No Meu Pégaso Branco
8 Gosma verde, sinonimo de Stolls ferrados
Notas iniciais
Cheguei lá e encontrei vários filhos de Hermes acabando de guardar os Pégasos, Pietro estava exatamente no mesmo lugar no qual eu o achei.
- A gatinha ta viva, é bom avisar a do olho mutante lá por que ela tá doidinha atrás de você! – Connor falou enquanto fechava a porta que guardava seu Pégaso e ia saindo.
- Avisa ela então, por favor. – Ele fez uma cara estranha. – Você é o filho de Hermes aqui! – Parece que ele se contentou com meu argumento, acenou com a cabeça e sumiu no horizonte. – Ei amiguinho, você está bem? – Perguntei pro Pietro, ele já se acalmou bastante com meu toque, balançou a cabeça e apontou a cabeça para um pote com torrões de açúcar. – Você quer um é? – Ele balançou a cabeça animadamente.
Fui até o armário e peguei vários torrões, fui entregando pra ele e contando da minha vida, quando ele acabou já devia estar farto de tantos torrões, ele se deitou – do jeito que é possível para cavalos. – E eu o penteei e depois de bastante tempo fui dar uma volta e esperar o almoço.
- Tchau Pietro, amanhã eu volto pra te pentear de novo! – Falei me despedindo do Pégaso, quando saí dali fui até o Chalé de Apolo atrás de Zack, encontrei-o saindo de lá.
- Victoria! – Ele exclamou quando me viu e depois veio me abraçar. – Se sente melhor?
- Bastante, como foi com seu paciente?
- O garoto está bem melhor, o tal Tony que levou uma flechada e o garoto que lançou a flecha também já saíram de lá.
- Ótimo saber, senti pena do garotinho quando ele levou a flechada... – Falei lembrando da cena, na verdade foi aterrorizante, mas a adrenalina me fez ignorar aquilo e seguir em frente.
- Bom, eu também senti pena de você, quando caiu da árvore...
- Eu sou uma desastrada estúp... – Não acabei de falar pois ele tapou minha boca.
- Não fale mal de si mesma. – Ele falou olhando nos meus olhos, senti a mesma coisa que senti aquele dia na árvore, mas agora não tinha árvore nenhuma para eu cair.
Nossos lábios se aproximava, eu ouvia sua respiração. Quando estávamos quase nos beijando, um grito, daqueles que eu conhecia.
- Merda... – Falei me afastando. – Desculpa Zack, tenho que ir! – Gritei enquanto saía correndo atrás da dona daquele grito, Duda.
A encontrei na saída da Arena, estava coberta de alguma coisa nojenta, o cabelo totalmente melecado e exalava ódio.
- O que aconteceu com você? – Perguntei me aproximando e analisando os estragos que aquela coisa tinha feito.
- O QUE ACONTECEU COMIGO? PERGUNTA PRO STOLL O QUE ACONTECEU COM A MINHA ADAGA!!!
- Calma, vamos resolver isso, me conta o que aconteceu.
- AQUELE FILHO DE HERMES DESGRAÇADO VAI ME PAGAR! – Ela falou gritando para todos os lados. – É ISSO STOLL, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO, É BOM SE ESCONDER!!!!!!!
- Ok, já avisou pra ele se proteger, me conta o que aconteceu.
- Você está vendo minha adaga? – Ela perguntou estressada.
- Não, mas eu vi ele te devolvendo hoje de manhã.
- Não, você viu ele me devolvendo uma aberração, que quando eu espetei no boneco de treinamento explodiu em fogo grego e essa meleca. Ele vai me pagar!
- É, aí fica difícil... Primeiro vamos pro meu chalé pra arrumar essa bagunça.
- Não, primeiro vou cortar aquele Stoll em pedacinhos, jogar em óleo quente e os resto eu enfio bem no fundo do Tártaro! – Ela falou tentando correr, mas eu a segurei.
- Tudo bem, entendi que você quer matar o Stoll, mas acho que ficaria bem melhor se você fizesse isso mais arrumadinha. – Eu teria convencido ela, se aquele lesado não tivesse aparecido.
- STOLL!!!!!!!
- Ops... – Ele falou quando percebeu que ela estava por perto. – Acho que eu te entreguei a adaga errada...
- VOCÊ ACHA?
- Tá, eu tenho certeza... Mas se você me matar agora....
- Exato, você idiota não serve pra porcaria nenhuma, exceto explodir a minha paciência, eu vou te mandar pro Tártaro seu desgraçado! – Ela gritou avançando pra cima dele, eu como sempre me meti no meio, foi difícil.
