No Meu Pégaso Branco
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Passei o resto da tarde ajudando a construir as paredes do chalé de Apolo, até a hora de irmos tomar banho conseguimos duas paredes, em três dias no máximo o novo chalé estaria pronto. Fui tomar banho no meu novo chalé e peguei uma roupa emprestada com uma das minhas novas irmãs, calça jeans e uma camiseta do acampamento, mas essa não ficou imensa de larga em mim. Coloquei uma bandana como faixa no cabelo ainda recém-cortado e prendi o prendedor na barra da camiseta. Botei meu par de all-stars rosa e fui para a varanda do chalé.
- Pequena! – Nico falou vindo na minha direção com uma mochila nas costas. – Tenho algumas coisas pra resolver fora do acampamento, tenho que ir agora. Fique com essa mochila, só abra ela depois do jantar de hoje. – Ele falou isso, me entregou a mochila, me abraçou e saiu correndo, sumiu na sombra de uma árvore.
Voltei para o chalé e escondi a mochila em um fundo de armário falso que Travis tinha me mostrado, depois saí e fui caminhando para o pavilhão do refeitório.
Estava passando pelo chalé de Poseidon quando ouvi alguém gritando, entrei para ver o que era.
- Ei Duda, qual o motivo de tanta calma? – Perguntei para a filha de Poseidon que estava usando um short, uma camiseta preta dos Guns N’ Roses e um all star preto, cercada de roupas e no outro canto do chalé estava Percy.
- Esse garoto acha que tem moral pra mandar eu trocar de short, por que esse está muito curto! – Não tinha muito o que fazer. Percy tentou falar, mas Duda não deixou. – Fica quieto! Eu uso a roupa que eu quiser, quando eu quiser e onde eu quiser! – Ela falou passando pela porta e me esperando, quando eu passei ela bateu a porta.
- Está mais calma? – Perguntei enquanto começávamos a caminhar para o jantar.
- É, um pouco. – Ela respondeu olhando para as estrelas. – Fez o que hoje?
- Ajudei lá no chalé de Apolo, e você?
- Aula de canoagem... Pelo menos eu passo bastante tempo na água.
Fomos caminhando lentamente e variando o assunto entre nosso dia, as bandas de rock preferidas dela, o filho de Ares que quase levou uma facada dela por que disse que os Beatles eram de Londres e Pégasos.
- Você está com o Marrento não é? Ele é o último Pégaso branco aqui e não deixava ninguém chegar perto dele. – Ela falou calma. – O meu é um preto, o nome dele é Nigrum, preto em latim. Tem olhos verdes lindos, papai me deu no meu aniversário de treze anos.
- Nigrum, interessante. O meu se chama Pietro. Não tem nenhum significado especial, mas eu adoro esse nome! – Falei, já estávamos chegando no pavilhão, então eu fui para a lotada mesa de Hermes e ela para a de Poseidon.
Serviram o jantar e eu estava comendo em silêncio, quando Rachel chegou correndo e sussurrou alguma coisa no ouvido de Quíron, ele assentiu, ela se virou para nós, os olhos ficaram estranhos e surgiu uma fumaça verde, então ela começou a falar, mas não era ela, parecia mais 20 vozes diferentes falando ao mesmo tempo...
“- No seu Pégaso Branco, ela deixará o acampamento,
Deixará a vida a levar, com o do caduceu e a do tridente,
Voltar para de onde veio, encontrar a ajuda nas sombras,
Tentar salvar o filho de ninguém,
devolver uma alma ao seu ente que já nos deixou,
Voltarão e consigo trarão o amor de volta.”
- Bom, está claro que temos uma nova missão! Eis a questão, quem conseguiu andar no Pégaso Branco? – Quíron falou de pé lá na frente, eu me levantei do bando e ergui a mão. – Victoria, de Hermes. Quem são seus acompanhantes? – Parei para pensar, Eduarda era a única filha de Poseidon, de Hermes eu só levaria ou Connor ou Travis, Travis apontava para Connor e Connor apontava para Travis.
- Travis Stoll e Eduarda de Poseidon. – Falei, Eduarda se levantou, não conseguia ver sua expressão, Connor comemorou baixinho e Travis se levantou sério.
- Vocês saem amanhã de manhã, os Pégasos estarão prontos as sete. – Já estávamos sentados, então eu juro ter ouvido algo do tipo “SETE???” vindo da mesa de Poseidon... Acabei de comer rápido.
