Notas iniciais
AEEEE CARALHOOOO O/
Gente que saudade!
Podem falar, vocês tavam com saudade de mim, né?
Eu tenho a certeza de que estavam :3 Pq eu tbm tava de vocês.
Bem, como vocês pediram, decidi fazer um esforço e criar uma continuação para No More Secrets!
Aqui está o primeiro capítulo, espero que vocês se divertam com as novidades que eu estou preparando (dessa vez a história será um pouquinho diferente da primeira, mas calma pq o triangulo amoroso que vcs mais gostam no mundo vai chegando aos poucos)
Lembrem-se de me disseram o que acharam... disso.
Obrigado, beijos e boa leitura!

Como esquecer do seu passado, se o seu passado não quer esquecer de você?

É estranho ver uma história começando pelo o final. Era o que Dipper achava. Uma torrente de pensamentos adventícios insistia em atravancar na sua mente na medida em que ele mais tentava prestar atenção às aulas, o desenraizando da realidade na qual se via inserido. Da realidade na qual ele escolher viver. Acomodado na cadeira de madeira puída, o garotinho de 16 anos estava encarando a janela embaçada da sua classe com os seus olhos e cabelos castanhos como as fissuras dos troncos das árvores que ele observava. Dentro do cubo de cimento, ele invejava o mundo inalcançável lá de fora que se desenrolava diante dele. A grama a farfalhar, os carvalhos nus do outono oscilando com suas folhas secas e alaranjadas cavalgando nas costas do vento.

Suas pernas pendiam esticadas para fora da sua mesa­ que era coberta de rabiscos e traços feitos pelos alunos. Sentando-se no meio da última fileira à esquerda, Pines se recostava contra a parede de vidro ao seu lado, tentando fazer algum sentido do que o seu professor de terno pronunciava. Aula de literatura. O slideshow faiscava na tela branca diante do quatro, enquanto o docente dissertava sobre o conteúdo dos livros nos quais a máquina projetava as imagens das capas.

– Lolita, certamente, foi um dos livros clássicos mais polêmicos da nossa fase contemporânea... Vladimir Nobokov retratava, sem precedentes, uma relação romântica de uma menina de 12 anos com o seu padrasto de meia-idade... os tabus como pedofilia e incesto são anuídos com uma absurda naturalidade...

Dipper revirava os olhos e suspirava incessantemente. Queria que a aula terminasse logo para que ele pudesse se retirar e começar, no seu dia, o que realmente importava. Recomeçar a vida era algo... curioso. Já faziam três anos desde quando Dipper havia alterado das regras de espaço e tempo e voltado de 2022 para 2012 para evitar a calamidade que aconteceria se ele permanecesse naquela linha temporal. Ele viveu de novo os seus 13, 14, 15, e agora os 16, anos em Piedmont. Ao lado de sua irmã de das pessoas nas quais outrora ele havia deixado para trás. Tendo que frequentar a escola que não havia tido antes, Dipper era o melhor aluno – devido a ter estudado aquilo antes diversas vezes – o que o fazia tomar uma postura completamente negligente durante os horários e as disciplinas do colégio municipal. Tudo era tão monótono e corriqueiro... Com os lábios selados com cimento, jurou a si próprio jamais contar a ninguém sobre o que havia feito. Nunca contaria sobre tudo que tinha passado por e com Ford. Nunca contaria sobre Bill. Nunca contaria sobre a vida que ele tinha escolhido e na qual ele foi covarde o suficiente para não aceita-la daquele jeito, tendo que voltar o próprio tempo para conserta-la. Para ele, aquilo nunca havia acontecido. E, de acordo com as leis do universo, não havia acontecido mesmo. Ele parecia ser o único a ter alguma memória daquela vida, mas, mesmo assim, Dipper repudiava qualquer pensamento daquele antigo ele. Com o tempo, ficou mais fácil controlar as memórias e os sentimentos que insistiam em voltar de vez em quando, até que, por fim, aquele antigo Dipper sumiu.