- Calma, Eduarda, respira...
- SE EU NÃO ESTIVESSE RESPIRANDO EU TAVA MORTA!
- Ei, to tentando ajudar! — Gritei com ela, me esforçando pra segurá-la e impedir que ela matasse o Travis.
- Se você me matar, nunca vai saber onde está a sua adaga! – Parece que ela se contentou com o argumento, pois a pressão nos meus braços diminuiu drasticamente. – Isso mesmo, se você tentar avançar em mim, eu não devolvo sua adaga!
- Então devolve logo minha adaga enquanto eu não mudo de ideia e me contento com uma faca de osso de semideus. – Ela bufou enquanto deixava de vez de tentar avançar no Travis.
- Está bem, eu vou lá no meu chalé pegar a sua adaga e já volto. – Ele falou se virando e se afastando.
- Travis. – Falei, ele se virou pra ver o que era. – Traga a adaga certa dessa vez, ou trato eu mesma de ajudar no picadinho de Stoll!
- Pode deixar madame, vou trazer a adaga certinha! – Ele falou se afastando e indo em direção ao Chalé de Hermes.
- Agora você vem comigo pro meu chalé pra te ajeitarmos pra hora do almoço. – Ela não falou nada, só concordou com a cabeça e me seguiu.
Rapidinho estávamos dentro do chalé, ela tomou um banho rápido, lavou o cabelo, emprestei roupas limpas pra ela.
- Está mais calma? – Perguntei enquanto ela se sentava em uma cadeira e eu começava a desembaraçar os nós que aquela gosma tinha feito.
- Só quando aquele idiota devolver minha adaga. Além da burrice que ele fez, não dá pra ficar bem sem uma arma. – Ela falou enquanto batucava os dedos na penteadeira.
- Bom, isso eu resolvo pra você. – Ela estranhou, eu deixei a escova com ela e saí andando pelo chalé. – Aqui no chalé de Afrodite descobri vários esconderijos, um deles tem várias armas de semideusas que passaram por aqui e deixaram suas armas para o caso de emergência, afinal a maioria das minhas irmãs nem pega uma arma quando chega aqui. – Tirei de lá uma faca longa, cabo com detalhes em couro e tinha uma pequena borboleta em baixo.
- É linda... – Ela falou observando a faca, pegou, balançou para um lado, depois para o outro. – É leve, perfeita. Acho que depois dessa dá até pra perdoar o Stoll, ele me fez achar essa faca e eu ainda vou ter vários motivos para mata-lo.
- Perfeito então, vamos adiar o banquete de Stoll! – Falei enquanto retomava os cuidados do cabelo dela e nós duas caíamos na gargalhada.
Quando o cabelo dela já estava perfeitamente limpo, seco e até com um pouquinho menos de volume e alisado (não me controlei), ela também já tinha trocado de roupa, fomos pro almoço. Ainda não tinha tocado o sinal, mas não ia demorar então fomos caminhando, podíamos ficar ali por perto.
- Então, como era a vida na Flórida? – Perguntei pra ela enquanto saíamos do chalé.
- Bom, eu ia muito à praia, costumava passar boa parte do tempo lendo livros, tinha alguns amigos mas tinha muita gente por lá que não gostava de mim, depois eu descobri que aquela gente toda era um exército de monstros que tinha se acumulado ao longo dos anos, a minha melhor amiga ficou com a pele verde e nós desaparecemos de lá entrando em uma árvore e surgindo no meio do bosque, descobri que ela é uma dríade, ou era. No último mês ela foi enviada pra proteger um filho de Apolo, mas acabou morrendo.
- E você ainda está triste?
- Não, já superei. Mesmo quando ela ainda estava aqui falava pouco com ela. E você, como era sua vida antes de vir pra cá?
- Bom, pelo que Nico me falou a maior parte das minhas lembranças é falsa, mas eu me lembro de ter chegado no orfanato pequena, um pouco depois ele chegou, ficamos muito amigos, ele era meu único amigo, depois no meu aniversário de 13 anos ele me deu esse prendedor de cabelo – falei apontando para o prendedor no meu cabelo. – E quando fomos para o refeitório a cozinheira se transformou em uma fúria, Nico tirou uma espada de não sei onde e o orfanato desabou, eu fiquei debaixo dos escombros e consegui sair quando uma luz mágica me tirou de lá. Uns minutos depois eu desmaiei.
- Você já tem notícias do Nico?
- Tenho sim, ele teve que sair do acampamento pra resolver algumas coisas, mas já voltou, inclusive está vindo pra cá agora. – Falei quando avistei a jaqueta preta de couro ambulante que vinha na nossa direção.
