No Meu Pégaso Branco
19 Viajo no táxi das irmãs cinzentas
Notas iniciais
Começamos a revirar as sacolas de
comida, achamos uns sanduíches naturais de peito de peru, queijo e presunto e
frango, eram dois de cada um. Engolimos todos eles sem nem falar de tanta fome,
já estava perto da uma da tarde e não tínhamos tomado café da manhã, eu só
tinha comido os cookies de noite e não tenho ideia do que ou se deram algo pra
Duda comer.
-
Bom, já que comemos, acho que podemos beber um pouco desse suco de uva aqui...
– Ela falou pegando uma caixa de suco de uva de dentro da sacola. – Os caras da
cozinha eram muito otários, a gente pegou muita comida deles, isso aqui é
comida demais mesmo que a gente fosse fazer dois piqueniques por dia durante
uma semana! – Ela falou, realmente, cada sacola ela maior que uma mochila, e
estavam um tanto pesadas.
-
Adorei sua ideia do suco... – Falei tomando uma golada do gargalo mesmo,
trouxemos muita comida, mas não passou pela nossa cabeça trazer copos. Depois
de bebermos metade do conteúdo da caixinha lá, a fechamos e colocamos dentro da
sacola, juntamos o lixo dentro de outra sacola e continuamos andando.
-
Bom, como vamos provar os planos do Luke? – Eduarda perguntou, me lembrei que
não tinha mostrado para ela o que eu tinha ido buscar aquela hora, abri mais um
pouco o casaco e tirei um plano, era o da explosão do chalé de Apolo... A que
matou Zack. – Nossa, então foram eles mesmos que explodiram o chalé... – Ela
falou observando o plano, peguei mais um. Esse era de uma folha de papel muito
mais velha, tipo, muito mesmo. Tinha uma planta... Uma planta da minha casa...
Era o plano para me matar, por que Hades Luke estaria vendo isso? Aquele babaca
de uma figa, vai me pagar...
-
Ótimo, já podemos provar que eles foram responsáveis pela morte de Zack, Diana
e meu pai. Agora vamos ver... – Falei pegando mais um plano, era de outro
ataque ao acampamento, teriam monstros a solto lá, a data era de um dia depois
de termos saído, esse era nosso sexto dia de missão, tínhamos três dias para
chegar no Olimpo.
-
Não tivemos notícia desse ataque... Acho que devem ter lidado bem com ele, uma
legião de semideuses derrota facinho isso aqui... – Realmente com aquele não
devíamos nos preocupar com esse, mas o próximo... Um ataque a uma escola onde
provavelmente tinha um meio-sangue, em Minneapolis.
-
Esse aqui é amanhã! – Falei apontando para o tal ataque.
-
Temos que achar logo Nico... – Duda falou acelerando o passo, logo estávamos
correndo.
Corremos
quase o nosso máximo por mais uma hora, até que pudemos avistar o tal rio,
estávamos muito cansadas, em vez de ir até lá (era um lugar realmente bonito),
nos sentamos atrás de uma grande pedra e esperamos, o prendedor brilhava a cada
cinco minutos.
Paramos
para ver os outros dois planos, estavam incompletos, não diziam lugar, nem a
hora, nem o que ia acontecer... Decidimos nos concentrar no ataque a escola.
-
É um garoto, de quatorze anos, ele mora com a mãe, então deve ser filho de um
deus, dislexia, mas não tem TDAH, ele chega na escola às sete, o ataque vai ser
por volta das nove e meia... – Duda falou apontando um dedo a cada informação.
– Acho que vamos para a escola amanhã... – Ela disse mais uma vez.
Continuamos
conversando sobre aquele ataque, estratégias, como íamos nos aproximar do
garoto, achamos o nome dele no canto da página, Tim Thamminis. Ele era mais ou
menos da nossa altura, pele bronzeada, cabelo loiro escuro e olhos azuis.
Passamos uma meia hora ali, até que Nico surgiu de trás de uma árvore.
-
Pequena! – Ele falou me abraçando. – Duda! – Ele falou abraçando a filha de
Poseidon.
-
Que tal irmos embora daqui? – Travis perguntou saindo de trás de outra árvore,
assentimos com a cabeça.
-
Demorou. – Duda falou pulando nas costas de Nico... Humpf... Fui com Travis.
Ele
me levantou no colo, como se eu fosse um bebê, eu olhei para ele com o olhar
mais mortal que eu tinha, ele me soltou. Pulei nas costas dele, quando eu vi
Duda e Nico já tinham ido. Então ele ficou parado, se concentrou e quando vi
estávamos nos movimentando numa velocidade da luz em um lugar como um corredor
branco, bem barulhento. O vento nos ouvidos não ajudava, eu não falei nada, mas
se tivesse falado ele não teria ouvido.