Aquele antigo Dipper estava morto.

Ou, pelo menos, era isso que ele achava.

*

O sinal havia tocado há poucos minutos, despertando Dipper dos seus devaneios e o som reverberando nos seus ossos. Pondo-se de pé e levando a mochila às costas, um fluxo incomum de exaltação atinge o garoto. Ele sorri ao se lembrar que tinha uma pessoa especial para encontrar. A euforia tomando conta das suas ações assim que ele caminhava para fora dos corredores do colégio. A multidão de pessoas parecia absurdamente interminável, Dipper cruzou todas elas até ser surpreendido por um chamado pelo seu nome.

– Dipper! – era Mabel, sua irmã. Os cabelos dela estavam soltos, as mechas tremulavam em cores vibrantes, tons de roxo, vermelho e rosa. O suéter fluorescente fazia o encontro dela na multidão a tarefa mais fácil do mundo, como se ela fosse um pisca-alerta ambulante. Seu sorriso tão grande que ameaçava partir o semblante dela em dois. Pines avançou a caminho dela. Abraçando-a assim que a alcançou, Mabel cheirava à massinha de modelar e bala de goma. Era tão bom abraça-la e ser correspondido com o mesmo carinho, era tão bom ter a velha Mabel de volta. Era em momentos como aquele que Dipper sabia que suas decisões haviam valido à pena. As fisgadas no coração e o sentimento acolhedor que ele nutria e via Mabel exalar toda vez que ela se aproximava, era a prova de que ele havia feito a coisa certa, o lembrete de algo de um passado enterrado. O renascer de uma vida e de um futuro. – Aonde vai com tanta pressa, Dippy ippy?

Dipper apenas precisou encara-la nos olhos sem dizer nada e ela já havia entendido.

– Vai se encontrar com ele, não é? – ela perguntou, já sabendo a resposta e em um quê malicioso chispando do arquear das sobrancelhas dela. – Aquele garoto tá mexendo muito com você, quando pretende apresentar ele pra mim, para o papai e pra mamãe?

– M-Mabel...! – Dipper estagnou, sem graça. – Ele ainda não é assumido pra família.

– E eu, sua irmãzinha, não pode ter nem um nome para poder se referir a ele? Você sabe que eu guardo segredo de tudo que você me contar, não sabe?

– Eu estou evitando segredos, por ora, Mabel. Sem mais segredos... pra mim. – foi franco, enquanto descia os degraus, a única coisa que o ligava ao prédio, a escadaria para a liberdade.

– Dippy e seus mistérios... Você deveria me contar mais coisas às vezes. Por que eu sempre tenho a sensação de que você está escondendo algo de mim, mesmo sendo o meu irmão?

O garoto estremeceu.

– Você saberá a identidade do meu namorado secreto quando chegar a hora, Mabel, para de drama. – tergiversou de maneira brincalhona.

– Vai, pelo menos, ficar para o jantar hoje? Ou eu vou poder pedir pra mamãe pra poder comer a sua parte? – riu.

– Não tenho certeza ainda. Por via das dúvidas, deixe sobrar alguma coisa pra mim. – respondeu, já dando as costas, afastando-se de Mabel e da multidão. Com o coração trepidando de ansiedade.

*

Na medida em que ia se afastando do centro, as casas iam ficando mais escassas e o movimento desaparecendo como neblina. O sol começava a se esconder por de trás do horizonte e uma aura fria de outono começava a planar em torno dele. O relento era cortado pelos galhos desnudos das árvores como se passassem por uma peneira. O clima estava perfeito. Fiapos de gotas d’água caíam do céu, uma chuva tão fina e branda que era praticamente imperceptível. Dipper retirou o capuz da sua jaqueta vermelha e ergueu o rosto na direção do céu, clamando para que aquelas gotas frias e revigorantes tomassem posse da sua pele oleosa. Abriu os olhos, vendo o mundo em que ele estava inserido ser preenchido por uma iluminação púrpura do crepúsculo. As janelas das casas vazias refletindo o céu naquela mistura avermelhada com roxo azulado. Um ponto de calmaria se estabeleceu no fundo do peito de Dipper. O mundo parecia conspirar para criar um momento só para ele.

