No Limits To Darkness
3 Capítulo 3 - The Agreement
Alice acanhou-se enquanto era levada a um local desconhecido por correntes que machucavam seus braços e pernas. O homem de aparência idosa de cabelos desgrenhados e de coloração branca a deslocava com ponderação. Alice não entendeu muito a maneira de como ele a tratava. Talvez pela idade não era muito penoso.
A morte ainda gritava em seus ouvidos com sussurros sombrios que a atormentavam perante o caminho que seguia. Não fazia ideia de como seria, mas por mais estranho que fosse, suas lágrimas estavam contidas. Alice não queria mostrar sua fraqueza a ninguém.
A imagem de Mitch veio com rapidez. Seus lábios tocando os dela. Suas mãos a protegendo com tanta firmeza de um mero frio. Seu inalcançável modo de agir. Sempre calado e sempre tão acessível a ela. Era triste saber que não o veria nunca mais. Alice poderia descobrir novos sentimentos sobressaindo de sua alma por Mitch, mas a ocasião não estava ao seu favor.
Alice observava a cada área por onde encostava seus pés. Muitas cabanas de madeira rustica isoladas uma das outras, homens exercendo trabalho físico, algumas mulheres os ajudando e outras tornavam a cozinhar. Quando cruzava por eles atentava seus olhares acinzentados a defrontando. Contudo os olhares que a acompanhavam legavam compaixão mais do que qualquer outra coisa. Nenhum deles inclusive o senhor que a levava pareciam ser perigosos. A não ser... Jack Mortenson.
O senhor de cabelos desgrenhados a levou para uma cabana daquelas que admirava. A maior e mais isolada de todas. Ele bateu na porta amadeirada com o punho cerrado duas vezes. Aquela voz medonha que arrepiou a nuca de Alice se pronunciou. O homem abriu a porta e adentrou junto a ela. Alice observou a cabana com apego. Havia quadros pintados pelas paredes de madeira empoeirada, uma lareira bem ao centro com quatro bancos pequenos de três pernas fazendo um círculo, a sua direita viu uma cama desarrumada com objetos pessoais em volta e pela sua esquerda viu uma mesa insignificante com vários tipos de armas que se possa imaginar que mutilam qualquer ser vivo existente. Alice engoliu em seco quando notou as botas de couro pesadas de Jack Mortenson apoiadas sobre ela.
– Jack. – Chamou o senhor de idade. – Aqui está ela, como pediu. – Pôs Alice a sua frente com toda delicadeza possível.
– Obrigado August. – O caçador mostrou uma imagem diferente do que Alice havia testemunhado. Ele sorriu sem indiferença a August, muito agradecido. No entanto após a retirada do velhinho, Jack tornou-se a enrijecer o rosto e a fitá-la com indiscrição.
– Poderia me poupar do que quer que queira dizer e me entregar logo a um ‘’deles’’? – Alice começou a dizer suas palavras já que as de Jack estavam contidas.
– Acha que vou querer te matar agora? – Jack arqueou uma de suas sobrancelhas e exibiu um sorriso debochado.
– Então por que estou aqui? – Pergunta Alice destemida.
– Gostaria de trocar algumas palavras com a senhorita. – Jack descruzou as pernas postas em cima da mesa e se levantou devagar como se propusesse a avaliá-la de perto. – A senhorita se incomoda? – Um bendito risinho saiu de sua boca, deixando Alice nervosa.
– Sim. Não responderei a nenhuma de suas perguntas. – Afirmou. Jack, porém, com um sorriso cheio de ironia deu mais alguns passos próximo a ela.
– Não? E por quê? – Sua voz havia diminuído o tom. Estava desafiando-a.
– Porque não pretendo te ajudar em nada. Vai me matar não vai? Então porque eu o ajudaria?
– Certo. – Jack demonstra um gesto de rendimento e dá mais um passo adiante. A respiração dele e de Alice estão muito próximas desta vez. – Então me convença a não querer matar você e seu amigo.
Alice recuou para trás e não entendeu muito bem a nova proposta do caçador. Será que não estava apenas se divertindo com ela?
– Presenciamos uma guerra violenta, perdemos nossos entes queridos e todo esse tempo tentamos apenas sobreviver com o que conseguíamos... Não merecemos isso. – Desabafou com remorso.
