei Sam, isso não é mais da sua conta.

O loiro encarou por alguns segundos o maior e seu as costas para a cena, para procurar Alfredo.

[♥]

A noite estava caindo e todos estavam bastante animados com os jogos e as comidas do aniversário. As crianças corriam de um lado ao outro, sempre com a supervisão de um Alfredo preocupado com a segurança dos pequenos, enquanto os adultos bebiam e se divertiam conversando.

Kurt e Blaine apenas terminavam de contar a história de como tinham se conhecido até chegarem aonde estaram hoje, sendo bons amigos.

– Então, vocês se tornaram amigos depois de quase se matarem? — Perguntou Quinn sedenta por detalhes.

– Não seja exagerada Quinn. — Disse Noah, recebendo um olhar feio e um tapa como resposta da esposa.

– Mais o menos isso Quinn, Kurt não resistiu ao meu charme e quando percebemos, ele estava dormindo na minha casa, com Alfredo e tudo.

Todos riram, menos Sam que apenas observava a conversa incomodado. — As coisas não foram bem assim não. Quem foi que desistiu de aumentar o território da empresa, só para ser meu amigo? Claramente foi você quem não resistiu a mim.

– Você está certo, não resisti mesmo. — Gritos e palmas se espalharam pelo local, fazendo Kurt adquirir um tom escarlate, que contrastava com a sua camisa preta, e sua pele extremamente pálida A loira correu para a abraçar — lo e e castanho enfiou seu rosto no pescoço da amiga até que todos os gritos cessaram.

– Você está morto Anderson. — Conseguiu falar o castanho depois que todos deixaram de encarar-los.

– Kurt, qual é? Você não conseguiria me matar.

– Eu acho que está bom de papo furado, Kurt você é o dono da festa, pai do aniversariante, e seu marido aos olhos da lei, está sentado bem a sua frente, poderia se comportar e deixar de flertar com um desconhecido na frente de todos. — Sam interrompeu os flertes de Blaine para Kurt, fazendo todos se virarem para ele assustados. Era uma reação que ninguém esperava que Sam tivesse.

Blaine que estava cheio de Sam, e movido por o álcool em seu sangue se levantou para ir até o loiro, lhe dizer umas boas verdades, mas Kurt foi mais rápido e tomou sua frente, evitando que ele chegasse ao homem. E na confusão, tudo o que conseguiram perceber, foi o sonoro tapa de Kurt havia dado no ex companheiro, deixando todos boquiabertos, inclusive Blaine. Seu dedo levantado quase esfregando no nariz do loiro. — Escute aqui Samuel, primeiro: você está aqui, por que apesar de tudo, é o pai de Alfredo e eu não posso mudar isso. Segundo: Blaine não é desconhecido, ele tem estado mais tempo com Alfredo nesses seis meses, do que você nos dois anos desde que descobrimos o câncer dele. Agora, por favor, pare de sabotar a festa do nosso filho e se comporte, você não tem nenhum direito de reclamar nada aqui, você é apenas um convidado.

Noah foi até o amigo, arrastando ele para o outro lado da festa, sem deixar que o loiro revidasse.

Blaine, Burt, Finn e Mercedes agora estavam na frente de Kurt, tentando acalma-lo. — Eu não acredito que ele disse aquilo.

– Kurt, ele estava com com ciumes, desde que entraram aqui os dois juntos, ele não tira os olhos de vocês. — Disse Finn, tentando justificar a atitude de Sam.

– Ele não tem esse direito Finn, ele quem me deixou, nos deixou. O que importa a ele se Blaine e eu estamos juntos?

– Não estamos juntos. — Disse Blaine, para aclarar as coisas com os outros.

– Isso que eu disse, não estamos — Respondeu o castanho, com um olhar que fez Blaine se encolher.

– Agora chega Kurt, você é um homem agora, se controle, é a festa do seu filho. — Burt segurava Kurt por os ombros, fazendo o mais novo olhar em seus olhos.

– Tem razão papai, eu sinto muito. Eu… onde está Alfredo, eu quero lhe dar minha surpresa agora.

– Eu vou procura-lo. — Falou o moreno na mesma hora e saiu para encontrar o pequeno.

[♥]

Blaine, Maurice e Alfredo estavam sentados a frente de um palco improvisado que Kurt havia armado, e todas as outras pessoas olhavam para a cena. Blaine com Alfredo em seu colo, lhe acariciava os poucos cabelos que nasciam em sua cabeça outra vez e o pequeno Maurice tinha a cabeça deitada no ombro do amigo. Eram como uma família.