-Travis, tenho que pegar uma coisa no chalé, encontro você e a Duda no punho de Zeus. – Avisei-o, nem esperei que ele confirmasse que tinha ouvido saí correndo, precisava abrir a mochila.
Cheguei no armário correndo, quase bati de cara na porta, quando consegui me acalmar tirei o fundo falso do armário e peguei a mochila, três moletons pretos, muito dinheiro humano, vários dracmas, um pacotinho de ambrosia, quatro pérolas meio estranhas e um bilhete. Abri o envelope tomando cuidado pra não rasgar o papel e abri, era a letra de Nico.
”Pequena,
A essa altura você já deve saber da missão, eu tive que ir ver uma coisa no Mundo Inferior, gostaria de estar aí pra te acompanhar na sua saída para a primeira missão, mas nos veremos em breve. Tudo que tem nessa mochila eles vão te entregar, tirando o casaco, use esses casacos pois ele disfarça o cheiro de vocês, o resto é um extra, tudo para te manter segura pequena. Guarde as pérolas, depois te explico para que vão servir. Lembre-se, eu estou na terceira linha.
Até logo,
Nico.”
Ouvi alguns passos se aproximarem, fechei o armário, guardei tudo na mochila correndo e fui para o Punho de Zeus. O bosque de noite era particularmente medonho, sombras e barulhos para todos os lados... Logo cheguei e encontrei os dois sentados em uma das pedras mais baixas.
- Cheguei. – Falei surgindo no meio das plantas.
- Por que precisamos nos encontrar tão longe da civilização? – Travis perguntou.
- Por que sim. – Falei pegando a mochila e tirando os casacos. Entreguei um para Travis e um para Duda. – Amanhã de manhã coloquem isso para a viagem, Nico disse que é para distrair o cheiro dos monstros.
- Manhã... Não gosto de acordar cedo! – Eduarda resmungou, pegando o casaco e enrolando-o em volta da cintura. – Quando sairmos daqui vamos para onde?
- Bom, acho que podemos is para Washington, o orfanato de onde eu vim é lá. – Falei apontando em um mapa de Travis tinha aberto, ele fez um “X” com uma caneta vermelha em Washington.
Ficamos ali por mais um tempo, discutimos alguns detalhes da viagem, eu ia em Pietro, Duda em Nigrum e Travis em um Pégaso cor-de-mel chamado Cadu. Iríamos parar para comer de tempo em tempo, não podíamos ir muito devagar e algumas outras regrinhas básicas. Travis marcou no mapa áreas como São Francisco, que não deveríamos chegar perto, e nossa primeira parada era em Nova Iorque, por que tínhamos que comer e era uma cidade legal para se conhecer.
- Agora as gatinhas tem que ir dormir, logo logo as harpias começam a procurar por semideuses fora do chalé, isso sem falar que amanhã temos que acordar uma hora antes. – Travis falou se levantando e juntando o mapa e as outras anotações que fizemos, eu coloquei tudo na mochila e a mochila nas costas, fomos caminhando todo o caminho de volta até o chalé.
- Boa noite Duda! – Falei a abraçando quando passamos pelo chalé de Poseidon.
- Espero que essa noite seja muito boa! Boa noite Vic! – Duda falou antes de se virar e fechar a porta do chalé atrás de si.
Continuei meu caminho ao lado de Travis até o nosso chalé.
- Desculpa ter te escolhido Travis... – Falei lembrando que nenhum dos irmãos queria ir.
- Era pra ser, mesmo que você não me escolhesse, a profecia me incluía. – Ele falou, eu estranhei, como ele poderia saber que ele estava incluído com tanta certeza. – Meu pai apareceu para mim outro dia e me contou. – Fiz cara de quem entendeu tudo. – Também disse que temos que temos que encontrar a sua mãe e conversar com ela. Por isso sugeri que fossemos para Nova Iorque.
Nesse momento veio a minha cabeça que poderíamos precisar de uma ajuda extra, lembrei de todas aquelas poções no buraco do chalé de Afrodite, abandonadas no chalé trancado.
- Preciso de ajuda para pegar uma coisa no chalé. – Falei para Travis, que deu um sorrisinho de canto de boca.
Desviamos nosso caminho até o chalé de Afrodite, faltavam 17 minutos para as harpias chegarem. Estava tudo trancado, Travis foi até um cantinho, em baixo de uma janela, foi batendo de leve na parede até que um caminho se abriu.