Retomou a postura e persistiu sua caminhada solitária pela aquela área residencial inserida numa florestal. Não poderia deixar o namorado esperando. Cercas baixas de madeira começaram a despontar na esquina, a tinta branca velha estava descascando das bordas do portão feito charmosamente à mão. Era com isso que ele sabia que havia chegado ao seu destino. Havia um garoto de poucos anos de idade a brincar no jardim da frente da casa americana tradicional de dois andares. O menininho usava um macacão verde escuro, uma chaleira de cabeça pra baixo amarrada na cabeça como um chapéu, ao seu lado tinha uma pequena pedra com feições pintadas infantilmente com tinta guache e um enorme sapo do campo escapava do bolso principal da sua vestimenta. O mesmo garotinho o encarou com seus olhos enormes, reconhecendo a presença de Dipper.

– O seu irmão já chegou? – Dipper perguntou a ele.

– Já. Ele tá lá dentro, no quarto. – respondeu rapidamente para continuar com a encenação da sua brincadeira individual, ele bradava toda vez que erguia a pedra: – “E isso é um fato concreto!”.

Dipper observou o sapo de estimação do menino coaxar alto.

– Já arrumou um nome fixo para o seu sapo, Gregory?

– Ainda não. – ele respondeu. – Hoje ele se chama George Washington, mas tô pensando em chamar ele de Abraham Lincon amanhã.

– Ok, eu vou entrar então. Boa sorte com o nome. – advertiu Dipper, avançando para a varanda principal. Ao ver Gregory assentir, deixou sua mochila sobre um dos bancos próximos da porta e entrou.

Chamou pelo nome do garoto que procurava assim que entrou. Como no obteve resposta, procurou pelos pais dele, eles também não estavam ali – pelo visto, ainda não haviam chegado. Então Pines colocou-se a subir as escadas, a caminho do quarto que ela já conhecia tão bem a localização.

Abriu a porta, que rangeu suavemente, evitando chamar o garoto pelo nome novamente, sabia que ele não tinha escutado e seria pego de surpreso pela presença dele. E Dipper simplesmente adorava a reações dele de quando era pego de surpresa. Ao entrar no aposento, Dipper analisou as composições do lugar que construíam a índole do seu dono, uma cama com um cobertor verde escuro perfeitamente arrumado sobre o colchão, um abajur de luz amarela na cabeceira revelava uma parede – de cor bege – completamente coberta por post-its e notas com lembretes de letras de músicas e trechos de poesias amadoras, um toca-fitas tocando alguma música de alguma gravadora indie sobre uma escrivaninha repleta de papeis e lápis espalhados, por debaixo dela, livros jogados e empilhados sem uma ordem exata. A cadeira da mesa estava afastada consideravelmente e, no seu encosto, havia uma toalha molhada suspensa. Dipper ouviu um ruído leve soar do closet e virou-se para se deparar com o namorado saindo de dentro dele, ele havia terminado de tomar banho e estava terminando de se vestir. Ele estava apenas usando as suas calças sociais, bizarramente, elegantes para alguém da idade dele, enquanto ajeitava, em suas mãos, a camisa por debaixo do suéter laranja.

— M-Mason! – ele exclamou em susto assim que ergueu o olhar apenas para se deparar com Dipper encostado contra a quina da porta encarando ele com um sorriso mordaz no rosto. As pupilas enormes do garoto semidesnudo se dilataram mais ainda e ele se escondeu por trás do suéter, com o cabelo ainda úmido do banho. Um constrangimento empecilhado começou a brotar dentro dele e seus sentimentos não aguentaram a repressão, marcando a sua perdição sobre o rosto na forma de uma vermelhidão. – P-por que você não bateu?