– Oi todo mundo. Bem, a primeira vez que ouvi essa canção, eu estava voltando para o hospital. — O castanho suspirou, seus olhos fitando o horizonte, como se lá estivesse rodando um filme, e ele estivesse narrando para os outros o que nele acontecia. — Tínhamos acabado de receber a notícia do câncer de Alfredo, eu estava arrasado, eu só queria chorar o máximo que pudesse para voltar e não demonstrar fraqueza para Alfredo. — Sam que estava sentado próximo a Noah, baixou a cabeça, também lembrando-se daquele momento.- A música era uma réplica exata dos meus sentimentos por meu pequeno e eu a ouvi em silêncio. Desde então, sempre que preciso de forças, eu escuto ela e em meu coração, dedico ela para o Fredo. — Kurt sorriu para o pequeno, que lhe sorriu de volta e lhe soprou um beijo. — Está na hora de dedicar essa música deles em voz alta. Eu te amo Fredo, você foi e é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Feliz aniversário. — A musica começou a tocar e todos ouviam tranquilamente a melodia. — Ah é verdade, finjam que Maria é Alfredo e desculpe meu espanhol, ele está arranhado. — Todos riram, mas voltaram a prestar atenção a música em seguida.

Veme llorar

(Me ver chorar)

Y despertar

(E despertar)

A la verdad que entrega al cielo

(A uma verdade que oferece o céu)

Verte vivir

(Te ver viver)

Crecer y sentir

(Crescer e sentir)

Sigo creyendo en el misterio

(Sigo crendo no mistério)

De tus besos y tu paz

(Dos seus beijos e sua paz)

Es la fuerza que hoy me das

(É a força que você me dá hoje)

Kurt cantava sem desviar seus olhos do filho. Nunca havia cantado uma música com toda significado e cheia de sentimentos como aquela, seus olhos marejados, encarando os do filho, entrando em uma dimensão onde só existiam eles dois.

En silencio pido mas

(Em silêncio peço mais,)

De tus ojos que hipnotiza

(Dos seus olhos que hipnotizam)

María seré fiel a tu amor.

(Maria, serei fiel a teu amor.)

O pequeno Alfredo agora havia se levantado do colo de Blaine e foi caminhando para próximo do pai, subindo desajeitado o palco, abraçou a cintura do pai, enquanto esse continuava cantando.

Dentro de ti

(Dentro de você)

Yo me escondí

(Eu me escondi)

Quise flotar entre tu alma

(Quis voar, entre sua alma)

As lágrimas começaram a escorrer no rosto de Kurt, impossibilitando ele de manter seus olhos abertos. Blaine e Burt se dando conta, foram também até o castanho e o abraçaram, confortando ele.

Darte calor

(Te dar calor)

Robarme el dolor

(Roubar a dor)

Ahogarme en el mar de tu inocencia

(Me aforgar no mar da sua inocência)

Y si el tiempo hace olvidar

(E se o tempo faz esquecer)

Y los sueños rescatar

(E os sonhos resgatam)

Busca en tu respirar

(Me procure na sua respiração)

Me tendrás ahí a tu lado, María eres mía mi amor

(Me terá aí a seu lado, Maria, é minha meu amor.)

Quiero darte todo el mundo cuando el universo traes

(Quero te dar todo o mundo, quando traz o universo)

Y me lo entregas con el corazón me haces niño una vez mas.

(E se entrega a mim, com o coração, me faz criança uma vez mais.)

Ven abraza mi existir nunca te voy a mentir

(Vem me abraça meu existir, nunca vou mentir a você.)

Seré tuyo para siempre amor.

(Serei para sempre seu, meu amor)

Na na na na na na na na María

Na na na na na na na na María

As mãos do castanho tremiam, quando Blaine, Alfredo e Burt o soltaram, Kurt desabou em choror, todos na festa ficaram olhando para o castanho consternados, a tristeza dominando o seu corpo, não era um dia feliz para ele, não adiantava tentar se enganar, aquele dia, poderia ser a última festa de aniversário de Alfredo. Não importava que sorrissem, que dissessem para si mesmos que não seria, mas ainda assim, a doença estava ali, levando para sempre o seu bem mais precioso, a única alegria da sua vida.

Ele saiu correndo dali, para evitar que Alfredo e os outros o vissem naquele estado. O pequeno Alfredo assustado, abraçou o avô.