Então
caímos em um buraco, que parecia não ter fim, fechei meus olhos e me segurei
bem forte. De repente tudo parou, o vento, o buraco, abri os olhos lentamente,
estávamos em uma rua pela qual passamos para ir pro tal esconderijo.
-
Então agora vamos para o Olimpo? – Vita perguntou, ela tinha ficado lá.
-
Não. – Falei, todos menos Duda se surpreenderam. – Vamos para Minneapolis,
salvar um meio-sangue.
-
Mas agora podemos só ir até o Empire State e acabar de vez com isso, depois
eles mandam algum sátiro para esse garoto. – Vita argumentou.
-
Não, a escola dele vai ser atacada amanhã, quanto antes chegarmos lá melhor. –
Duda falou, acabamos convencendo todos.
-
Então vamos pegar os Pégasos e ir para lá, devemos conseguir chegar lá ao
pôr-do-sol. – Nico falou se virando e tirou um dracma do bolso, jogou no chão.
Em
vez do dracma cair no chão, ele o atravessou e segundos depois o asfalto
começou a borbulhar e saiu de lá um táxi cinza, bem estranho. Uma mulher (sem
olhos) botou a cabeça pra fora da janela com uma cara rabugenta.
-
Cinco é demais! – Ela gritou e fez que ia embora.
-
Não, são só três! Vou eu e as outras duas – Vita falou dando um passo a frente.
-
Quem disse que eu vou entrar nisso? – Perguntei apontando pro táxi, parecia bem
suspeito...
-
Victoria, da última vez que eu te deixei pra trás por que vocês não quiseram
usar o táxi, você sabe o que aconteceu. – Nico falou segurando meus ombros. Eu
pensei, olhei para o táxi.
-
Ser sequestrada por Perséfone não parece tão ruim assim... – Falei de
brincadeira, ele olhou pra mim sério, acompanhei Vita e Duda no tal táxi, os
dois garotos sumiram e nós entregamos cada uma um dracma.
-
Me dá o dente! – Uma das velhas gritou com um dos dracmas na mão.
-
Não! Você mordeu da outra vez! – Ela gritou, mas a primeira velha arrancou o
dente da boca da outra.
Bom,
daí em diante a discussão só ficou mais interessante, eu falei que essa
discussão envolvia o carro inda a uma velocidade de 150km/h, também é notável
lembrar que a velha que estava pilotando não era a que estava com o olho.
Eu
cheguei a um ponto de desespero que achei melhor não me preocupar com tudo
isso, ignorei a discussão, a velocidade, o desespero de Vita, ou a situação na
qual estávamos, esse era o segundo dia, e já sei que o terceiro dia está
comprometido, a questão é: ainda temos três dias e a profecia não acabou...
Você
deve ter percebido que todos tentamos evitar esse assunto, ali no táxi eu parei
para me concentrar, o namorado de Vita havia morrido, meu pai havia morrido,
Bianca havia morrido, pelo que eu entendi de Travis, vários de seus irmãos
haviam morrido na guerra, não sei se alguém seria tão especial assim, então
descartei ele e Duda também.
Eu,
Nico ou Vita... Para ser sincera eu sabia, uma forte sensação me dizia, agora
aqui relatando isso... Eu sempre soube como essa história toda ia acabar...
Ao
longe surgiu o tal galpão onde deixamos os pégasos, Nico e Travis estavam de pé
na entrada, o táxi deu uma bela freada, parou bruscamente, toda aquela coisa de
ignorar a situação foi pro espaço, eu saí dali cambaleando, se pedissem para eu
andar em linha reta, eu mandava a pessoa ir pastar... Duda não parecia muito
melhor, a única que saiu ilesa foi Vita, parecia que tinha acabado de dar uma
volta no parque em um dia completamente normal.
Não
me despedi nem nada, aquele táxi dos infernos sumiu e eu estava era feliz.
-
Vamos, temos que sair agora se quisermos chegar lá ainda hoje. – Nico falou, o
acompanhamos para dentro do galpão, cheio de Pégasos, Pietro e os outros nos
esperavam logo na entrada.
-
Amiguinho! – Falei me aproximando do Pégaso branco e o abraçando, ele balançou
a cabeça e a apoiou sobre a minha. – Agora temos que ir. – Ele não pareceu
feliz, mas sabia que não tinha opção, coloquei o dispositivo que disfarça
pégasos e o conduzi para fora do galpãp.