— Eu chamei antes de entrar. – Dipper deu sua desculpa esfarrapada, encenando um dar de ombros – E por que continua em insistir em me chamar de Mason? Pelo amor de deus... – sorriu no final da frase, para deixar claro que aquilo não era uma bronca séria.

— D-Desculpa... – ele se odiava por deixar a voz falhar assim, a insegurança crescia dentro dele sem cessar, então, ele terminou de vestir a camisa seguida pelo suéter. Dipper aproveitou o tempo que ele levou ao terminar de se vestir para observar as partes do corpo dele que estavam à mostra. Fora os “acidentes” como aquele, Pines nunca tinha visto nenhuma outra parte do corpo do namorado desnuda. O garoto era muito inseguro, mantinha o relacionamento de forma lenta, o que fazia os momentos em que Dipper podia ver o seu peito exposto uma loucura. Pines sentia que ia perder a cabeça a qualquer momento. Uma droga proibida na qual ele teria que controlar a dependência da tentação a todo o momento.

O menino, agora completamente vestido, se aproximou de Pines. De cabeça baixa, ainda incapaz de olha-lo nos olhos. Pegou a manga do casaco dele, deixando o braço suspenso, enquanto o outro ainda não conseguia desfazer a expressão maliciosa.

— Oi, Dipper...

— Olá, Wirt. – imitou o jeito educado dele num desdém carinhoso. Passou os braços por cima dos ombros dele e o abraçou, Wirt estava cheiroso. O cabelo molhado dele exalava um cheiro irresistivelmente inocente de shampoo de maça verde. Dipper afundou o rosto na divisão entre o pescoço e o ombro de Wirt, fungando sem parar aquela essência inigualável.

— Eu... senti saudades... – Wirt confessou baixinho.

Dipper nem se deu ao trabalho de responder, correu os lábios sobre o queixo do menino, entregando-lhe beijos rápidos por toda a extensão do canto do rosto. Quando percebeu que nem ele nem Wirt aguentavam mais, o beijou nos lábios, os dois compartilhando daquele gesto indescritível. Foi quando Wirt se controlou, separando eles ao colocar dois dedos entre os lábios dele e de Dipper.

— A-assim não... O Greg pode ver, e meus pais podem chegar a qualquer instante. – e ali estava, o medo de Wirt em que descobrissem sobre sua sexualidade antes que ele estivesse confiante o suficiente para assumir. Fez um gesto para que Dipper entrasse no quarto e fechou a porta com a chave logo em seguida. – Pronto. – suspirou num misto de alívio e sede pela posse de Dipper novamente.

Dipper o puxou mais uma vez, provocando a inocência do namorado ao se aproximar o mais perto o possível dele, mas evitando que os lábios se tocassem a qualquer custo. As respirações entrecortadas se avolumaram, evidenciando a impaciência de Wirt para o deleite de Dipper – que roçava o nariz sobre o dele, sussurrando de leve que também havia sentido a falta dele, fazendo seu hálito quente ir de encontro à face alva do namorado. Dipper queria que o garoto criasse coragem para beijá-lo, durante todos os dois meses de namoro, Dipper era o único que havia iniciado os beijos, queria – a todo custo – que Wirt criasse coragem o suficiente para no mínimo implorar para que fosse beijado.

Os punhos de Wirt se contraíram sobre os tecidos das vestimentas de Dipper, a frustração dele era palpável.

Ali estavam os dois, juntos, testando até aonde iriam os próprios limites e as sensações que desabrochavam. Enquanto isso, o toca-fitas de Wirt tocava, calmamente, um folk indie. A música era “Hey Good Looking’” da banda Blonde Tongues:

Tudo o que vejo é branco e vermelho
Que se desvanece ao rosa e fica azul
Eu acho que é isso o que você quer fazer
Hey, cara bonito
Estou começando a seguir em frente
Hey, cara bonito
Talvez seja aqui que você pertence...