- Oi pequena! Oi Eduarda não é? – Ele falou comprimentando as duas.
- É Eduarda sim, irmã do Percy.
- Sabia que te conhecia de algum lugar! O que vocês tem feito de bom?
- A única coisa boa foi minha faca nova, o resto foi mais ameaças ao Travis. – Eduarda falou.
- Travis? Ele está vindo pra cá agora. – Nico disse olhando através de nós duas.
- Dudinha, Dudis, Duda, Dudu, trouxe sua adaga! – Ele falou brincalhão com a adaga na mão.
- Não precisa mais Stoll, estou farta das suas pegadinhas! – Ela falou, ele fez cara de triste e guardou a adaga.
- Já que é assim, vou guardar a pobre adaga lá no arsenal, para sofrer solitária até que outra...
- Stoll! – Eduarda gritou o interrompendo.
- Tá bom, tá bom, já entendi! – Ele falou e nesse momento soou o sinal de que era hora do almoço, já estávamos perto do refeitório então em alguns instantes todos estávamos todos sentados.
- Oi Piper! Connor lembrou de te avisar que eu estou viva? – Perguntei sentando no lado da minha irmã.
- Sim, achei que você e o Pégaso tinham explodido ou sei lá, ele não tem um bom histórico de comportamento, mas parece que gostou de você.
- Com certeza eu gostei dele, Piper eu não posso dizer muita coisa, mas quando houver algum problema, todas as filhas de Afrodite vão ter que permanecer juntas, tá bom? – Ela não perguntou nada, só balançou a cabeça.
- Mamãe me visitou em um sonho algumas noites atrás, ela disse que a única coisa que eu podia fazer pra ajudar é manter todas juntas e que eu vou saber o que houve na hora certa, temos que confiar nela.
- Exatamente. – Falei antes de servirem um prato de paillard ao fetuccini que deixou minhas irmãs aterrorizadas, a melhor parte do dia era comer algo cheio de massa no almoço.
Fui caminhando para a fila, joguei na fogueira pedaços para Afrodite, Podeidon, Hermes e Hades, que com essa confusão toda devia estar lá em cima também. Claro, também tem Zeus, pra que a mente dele estivesse iluminada para resolver esse problema.
Voltei e comi em silêncio, enquanto minhas irmãs discutiam os acontecimentos da manhã. Aos meus olhos nada demais, para elas o mundo caiu, parece que um filho de Hermes pediu uma filha de Perséfone em namoro...
Depois do almoço eu tinha Artes e Ofícios, corrida de Canoa ou Parede de Escalada...
- Ei Duda, vai fazer o que agora? – Perguntei pra ela, que também parecia em dúvida.
- No meu horário posso ir andar de Pégaso, Corrida de Canoas ou Parede de Escalada, nós não podemos participar da corrida por que temos ligação direta com Poseidon. Acho que podemos ir para a Parede de Escalada. Já foi lá antes?
- Nunca...
- Então está decidido, tem que ter uma primeira vez para tudo. – Ela falou seguindo caminho para a parede de escalada, eu fui atrás.
Não era muito longe dali, no máximo 5 minutos andando bem devagar, quando chegamos alguns campistas distintos já estavam subindo, sem proteção nem nada... Ia ser difícil.
Escolhi uma parte que me pareceu mais firme e comecei, mão, perna, mão, perna, fui seguindo assim e em alguns instantes já tinha pego ritmo, estava subindo cada vez mais, até que me dei com lava quente descendo na minha direção, quase caí, mas consegui me segurar cerca de 2 metros abaixo, continuei subindo lado a lado com a lava, nesse momento avistei Duda, não muito acima, também tendo trabalho para não morrer fritada.
- Tudo bem com você? – Ela perguntou, notando que eu tinha parado de subir.
- Tudo ótimo! – Falei balançando a cabeça, retomando a concentração e subindo, alguns metros a cima começaram a rolar pedras, foi realmente difícil desviar, em cerca de meia hora, algumas pedras, muita lava e um extra de flechadas bem próximas a mim, cheguei no topo.
- Boa! Conseguiu subir de primeira! – Duda falou vindo me cumprimentar.
- Agora como descemos? – Perguntei olhando em volta procurando alguma escada ou algo assim.
- Do mesmo jeito que subimos! – Sabe aquele momento que você está super feliz e com um sorriso enorme no rosto, mas aí alguma coisa faz o sorriso sumir e os músculos relaxarem, isso foi exatamente o que aconteceu quando ouvi aquelas palavras e olhei pra baixo, mais meia hora pra descer essa coisa....
Notas finais
Bjinhos,
VIcky
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