-
Todos prontos? – Travis perguntou, assentimos, mas Nico ainda estava dentro do
galpão. Demorou cerca de três minutos para ele sair, estava acertando a conta da
hospedagem dos pégasos.
-
Você vai até lá em viagem nas sombras? Não é muito cansativo? – Perguntei para
ele. – Se quiser pode vir no Pietro.
-
Obrigada pequena, mas o Pégaso não vai se incomodar com um filho de Hades? –
Ele perguntou se aproximando, fiz sinal para que ele esperasse, coloquei a mão
no pescoço do Pietro, o abracei, segurei firme.
-
Fique calminho hein garoto... – Sussurrei no ouvido dele, depois acenei para
Nico.
O
filho de Hades foi se aproximando do Pégaso e ele continuou parado, até que ele
encostou a mão no pelo branco e macio e subiu.
-
Nossa, é a primeira vez que subo em um Pégaso sem maiores problemas... – Nico
falou observando tudo a sua volta. – Ótimo trabalho pequena.
-
Você nunca vai parar de me chamar de pequena? – Perguntei com cara de
emburrada.
-
Não – Ele respondeu – pequena...
-
É, já é hora de irmos... – Falei acelerando, Pietro foi cada vez mais rápido
até decolarmos, aquela sensação boa de sempre.
-
É sempre bom assim? – Nico perguntou olhando para baixo.
-
Parece cada vez melhor... – Respondi olhando para baixo, como as pessoas
pareciam baixinhas a mais de um quilômetro de diferença.
-
São quantas horas de viagem de Pégaso? – Nico perguntou.
-
Bom, acho que umas quatro... Devemos chegar lá por volta das sete e meia... –
Falei olhando para o relógio.
-
É, desse ponto de vista viagem das sombras parece bem melhor, chegaria lá em
questão de minutos...
-
E depois dormiria por dois dias... – Ele se convenceu, pois depois disso ficou
quieto. Depois de um tempo decidi falar com ele sobre aquilo que tanto me
atazanava. – Nico, aquela coisa de devolver uma alma ao seu ente que já se
foi...
-
Também ando pensando muito nisso pequena, mas o que quer que seja já está
decidido, é melhor deixarmos isso pra lá, mas pode ter certeza que vou fazer de tudo
para que não seja você. – Olhei para ele com um brilho nos olhos, o agradeci
baixinho e abracei o filho de Hades, incrível como aquele que todos veem como
sombrio e estranho, cuida de mim melhor que meu irmão...
Depois
disso ficamos quietos o resto da viagem, passamos pelo carro de Apolo e em
algumas horas chegamos em Minneapolis, já de noite. Pousamos em um galpão
semelhante ao que achamos em Los Angeles, paramos lá e entramos, era exatamente
igual ao outro, mas aqui não tinha praia por perto.
-
Senhor, são 4 pégasos por uma noite. – Nico falou entregando alguns dracmas
para o cara, ele pontou para o final do galpão.
-Tchau amiguinho... Se eu não voltar, seja um
menino bonzinho e deixe Nico te levar para casa tá bom? – Falei o abraçando. –
Eu nunca vou me esquecer de você, onde quer que eu esteja. – Tenho certeza de
que nesse momento eu vi uma lágrima escorrer dos olhos do Pégaso branco. – A...
Adeus... – Ele relinchou, baixinho, como um sinal de tristeza.
Me
despedi dele com os olhos cheios d’água, fui me afastando até estar fora do
galpão, lá sequei os olhos na barra no casaco e olhei para os outros, com
expressões ilegíveis no rosto.
-
Agora temos que arranjar um lugar para dormir. – Falou Vita olhando um mapa que
deveria ter pego dentro do galpão. – Tem um hotel aqui perto.
-
Ótimo, então vamos para lá depois de passar casualmente na casa do tal garoto,
Tim. – Nico falou apontando no mapa o endereço que encontramos lá no plano.
-
E como vamos chegar lá? – Travis perguntou, sentado na calçada.
-
É a duas ruas daqui. – Vita falou apontando para o mapa. – É só seguirmos
naquele caminho. – Ela apontou para uma rua.
Fomos
caminhando, algumas casas, prédios baixos, ali era uma área bem residencial, a
medida que íamos andando, começávamos a ouvir uma música, bem alta, quando nos
aproximamos, tivemos uma bela surpresa.
-
Então o tal Tim está dando uma festa, ótimo! – Travis falou, como todos sabem
um bom filho de Hermes adora festas.
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