- Todos os chalés tem isso? – Perguntei surpresa, ele apenas assentiu com a cabeça, depois apontou para um pequeno túnel ali dentro, eu entrei e ele me seguiu.
O túnel era pequeno mesmo, no máximo 3 metros, por que ele descia e depois subia, saímos embaixo da cama sem dona, na qual Hollie dormiu. Fui me arrastando até a parte do assoalho que Piper abriu, tirei a tampa e botei tudo que coube na mochila, poções, dracmas, quando acabei só tinham armas, pois de armas nós não precisávamos. Nos viramos e saímos pelo mesmo lugar que entramos, dessa vez Travis foi na frente, eu fiquei lá por mais um segundo, observando o chalé escuro e abandonado... Depois saí e fomos correndo para o chalé de Hermes. Chegamos bem na hora das harpias começarem a ronda, logo que batemos a porta ouvimos uma passar do lado da janela esquerda do chalé.
- Boa noite gatinha. – Travis falou indo para sua cama.
- Boa noite Travis. – Falei colocando a mochila no fundo de armário falso e indo para a minha cama, para ajudar um pouco tive um sonho bem esquisito.
Não foi uma cena, ou uma visita, ou uma visão, só fiquei observando uma boneca minha de infância, que eu não pude levar para o orfanato, ela ficou na casa, que está lacrada até hoje pois o crime não foi resolvido... Nem vai ser...
Era uma boneca de porcelana, cabelos ruivos ondulados, franjinha retinha, bonitinha, vestidinho rosa florido, usava um chapéu de jardineira, tinha duas margaridas na mão esquerda. Botas de jardineira e na mão direita segurava duas luvinhas de jardinagem... Linda...
De repente, acordo com um travesseiro acertando meu rosto.
- Vamos gatinha, são seis e meia! – Travis falou, abri o olho ainda sonolenta e vi algo que nunca esperava ver. Primeiro, o cabelo de Travis estava minimamente arrumado, ele vestia jeans, o casaco que eu o entreguei e tênis esportivos. Estava com a mochila preta esportiva que Nico me deu na mão. – Bom dia! – Ele falou com AQUELA animação que algumas pessoas conseguem ter de manhã que chega a me irritar.
- Bom diaa... Eeeee.... – Falei com uma animação sarcástica. Me arrastei até a calça jeans que eu peguei emprestada vulgo a essa altura já é minha, uma camiseta do Pink Floyd que a Duda me emprestou e coloquei o casaco, prendi o prendedor na barra do casaco. Coloquei um headband fininho de couro. Coloquei meus all-stars e quando vi já eram dez pras sete, travis e eu fomos para o estábulo.
Chegamos lá sete em ponto, Cadu, Nigrum e Pietro estavam prontos, Quíron não falou muito, só entregou as três mochilas – agora tínhamos quatro – e se despediu, ele tinha algo importante para fazer.
Duda chegou uns cinco minutos depois, acompanhada de Percy.
- O bobão aí acha que eu preciso que me acompanhem... – Ela resmungou revirando os olhos pro irmão.
- Só vim te trazer aqui maninha e falar com o Travis. – Ele falou levando o Travis para longe e os dois começaram a falar.
- Aqui sua mochila. – Falei entregando uma mochila para ela, ela olhou dentro, um pouco de dinheiro humano, oito dracmas e um pacotinho de ambrosia. Agora tínhamos na soma cerca de dois mil dólares, quarenta e quatro dracmas e bastante ambrósia. Mais todas aquelas poções, a maioria eu nem sabia a utilidade.
Dois minutos depois Travis voltou, Percy foi de novo para seu chalé e nós estávamos prontos para sair.
- Vamos lá amiguinho... – Sussurrei para Pietro quando cheguei perto dele, subi coloquei a mochila nas costas, juntamos as coisas de duas mochilas em uma, agora estávamos com três de novo.
Nós três ficamos lado a lado na pista para levantar voo, desejamos boa sorte e fomos. Aquela sensação de decolar multiplicada por dez adicionada do nervoso da missão, era bem forte.
- Nova Iorque, lá vamos nós! – Travis gritou erguendo a mão direita, eu e Duda repetimos o movimento e caímos na gargalhada.
Notas finais
Bjinhos,
Vicky
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