No Nightmares
1 A Suspeita
Alvorada Pallace, Apto. 108
Jake Armstrong's Home
Os primeiros feixes de luz cruzavam as persianas empoeiradas do quarto, criando projeções de poeira no ar, que insistiam em dançar livremente sob o quarto recém-alugado. Meu nariz inflava, procurando por resquícios de oxigênio, que me fugiam junto ao cheiro de bolor, que provavelmente se criava apartir do papel de parede antigo e desbotado.
Já sufocado pelo odor desgostoso do ambiente, me levantei e afastei as persianas, ocasionando em uma nuvem de poeira, que logo tomou conta do quarto, me fazendo pigarrear e tossir várias vezes. Abri a janela de forma desesperada, respirando profundamente para compensar os momentos desesperadores de falta de ar.
Já havia se tornado uma rotina pra mim; acordar no meio da noite, suado, com falta de ar — aturdido por pesadelos incompreensíveis, por partes. Na verdade, reais para mim. Eu sabia que aqueles flashs queriam me comunicar uma coisa que eu já estava ciente. Eu precisva voltar para Chance Harbor.
Sacudi minha cabeça, tentando afastar os inumeros pensamentos que aos poucos tomavam conta da minha consciência. Caminhei até a beirada do guarda-roupa, tomando cuidado ao abri-lo, afinal, no dia anterior a enorme porta de madeira quase se desprendeu e caiu sobre mim. Puxei um moletom maltrapilho, e o primeiro jeans escuro que encontrei.
Me despi com velocidade, precisava sair dali antes do dia clarear; já estava hospedado num mesmo lugar por três noites, e isso era muito perigoso para um caçador de bruxos. Sim, um caçador de bruxos, era uma vida muito difícil, cercada por perigos, mistérios e jogos de influencia. Viver a espreita havia se tornado um esporte pra mim, e cada vez mais, meus medos se esvaiam, tornando-me um ser frio, desamedrontado e pronto para tudo.
Perdido em meus devaneios, não percebi o momento que já estava trocado, sentado à beirada da cama, o olhar distante e os filetes de suor escorrendo descontroladamente sob minhas maças cansadas, por uma noite mal-dormida. Um estampido ecoou no andar debaixo, e como num reflexo de tigre, me levantei. Era tarde. A trinca da porta voou, tal como eu também vooei, sendo pressionado contra a parede de forma voraz.
O sorriso ameaçador e malicioso de Lilith era inconfundível. De certa forma, me aliviava, agora que já sabia que não seria naquela noite que eu morreria. Meu corpo se soltou do papel de parede, que ficou marcado com minha silhueta. Massagiei meu pescoço, esboçando um sorriso para a mulher, que retribuiu, sem desfixar os olhos rubros de mim.
– Você tem exatamente cinco minutos para sair daqui– ela continuava sorrindo, como se o que falasse fosse a coisa mais natural do mundo — eles estão vindo.
Eu sorri.
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