– Eu vou falar com o Kurt. — Blaine disse para Burt e em seguida se abaixou,ficando da altura de Alfredo. — Alfie, ele vai ficar bem, ele só está emocionado, tudo bem? Eu vou falar com ele. — Beijou o rosto do garoto e levantou-se.

– Quer que eu lhe acompanhe Blaine? — Perguntou Finn preocupado.

– Não tudo bem, eu vou sozinho. Por favor, anime as crianças.

O moreno caminhou devagar até chegar à casa, ao entrar, pôde ver Kurt encolhido no sofá, seus braços envolto das suas pernas, enquanto soluçava entre os prantos. — Kurt?

Sem respostas. Ele se aproximou mais um pouco e agora podia ver o rosto do castanho, seu olhos banhados com lágrimas, estavam apertados, o sofrimento estampado em cada parte do corpo de Kurt. Blaine caminhou até ele e sentou-se ao seu lado no sofá, seu corpo foi baixando devagar, até que seus braços estavam em volta do castanho e seus corpos unidos num abraço. — Shi, shi, shi… Kurt, tudo vai ficar bem.

– Não Blaine, não vai. Eu estou fracassando como pai, meu filho tem câncer e pode morrer a qualquer momento, ele não deveria passar por esse tipo de coisas, eu deveria proteger ele disso. — Ele soltou suas pernas, e abraçou Blaine com todas as suas forças, o calor do corpo do moreno trazendo-lhe um pouco de calma. Seu pai estava certo, Blaine era um grande homem.

O menor lhe acariciava as costas com as pontas dos dedos. — Kurt, você precisa se controlar, Alfredo está preocupado e você não é um fracasso. Não percebe que o único motivo dessa criança ser como ele é, forte e corajoso, é por sua causa? Por que ele tem quer ser como você? Ele te ama e te admira.

– Blaine eu… — Sem conseguir completar, o castanho baixou a cabeça e voltou a chorar. Blaine com sua mão, segurou o queixo de Kurt e o fez olhar para ele.

– Kurt, você é o homem mais forte que eu conheci na vida. Eu vivo maravilhado com a sua força, sua coragem para enfrentar as coisas, não pode deixar que isso mude agora.

Kurt piscou afastando suas lágrimas e abriu um sorriso torto para Blaine. Seus olhos agora já não tinham nenhum impedimento, e ele podia ver com clareza Blaine e seus olhos. Os olhos que lhe arrancavam desse plano para um lugar, onde a calma reinava e nada mais existia, onde tudo o que havia para contemplar era a beleza e serenidade de sua cor. A mão de Blaine se deslizou até a bochecha do maior e ele começou a acariciar o local com a ponta do dedo. — Kurt, você é incrível, Alfie tem sorte de ter um pai como você. — Kurt ainda hipnotizado por os olhos de Blaine, aproximava seu rosto devagar do rosto do outro homem, seus olhos vagando dos lavios para os olhos de Blaine, suas respirações agora se misturando e aquecendo ainda mais o espaço entre eles, a mão de Kurt estava na coxa de Blaine, apertando com uma certa necessidade, seus olhos foram se fechando e por fim seus lábios se tocaram.

Kurt e Blaine demoraram para se acostumar com aquela nova sensação, seus lábios formigavam e a maciez os convidava para aprofundar o momento.

Blaine passou as suas mãos, por a cintura de Kurt o trazendo mais para perto, e Kurt descansou seus braços nos ombros do moreno enquanto suas mãos se enrolavam no emaranhado de cabelos cacheados que tinha Blaine.

O momento se aproximava a magia, seus corpos estavam interligados e seus lábios impossibilitados de separar-se. Suas mãos lhe acariciavam os corpos que queimavam de desejo com a proximidade, e então algo os separou abruptamente e Kurt só se deu conta do que acontecerá, quando seus olhos estavam abertos.

Blaine estava caído no chão com uma mão cobrindo o rosto onde Sam o acertara. — Não. Se. Meta. Com. Esposo. — O loiro não satisfeito, se lançou sobre Blaine, voltabdo a soca-lo.

Blaine que agora não estava desprevenido, lhe retribuía cada golpe com mais força e mais vontade. Estava se tornando uma briga de alfas.

Notas finais
Gente, eu gostei desse capítulo mesmo escrito as pressas, sobre a música estou muito, muito feliz de colocar ela, por que além de linda tem um significado todo especial para mim, quem quiser ouvir, o nome dela é María, do Jaime Camil ♥♥♥ Obrigada por lerem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.