— Faça. – Dipper suplicou, cansado de esperar. Sentiu Wirt se retesar contra o corpo dele. – Logo. – finalizou quase rindo da situação, Dipper havia começado a provocar Wirt daquele jeito em prol de que o mesmo acabasse implorando pelo beijo, e agora, no final das contas, que estava implorando era Dipper. Aquele menino estava mexendo com ele de formas inimagináveis.

— D-Dipper...

— Por favor.

— ... – Wirt abaixou a cabeça. Estava frustrado. Ele queria a todo custo realizar aquilo, queria ter um pouco mais de coragem. Um pouco mais da coragem que ele sentia emanar de Dipper avassaladoramente. Queria poder contar aos seus pais sobre quem ele era. Queria poder ser capaz de beijar o namorado em público. Queria, também, ser capaz de se soltar para ir além de simples beijos. Queria apenas levantar a cabeça e dar o maldito beijo. Dipper o segurou pelo queixo, lhe dando uma mãozinha, levantou o olhar de Wirt ao encontro do leve. O olhar de Pines dizia, claramente, “você consegue”. Então Wirt se aproximou, e, antes que ele concluísse o ato, a impaciência de Dipper tomou conta e ele selou os lábios dos dois rapidamente.

— Gracinha. – murmurou, jogando o garoto de suéter na cama. Wirt se encolheu em uma das bordas, apoiando a cabeça no encosto de madeira entalhada. Dipper subiu no colchão, ficando por cima do garoto, passando os braços em torno dele e em seguida as penas. Quanto mais perto Wirt ficava dele, mais Dipper o queria próximo... aquele tipo de próximo. Wirt passou as mãos sobre as costas do namorado. Dipper suspirou, se sentia tão confortável que nem queria mais se mexer. O menino notou o cansado do namorado e perguntou:

— Tá cansado?

— Sim, foi um dia cheio. A coisa mais cansativa do que se exercitar, é ficar parado na mesma posição por horas. – e, com isso, Dipper apoiou a cabeça no ombro do menino. Cheirando suas roupas, sua pele, seu cabelo... – Porra, como você tá cheiroso... – sorriu afetadamente.

Wirt corou, mas, em seguida, se recompôs com uma acidez moderada.

— E você está fedendo... a suor.

— Eu sei. Você poderia ter me esperado por mais um tempo, assim que eu tivesse chegado nós tomaríamos banho juntos. – Wirt engoliu as palavras e Dipper o riso. – O que acha disso, Wirt?

— Legal... ­– a voz dele era tão baixa que Dipper pensou tê-la imaginado.

— Pois é, você tinha que ser apressado... – bocejou – Estou com sono, se eu continuar deitado assim vou dormir.

— Pode dormir. – o tom de Wirt evidenciava uma carência.

— Posso mesmo? Dormir aqui na sua casa? – Dipper levantou uma sobrancelha.

— S-sim.

— Então quer dizer que você me quer na sua casa, dormindo com você...? – Dipper não se cansava de provocar. Wirt escondeu o rosto, virando-o para o outro lado.

— Sim, mas não acho que seria uma boa ideia.

Era a corda que Dipper precisava para puxar o assunto.

— Como assim, Wirt? – ergueu-se, ficando apoiado nas duas pernas e mãos sobre o namorado que se encolhia cada vez mais no travesseiro. – Você tá com medo de que algo aconteça? – sorriu, maliciando.

Wirt ficou paralisado por um breve instante pelos olhos castanhos claro de Dipper que o fitavam, só aquele olhar parecia ser capaz de talhar o resto distância entre os dois.

— Não é exatamente medo... – começou a confessar.

— Okay, então. Já vou ficar de “pijama”. – Dipper disse dissimulado, desabotoando o cinto.