– Não me convenceu. – Jack balançou a cabeça em negação e voltou a sua mesa sorrindo com seus dentes a mostra. Alice se irritou profundamente com aquela cena, mas não quis piorar sua morte. Estava nas mãos dele. Então deixou de lado sua atitude brutal para tentar salvar a vida de Mitch a todo custo.
– Por favor... – A voz havia adquirido um tom normal como quem fala educadamente. – Me use como isca, mas não faça isso ao meu amigo. – Pediu solenemente. Amigo. Seria mesma essa palavra certa após aquele beijo e todos os carinhos? Aquela atitude arrasada quando a levaram e não a ele?
– E quem garante que após eu acabar com você não acabe com ele? – Jack se curvou, apoiando sua cabeça nas mãos com uma expressão de zombaria. Definitivamente ele a deixou furiosa. Com as mãos fechadas em punho Alice andou rápido em sua direção e com a corrente que prendia suas delicadas mãos pálidas tentou chegar por trás dele para enrolá-la em seu pescoço grosso e enforcá-lo de uma vez. Mas Jack era profissional. Assistiu a cena toda até ela estar próxima demais dele. Antes ele segurou seus pulsos e os estendeu contra a parede.
Jack deu gargalhadas frente a frente a Alice.
– Dê-me um motivo para eu não matar você agora? – Perguntou com um sorriso torto e os olhos negros faiscando. Alice nada disse, seu coração batia depressa de tão rápido que tudo havia acontecido. Sua respiração estava ofegante e temeu estar muito próxima de Jack. Ele poderia pegar uma faca ou qualquer outro instrumento para torturá-la naquele instante. Jack sentiu um vestígio de medo nos olhos verdes lima e brilhosos de Alice e continuou a falar:
– Assusto você? Que pena. Então posso mandar você de volta. – Mesmo tendo tomado uma decisão em suas palavras, ainda a prendia na parede deixando-a encurralada. A cada palavra que dizia seus lábios úmidos iam se aproximando um pouco dos dela. Ele percorreu seu olhar por todo o corpo de Alice. O vestido a deixava atraente e firme ao corpo robusto e magnífico.
Jack se perdeu um pouco em sua atitude. Contudo logo seus pensamentos foram cortados quando ela moveu sua boca novamente:
– Podemos... Fazer um acordo? – Jack afrouxou um pouco seus pulsos, mas ainda assim a encurralava. Nada mais fez a não ser esperá-la com curiosidade. – Ao invés de sermos iscas de seu plano, podemos ajudá-lo a capturar um deles. Se nos ensinar tudo o que sabe sobre armadilhas...
Jack tornou a rir novamente das palavras de Alice. Uma risada curta vendo que Alice tinha certeza de suas palavras em seus olhos e que estava sendo sincera quanto ao que dizia.
– Vão morrer como qualquer um. – O caçador mesmo um pouco convencido pelas palavras de Alice não fez questão de concordar já que capturar um vampiro ou lobisomem era suicídio a qualquer um.
– Não se nos ensinar. – O verde nos olhos de Alice parecia sangue. Uma expressão tenebrosa e convencida tomou conta dela atraindo um pouco Jack e aumentando seu ego.
Por fim Jack a soltou e caminhou parte de sua cabana não tirando os olhos dela. Pensou muito no que iria dizer. Mas afinal, o que tinha a perder? Talvez até fosse interessante a presença da ruiva neste local.
– Tudo bem. Vamos dizer que funcionará da seguinte maneira: Se tentarem fugir nós os seguimos e matamos. Ajudarão com tudo que precisamos todo o dia e serão vigiados o tempo todo. Se cumprirem com o acordo deixaremos que decidam o que fazer adiante, mas... – Jack sorria maldoso. – Se não conseguirem, ou serão mortos por eles ou serão mortos por nós.
Alice sentiu uma pontada de covardia dentro de si ao ouvir as últimas palavras do caçador.
Em seguida o mesmo se dirigiu com ela até a saída da cabana e chamou dois homens mais jovens.
– Tragam o rapaz por favor. – A postura de Jack era séria, mas no entanto, contemplativa. Assim que os homens com os músculos quase pulando fora de suas camisas foram buscar Mitch. O caçador a encara mais uma vez e aquele mesmo sorriso maléfico, desafiador e um tanto malicioso se apoderam sobre ela.
Por mais que Alice esteja repreendida pelos modos do caçador, não conteve um simples e singelo sorriso em seu rosto ao saber que Mitch ficaria bem. E o mais importante, que ela o veria de novo.
Fale com o autor