— A-ah...! D-Dipper..!

— Qual o problema? Eu durmo só de cueca, e você? – levantou o olhar, esperando uma resposta.

— Com uma camiseta, cueca e meias. – respondeu, impaciente.

— Okay. – Antes que Wirt pudesse raciocinar qualquer coisa, Dipper avançou na direção dele, colocando as mãos por debaixo do suéter dele. Wirt soltou um guincho, como se tentasse protestar e desistisse em seguida ao sentir o toque firme de Dipper tão próximo do corpo dele. – Pode deixar que eu já arrumo pra você. – Dipper tirou o suéter depressa antes que Wirt pudesse evitar, agora, apenas uma fina camada de tecido de linho separava a mão de Dipper do peito do namorado. Ele deslizou as mãos propositalmente de cima a baixo no peitoral de Wirt, o menino abriu a boca e, inesperadamente, no lugar de um suspiro, um gemido ocorreu.

Dipper lançou um olhar verdadeiramente surpreso. As pupilas do outro estavam tão chocadas quanto à dele, e ele já estava vermelho até a ponta das orelhas.

— Que foi...? Gostou disso, Wirt? – indagou dissimulado novamente, ainda sem acreditar ter sido capaz de arrancar um gemido dele. E tornou a correr as mãos pelo o corpo do garoto, sempre fazendo mais pressão na cintura, próximo ao cós da calça dele. Dipper não conseguia tirar os olhos do seu garoto por um segundo sequer. – Não são muitas pessoas que te tocam assim, não é?

— Nenhuma como você. – arfou. Aquilo só fez Dipper ficar mais animado.

Tinha algo absurdo sobre a inocência de Wirt e como ela era excitante para Dipper. A ideia de ver uma imagem sendo rompida. Ver um garoto, que mesmo tendo a mesma idade de Pines, tendo suas concepções corrompidas por sensações novas e únicas nas quais só ele poderia proporcionar. Quase como se Dipper fosse um conjurador, um dono, um deus e Wirt fosse todo dele. E a ideia de que Wirt era virgem, tímido, recluso e difícil de se soltar apenas fazia essa utopia mais deliciosa. Era como se o que estivesse ali, na total disposição de Dipper, ao mesmo tempo não estivesse. Como se Wirt o provocasse indiretamente sem ao menos perceber. A ideia do intocado. Inexperiente. Inalcançável. Indescritível!

O celular tocou.

Quebrando a sensação.

Quebrando a excitação.

Quebrando o contato.

Quebrando o progresso que os dois estavam fazendo.

Dipper gritou alto. Raiva escorrendo pelos seus lábios.

— O q-que foi?! – Wirt assustou-se com o grito, saindo do transe que o namorado havia colocado nele.

— Droga! – amaldiçoou tudo. “Tão perto...” pensou quase em lástima. – Eu prometo que se for a Mabel eu vou discutir muito com ela essa semana. – e avançou para pegar o maldito telefone no bolso da calça.

Quando olhou no visor, não era Mabel.

Não eram os seus pais.

Não era ninguém que ele esperava.

Ao ler o nome na tela, o coração de Dipper disparou num compasso desritmado. As oscilações do seu peito eram tão intensas que ele sentiu dificuldade de respirar. Apreensão. Algo o dizia, mais forte do que tudo, que o que ele viria a ouvir assim que atendesse aquele aparelho, iria mudar tudo que ele construiu até então. Algo que faria o seu novo mundo despencar. Algo que o viraria para baixo.

O que estava na tela, era o nome: Pacifica.

Ele atendeu.

— Olá, Pacifica. Quanto tempo e...

— Corta a besteira. – o tom dela era firme.

— O q-quê?!

— Eu sei o que você fez, Dipper. Você estragou tudo. Algo sério aconteceu e eu preciso te contar.

Notas finais
E aí? O que acharam? :3
Obrigado pela leitura e até a próxima.